Archive for quarta-feira, agosto 10

  • Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
     Stanley Kubrick
    Filme
    1975
    7 em 10 
     

    Como alguns saberão, os filmes de Stanley Kubrick vêm sofrendo uma remasterização e nova audição em cinemas de todo o mundo. Barry Lyndon veio a Portugal por alguns dias, no Cinema Ideal, e não podia deixar de ir ver. 

    Primeiro, um comentário sobre este cinema, ao qual nunca tinha ido. É um cinema "à moda antiga", como já é raro de encontrar! Gostei muito. :) Só tem uma salinha pequenina, som stereo, com plateia e bancada, um barzinho e restaurante. Muito agradável!

    Quanto ao filme, irei enumerar alguns aspectos que apenas reparei nesta segunda visualização. Primeiramente, a caracterização da época é muito mais irónica do que se poderia pensar. Patente nisto é o facto de todas as lutas, até mesmo batalhas entre exércitos, serem extremamente "organizadas", cheias de regras e protocolos que, na verdade, acabam por tornar tudo ligeiramente cómico (apesar de serem situações muito sérias),

    É esta ironia no retratar da época que torna o filme único, sendo que desta vez me pareceu que todos os personagens trabalham para isso, numa adaptação fiel ao espírito do livro que a inspirou. Outro dado que me parece muito interessante é o detalhe no guarda roupa e na maquilhagem, que permite uma extrema expressividade nos momentos com menos luz. Recordemos que este filme foi todo gravado com luzes naturais, o que até aos dias de hoje continua a ser revolucionário.

    Finalmente, reparei também que houve alguns minúsculos detalhes que ficaram descurados. Nomeadamente, violoncelos em vez de gambas e o facto dos livros que estas pessoas lêem serem todos velhos (na sua época deveriam ser novos, não?) Mas tudo isso é apenas para um olhar demasiado clínico. ;)

    Aproveitem enquanto o filme está no cinema, porque vale realmente a pena. Esta versão remasterizada traz todo um novo detalhe em termos de cores e banda sonora que, até para quem nunca viu o filme, se torna numa experiência fantástica!

  • Starship Troopers

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    Starship Troopers
    Robert A. Heinlein
    1959
    Ficção Científica

    Há quanto tempo não pegava no meu Kobo? Foi tempo de lhe dar uma ensaboadela e começar a ler um pouco de ficção-científica, para variar ligeiramente da literatura clássica. :)

    Tudo o que eu sabia sobre Starship Troopers é que deu um filme de Série B e que tinha baratas gigantes. Será que eu ia conseguir ler o livro até ao fim? Na verdade, tornou-se uma experiência bastante diferente daquilo que estava à espera. De certo modo, a parte me que mais me surpreendeu foi o facto de ter sido escrito em 59 e ter tantos conceitos revolucionários para a época.

    Mas no fundo, podemos encarar este livro como uma espécie de spot publicitário para o recrutamento militar. Num universo futuro, em que as pessoas não são livres de votar se não tiverem servido no exército e em que se lutam frequentes guerras espaciais, um jovem recruta-se por mero acidente. O livro relata o seu caminho enquanto cadete e, depois, como soldado e a forma como acaba por encontrar sucesso. Tudo isto povoado por grandes diálogos e debates com professores que demonstram o quanto a guerra é uma coisa excelente.

    O que não me parece ser uma coisa muito moralizante para qualquer época.

    No fundo, o livro é um retrato das opiniões do autor sobre aquilo que seria o seu mundo utópico. São ideias extraordinárias para a época, mas ainda assim não posso dizer que concorde com elas. O tema da ficção científica acaba por ser um pouco paralelo, já que as partes que nutrem mais interesse são aquelas passadas no universo dito "normal", enquanto que todas as cenas relativas aos aracnídeos (as tais baratas gigantes) acabam por se tornar desnecessárias e um pouco cansativas.

