Devilman: Crybaby
0
Devilman: Crybaby
Yuasa Masaaki - Science SARU
Anime - 10 Episódios
2018
6 em 10
Este anime surgiu como sugestão no meu clube e faz parte do novo conjunto de obras produzidas e distribuídas pela Netflix. A opinião geral sobre este anime é que é péssimo e absolutamente sobrevalorizado, portanto foi com alguma reticência que me dirigi a ele. Acabou por ser revelar uma agradável surpresa.
Com um estilo muito recordatório de obras maiores, como Kaiba, ou menores, como Kemonogatari, a produção é muito simples mas também muito eficiente. Temos um conjunto de imagens altamente estilizadas mas que nem por isso deixam de ser impressionantes, apesar do abuso de nudez (por vezes desnecessária) e a aposta no terror emocional do espectador e, também, dos personagens.
Estes são também muito simples e a sua oposição e caracterização acabam por servir apenas como mote para o aparecimento de mais nudismo e terror. Assim, o efeito aterrorizante que vinha na intenção inicial, acaba por se perder um pouco. Também é um anime que depende por demais da existência de um narrador que, no fundo, não acrescenta grande coisa e poderia perfeitamente tr sido substituído por diálogo (o que até teria sido melhor).
A animação é simples, por vezes um pouco falha, mas no geral bastante divertida de se ver. O mesmo acontece com a banda sonora, que tem muito poucas peças.
Não diria que é o pior anime do mundo.
By : ladyxzeus
O Estranho Mundo de Garp
0
O Estranho Mundo de Garp
John Irving
1978
Romance
Este é mais um romance idiota de John Irving, um autor que me vem causando um certo desconforto, raiva e ódio pegajoso que, à medida que leio mais livros dele, teima em ficar agarrado aos dedos.
Jenny Fields é uma rapariga de uma família muito rica mas que, por alguma razão, decide ser enfermeira. Decide também ter um filho, mas sem para isso se envolver com nenhum homem. Garp nasce de uma única relação com um moribundo, ferido de guerra. Depois, todos se tornam escritores e escrevem sobre cães malcheirosos (onde já vimos isto), ursos (onde já vimos isto) e hotéis (onde já vimos isto).
O livro é uma sucessão de pequenas aventuras da vida diária de Jenny Fields e, mais tarde, de Garp, que têm graves problemas e nível emocional e não fazem nada de especial além de se traírem todos uns aos outros e serem adúlteros. É simplesmente desinteressante e a forma como o autor gosta de colocar uma piadola aqui e ali apenas descaracteriza completamente os seus personagens e faz com que o livro nem tenha piada nem seja levado a sério.
Dizem que é dos melhores livros do autor, mas apenas vi reciclagens de ideias, desde a concepção dos personagens até às muito convenientes mortes.
Detestável.
By : ladyxzeus
Chama-me Pelo Teu Nome
0
Chama-me Pelo Teu Nome
Luca Guadagnino
2017
Filme
6 em 10
Nomeado para quase todos os prémios, mas um dos perdedores da noite.
Pode uma história de amor florescer num único Verão e significar tanto para a vida dos seus intervenientes? Elio é um rapaz que vive numa cidade algures na Itália, onde toda a gente fala todas as línguas (Italiano, Francês e Inglês) ao mesmo tempo. Devido ao trabalho de investigação do seu pai, recebem todos os Verões estudantes. Este Verão é a vez de Oliver, um Americano muito antipático e esquisito. Mas o ódio poderá dar lugar a mais do que uma amizade....
A história tem um fundo de interesse e de beleza, mas a forma como o argumento está concretizado deixa muitas coisas por falar e que teriam sido importantes para a história. Existem muitos caminhos que são ignorados (por exemplo, a religiosidade de Oliver; porque são judeus e não de outra religião qualquer?) e a própria relação entre eles poderia ter sido melhor explorada se o filme não dedicasse tanto tempo à luta pela descoberta dos sentimentos. Isto porque a maior parte do filme se dedica à parte em que eles ainda se odeiam, sendo que a conquista e depois a própria relação perde o significado por ser tão breve.
De resto, é uma visão bastante sóbria e íntima da homossexualidade, se bem que não explora por aí em diante dúvidas e questões que seriam perfeitamente naturais dentro do contexto.
O ambiente é belo, mas a contemplação da natureza bucólica traz um sentimento de desprezo por esta faixa burguesa, altamente elitista e invejável e, por isso, muito desfasada da realidade do espectador.
