13.8.11

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas
Clyde Geronime e Wilfred Jackson
Filme
1951
6 em 10

 Estava eu no Algarve, na famosíssima terra de Fat Hill, quando nos ocorre ver um filme da Disney. Começámos a ver o Dumbo, mas depois descobrimos que tem alguns momentos demasiado parados para o nosso estado mental do momento, por isso decidimos mudar de filme para algo mais alucinante. E haverá algo mais alucinante de que a Alice no País das Maravilhas?

 Todos sabemos como é a história: Alice, uma menina mal comportada, foge da sua lição para ir atrás de um coelho com um relógio, acabando por cair na sua toca e indo parar a uma terra surreal que envolve animais falantes, bichos estranhos e matemática. Eu devo confessar que desde pequena que odeio o livro da história original. Desde pequena que o acho assustador e pretensioso. Por isso, também não gosto muito deste filme. É possivelmente um dos meus filmes "não-preferidos" da Disney. Quando era pequena não conseguia perceber o que se estava a passar, assustava-me muito com o final e o filme todo era uma confusão para mim. Agora que o vi outra vez, posso objectivamente afirmar que continua a ser um dos "não-preferidos".

 A animação, devemos admitir, é encantadora. O design das personagens é perfeito e definiu como eles seriam vistos nos anos vindouros. Está tudo repleto de detalhes, de pequenas coisas que enriquecem a imagem, tornando-a mais cheia e interessante. Fosse avaliar este filme só pela animação e seria um 10 em 10. Além de que não envelheceu nada e apesar de já ter 60 anos em cima continua a parecer que foi feita ontem.

 Mas o resto... A história não me agrada. Como disse anteriormente, é demasiado confusa para mim, e sem dúvida demasiado confusa para uma criança pouco inteligente como eu. A Disney simplificou a história de forma a focar-se nos elementos mais importantes e mais interessantes, mas mesmo assim não há elos de ligação entre cada parte da história. Compreende-se que seja assim, pois afinal é tudo um sonho (se bem que eu quando era pequena não percebia isso...) mas não sei o que seria melhor: manter as características surreais ou adicionar um pouco de cola e fazer uma história mais fluída. Quanto aos personagens, para mim foi fácil esquecê-los. Conheço bem a história, com a sua lagarta, o dodo e o gato que ri, mas já não me lembro do que é que eles fazem! Alice, personagem principal, é uma criança mimada e irritante que faz as coisas apenas por acaso, sem qualquer tipo de caracterização por detrás das suas acções e sem qualquer tipo de desenvolvimento. Neste filme, Alice não aprende nada no seu sonho. No livro, ainda aprendia uma coisa ou outra, era mais inteligente e estava mais envolvida com as acções ao seu redor, não se limitando a aumentar ou a encolher conforme é conveniente.

 Finalmente, as vozes. Nunca ouvi o original. Desta vez ouvi a versão Portuguesa. Horrível. Não havia qualquer alma por detrás das vozes. A da Alice dá vontade de esmurrar bebés. Não sei quem contratou esta gente, mas foi sem dúvida uma má opção.

 Eu não gosto da Alice no País das Maravilhas, por todas estas razões, mas sobretudo porque não fui uma criança feliz a ver este filme. E trazer felicidade às crianças deveria ser o objectivo deste filme, não é. No entanto, as imagens ricas proporcionaram uma belíssima madrugada. Mas talvez tenha havido a ajuda de produtos menos recomendáveis...

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