• Boogiepop Phantom

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    Boogiepop Phantom
    Watanabe Takashi
    Anime - 12 Episódios
    2000
    5 em 10

     Um clássico dos 00s, o anime Boogiepop Phantom explora acontecimentos que se passaram há cinco anos e que se reflectem na actualidade: crianças com estranhos poderes, assassinatos e Boogiepop, uma criatura semelhante a shinigami (deus da morte).

     A premissa é excelente, mas a concretização foi insuficiente. Este é um anime para quebrar a cabeça, mas não nos são dadas informações suficientes para conseguir resolver o puzzle. Parece ser necessário um conhecimento prévio de certos acontecimentos, que não nos é dado. Assim, isto acaba por ser apenas uma grande confusão. Além disso, existem elementos (os insectos, a misteriosa droga disfarçada de perfume) que parecem ser completamente esquecidos na progressão da história. é fácil de entender o fio principal da meada, mas tudo o resto teremos de considerar ou inútil ou inexplicável. Eu vou mais pelo inútil.

     A direcção de arte tem também uma premissa excelente. Os tons sépia, o preto e branco, tudo isso é fascinante. Mas acaba por ser destruído por um design deficiente. Este estilo é popular no início dos 00s, especialmente para histórias deste género, o terror urbano, mas ainda assim acho que o estilo da realização teria sido muito mais eficiente com um design de personagens diferente, nomeadamente um estilo shoujo mais brilhante ou um estilo realista.

     As personagens individuais de cada episódio estão bem desenvolvidas, havendo uma boa apresentação dos seus dramas, e Boogiepop mantém-se como criatura misteriosa do início até ao fim, se bem que lhe dão uma certa personalidade que me parece ser desnecessária. No entanto, Kirima Nagi - que é um ponto fulcral de união entre todas as histórias - não parece ter uma personalidade, um passado ou um futuro e está simplesmente ali a andar de mota e a ser fixe com um fatinho colado ao corpo.

     A banda sonora é possivelmente o ponto mais bem conseguido da série. Mantém um nível de suspense e mistério adequados.

     Boogiepop Phantom é parte de todo um franchise, mas a série - sobre a qual eu tinha grandes expectativas - é desagradável. Não tem o mistério nem o horror que prometia e é apenas uma amálgama confusa de conceitos que nunca são explicados. No entanto, a apresentação é muito original e daí um 5 e não outra coisa pior.
  • Os Pássaros da Morte

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    Os Pássaros da Morte
    Mo Hayder
    Policial
    2001

    Este livro ganhei-o na promoção da Editorial Presença, que fizeram no Facebook. Escolhi-o pelo título (bem, só dava para escolher pelo título...), porque tinha Pássaros e eu gosto de pássaros. Afinal é um policial dos 00s, coisa que nunca tinha lido na vida. E, sinceramente, acho que os policiais têm mais interesse quando são antigos.

     Esta história passa-se em Inglaterra, em que se descobrem uma série de corpos pertencentes a prostitutas, mutilados e abandonados. E com pássaros cosidos aos pulmões, que divertido. O Detective Caffery, personagem principal, vai somando dois mais dois e chega às suas conclusões, enquanto se separa de uma gaja maluca, se apaixona por uma stripper e tenta encontrar a solução para o desaparecimento do seu irmão mais velho, que se evaporou quando eram putos. Ah, e há uma competição irrelevante com um outro idiota do seu serviço que é racista e quer matar pretos. Enquanto isso, o assassino também é descrito. Por isso sabemos quem ele é desde o início. Enfim...

     A história é pavorosa, no sentido literal. Há descrições ricas de como as vítimas são mortas, violadas e encontradas. e também de como estão envolvidas na droga entre outras coisas mais. Aliás, um dos defeitos deste livro é precisamente esse. Tem descrições completamente inúteis e situações absolutamente desnecessárias para o desenvolvimento da história. Parece que já foi feito a pensar na série ou no filme (que nunca há-de acontecer, espero eu?), com uma série de apartes para encher chouriços.

     Os personagens são pouco memoráveis e mal caracterizados. A autora exige descrever o que eles vestem todos os dias, mas recusa-se a descrever as suas personalidades, quer através de acções, situações ou outra coisa qualquer. Para mim o melhor personagem foi o secundário Gemini, que na sua simplicidade acava por ser o mais sólido.

     O final está bem apresentado e a história bem atada. Chegou a haver um momento surpreendente de grande suspense, mas a autora decidiu estragá-lo tentando caracterizar o personagem envolvido. E falhando. Desenvolver personagens com recurso a flashbacks já está demasiado batido.

     Não desgostei do livro, mas este é sem dúvida um género que não consigo aturar. O culpado é sempre o mordomo, mesmo que não haja mordomo.
  • Terna é a Noite

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    Terna é a Noite
    F. Scott Fitzgerald
    Romance
    1934

     Esta interessante nova colecção do Público apresenta-nos autores que, não tendo recebido o Prémio Nobel, talvez o tivessem merecido, por todo o seu trabalho. Há várias razões para estes autores não terem recebido o Nobel, desde serem bêbados inveterados a serem demasiado trágicos ou, nas suas obras, colocarem um ênfase demasiado profundo no acaso e não no valor humano.