Um filme com bastantes aspectos positivos, mas cuja falha argumentativa me deixa de pé atrás.
By : ladyxzeus
The Florida Project
0
The Florida Project
Sean Baker
2017
Filme
7 em 10
Não estando nomeado para melhor filme, este foi um dos que mais chamou a atenção em outras competições norte-americanas.
"The Florida Project" é uma análise tão directa quanto pungente da vivência da criança enqunto habitante de uma América profunda, pobre e ignorante. Moonie é uma menina pequenina que vive com a sua mãe num motel roxo. Passa o seu Verão a divertir-se das formas mais inusitadas, sem se conseguir aperceber do quão errada é a vida com a sua mãe quase adolescente, que nada faz pela vida sem ser uma série de aldrabices e coisa que tais.
O filme é engraçado, na medida em que vemos toda esta pobreza, a tristeza da ignorância cultural e social destas pessoas, a sua incapacidade para encontrar um sentido para vida, mas tudo através dos olhos inocentes de uma criança que, nunca tendo tido uma educação com esse nome, encontra sempre novas formas para se divertir. As tragédias acontecem, pessoas ficam e partem, mas para Moonie tudo é parte de um grande jogo no qual ela só deixará de brincar quando tiver, um dia, de enfrentar o mundo real.
Se a maior parte dos actores é criança, isto deve-se à destreza da direcção de actores, que lhes ensina uma naturalidade e uma forma muito orgânica de fazer o seu papel, trazendo um intensio realismo a todas as situações. Para isto também contribui a forma como tudo está filmado, mostrando-nos um lado tanto colorido como negro que fica nas orlas do reino da fantasia.
Um filme que certamente ficará na nossa memória.
By : ladyxzeus
A Fábrica de Nada
0
A Fábrica de Nada
Pedro Pinho
2017
Filme
3 em 10
Fomos ver este filme ao cinema e, após quase três horas de puro sofrimento, sono e vontade de fazer xixi, é com muito orgulho que o apresento como, quiçá, o pior filme que vi este ano. Há quem o tenha adorado (estou a olhar para ti Qui), mas eu não me posso impedir de o detestar.
Portanto, vou aproveitar este post para - com a análise do filme - falar daquilo que eu acho que são os principais sintomas desta doença que mantém o cinema português nos cuidados intensivos.
Para começar, este filme tem um baixíssimo valor de produção. A experiência poderia ter sido valorosa, com isto de não ter material e ferramentas para gravar as cenas e com não termos orçamento para contratar actores verdadeiros. Esta experimentação poderia ter corrido bem se tivesse havido mais tempo e, sem dúvida, o mínimo esforço para usar BEM as poucas coisas que se tem. Assim, temos um conjunto de cenas que são apenas aborrecidas e mal filmadas, com um conjunto de personagens nada convincentes. O que é, temos de admitir, estúpido, pois os actores fazem deles próprios. Como é que não conseguiram dar formação a esta gente para fazer de si própria num filme de forma convincente?
O outro problema é a incapacidade do autor de criar uma narrativa coesa e directa. O argumento esparrama-se em discussões filosóficas tanto aborrecidas como inúteis, que não trazem nada de novo à história que, de todos os modos, acaba por se revelar confusa e inconclusiva. Existem demasiadas cenas que em nada acrescentam ao desenvolvimento narrativo ou de personagem e que nos levam por caminhos que acabam por se tornar becos sem saída.
Finalmente, o problema final é que este realizador está tão ligado à escola, àquilo que vai agradar os meninos de Cannes, que tem aqui uma amálgama de técnicas que ninguém usaria no seu estado normal se quisesse fazer um filme que entretesse de alguma forma.
Vão argumentar "ah, ignorante, o filme não é parado". Não é parado o filme. Mas é chato e inútil. E como pode ser dedicado a uma fábrica que funcionou em auto-gestão se a fábrica do filme acaba por nunca funcionar? Falamos aqui da falta de coerência.
By : ladyxzeus
Norwegian Wood
0
Norwegian Wood
Haruki Murakami
1987
Romance
Eu tenho uns primos que, no Natal e aniversário, me oferecem sempre um livro. Estão convencidos que, devido ao facto de eu ver anime e fazer outras actividades, eu só leio livros de autores japoneses. E que o único autor japonês que existe é o Murakami. Assim, durante anos venho recebendo os mesm os três títulos deste autor, que tenho trocado por outros livros dele. Pensei em ler este porque já tinha visto o filme e é muito famoso.
