Archive for quinta-feira, setembro 10

  • Ashita no Joe

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    Ashita no Joe
    Dezaki Osamu - Mushi Productions
    Anime - 79 Episódios
    1970
    5 em 10

    É com muito orgulho que anuncio que chegámos ao milésimo post neste espaço! Talve em breve faça uma pequena celebração, mas queria só dizer a toda a gente. :) Tem sido muito agradável partilhar convosco estes meus comentários mais ou menos malcheirosos sobre coisas diversas :) É também com orgulho e um certo sentimento de dever cumprido que este milésimo post é sobre um marco histórico na indústria do anime como o conhecemos hoje: Ashita no Joe.

    Estreado na televisão há 45 anos, é um anime bem presente na sua época e que definiu todo um género. Foi um dos primeiros animes de desporto com uma ligação bastante forte ao lado negro da sociedade, tema que vem evoluindo desde essa altura para outros animes de que tanto gostamos. Assim, é um anime muito importante em termos históricos e, apenas por isso, todos deviam experimentar vê-lo. Conhecimento nunca é demais, já dizia o meu Professor.

    No entanto, olhando objectivamente para este anime, mesmo se tentarmos tirar os óculos dos anos 10 e tentarmos regressar um pouco à época que é retratada nele, tem algumas falhas que me levam a dar-lhe uma nota um pouco mais baixa que a minha média. Comecemos pelo início.

    Este anime conta uma história simples, um "coming of age" de um rapaz que, tendo sido abandonado pelos pais e que não tem nada que o ligue às outras pessoas, acaba por se envolver num meio desportivo do boxe, começando a ganhar uma força diferente  e desenvolvendo relações. É precisamente nesse aspecto que a história não funciona. Para este tipo de narrativa precisamos de um personagem forte que, mesmo assim, esteja aberto à progressão e evolução. E, infelizmente, Joe não é assim. Simplesmente não combina com a sua personalidade.

    Temos, então, um personagem principal irascível, insuportável e detestável, com o qual é impossível que alguém se identifique se não para desejar que ele perca todos os combates. As suas atitudes nunca melhoram, ele parece nunca estabelecer uma ligação com quem quer que seja. Tudo aquilo que faz é negativo e a sua personalidade, apesar de carismática, não permite algo tão simples como... Gostar dele. Talvez nos anos 70 este seja o modelo ideal de desportista mas, para mim, foi impossível ganhar qualquer afeição por Joe. Quanto aos outros personagens, temos um treinador que faz muito pouco além de gritar, um grupo de crianças que serve mais como alívio cómico do que outra coisa, duas mulheres em extremos opostos que não revelam grande personalidade (excepto que são o contrário uma da outra e Joe, evidentemente, terá de escolher de quem gosta mais) e um parceiro de equipa que acaba por ser o personagem mais interessante da colecção.

    A narrativa processa-se de forma rápida, sem gastar tempo em coisas inúteis como treinos dos desportistas ou mesmo combates. Dedica-se mais a lutas de rua e às maldades que Joe vai deixando à sua passagem. Até a parte supostamente mais intensa, aquela em que Joe está na prisão, acaba por ser repetitiva e não nos transmite qualquer tipo de sentimento de horror.

    Em termos artísticos, mesmo para a época a animação não é extraordinária. Apesar de termos um design de personagens bastante limpo, existem repetições infinitas das mesmas frames, o que levam a combates extremamente repetitivos e pouco ou nada coreografados. Gostei bastante, ainda assim, da utilização de cores e sombras. A paleta é muito reduzida (o que faz sentido para uma série longa nesta década), mas está bem usada em termos gráficos, apesar de alguns erros que o olho mais atento detecta facilmente.

    Musicalmente, temos um tema que é repetido constantemente mas que, sendo tão belo, não cansa. Este tema e suas variações constituem toda a banda sonora do anime, incluindo as OPs e EDs que têm aquele aspecto "épico" das músicas antigas mas com uma interpretação algo fraca.

    Assim, é um anime histórico que vale a pena conhecer, mas que - apesar de tudo - não fica na memória pela qualidade.

  • Garden Dreams

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    Garden Dreams
    Fumi Yoshinaga
    Manga - 1 Volume/4 Capítulos
    1999
    6 em 10

    Comprei este manga no Anicomics, pois é de uma autora que amo de paixão (apesar de eu não saber muito sobre manga, continuo a ter os meus preferidos ;) ). Esperava um romance homoerótico cheio de classe, mas encontrei algo ligeiramente diferente.

    Dois bardos viajam de Este para Oeste e acabam por se encontrar com um solitário Barão, um senhor feudal que não convive com ninguém excepto a sua filha. Algumas coisas acontecem, de forma muito rápida, e passamos para um flashback que nos conta a razão pela qual o Barão é tão solitário.

    Pareceu-me a mim que esta história necessitava de mais alguns painéis para funcionar devidamente. As coisas processam-se demasiado rápido, sem um desenvolvimento coerente que nos permita perceber bem a relação entre os personagens. Esta é explicada com uma simplicidade quase exasperante, que acaba por as caracterizar de forma um pouco minimalista e simplória.

