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  • Ilha dos Gatos

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    Ilha dos Gatos
    Tukushige Kawatase
    Manga
    2014
    7 em 10


    A minha única compra no AmadoraBD. Um manga editado em português, muito curioso, e que precisa de um certo contexto para ser plenamente entendido.

    A arte bizarra, simples e em traços grossos é típica do manga dos anos 60. Este autor, fascinado com o estilo, recria uma história do género com uma perspectiva moderna. Esta história é assustadora e estranha, aparentemente real (isso torna tudo mais assustador)

    Gosto especialmente que o mistério da Ilha dos Gatos nunca é resolvido, na verdade é como se nunca existisse. E isso torna a narrativa ainda mais esquisita, o que neste caso é uma vantagem.

    Um manga que se lê em 10 minutos.

  • Get Out

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    Get Out
    Jordan Peele
    2017
    Filme
    6 em 10


    A verdade é que apanhamos este filme a meio na televisão e eu fiquei fascinada a vê-lo. Disseram-me "é um filme de terror", mas a verdade é que não parecia nada aterrorizante. Portanto, no outro dia insisti em vê-lo do início.

    É uma história bizarra, quase sci-fi, em que um rapaz negro é levado pela sua namorada a casa dos pais. Quando lá chega, começa a reparar que todas as outras pessoas negras naquela casa são muuuuuito estranhas. Algo lhe diz para se ir embora, get out!, get out. Mas será que vai conseguir?

    A ideia do filme é muito bizarra e curiosa, sendo talvez assustadora dentro do seu contexto. As soluções encontradas são muito interessantes e os actores fazem todos um papel muito adequado, passando do amor pela identidade negra para algo muito mais perturbador.

    Assim, fica o mistério: será que eu agora consigo ver filmes de terror? Vejam o próximo episódio para a conclusão.

  • A Metade Sombria

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    A Metade Sombria
    Stephen King
    1989
    Romance

    Para quem pensava (eu) que Stephen King acertava sempre, aqui está um livro que prova o contrário. Na verdade, "A Metade Sombria" parece ser um King anti-King, pois não obedece a nenhuma das regras que o autor estabelece para a sua própria escrita.

    Para começar, o personagem principal aborrece logo: é escritor. Mania dos escritores darem a profissão de escritor aos seus personagens! E já aconteceu mais do que uma vez com King. Este escritor tem um segredo, tem uma outra metade, o seu lado sombrio, que é um pseudónimo. Então o pseudónimo ganah vida e começa a matar pessoas.

    Até aqui tudo bem, mas o problema é que os capítulos sucedem-se com uma calma tão lenta que o ritmo se perde completamente. Muitas vezes o autor descreve um acontecimento de uma perspectiva para logo depois o voltar a descrever de outra perspectiva. Isto torna o livro repetitivo e muito aborrecido.

    Assim, foi um pouco penoso ler "A Metade Sombria", mas um certo alívio por descobrir que os grandes também falham.

  • Last Night in Soho

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    Last Night in Soho
    Edgar Wright
    2021
    Filme
    6 em 10

    Candidatei-me a ganhar bilhtes para o cinema para este filme, mas não ganhei então vimos em casa.

    Temos uma premissa interessante: uma rapariga com ambição a ser uma grande estilista, muda-se para o Soho de Londres, lugar onde não se consegue adaptar. Ao mudar de casa, entra na vida passada de uma rapariga fabulosa nos anos 60. Precisamente onde queria estar. Mas estarão ambas seguras?

    Temos uma ideia original e bem conseguida em várias partes, com duas personagens bem interpretadas, apesar de algo limitadas. A componente thriller é um pouco apagada pelos elementos juvenis, que dão piada ao filme. No entanto, a conclusão aparece bastante socialmente injusta. Também houve várias referências ao longo do filme que foram mencionadas sem nunca ser exploradas, o que tornou tudo um pouco estranho.

    Um bom filme popika para ver à noite

  • The Guilty

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    The Guilty
    Antoine Fuqua
    Filme
    2021
    5 em 10

    Estava com muita vontade de ver este filme, porque sempre me questionei como seria trabalhar numa linha de urgência. Infelizmente não fala muito disso: o personagem principal é um polícia que é absolutamente incompetente naquilo que faz.

    Quando recebe a chamada de uma mulher em apuros, aparentemente raptada, ele decide que vai fazer tudo para a salvar. À medida que as chamadas se seguem, vamos descobrindo a verdade mórbida. Temos neste filme uma óptima caracterização do que é um ataque psicótico.

    Apesar de a personagem estar bem escrita e ter características muito interessantes, a verdade é que o actor exagera no seu trabalho e, por isso, passa por pouco realista. O choro, os tremores, a asma, tudo junto torna esta personagem numa bomba de sentimentos que passam extravasados por todos os poros.

    Nota curiosa de que o filme é passado praticamente todo no mesmo espaço. Isto seria muito interessante se, subitamente, não aparecessem cenas "fora" do escritório das emergências, que destoavam completamente.

    Um filme com uma premissa interessante, mas que falha.

