Archive for domingo, outubro 29

  • Confessions of a Mask

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    Confessions of a Mask
    Yukio Mishima
    1949
    Romance

    Yukio Mishima é um dos meus autores modernos preferidos e nunca recuso a leitura de um livro dele. Quando no meu novo grupo de leitura apareceu esta sugestão, pedi imediatamente que me indicassem uma boa tradução para inglês, já que não teria possibilidade de o encontrar na nossa língua. Foi uma leitura que teve tanto de fascinante como de belo.

    Kochan, o narrador, usa máscaras. E agora, culpado, se confessa. Que máscaras usa? A máscara da neutralidade, a máscara da indiferença. Uma máscara de normalidade. Uma máscara na sua sexualidade. Mas o narrador vive uma sucessão de sentimentos e emoções que nem ele próprio consegue compreender. Terá, no entanto, de se confinar a estar escondido. Afinal, ele tem horror da sua própria ideia.

    Este livro explora o tema da criança enquanto ser inflamável, altamente sexual e muito tétrico e da forma como essa infância incompleta, perturbada e difícil de compreender influenciam a criação de um adulto que, disfarçado de membro perfeito da sociedade, enfrenta dentro de si uma série de demónios de índole sensual e mórbida. O mais curioso disto tudo é que o próprio narrador não consegue distinguir em si o que está certo e errado, não consegue compreender porque razão é que as suas preferências devem ser escondidas, ao mesmo tempo que as reprime de uma forma absolutamente hermética, coisa que não deixa de lhe causar um constante sofrimento e incapacidade de adaptação.

    A escrita é poética e muito sensual, com descrições de elementos que muito adicionam a um sentimento de pânico com um toque de melancolia.

    Foi uma leitura maravilhosa que recomendo vivamente!

  • Figure 17: Tsubasa and Hikaru

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    Figure 17: Tsubasa and Hikaru
    Takahashi Naohito - OLM
    Anime - 13 Episódios
    2001
    6 em 10
     
    Há algum tempo que não via nenhum anime desta época. Apesar de não ser o meu estilo preferido, temos e admitir que no final dos 90s, início de 00s, era aparente que as pessoas se dedicavam mais à história e ao desenvolvimento de personagem que ao aspecto das coisas.

    Tsubasa é uma menina que se mudou para Hokkaido e que não tem muitos amigos. Um dia, vê um alienígena a lutar contra um monstro, sendo que um dos elementos dele se junta a ela para formar a "Figure 17", uma entidade poderosa que poderá lugar contra os inimigos. O elemento transforma-se em Hikaru, uma gémea que a ensinará a viver uma nova vida social em pleno.

    O anime é muito interessante precisamente por causa destas partes slice of life em que Tsubasa e Hikaru criam uma relação fraterna e, juntas, conseguem ultrapassar os obstáculos da vida diária de uma criança de dez anos. Os personagens são muito realistas e têm muito de humano dentro deles, sendo que as situações também nos transmitem uma sensação de realidade e ligação à terra que é rara em anime.

    As secções de ficção científica acabam, então, por aparecer mais como um doce para o visionante, com boas cenas de animação e boas coreografias, sendo que o pouco que é esclarecido sobre a situação dos alienígenas acaba por ficar um pouco atrás das coisas que realmente são verdadeiras.

    Temos uma banda sonora adequada. Os cenários são pouco detalhados, mas existe um cuidado a fazer os montros com uma anatomia plausível. Quanto à animação, como digo, temos momentos de batalha muito bons.

    Um anime que me deu gosto ver. :)

  • Delta de Vénus

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    Delta de Vénus
    Anaïs Nin
    1940s
     Contos

    Este é um conjunto de 15 contos eróticos escritos na década de 40, por encomenda de um fulano muito rico. Só foram publicados, postumamente, nos anos 70, devido aos conceitos e exploração sexual que neles figuram e que, para o público da altura, seriam demasiado explícitos ou agressivos.

    É verdade: são explícitos e agressivos. Pessoalmente, eu não sou a maior fã de literatura erótica de  que há memória. Mas, quando bem escritas, histórias deste género podem ser fascinantes. No caso, as primeiras histórias foram muito interessantes, mas rapidamente cheguei à conclusão de que qualquer acção que os personagens tivessem servia apenas como motivação para uma tórrida cena sexual sem pés nem cabeça e que isso acontece a toda a hora, em todos os momentos e em qualquer lugar. O que se torna bastante aborrecido, numa de "ah, ok, estão outra vez a foder".

