Archive for segunda-feira, julho 16

  • Muramasa

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    Muramasa
    Osamu Tezuka - Tezuka Productions
    Anime - Filme
    1987
    8 em 10

    Este é um filme de 8 minutos dirigido por Osamu Tezuka, o rei do anime e pioneiro da animação japonesa.


    Aí está para vocês verem, que vale muitíssimo a pena e não custa nada a ninguém.

    Um pouco de história só para ter a noção: era uma vez um tipo chamado Sendo Muramasa que fazia espadas. O gajo era um bocado passado da caixa dos pirulitos, por isso formou-se à volta dele uma lenda que dizia que quem pegasse numa espada dele ficava doidão. Mas mesmo sem esta noção, o anime desenvolve uma situação muito mais complexa que uma espada assombrada.

    "Aquele que segurar uma espada para destruir espantalhos também se tornará num espantalho"

    Seguimos portanto o caminho de um homem que começa por destruir espantalhos e a sua sede de sangue, ilógica e injustificada (como todas o são), se desenvolve até à sua própria morte. É um pequeno elogio à loucura, com uma moral discreta: também tu podes morrer sob o mesmo objecto que mata os outros. Quase se pode dizer que é um manifesto anti-guerra, anti-morte, anti-tortura, anti-sadismo, anti-sofrimento.

    Temos uma animação muito simples, duas frames de cada vez, mas muito eficiente em conjunto com a música. É uma curta que, como todas deveriam, prima pela simplicidade. Os desenhos são muito bonitos e os poucos momentos de animação estão muito bem feitos.

    Um perfeito exemplo do que uma pessoa verdadeiramente talentosa pode fazer. Muito recomendado.
  • Optimus Alive

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    Eu era para não ir ao Alive. Queria muito ir, ao dia 14, queria muito ir ver The Cure e queria um bocadinho ver a Florença e as Máquinas, mas não tinha ninguém para vir comigo. Mas depois a Sandra disse que ia! E outros amigos ganharam bilhetes num passatempo! Viva! Fui!

    Mas, ao contrário de outros Alives que estiveram cheios de aventuras, este não foi uma experiência muito agradável psicologicamente.

    O espaço é o de sempre, três palcos mas bandas a tocar à entrada. Muitos espaços com presentes e muitas actividades. E achei esse o maior defeito. Tantas actividades que parecia que as pessoas não estavam lá nem pelos concertos nem pela música. Passei três concertos na fila para uma t-shirt (mas eram concertos que não me interessavam muito. Mas também não fiquei a conhecer as bandas, que era o meu objectivo), que saiu bastante gira e estou a usar neste momento.

    Depois houve ali um momento na casa de banho que envolveu umas filas de proporções gargantuescas.  Que me pôs completamente psicótica. Completamente passada da marmita. Desculpas a todos. Ao menos não fui expulsa.

    Depois não podia beber sob o risco de ter de ir à casa de banho durante o concerto.

    E depois não vi Morcheeba.

    Mas ainda assim valeu a pena. Valeu a pena porque vi The Cure. E, sem contar com toda a existência do Gackt, The Cure é a minha banda preferida e Robert Smith era o tio que eu queria ter (porque ninguém substitui o meu pai)

    Estávamos um bocado mal localizados, por isso só podíamos ver os ecrãs. Fomos avançando ao longo do concerto, mas mal os conseguimos ver. Mas estavam lá. Via-se no ecrã. O Robert está um bocado mais envelhecido do que da última vez que o vi, mas ainda assim esteve ali a dar-lhe com a fé toda. E continua a pintar os lábios com coelhinhos de amora. <3

    Para mim foi um concerto maravilhoso. Apesar de terem tocado algumas músicas que eu não conhecia (o que me deixou em grande suspense, eu pensava que sabia a discografia toda! Terei perdido um álbum recente?) o ambiente geral foi muito bem conseguido, com um ritmo constante, fácil de gostar, fácil de dançar. Muitos solos, o Robert estava todo passado. Mas solos mesmo bonitos. Dizem que era para fazer o concerto durar mais tempo, mas eu acho que estavam lá a acreditar no que queriam fazer. Deram-lhe muito nas músicas lentas, o que deixou o público um bocado atazanado, mas eu gostei. O Robert quis tocar uma música e não o deixaram e isso reflectiu-se no resto do concerto. Como público, achei que lhe falhámos.



    As pessoas não estavam viradas para ouvir a introspecção do Robert. As pessoas queriam dançar. Mas o Robert queria uma cena calma, era a onda que tinha nesse dia. O que não é ideal para um concerto de festival, mas quando se é o líder dos The Cure pode-se estar na onda que se quer e dizer a toda a gente "ma cagar". E foi o que ele fez. Falhámos quando ele nos pediu, mas ainda assim foi um fofo e continuou lá. Durante três horas e meia. Com três encores. And that's it. Não percebi o que fazia tanta gente a ir-se embora, tanta gente a reclamar e tanta gente a mandar vir. Não gostam não viessem! Senti falta dos verdadeiros fãs, mas se calhar era porque estava muito longe do palco.

    Os arranjos eram diferentes do que estamos habituados a ouvir no album, mas tudo aquilo juntamente com as luzes, com a voz sentimental do Robert Smith e com o fabuloso talento que esta banda tem para tocar os seus instrumentos, tornou-se numa viagem lindíssima, um pouco psicadélica mas muito feliz.

    Uma bonita trip que envolveu dançar e cantar non-stop durante as horas todas (com pausa para ir embora porque ninguém estava à espera de três encores)

    Obrigada Robert, por me fazeres tão feliz. Mesmo com todas as outras coisas. Tu fazes o dia valer a pena.


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