     Por isso fui, felicíssima, ler esta obra do autor de O Grande Gatsby (livro que, por sinal, eu ainda não li). Depois de o terminar, durante um dia de praia, só tenho a dizer... Talvez ele não tenha recebido o Nobel porque não o merecia.

     Este livro passado no apogeu cultural do pós-guerra mundial trata da vida de Dick Diver e da sua relação com Nicole, sua esposa. Ele é um médico psiquiatra, ela foi sua paciente, e após o seu casamento ele sofre um processo de degeneração em que deixa o emprego e se acopla ao álcool, passando a depender cada vez mais, sob todos os aspectos, da sua esposa (que é rica, muito rica). Ele tenta libertar-se da sua mulher, inspirado por um caso com uma jovem actriz Americana - Rosemary - que, infantil, vê nele um ídolo do amor.

     Parece bem, não parece? Mas não está. Todo o livro está escrito como se todos estes dados fossem vulgares e isso torna a história completamente irrelevante. Existe uma miríade de outros personagens, mas eles não interessam a ninguém. Também existe uma miríade de histórias paralelas, que ainda interessam menos. É um livro pouco focado, sem objectivo. Não há uma boa caracterização da época e da sociedade rica em que tudo se passa e é muito difícil de visualizar as situações.

     Os personagens, vulgares, estão mal caracterizados. Há um excesso de acções que não validam as suas personalidades e as relações entre eles, motivo principal da obra, são corriqueiras e sem qualquer tipo de intensidade.

     A escrita é boa, mas falhando nestes dois aspectos principais empalidece e chega a parecer apressada.

     Um libvo desapontante. Mas ainda vou ler o Grande Gatsby quando tiver oportunidade, porque deve ser bem melhor.
  • American Pie

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    American Pie
    Paul Weitz
    Filme
    1999
    5 em 10

     Ainda me lembro quando este filme saiu. Eu tinha 11 anos e o meu grande desejo era ir ver esta coisa ao cinema, mas não podia porque era para maiores de 16. Depois, passou na televisão. Não percebi grande coisa, por isso não lhe achei muita piada. Fui revendo-o na televisão e progressivamente percebendo o que se andava a passar. E agora revi-o uma vez final, par ajustar contas.

     Este não é um filme bom. Mas tem a sua graça, dependendo do grau de impureza das nossas mentes. Eu, pessoalmente, não sou apreciadora de piadolas sexuais. Consequentemente, há aqui muitas coisas que eu, inerentemente não gosto. Começa logo pela premissa: quatro pobres tristes decidem perder a virgindade, seja porque meio for, antes de acabarem a escola secundária. Claro que daqui não podia sair grande história... De resto, é um filme bastante normal em termos de escrita e realização. As piadas são engraçadas e calculo que para quem goste disto seja absolutamente hilariante. Os gags têm timings muito bons.

     Mas se há algo memorável neste filme, são as personagens, sem dúvida. 12 anos depois, ainda nos lembramos dos seus nomes e daquilo que representam, no universo da escola secundária Americana. Os actores são um conjunto de "novas" (bem, na altura eram novas) caras e fazem todos um bom trabalho. Evidentemente, não é um trabalho extremamente complicado, mas funciona.

     Um filme para relembrar e que continuaremos a rever em noites de bebedeira daqui a 10 anos.
  • Alice no País das Maravilhas

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    Alice no País das Maravilhas
    Clyde Geronime e Wilfred Jackson
    Filme
    1951
    6 em 10

     Estava eu no Algarve, na famosíssima terra de Fat Hill, quando nos ocorre ver um filme da Disney. Começámos a ver o Dumbo, mas depois descobrimos que tem alguns momentos demasiado parados para o nosso estado mental do momento, por isso decidimos mudar de filme para algo mais alucinante. E haverá algo mais alucinante de que a Alice no País das Maravilhas?

     Todos sabemos como é a história: Alice, uma menina mal comportada, foge da sua lição para ir atrás de um coelho com um relógio, acabando por cair na sua toca e indo parar a uma terra surreal que envolve animais falantes, bichos estranhos e matemática. Eu devo confessar que desde pequena que odeio o livro da história original. Desde pequena que o acho assustador e pretensioso. Por isso, também não gosto muito deste filme. É possivelmente um dos meus filmes "não-preferidos" da Disney. Quando era pequena não conseguia perceber o que se estava a passar, assustava-me muito com o final e o filme todo era uma confusão para mim. Agora que o vi outra vez, posso objectivamente afirmar que continua a ser um dos "não-preferidos".

     A animação, devemos admitir, é encantadora. O design das personagens é perfeito e definiu como eles seriam vistos nos anos vindouros. Está tudo repleto de detalhes, de pequenas coisas que enriquecem a imagem, tornando-a mais cheia e interessante. Fosse avaliar este filme só pela animação e seria um 10 em 10. Além de que não envelheceu nada e apesar de já ter 60 anos em cima continua a parecer que foi feita ontem.

