Archive for segunda-feira, março 17

  • É de Noite que Faço as Perguntas

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    É de Noite que Faço as Perguntas
    David Soares, Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva e Richard Câmara
    2011
    Banda Desenhada

    Este, recebi-o no BookCrossing. Para variar, alguém fez u7m ring, no tema dos autores portugueses, de Banda Desenhada. Inscrevi-me logo!

    Apesar de já ter uma paixão pelo autor, não posso dizer que tenha apreciado muito este album. Segundo consta, na introdução, convidaram David Soares a falar sobre a primeira república, a ser desenhada por cinco autores diferentes.

    Cada autor tem um estilo muito próprio que acho que se integra muito bem no tempo-espaço da narrativa. Não gostei muito do último, pois achei o estilo demasiado rascunho para se adequar ao ponto final da história. Depressivo é, certamente, mas coloca um ponto final muito difuso e, parece-me, pouco conclusivo.

    Agora, para mim o grande problema reside na história. Tudo isto pareceu-me mais uma narrativa de factos históricos do que a experiência real de uma pessoa real. O facto de repetidamente aparecerem as páginas da carta ao filho foi uma insistência que me desconcentrou e irritou. A verdade é que a história da primeira república deve ser celebrada mas não é especialmente emotiva ou interessante, sobretudo com a sucessão de nomes, uns atrás dos outros, que mal reconhecemos, mal aprendemos isto na escola e o livro não é claro na explicação.

    Desapontou-me, mas não será por isso que desistirei de tão excelente autor.
  • O Pequeno Deus Cego

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    O Pequeno Deus Cego
    David Soares e Pedro Serpa
    2011
    Banda Desenhada

    Livro que comprei no AmadoraBD apenas para repetir o autor.

    Um livro simples que é muito mais do que aquilo que aparenta. Fala sobre uma menina (ou um menino?) sem olhos que procura uma resposta para o seu problema. Encontra o caminho com a ajuda de um velho sábio, que parece mover-se através dos tempos. Dado que o seu acompanhante, o urso panda, não pode ser real (panda carnívoro), atrevo-me a imaginar que esta visualização não passa de uma imaginação infantil, resposta ao facto de não se poder ver e de se encontrarem coisas para além do que os olhos podem captar.

    Há um encontro com um dragão, um monstro. Imaginação? Talvez também o seja. Mas o monstro é de uma graça interessantíssima, cheio de humor e de inseguranças que podem reflectir também os desejos ocultos da figura materna. Talvez o monstro seja, efectivamente, a mãe. É através da inocência, do que não vê e nada esconde, que essa figura é enfrentada e acaba por se autodestruir.

    Interpretações à parte, é um album muito interessante, cheio de detalhes - tanto na narrativa como no desenho - que transmitem um certo ambiente de misticidade que não pode ser ignorado nem ultrapassado. A utilização das palavras é de mestre: a história assustadora transforma-se num exercício de humor e de espanto, página a página.

    Fico feliz por ter adicionado este livrinho à minha pequena, mas crescente, colecção. :)
     
  • A Morte Feliz

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    A Morte Feliz
    Albert Camus
    1936
    Romance

    Nunca tinha lido Camus. Assim, quando apareceu a oportunidade no BookCrossing de receber este livro, fui logo a primeira a por o dedo no ar! Diziam os comentários no site que este não seria o melhor livro dele e que toda a gente estava desapontada. Também que não era o melhor para começar. Mas achei precisamente o contrário. A verdade é que adorei o livro e tornou-se bastante especial para mim. Espero poder ficar com ele. Li-o de uma assentada no comboio para o Porto (como verão, mais livros virão e eu rimei)

    Este livro fala da depressão. Um jovem que se sente inadaptado na sua cidade e na sua época, acaba por assassinar um conhecido que tem muito dinheiro, roubando-lhe a fortuna e viajando pela Europa. Na sua viagem, apenas encontra mais angústia, decidindo mudar-se para perto do mar, onde é assolado por uma misteriosa doença que acaba por lhe ceifar a vida.

    Isto tudo poderia ser quase um Crime e Castigo, excepto que este livro não explora os conceitos de arrependimento e redenção. São significantes os locais e os objectos que o personagem encontra nas suas viagens, cada um deles representando algo que o atormenta e lhe perturba o sistema biológico, levando ao desenvolvimento da doença que acaba por o matar e encontrar a paz. Essa paz será motivada pelo encontro com jovens raparigas numa casa de onde se vê o sol, lugar que representa a calma e o regresso à inocência primitiva. Talvez o facto de não se ter falado da infância do personagem tenha ajudado nesta afirmação.

    O livro é leve, bem escrito, sem forçar o conteúdo depressivo. Apenas acompanhamos a viagem do homem, com o seu declínio e finalmente a recuperação, com toda a naturalidade.

    No geral, gostei mesmo muito e recomendo. Agora estou cheia de vontade de ler mais deste autor.
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