Archive for terça-feira, janeiro 17
Fantastic Beasts and Where to Find Them
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Fantastic Beasts and Where to Find Them
David Yates
2016
Filme
6 em 10
Eu adoro o Harry Potter, mas vou confessar-vos uma coisa: eu detesto os filmes da saga. Sabem, eu tinha a idade do Harry Potter entrar em Hogwarts quando comecei a ler a série. Portanto, os filmes foram uma coisa completamente diferente do que tinha imaginado. Quando saí do cinema nesse primeiro filme, chorava de raiva por terem destruído totalmente a minha fantasia. Só vi três dos filmes.
Mas eis que surge uma nova oportunidade a dar neste universo! Este filme novo é inspirado num livro muito pequenino, mais um glossário de espécies bizarras do que um romance propriamente dito. Assim, existe nesta história uma grande versatilidade, sendo que estava ansiosa por saber o que viria daí. O resultado é interessante, mas não espectacular.
Segue a história do fulano que escreveu este glossário, Newt Scamander, numa aventura pelos Estados Unidos. Ficamos a conhecer um pouco mais da magia pelo mundo, mantendo um espírito muito puro às ideias originais da saga. Os personagens são cativantes, em especial no No-Maj (americanês para Muggle) e é-nos mostrado um bocadinho da história da magia antes da chegada daquele cujo nome n~ão deve ser pronunciado.
Não será o filme ideal para quem não conhece nada sobre o mundo mágico de Harry Potter, se bem que nos são mostrada coisas nunca antes vistas, como uma variedade fascinante de espécies animais e vegetais.
Os efeitos especiais, sobretudo as animações dos animais, poderiam ter sido muito melhores, houvesse havido um melhor investimento nesta secção em vez da dedicação às cenas de acção, que poderiam ter sido muito mais reduzidas.
Gostaria de ver mais instâncias desta nova série, mas espero que não o façam ad nauseum.
By : ladyxzeus
Aquarius
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Aquarius
Kleber Mendonça Filho
2016
Filme
6 em 10
Este filme brasileiro, um dos candidatos a candidatos para o Óscar nesse país, sofreu uma grande controvérsia altamente mediática na altura em que foi lançado. Claro que nós, por aqui, só soubemos disso quando o filme saiu numa boa versão na intermete, pelo que tive de pesquisar um pouco para saber o que aconteceu.
O que aconteceu, coisa que descobrirão se observarem a película, não tem nada a ver com o filme, embora os seus produtores (franceses? A Petrobras?) sejam um pouco estranhos. O que se passou foi que quando a equipa deste filme o foi apresentar a Cannes fizeram um pequenino manifesto contra o impeachmente de Dilma. E, como é evidente, foram imediatamente catalogados como o mal rubro e certos críticos afirmaram que o filme não deveria ser visto pelas pessoas de bem.
Bem, como eu vi o filme agora parece que deixei de ser uma pessoa do bem. Deixarei agora que o mal me absorva na totalidade e passarei a falar um pouco sobre o filme. :)
Clara, uma jornalista e escritora na casa dos 60 anos, vive num prédio à beira de uma praia no Recife, prédio encantador com tudo o que ela adora e, sobretudo, com grandes memórias. As memórias estão em todo o lado, mas sobretudo nos discos de vinil que ela colecciona e que têm - cada um deles - histórias muito especiais. No entanto, um ambicioso arquitecto quer comprar o seu apartamento para renovar todo o Edifício Aquarius num objecto de alta modernidade inspirada pelos estadunidenses. Mas Clara não vai ceder.
Mais do que um filme da luta contra o sistema, este filme mostra as fragilidades de grande parte do sistema. Mostra o lado mau das faixas oponentes da sociedade brasileira actual de forma simples mas incisiva, criticando os personagens mas nunca deixando que se tornem caricaturas. No entanto, parece-me que o foco principal do filme é a observação do passado da personagem, com uma excelente interpretação de Sónia Braga, através da sugestão da música.
Assim, a narrativa acaba por ser bastante simples, embora não totalmente previsível.
Não apreciei, de todo, as cenas sexuais um pouco explícitas, sendo que penso que o filme teria passado melhor sem elas.
De todos os modos, é sempre bom ver um filme do meu outro país. Esperemos que mais vpessoas se tornem do mal e o vejam. :)
By : ladyxzeus
Florence Foster Jenkins
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Florence Foster Jenkins
Stephen Frears
2016
Filme
7 em 10
Curiosamente, havia visto recentemente um outro filme inspirado pela mesma história real. Foi interessante ver as diferentes interpretações da história, sendo que nesta versão se mostra um relato um pouco mais fiel do que realmente terá acontecido.
