Archive for quarta-feira, outubro 18
Blade Runner 2049
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Blade Runner 2049
Dennis Villeneuve
2017
Filme
7 em 10
Trinta anos depois do Blade Runner original, vamos ao cinema para ver uma sequela que nos mostra a vida neste universo perdido no pó, também três décadas após o que aconteceu no original.
Agora, os replicantes mal fabricados são perseguidos e eliminados por outro tipo de Blade Runners: androides que funcionam perfeitamente e que foram fabricados por uma nova empresa que domina a terra devido à sua tecnologia de alimentação artificial. Neste filme seguimos a busca pela identidade de K, um androide sem nome, apenas o seu número de série, que após destruir um replicante muito antigo encontra algo que não devia dentro de uma caixa.
Novos conceitos nos são apresentados: para começar, os androides sem defeitos. Depois, alguns eventos como um grande "apagão" que destruiu todos os dados há muito tempo atrás. Tendo isso em conta, viajamos pelo mesmo tipo de cidade, atormentada por anúncios e publicidades invasivas, atormentada por uma identidade que se divide entre o que é real e humano e o que é a alma do andróide.
Quando vi o filme, não gostei muito de algumas partes, nomeadamente do argumento. Achei que foi forçado relativamente às personagens (note-se que eu lembro-me muito melhor do livro do que do primeiro filme) e que, por isso, não fazia muito sentido dentro do contexto. No entanto existem alguns elementos que, numa segunda análise, são preciosos: a relação do andróide com a sua inteligência artificial de estimação, o valor das memórias falsificadas... Tudo isso nos leva a que possamos explorar conceitos de identidade e da definição do que é realmente a humanidade. Não gostei da dica para a sequela, que tem todo o ar de vir a ser um filme de acção descerebrado. No entanto, o final ambíguo também nos dá um certo alívio.
Outro aspecto que não apreciei foi o uso e abuso de efeitos digitais. Estão, realmente, muito bem disfarçados. Mesmo muito bem. Mas da chuva à neve, não há maneira de dizer que não são falsos. De todos os modos, é um filme contido, com cenas de acção apenas utilizadas nos momentos chave, rápidas e eficientes.
Os actores fizeram todos um excelente trabalho, embora a caracterização física dos androides seja estranha, pois estão estruturalmente demasiado ligados à humanidade. A banda sonora não é de todo tão intensa como a do primeiro filme, sendo utilizada de maneira errática e, muitas vezes, induzindo as emoções do espectador em erro.
No entanto, é um filme que vale a pena ver, sobretudo para aqueles fãs do primeiro.
By : ladyxzeus
Gals!
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Gals!
Fujii Mihona
Manga - 40 Capítulos/10 Volumes
1999
4 em 10
Os pequeninos sobreiros que me acompanham há mais tempo, saberão que em tempos li o terceiro volume deste manga, para o qual cheguei a fazer um comentário. Na minha decisão de tornar Plan to Read todos os mangas e novels que tinha empatados, chegou a altura de ler os dez volumes por inteiro.
Não poderia eu ter ficado mais horrorizada. Vejamos:
Kotobuki Ran é uma GAL, palavra que - na época - definia as moças que se vestiam de maneira histericamente vistosa. Também uma palavra para "prostituta". Ora, Ran é efectivamente histericamente vistosa. É precisamente em Ran que o manga falha em todos os aspectos.
A história mostra-nos a vida diária das Gals de Shibuya, que por sinal estão quase todas na mesma escola e que, por sinal, tem o seu interesse resumido a ir às compras, salvar pessoas em apuros e desesperar sobre namorados. Parece uma vida adolescente perfeitamente normal, excepto pelo facto de que estas adolescentes são as personagens mais insuportáveis que vi nos últimos tempos. O seu diálogo é, como dizem os brasileiros, "abobrinha". Só abobrinha. Nada do que elas dizem tem interesse, valor ou consequência. Tudo acaba bem em todos os momentos. Estas raparigas, sobretudo Ran, não têm qualquer tipo de objectivo nem rumo na vida, sem ser o de "divertir-se até ao fim, porque somos jovens". Também a sua história pregressa, embora a autora a tente desenvolver, peca por falta de realismo e por forçar situações demasiado trágicas para que o leitor se sinta emocionado por elas.
A arte, que eu achava fofa, é na verdade pouquíssimo detalhada. As caras são todas iguais e muitas vezes é difícil de distinguir as personagens quando a autora usa sombras diferentes do habitual para os cabelos. As roupas, que deveriam ser uma parte integrante e muito importante deste manga, aparecem pouco acentuadas e não há qualquer tipo de apontamento ou referência a estas pelos intervenientes da história.
Todo este manga falha por tentar cativar uma adolescente que nunca existiu em mim. Se calhar só sou eu, apesar de tudo. Mesmo assim, não conseguiria recomendá-lo a ninguém.
By : ladyxzeus
