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18.3.18

A Fábrica de Nada

A Fábrica de Nada
Pedro Pinho
2017
Filme
3 em 10

Fomos ver este filme ao cinema e, após quase três horas de puro sofrimento, sono e vontade de fazer xixi, é com muito orgulho que o apresento como, quiçá, o pior filme que vi este ano. Há quem o tenha adorado (estou a olhar para ti Qui), mas eu não me posso impedir de o detestar.

Portanto, vou aproveitar este post para - com a análise do filme - falar daquilo que eu acho que são os principais sintomas desta doença que mantém o cinema português nos cuidados intensivos.

Para começar, este filme tem um baixíssimo valor de produção. A experiência poderia ter sido valorosa, com isto de não ter material e ferramentas para gravar as cenas e com não termos orçamento para contratar actores verdadeiros. Esta experimentação poderia ter corrido bem se tivesse havido mais tempo e, sem dúvida, o mínimo esforço para usar BEM as poucas coisas que se tem. Assim, temos um conjunto de cenas que são apenas aborrecidas e mal filmadas, com um conjunto de personagens nada convincentes. O que é, temos de admitir, estúpido, pois os actores fazem deles próprios. Como é que não conseguiram dar formação a esta gente para fazer de si própria num filme de forma convincente?

O outro problema é a incapacidade do autor de criar uma narrativa coesa e directa. O argumento esparrama-se em discussões filosóficas tanto aborrecidas como inúteis, que não trazem nada de novo à história que, de todos os modos, acaba por se revelar confusa e inconclusiva. Existem demasiadas cenas que em nada acrescentam ao desenvolvimento narrativo ou de personagem e que nos levam por caminhos que acabam por se tornar becos sem saída.

Finalmente, o problema final é que este realizador está tão ligado à escola, àquilo que vai agradar os meninos de Cannes, que tem aqui uma amálgama de técnicas que ninguém usaria no seu estado normal se quisesse fazer um filme que entretesse de alguma forma.

Vão argumentar "ah, ignorante, o filme não é parado". Não é parado o filme. Mas é chato e inútil. E como pode ser dedicado a uma fábrica que funcionou em auto-gestão se a fábrica do filme acaba por nunca funcionar? Falamos aqui da falta de coerência.

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