    No entanto, é um livro extraordinário para a sua época e para qualquer pessoa que aprecie o facto de se matarem outras pessoas de forma legal e organizada.

  • Spaceballs

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    Spaceballs
    Mel Brooks
    1987
    Filme
    5 em 10

    Depois de irmos ao cinema, achámos boa ideia ver algo que não requeresse qualquer tipo de pensamento avançado para acompanhar. Assim, calhou mais um filme do grande Mel Brooks, embora este me tenha parecido claramente inferior aos outros que já tenho visto do autor.

    Spaceballs é uma paródia a Star Wars e a outros filmes de ficção científica. Seguindo mais ou menos uma linha narrativa semelhante, conta a história dos maléficos habitantes do Planeta Spaceball, que querem roubar todo o ar do Planeta Druid, de onde fugiu uma princesa, que se encontra com um fulano que anda de autocaravana no espaço e tem um amigo que é metade homem/metade cão.

    O filme é uma sucessão de piadas, sem deixar grande espaço para uma narrativa ou algum tipo de desenvolvimento de personagens. É certo que tem a sua graça, mas as piadas proto-judaicas rapidamente se tornam repetitivas. Apesar de tudo, é um filme altamente citável.

    O guarda roupa e os efeitos de maquilhagem talvez sejam a parte mais curiosa de todo o filme. Apesar de os efeitos especiais serem apropriados para a época, creio que teriam sido mais impressionantes se os valores de produção para eles tivessem sido dirigidos.

    De resto, os personagens e a história são pouco memoráveis. Fica a dica "I see your shwartz is as big as mine"

  • Suicide Squad

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    Suicide Squad
    David Ayer
    2016
    Filme
    6 em 10

    Num universo cada vez mais obsoleto de filmes de super-heróis, que saem seguidamente numa tentativa cada vez mais frustrada de conquistar um grupo de fãs cansados, os trailers de Suicide Squad apareceram como uma lufada de ar fresco. Por uma vez, um filme em que os heróis são os vilões! Parecia ter tudo para correr bem.

    No entanto, este filme acaba por seguir o mesmo sistema formulaico de sempre, tornando-se apenas mais um falhanço neste universo que, progressivamente, vem perdendo a sua originalidade e frescura.

    Uma mulher poderosa decide reunir um grupo de vilões e obrigá-los a trabalhar para elas, sob o risco de verem as suas cabeças explodidas se não o fizerem. Acabam por se reunir todos e lutar contra uma força maléfica demasiadamente poderosa que, evidentemente, vencem não sem alguns sacrifícios.

    Apesar de todo o grupo ter as suas introduções, os personagens não são desenvolvidos propriamente e acabam por perder a maior parte do seu potencial. Apesar de a escolha dos actores ser boa e de haver alguns gags "mauzinhos" para nos fazer sorrir, sente-se que há uma falta de estrutura por trás do filme, o que o torna bastante previsível. Para mais, o desenvolvimento dos personagens vai contra a sua própria natureza. O final de "não te metas com os meus migos!" é forçado e desnecessário, para além de descaracterizar os personagens enquanto vilões.

    Talvez a parte que tenha gostado mais tenha sido o binómio de paixão Harley Quin-Joker, que por uma vez é retratado como algo mais orgânico e sem uma componente abusadora. Também gostei muito das personagens. Harley foi imediatamente catalogada pelos fãs como fonte de sensualidade desnecessária, mas se virmos realmente o filme veremos que isso faz parte da sua própria caracterização enquanto pessoas que ficou louca pela sua relação com uma pessoa desregulada. Já o Joker, apesar de aparecer muito pouco, também me pareceu uma personagem com algum potencial, que poderá vir a ser desenvolvido em outros filmes.

    Enfim, tudo isto para dizer que este modelo de filme de heróis tem de ser totalmente reformulado para que possa voltar a ter algum tipo de valor. Talvez se mudarem realizadores, argumentistas, produtores, sei lá... Talvez se os fizessem completamente diferentes.
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