Foi um pesadelo que durou poucas horas, felizmente, mas que me deixou com uma raiva interior, dirigida a todos aqueles que ainda acreditam que este homem poderá eventualmente, um dia destes, quando todos estiverem malucos, ganhar o Nobel. Este romance ridículo é a prova final de que se isso acontecer a famosa Academia tem uma agenda incompreensível.
Para começar, a Casa das Letras tomou uma decisão terrível ao mudar o tradutor deste livro. A péssima tradução, cheia de notas de rodapé a explicar coisas que toda a gente sabe e a explicar simbolismos de que ninguém quer saber (que a tradutora copiou de um livro que deve ter como referência de cabeceira), pode ter contribuído bastante para esta péssima experiência. Porque, pelo amor de deus, ninguém neste planeta pode traduzir "pénis" para "marsúpio" e outras habilidades que tais.
De resto, o livro fala da juventude de um fulano que é claramente um decalque do próprio autor. Como Murakami deve ter tido uma adolescência infeliz, coloca o seu personagem a ter aventuras sexuais em todos os momentos, descrevendo-as com detalhes sórdidos e completamente desnecessários (e a tradutora a torná-los ainda mais série B). Fora a sexualidade deste personagem, pouco mais nos é apresentado. Todas as pessoas que ele conhece e que poderiam ter uma história interessante, acabam por se tornar completamente vazias a partir do momento em que entendemos que elas só existem para que possam alimentar o ego sexual do autor.
Esta falta de caracterização é tão fulgurante que quando há mortes esta são sempre, por uma razão ou outra, inexplicáveis. Suicídios sempre inesperados, por nenhuma razão, uma simples conveniência para que a história possa avançar sem aquela personagem a incomodar.
Os diálogos são vazios, as paisagens inócuas e existem erros narrativos demasiado frequentes (como alguém fazer vinte anos e depois ter dezanove, coisas dessas).
Tão terrível o livro que a minha vontade é abandoná-lo ao vento. Mas vamos ver se alguém o quer ler, talvez...
By : ladyxzeus
Yoru wa Mijikashi Arukeyo Otome
0
Yoru wa Mijikashi Arukeyo Otome
Yuasa Masaaki - Science SARU
Anime - Filme
2017
6 em 10
Antes que me digam que "ah, tu não percebes o hip-hop", deixem-me adiantar que adoro muitos dos filmes deste autor. Mas este... Este não é bom.
Uma rapariga anda pela noite descobrindo coisas e bebendo copos. Atrás dela vêm os seus novos amigos e o seu apaixonado, e tudo culmina na apoteose. Tudo bem, podemos admitir isto. Mas este anime sofre de um problema grave que já era frequente em outros animes do autor: o pretensiosismo barato de quem não tem uma história para contar e, por isso, a disfarça sob um manto de energia simbólica que, no fundo, acaba por não significar absolutamente nada.
A narrativa não parece seguir uma linha temporal. Isto poderia ser uma coisa boa mas, no caso, parece apenas que o autor se foi lembrando de fazer a história do anime à medida que o ia fazendo. Isto faz com que cada um dos arcos esteja completamente desconectado do que vimos anteriormente, com graves consequências para o (aliás fraquíssimo) desenvolvimento dos personagens.
O que me custa mais, no meio disto tudo, é o esforço hercúleo para trazer uma moralzinha absolutamente infantil à narrativa do filme: somos todos amigxs, somos nakama, uuuh Foi tão ridículo que só por isso pensei em dar uma nota pior ao filme.
Infelizmente, seria injusto fazer isso. Porque, admitamos, a animação é primorosa. Cheia de coisas estranhas, designs absurdos, com uma paleta de cores muito variada dentro do tema nocturno, este filme é um festim para os olhos. Uma pena que seja estupidamente básico.
Dizem muitos, também, que o anime é revolucionário por ser um musical. Isto é uma mentira, porque já houve outros animes no mesmo formato, desde os anos 90 (que eu tenha conhecimento). As músicas não são de todo boas ou interessantes e parecem existir apenas para trazer um efeito cómico que, infelizmente, só funciona de vez em quando.
Talvez o desapontamento do século.
By : ladyxzeus