     Mas o resto... A história não me agrada. Como disse anteriormente, é demasiado confusa para mim, e sem dúvida demasiado confusa para uma criança pouco inteligente como eu. A Disney simplificou a história de forma a focar-se nos elementos mais importantes e mais interessantes, mas mesmo assim não há elos de ligação entre cada parte da história. Compreende-se que seja assim, pois afinal é tudo um sonho (se bem que eu quando era pequena não percebia isso...) mas não sei o que seria melhor: manter as características surreais ou adicionar um pouco de cola e fazer uma história mais fluída. Quanto aos personagens, para mim foi fácil esquecê-los. Conheço bem a história, com a sua lagarta, o dodo e o gato que ri, mas já não me lembro do que é que eles fazem! Alice, personagem principal, é uma criança mimada e irritante que faz as coisas apenas por acaso, sem qualquer tipo de caracterização por detrás das suas acções e sem qualquer tipo de desenvolvimento. Neste filme, Alice não aprende nada no seu sonho. No livro, ainda aprendia uma coisa ou outra, era mais inteligente e estava mais envolvida com as acções ao seu redor, não se limitando a aumentar ou a encolher conforme é conveniente.

     Finalmente, as vozes. Nunca ouvi o original. Desta vez ouvi a versão Portuguesa. Horrível. Não havia qualquer alma por detrás das vozes. A da Alice dá vontade de esmurrar bebés. Não sei quem contratou esta gente, mas foi sem dúvida uma má opção.

     Eu não gosto da Alice no País das Maravilhas, por todas estas razões, mas sobretudo porque não fui uma criança feliz a ver este filme. E trazer felicidade às crianças deveria ser o objectivo deste filme, não é. No entanto, as imagens ricas proporcionaram uma belíssima madrugada. Mas talvez tenha havido a ajuda de produtos menos recomendáveis...
  • Os Cadernos de Dom Rigoberto

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    Os Cadernos de Dom Rigoberto
    Mario Vargas Llosa
    Livro
    1996

     Há autores bons e há autores maus. E depois há aqueles autores que se distinguem por um génio e por uma habilidade que tornam até o mais vulgar dos assuntos em arte e em beleza. Vargas Llosa é um deles e, mas uma vez, o senhor Nobel (ou seus representantes) não se enganou quando lhe atribuiu o prémio. Os Cadernos de Dom Rigoberto foi, assim, a minha primeira exposição a esta estrela da literatura, abrindo-me a porta a outros romances, outros livros e outras histórias que este senhor possa ter composto. Mas adiante.

     Este é um livro erótico. Temos um homem, Dom Rigoberto, distinto Peruano, dono de acções de uma empresa de seguros. E depois temos os seus cadernos. Todas as noites, ele se levanta e analisa os seus cadernos, cheios de fantasias sexuais em que o protagonista é a sua esposa, Dona Lucrecia. No meio disto há Fonchito, seu filho de um primeiro casamento, que provocou a separação do casal.

     Cada capítulo está habilidosamente dividido: uma parte fala das conversas de Fonchito com Dona Lucrecia, enquanto que ele a tenta cativar a fazer as pazes com seu pai e discorre inocentemente, num discurso infantil mas precoce, sobre Egon Shiele, pintor que modela a sua vida; outra parte é uma fantasia concretizada, quiçá apenas nos cadernos; depois temos cartas de Dom Rigoberto a diversas pessoas, cartas que ele nunca irá entregar mas que servem para o caracterizar como pessoa e habitante desta civilização que ele tanto adora como abomina; e finalmente, temos uma declaração de amor, às vezes séria, às vezes ridícula, mas vertendo paixão e adoração.

     Este é um livro erótico, mas não é como a literatura homoerótica Japonesa. A sensualidade não é despoletada por descrições detalhadas dos actos, mas sim pelos sentimentos infligidos a Dom Rigoberto, dono da fantasia. E, assim, qualquer assunto, por mais banal ou assexual que seja (de gatos a urinar) se torna apaixonado, suado e voluptuoso.
     Cada personagem é um universo. O trio principal, mais a criada Justiniana que serve tanto de móbil para a fantasia como de fulcro para todos os outros, são todos tão reais e tão humanos que não duvido que qualquer um deles exista e tenha inspirado o autor a este livro, certamente de forma a gozar de uma maneira estética. E o resto dos intervenientes, aqueles que existem nas fantasias de Dom Rigoberto (ou será que não?), cada um deles é delicioso, cada um deles é representante de uma população inteira mas com uma caracterização tão detalhada, e ao mesmo tempo tão simples, que também não duvido que estas pessoas tenham feito parte da vida do autor, quiçá em encontro casual ou em conversa de autocarro.

     As palavras, as palavras são maravilhosas. A forma como ele utiliza o mais estranho vocabulário para ilustrar a mais simples da situação é refrescante, engraçada e, em resumo, bela.

     Um livro perfeito em todos os aspectos, apesar de o tema não ser o que mais me agrade. Foi recomendação da minha mãe, e agora é minha recomendação também.

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