    O que mais me chocou no meio disto tudo é a visão que a autora tem da própria figura feminina. Nestas histórias, as mulheres têm sempre um papel passivo, um papel de entidade constantemente violada, um papel de pessoa que não pode resistir aos avanços do macho porque não tem controlo do seu próprio corpo, colocando as suas personagens à mercê de situações violentas e terríveis e não lhes dando a possibilidade de decisão ou de fuga.

    Ainda assim, existem expressões muito belas que são utilizadas ao longo dos contos e que acabam por tornar a leitura de alguns deles em algo muito agradável, apesar de pouco excitante devido ao poder do choque.
     
     

  • Iberanime OPO 2017

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    Iberanime OPO 2017
    Evento
    Há uma série de anos que eu não ia ao Iberanime do Porto! Desta feita, decidi testar as águas do famoso concurso CWM. :) Hoje é dia de vos contar a história tragicómica da minha viagem solitária aos confins da pronúncia nortenha!

    Tudo começou...

    Com a minha inscrição para o concurso. Ora bem, o meu plano, para poupar tempo e dinheiro, seria viajar de propósito para o Porto de avião e regressar no mesmo dia. Portanto, inscrevi-me atempadamente no concurso para conseguir os bilhetes mais baratos. Infelizmente, o problema começou logo na comunicação: quando recebi a confirmação da inscrição, não recebi qualquer tipo de informação relevante. Apenas uma nota de agradecimento pelo meu interesse. Não vai de modas, a Je liga para lá para falar com o Senhor António Paisana, que estaria encarregado deste concurso.

    Foi um telefonema engraçado que me revelou a dimensão imensa dos escritórios do Iberanime. O Sr. Paisana ficou um pouco baralhado por eu lhe ter telefonado, mas deu-me as informações que necessitava. A verdade é que eu tinha muito medo que não me aceitassem a inscrição, depois de um pequeno filme de que fui vítima na primeiríssima edição deste concurso (já contei a muita gente e, é sempre engraçado :p ). Logo, logo, fui marcar a viagem para apenas descobrir que a Ryuanair reduziu na totalidade os seus vôos e não têm mais nenhum vôo nocturno entre Lisboa e Porto. Assim, ficou decidido que voltaria de comboio assim que me despachasse.

    Muito mais tarde, recebi um e-mail de confirmação com o horário das actividades que estabelecia que lá teríamos de estar às 8 da manhã para ensaiar. Foi necessário mais um momento de comunicação com o Sr. Paisana, pois o meu avião não aterraria de todo por essa hora.

    Depois de tudo alinhavado, restava apenas pegar na minha pessoa, na minha bagagem de mão e nos meus peludos sovacos e apanhar um Uber até ao avião.

    Depois...

    Adormeci no avião. À chegada, apanhei outro Uber para o Pavilhão Multiusos gde Gondomar, em que o motorista fez questão de xeretar sobre o que era o evento e para que é que eu lá ia, etc. Foram as minhas primeiras vezes a viajar de Uber e fiquei muito satisfeita com o serviço. Não só é mais barato que um táxi, como os motoristas (aparentemente) não são taradões como não há problema com dinheiros e trocos e afins. Para além disso, eles aparecem logo que a gente os chama e ´+e muito prático desde que seja internet.

    Lá chegada, deram-me a credencial e mostraram-me o caminho para o backstage. O ensaio estava marcado para ser até às 10:30, pelo que estava bastante satisfeita por ter chegado a tempo! Troquei de sapatos para os meus saltinhos dourados e fui ensaiar. Mas... Os ensaios já tinham terminado! Mais uma vez, marcam um intervalo de horas e decidem terminar tudo quando toda a gente que já está presente termina, chamando os outros de "atrasados" (mentais?). Ora, eu tinha avisado muito especificamente que me ia atrasar, sendo que até tinha um contacto telefónico no caso de ser necessário avisar de mais coisas. Cheguei lá à espera que Às 9:45 ainda fosse um horário conveniente para o ensaio, já que estava marcado até às 10:30. Desta vez não fui eu que fui disléxica numericamente. Está escrito no mail que nos mandaram!

