Archive for terça-feira, novembro 29

  • Mayoiga

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    Mayoiga
    Mizushima Tsutomu - Diomedea
    Anime - 12 Episódios
    2016
    6 em 10

    Quando comecei a ver este anime e vi o rating geral nos sites habituais, fiquei um pouco espantada. Afinal, tinha sido recomendado pelo clube e, por lá, não costumam fazer destas. Depois de ler algumas reviews, a conclusão que se tira é que a opinião geral é de que se trata de "uma comédia intencionalmente não-intencional". Mas depois da minha própria visualização chego à conclusão de que isto não passa de um patético mémé criado pelo hábito da crítica destrutiva. Para mim, não passou de um anime de terror-mistério perfeitamente standard.

    Vejamos.

    Um grupo de pessoas deseja afastar-se da sua vida e, por isso, reúnem-se numa viagem, um tour, para uma misteriosa cidade que não está nos mapas. Lá chegados, vêem-se perseguidos por monstros imensos e disformes e começa a haver uma desconfiança geral entre os membros do grupo. Mais tarde, ficamos a saber que estes monstros representam os traumas do passado destas pessoas, isto é, precisamente as razõe que as levaram a ir para esta aldeia.

    A ideia é muito interessante, mas considerando a quantidade de personagens que nos são apresentados necessitaria de muito mais episódios para ser concretizada devidamente. Os momentos ditos "cómicos" foram, para mim, ligeiramente perturbadores, na medida em que o pessimismo sempre presente nos indica que nada irá correr bem. A menos que uma pessoa esteja imediatamente remetida para o elemento de que se trata de uma (suposta) comédia, não acredito que alguém o sentisse desta forma.

    A animação não é muito má, mas também não tem excelência. Os monstros estão animados em 3D e acabam por ter um efeito muito pouco assustador se os desligarmos dos traumas que a eles estão associados. Já o design dos personagens é moderno mas muito pouco variável, sendo que acabam por se tornar indistinguíveis, ajudando a isto o facto de a maioria deles nem sequer sofrer uma caracterização para além do seu nome ou nickname.

    Musicalmente, temos canções mal ajustadas ao conteúdo na OP e ED, apesar de os efeitos sonoros adicionarem uma boa aura de melancolia e pavor às cenas.

    Portanto, não confiem nas críticas cegas. Vejam por vós próprios.
  • Entrevista com o Vampiro

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    Entrevista com o Vampiro
    Anne Rice
    1976
    Romance Fantástico
    Livro que deu origem a um dos filmes que mais gosto dentro do tema. A história deste é precisamente a mesma até, mais ou menos, a segunda parte. A partir daí, temos material puramente original que é, também, puramente delicioso!

    Louis torna-se vampiro pelas mãos do detestável Lestat. Agora, centenas de anos mais tarde, conta a sua história a um rapaz que o entrevista. Conta como se criou a pequena vampira Claudia e como tudo o que ele ama acaba por ser destruído, o que o leva a ter uma nova perspectiva sobre a vida que, agora, já não é humana e é absolutamente vampiresca.
     
    O livro faz um excelente trabalho na caracterização dos ambientes circundantes, dos hábitos da época, das cidades, tudo isto de uma perspectiva nocturna, misteriosa e imortal. Além do mais, explora de uma maneira original o mito do vampiro.
     
    Esta história é de tal modo fascinante que o nosso maior desejo quando a terminamos é a mesma do rapaz que faz a entrevista: por favor, torna-me num de vós!

  • Raging Bull

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    Raging Bull
    Martin Scorcese
    1980
    Filme
    7 em 10

    Tarde de Domingo, pouco que fazer, que tal ver um filme? :)

    Este filme é baseado na autobiografia de LaMotta, um boxer peso médio que chegou ao estrelato e depois entra numa espiral descendente, devido aos seus terríveis hábitos de violência, ciúme e gula descontrolada.

    O filme está a preto e branco, excepto uma curta secção de breve felicidade, sendo que esta técnica fornece um excelente efeito visual para os combates que, sendo extremamente violentos muitas das vezes, passam desapercebidos e tendo em si uma aura quasi-artística.

    A narrativa é bastante simples (ascendente, topo, queda), mas nunca teria sido possível sem o excelente trabalho de actor de Robert de Niro, que nos transmite uma pessoa extremamente desagradável, mal educada e, sobretudo, muito violenta. Esta personagem está em constante mutação, e o actor consegue encontrar um equilíbrio perfeito entre a sua própria anatomia e a pretendida para o papel.

    É um bom filme desportivo e, para além disso, é bastante diferente do habitual, na medida em que não nos identificamos em nada com os personagens retratados. Talvez não a melhor obra que vi de Scorcese, mas ainda assim plena de validade.

  • Do Androids Dream of Electric Sheep?

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    Do Androids Dream of Electric Sheep?
    Philip K. Dick
    1968
    Ficção Científica

    Este foi o livro que inspirou Blade Runner, sendo que eu julgava que se tratava de um conto muito curto e veio a revelar-se um verdadeiro romance cheio de detalhes intrincados. O que acabou por ser uma excelente experiência :)

    Em comparação com o filme, poderemos dizer que este livro inclui muito mais detalhes acerca da construção do universo e, sobretudo, acerca da filosofia de vida das pessoas que nele habitam. Por sua vez, o filme tem muito mais capacidade imagético-visual, que no livro não é tão contemplada.

    Ora bem, depois da World War Terminus (em 1992 ou, nesta edição mais recente, 2021), o planeta está cheio de pós radioactivo e todas as pessoas têm emigrado para Marte, onde lhes são oferecidos andróides para que tenham vidas mais completas e felizes. Alguns destes, matam os seus patrões e fogem de volta à Terra. Aí entra Rick, um caçador de prémios que tem a função de eliminar ("retire") os andróides fugitivos. No entanto, estes são cada vez mais semelhantes aos serres humanos reais, quer na sua anatomia quer na sua forma de pensar. Há apenas uma coisa que os distingue: a empatia. Todas as pessoas deste mundo estão motivadas a ter empatia umas com as outras, sendo a sua religião baseada na experiência colectiva deste sentimento, e havendo um detalhe curioso sobre a possessão e cuidado de animais, que estão quase todos extintos devido à radiação. Rick, infelizmente, tem uma ovelha electrónica. Ninguém sabe disso, mas é a verdade.

    O livro coloca o personagem em debate sobre a sua própria identidade e sobre a sua capacidade de eliminar os andróides: ele começa a sentir empatia por eles, o que é uma coisa que não deveria fazer snetido porque não são sistemas biológicos e sencientes (supostamente). Por outro lado, temos a intervenção do chickenhead Isidore (uma pessoa com QI suficientemente baixo para não lhe ser permitido emigrar), que sente realmente empatia pelos andróides na medida em que os identifica como seres pensantes e emocionais tal como ele, que apenas deseja amigos.

    Por vezes, o livro pode tornar-se um pouco confuso, pois os diálogos não estão muito bem estruturados, assim como a linha de acção. Este é o principal defeito do livro, que acaba por ser compensado pela intensidade imaginativa da criação do universo.

    Sem dúvida que vale a pena ler este livro, porque dá bastante que pensar.

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