    No entanto, a narrativa desenvolve-se de forma coerente e existe um romantismo muito intenso e clássico, que agarra o leitor imediatamente e provoca uma imersão dentro destas histórias de amor, levando os nossos sentimentos ao extremo. Aqui se revela aquilo que eu amo nesta autora. Infelizmente, tudo é quebrado por um final altamente anti-climático, mas ainda assim com um certo humor infantil, que relativiza toda a inocência da história que lemos até agora.

    A arte é simples, sem grandes detalhes nos cenários, mas com um design de personagens muito agradável, tendo em atenção roupas e hábitos do universo (simples) que foi criado para esta história. Existem, também, algumas cenas belas envolvendo flores diversas.

    Ainda assim, não é o tipo de manga que recomendaria a um leitor experiente.
  • Todos os Dias São Meus

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    Todos os Dias São Meus
    Ana Saragoça
    2012
    Romance

    Foi-me emprestado por uma amiga do BookCrossing e.... A autora também é uma amiga do BookCrossing! Fico muito feliz por conhecer uma autora. :) Na verdade, estava com algum medo de ler os livros dela e de não gostar, porque depois teria de o dizer aqui e seria muito desagradável... Mas na realidade gostei imenso deste curtíssimo romance, que li de fio a pavio numa viagem de autocarro. =D

    Este livro conta a história de um assassinato. Uma rapariga é encontrada morta no elevador de um prédio e a polícia interroga todos os seus habitantes de forma a obter informações que os levem ao assassino. Assim, há uma sucessão muito rápida de narrativas de pessoas muito diferentes, cada um deles escrito de forma única. Intercalado com isto está uma espécie de "diário" da vítima, que também tem uma voz muito presente na história.

    Assim, temos um desenvolvimento desta personagem muito coerente e interessante, uma caracterização e uma pessoa inadaptada na vida moderna com a qual me identifiquei bastante. A pessoa que todos acham apagada e desinteressante tem muito mais que se lhe diga, o que é verdadeiramente surpreendente. Também o é o final, que ao início me pareceu um pouco previsível mas que, lá chegada, me espantou bastante de maneira positiva.
     
    Cada uma das personagens acaba também por caracterizar um pouco das "personagens" que vivem numa grande cidade no hoje em dia, apesar de poderem cair um pouco no estereótipo. De qualquer forma, as suas visões da vida são muito engraçadas.
     
    É um livro simples e rápido, cheio de humor e um sarcasmo delicioso. Ansiosa por ler o outro livro da autora, que também me emprestaram! :)

  • Arkham Asylum

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    Arkham Asylum: A Serious House on Serious Earth
    Grant Morrison & Dave McKean
    1989
    Graphic Novel

    Ofereci este livro ao Qui pelos anos, porque - depois de ele me ter mostrado algumas imagens na net - achei que era um item de colecção muito interessante. E o Qui gosta do Batman e, portanto, gosto eu também de contribuir para a sua colecção de objectos Batmânicos :) Passado este tempo todo, ele emprestou-me o livro para que o lesse. Bem, devo confessar que eu também lho ofereci para depois lho poder pedir emprestado, lol

    Nesta história, Batman é chamado ao Arkham Asylum, um manicómio onde estão encerrados os vilões e psicopatas mais perigosos de Gotham. Estes tomaram conta do asilo e agora ameaçam fazer mal aos inocentes que lá estão. Mas Joker, o organizador desta revolução, não deseja propriamente fazer "maldades" a Batman: ele quer apenas que o super-herói percorra os corredores do edifício e compreenda um pouco mais sobre si próprio. Pois, palavras do Joker... "Tu é que devias estar aqui, tu é que estás maluco".

    Assim, esta narrativa mistura três histórias terríficas, que nos enviam - através da arte gráfica onírica e difusa - para um reino de pesadelo. Ficamos a conhecer o que se passou com o Dr. Arkham, fundador do asilo, que enlouqueceu após o assassinato da sua mulher e filha. Ficamos a conhecer mais sobre a loucura dos nossos vilões preferidos, que não compreendem porque estão ali e acabam por ser as vozes que perseguem Batman, mas que também levam a que ele tenha a capacidade de compreender mais sobre si próprio. E temos a auto-análise, uma reflexão, sobre o próprio Batman que, cirandando pelos assustadores corredores, entra numa espiral de loucura depressiva, perdido entre os seus objectivos e as suas memórias, em que ele próprio começa a duvidar da sua sanidade mental.

    Será que, no fundo, o herói é o mais louco de entre todos?

    Nada disto seria possível sem um grafismo extremamente original e impecavelmente belo, apesar de todos os momentos horríveis. Pintado em aguarelas, é uma visão muito diferente e revolucionária da banda desenhada como tinha sido até lá, permitindo uma nova corrente artística e uma nova forma de interpretar a BD: como forma de arte. O artista utiliza misturas de cores improváveis, muitas texturas, com um detalhe quase fotográfico - mas ainda assim aquoso - no respeitante a arquitectura e imagens de pessoas. Tudo isto é a recriação de um ambiente pavoroso, assustador, que nos deixa na ponta da cadeira durante toda a leitura.

    Este volume tinha também uma secção muito interessante com o storyboard original, que nos permite compreender um pouco mais sobre a história e o método utilizado para a criar.

    Eu não sou exactamente a pessoa ideal para falar de comics e graphic novels mas mesmo eu, que sei tão pouco, posso dizer que Arkham Asylum é uma BD genial. Todos a deviam ler. :)

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