    Enfim, deixaram-me ensaiar na mesma, mas não deu para combinar nada sobre luzes e afins porque o jovem que tomava conta das luzes (um jovem alto e africano, segundo me disseram) tinha desaparecido em combate. Felizmente eu tinha enviado uma lista de iluminações e efeitos de palco que queria, mas não sei se aconteceram ou não porque ainda não vi qualquer vídeo da minha coisita.

    Depois, passeei um pouco pelo evento, que ainda estava quase todo encerrado ao público, com as bancas ainda em preparação.

    O espaço deste evento não deixa de ser, de certa forma, uma opção infeliz. Tem um pé alto muito grande que causa muito eco e ruído e a organização do espaço é estranha em absoluto. Na verdade, os espaços estão divididos de uma maneira que muito revela a falta de actividades que existem este evento. No centro, lojas e lojas de coisas inúteis: tudo acerca do anime da season do momento, acerca do memé geek do momento e de coreanos aos beijos. Nada old-school, nada de banda desenhada, nada que se distinguisse da normalidade. O próprio Mário da Kingpin revelou que não trazia nada de banda desenhada "normal" porque neste evento não valia a pena!Isto, para mim, é realmente muuuuito estranho. D:

    Uma microscópica secção de gaming sem nada de realmente interessante (mas ainda não foi desta que experimentei a realidade virtual) e em volta, um espaço circundante, os artistas (que são bons artistas) e algumas bancas de coisas tipicamente asiáticas.

    Em termos de alimentação, bastante incompleto, se bem que desta feita havia alguns doces típicos Japoneses que nunca tinha visto em outros eventos, o que foi uma coisa muito boa!











    Depois desta voltinha, vesti o meu fatinho e aguardei nos camarins. Foi-nos informado que não poderíamos sair de cosplay para o evento, para "não estragar a surpresa". Ora, eu acho isto absolutamente anti-produtivo: se o público vir os cosplays a concurso a cirandar por aí, terão mais vontade de ir ver o concurso! É a oportunidade de conhecerem os cosplayers, escolher os seus favoritos, vibrar por eles e tornar o concurso muito mais interactivo. Portanto, pensem nisso para uma próxima vez!

    Nos camarins encontrei uma série de pessoas conhecidas e amigas, todas de extrema simpatia ebeleza. Lá estivemos (fartei-me de cantar sozinha) a trolitar umas com as outras, de forma a ocupar este vazio no espaço tempo que era a espera entre a vestimenta e o concurso propriamente dito.

    A melhor parte foi que consegui tirar uma foto com a Yaya Han, que era uma das convidads do concurso! Disse-lhe uma coisa que sentia há muito: apesar de todas as coisas horríveis que dizem sobre ela, RESPECT! Ela disse que eu era "so cute" e morri! ;___; E ficou muito espantada quando lhe disse isto, acedendo a tirar a foto. :)



    Também tive a oportunidade de falar um micro-bocadinho com a Neeko, que não pescav a nada de Inglês. Uma miúda um bocadinho esquisitóide, mas simpática. :) 

    Finalmente, portanto, chegou a hora. Falemos do...

    Concurso Propriamente Dito

    Descobri no próprio dia que este concurso teria um pre-judging. Fiquei logo chateada: se o souvebsse teria levado um fato um pouco mais decente (mas que ainda assim fosse fácil de transportar). Dizem "ah, é normal que nestes concursos haja pre-judging", mas no meu tempo - que é o da Maria Cachucha - não havia.

    Enfim, estive a falar à porta da sala dos julgamentos com a organizadora, revelando-lhe que na verdade eu não vinha para este concurso com um espírito altamente competitivo. Vinha só para experimentar e fazer as pessoas divertirem-se um pouquinho, né? :) Um rapaz estava na mesma situação que eu e, curiosamente, ele lembrava-se de mim de um concurso de 2012, no Porto! Ao tempo que isto já foi, oh céus!!

    Na salinha dos julgamentos, estavam quatro jurados: a Neeko, o amigo da Neeko, uma rapariga e um rapaz da escola de moda do Porto. Foi este que falou mais, sendo que me deu algumas dicas muit úteis para futuros cosplays. Infelizmente, tivemos de falar em Inglês, o que torna tudo muito mais complicado logo à partida.

    Após mais algum aguardo, dirigiram-nos para o backstage. Passámos por TODO o evento de cosplay! Então e o conceito de que se nos vissem já não ia ser surpresa? :3 No backstage havia quadradinhos com os nossos números (eu era o 6) e deram-nos garrafinhas de água. Lá estivemos a ouvir azeite coreano aos berros: é algo que continua a supreender-me, a paixão que a população tem por estas músicas. Transcende-me na totalidade, mas enfim, eu já sou a kota neh...