Florence Foster Jenkins foi uma senhora da alta sociedade Nova Yorkina que amava a música. Adorava organizar concertos, sempre apresentados pelo seu marido e manager (um monologuista), e - sobretudo - cantar neles. Infelizmente, acontece que ela não sabia cantar. Não fazia ideia disso, mas a verdade é que cantava pessimamente.
No entanto, a sua carreira começa a ser um sucesso descontrolado quando ela grava um disco e o envia aos cuidados dos soldados que estão neste momento a combater a segunda guerra mundial. Será que as coisas vão correr bem? Talvez sim... Talvez não... Talvez talvez. :)
A história retrata com fidelidade a época e a sua alta sociedade, fazendo-o com muito humor, de forma discreta mas sempre corrosiva. Devemos observar estes actores no seu trabalho, se quisermos ter inspiração para essa actividade, porque se revelam absolutamente exactos, com uma técnica irrepreensível mas, acima de tudo, com uma grande paixão. Meryl Streep continua a enganar toda a gente: desta feita poderíamos mesmo acreditar de que se tratava de uma senhora doente, irresistivelmente pouco talentosa, frágil, ultra-dependente.... Mas ainda assim amável e adorada pelos que a rodeiam. Já Hugh Grant surpreende, pois confesso que nunca o tinha visto num bom papel. A verdade é que talvez a idade lhe tenha feito bem e que agora consiga revelar aos poucos todos os talentos latentes debaixo destes anos de aprendizagem.
Um filme de risos e lágrimas, que dá muita vontade de conhecer a personagem inspiradora desta história. E talvez até mesmo ouvir o seu concerto no Carnegie Hall!
By : ladyxzeus
Objectos Cortantes
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Objectos Cortantes
Gillian Flynn
Romance
2006
Surgiu a oportunidade de ler este livro através do BookCrossing, onde foi sugerido como um bom thriller ligeiramente horripilante. Estava com saudades de ler algo deste género mas, infelizmente, ainda não foi este livro que me encheu as medidas.
Uma jornalista que se afastou da família há muito tempo é escalada para ir à sua cidade natal para que investigue dois assassinatos de crianças que poderão estar (ou não) relacionados. Lá, terá de reatar relações com a sua perturbada mãe, sempre assombrada pela morte de uma irmã mais nova, e conhecer uma outra irmã ainda mais nova, sendo que ao mesmo tempo tem de evitar a todo o custo as más línguas desta cidadela pequena.
A história seria interessante se não fosse plenamente previsível para alguém com conhecimento do Síndrome de Munchausen by Proxy (nomeadamente, eu). A evolução do mistério caminha toda para esta evidência e para a revelação final, para a qual é dada uma dica muito estragativa na própria sinopse do livro. Tendo isto em conta, teremos de nos apoiar nas personagens para que possamos ter uma narrativa plena.
Infelizmente, a autora peca por exagero na caracterização das suas personagens. A personagem principal, sendo naturalmente fraca, tem sempre uma inclinação para explorar ainda mais a sua própria fraqueza, sendo que todas as conclusões tomadas ao longo do livro parecem coincidências. Isto é, aparentemente a personagem não faz absolutamente nada para que consiga descobrir o fio à meada, sendo que este lhe aparece subitamente por conversas com conhecidos e amigos. Para além disso, para uma personagem tão perturbada com a sua imagem, a vida sexual que se apresenta no livro é plenamente exagerada e, simplesmente, desnecessária. Parece que há aqui uma dicotomia do "rapaz bom-rapaz mau", tão habitual de um livro para a adolescência... Noutro campo, as outras personagens também estão exageradas a um nível que ultrapassa o realismo exigido pela narrativa. A mãe é sempre vista como absolutamente psicótica, embora ninguém (aparentemente) dê por isso. A irmã mais nova tem, aos treze anos, uma vida arrebatada pelas drogas e sexo, o que parece altamente improvável tendo em conta o universo em que vive.
Finalmente, a tradução é muito inexacta em alguns pontos (por exemplo, chamaríamos "E" em vez de "X").
Foi uma boa tentativa, li este livro de uma assentada, mas bem vistas as coisas ficou bastante aquém do que tinha esperado.
By : ladyxzeus
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