    Quanto aos skits, não pude ver nenhum deles. Apenas sei o que ouvi no backstage e as luzes e, por elas e tendo em conta os fatos, as vencedoras foram mais que merecidas! Achei apenas que o rapaz que ganhou o prémio da escola de moda (para mim o melhor deles todos e o que eu queria para mim!) ficou com um ar de extremo desapontamento na sua face, o que me deu vontade de lhe arrancar o cheque das mãos e fugir dali aos gritos com os bracinhos no ar, muahahaha. Mas como isso é, além de ilegal, pouco delicado, resta-me desejar que - POR FAVOR AMIGO - o jovem aproveite bem o prémio. <3

    Quanto a mim, tentei fazer um skit um pouco diferente, um pouco mais populista, usando uma música que toda a gente conhece e poses que toda a gente conhece. Senti-me um pouco incompelta e aborrecida, porque realmente o skit não tinha nada de teatral, especial ou sentimental além de um grande amor pelas Navegantes da Lua. Mas pareceu-me que toda a gente gostou e bateu palminhas, coisas que me trouxe grande alegria e pela qual vos agradeço IMENSO! <3 <3 Gostava era agora de ver a minha figura, pelo que se alguém tiver o vídeo e fizer a fineza de mo mandar eu ofereço em troca um piparote no nariz. :)

    Finalmente...

    Fui tirar o fato (estava toda pegajosa) e fui dar umas voltitas pelo evento. Comprei algumas coisinhas nas bancas dos artistas (que são bons artistas), das quais não tirei foto mas que irei enumerar:
    • Um chikorita de peluche para dar a um bebé que eu vou conhecer
    • Um pin com um cão, ganho numa rifa
    • Um bloquinho com uma família de pássaros
    • Uma comission de um desenho do Joker, que dei ao Qui
    Adoro todos estes meus novos objectos, yay!

    Já que falamos dos artistas (que são bons artistas), fiquei com uma questão interna... É verdade que as miúdas de agora se excitam com fanart de pessoas QUE EXISTEM, a fazer coisas indecentes? Creepy..... Mas, sei lá, a gente no nosso tempo também era assim, acho eu, lol

    Nas voltitas, encontrei uma banca com umas pessoas muito simpáticas que faziam uma mini-sessão de reiki grátis. Aproveitei! Nunca tinha feito e foi realmente muito relaxante. A senhora que me fez a sessão disse que, por várias razões, se ia focar mais na minha cabeça. E a verdade é que, eu estando de olhos fechados e não sabendo o que se passava, fui sentindo as dores de cabeça e o pesotodo do corpo a descer para os pés! Portanto, ficou a doer-me os pés ainda mais do que já doíam...  Mas a senhora disse que era uma coisa boa, que estava tudo a "enraizar"... Acho que vou ter de experimentar outra vez! =D

    Também aproveitei para lanchar um Taiyaki, alimento que sempre quis provar (aquele pastel que é um peixinho), mas não me soube tão bem como estava à espera... Era só massa de fartura em forma de peixe! :(



    No meio tempo, fiz a parte mais importante! Tirei as vossas....

    FOTOFOTOS









     É um nabo!!



     Oh deus, como o teu fato é tão mais lindo que o meu! :o







     Fiquei histérica com este!!






    Em conclusão

    Apanhei o autocarro do Iberanime até Campanhã para apanhar o meu comboio. Foi aí que desciobri quão grande foi a minha estupidez ao ir e voltar no mesmo dia... O comboio que eu queria apanhar estava esgotado e só saí do porto às 19:52! Cheguei tardíssimo e isso causou-me grande sofrimento, sobretudo porque tive de ir trabalhar no dia seguinte...

    De resto, apesar de ser um evento grane, este IBeranime tem muitas falhas, sobretudo porque é um evento muito incompleto: mais um supermercado do anime da season do que um sítio com actividades para uma pessoa se entreter. O concurso foi fixe, no entanto: muito bom ambiente, toda a gente na boa e um nível competitivo simples e agradável. E gostei imenso de fazer o meu skit e que toda a gente se tenha divertido com ele!

    Acho que para o ano vou tentar de novo, hihihi!
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