  • Zodiac

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    Zodiac
    David Fincher
    2007
    Filme
    6 em 10

    Há muito tempo que queria ver este filme, e finalmente tive a oportunidade. Talvez porque tinha uma expectativa completamente diferente, fiquei desapontada.

    Narra a história dos crimes e investigação do criminoso conhecido como "Zodiac", que fez furor nos anos 60 e 80 com os seus crimes (não assim tão) horríveis e pelas mensagens misteriosas que enviava para que tentassem descobrir a sua identidade. O filme percorre os 15 anos entre os primeiros crimes e a edição de um livro com os resultados da investigação, mas - como se sabe pela história - sem culpados e sem consequências.

    Confesso que pensava que os crimes eram muito mais horrendos e que o mistério dos criptogramas fosse extraordinariamente complexo. Por isso fiquei um pouco triste quando o filme se focou sobretudo nas relações entre as várias agências policiais e na falta de comunicação entre elas.

    Ainda assim, foi um filme interessante e estimulante, que passou num instante.

  • Time to Hunt

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    Time to Hunt
    Yoon Sung-hyun
    2020
    Filme
    5 em 10

    Este filme coreano passa-se numa discreta distopia, em que supostamente a Coreia do Sul foi abalroada pelo FMI e existe um clima de criminalidade e pobreza. Neste ambiente, um grupo de amigos decide assaltar uma casa de jogo ilegal. No entanto, mal sabem eles que vão passar a ser caçados por um assassino profissional, daqueles que não larga a sua presa nem por nada.

    O filme é sem dúvida demasiado longo. Numa primeira parte, acaba por ser interessante, com os preparativos para o assalto e o assalto propriamente dito. Mas depois, a parte da caça e perseguição, essa parte é bem chatinha. O filme está sempre a mudar de ambiente, para ambientes inspiradores de terror: parque de estacionamento às escuras, hospital vazio, armazém abandonado. Portanto, é tanto previsível como um pouco irritante, porque sabemos que algures nos vai aparecer alguém para nos assustar.

    No entanto, identifiquei-me com uma personagem, o gordo asmático. Porque eu também sou gorda e asmática e um bocadinho autista e claramente não iria sobreviver à caçada. Por isso, gostei deste tipo. Estava a torcer por ele.

    De resto, o filme termina mesmo a dar a dica para a sequela. Não sei se verei.

  • Escrito na Água

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    Escrito na Água
    Paula Hawkins
    2017
    Romance
    Um thriller psicológico de uma autora de que não tinha gostado muito. Foi-me emprestado pela minha mãe, que por sua vez o tomou emprestado da minha irmã.

    Então, cada capítulo fala de um personagem, quer na primeira, quer na terceira, quer na segunda pessoa. Ao início acaba por ser difícil perceber quem é quem e, para ser sincera, acabei por ignorar algumas personagens que não eram de todo importantes para a narrativa e pareciam estar ali só para fazer paisagem. No meio desta confusão toda, há uma rapariga e uma mulher que, supostamente, se atiram de um penhasco para um misterioso rio onde várias mulheres morreram, de morte morrida ou matada, conforme.

    A autora esforça-se por tornar o ambiente do rio assustador, mas o facto de ser Verão na história não se liga bem com a paisagem escura que é descrita. Isto adiciona à confusão. Depois, existem voltas e reviravoltas para tentarmos descobrir a verdadeira causa das mortes destas mulheres, que é enlaçada no final de uma forma um pouco apressada.

    Ainda assim, foi um livro fácil, rápido e de digestão simples, que se lê num instante e que é muito viciante. A isto chama-se "o prazer culpado", acho eu.
  • O Conselho de Justiça

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    O Conselho de Justiça
    Edgar Wallace
    1908
    Policial
    Este livro foi encontrado na rua. Trata-se de uma sequela de um outro livro que não li, e não tinha noção que fosse tão antigo.

    Então é assim: um grupo de "homens justos" comete assassinatos para vingar pessoas que não pensam pelo sentido de justiça que eles. Isto é, pessoas que são corruptas e más mas que estão aparte da lei geral. No entanto, quem são estes "homens justos" para pensarem que são mais "justos" que os outros.

    Irritou-me desde logo que o primeiro conjunto de vítimas fossem os anarquistas, que estavam simplesmente a fazer uma reunião pacífica. A partir daí, não me consegui convencer a gostar nem um pouco dos "homens justos", porque me pareceram "injustos". Depois há uma séria de reviravoltas, cada uma mais improvável que a outra, sobretudo o final, que aparece quase como um deus ex-machina muito esquisito.

    É um policial, mistério e thriller, de 1908, mas não gostei dele.
  • American Psycho

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    American Psycho
     Mary Harron
    2000
    Filme
    6 em 10
    Um filme fascinante até ao seu último acto, em que começa a enlouquecer. Um fulano muito rico, num universo de fulanos muito ricos, só pode ser feliz quando mata. É um psicopata, mas não o típico psicopata, porque é belo e rico e muito convincente.

    As suas aventuras são aterrorizantes e divertidas, mas no último acto do filme (a partir do momento em que a caixa multibanco exige que lhe ofereçam um gatinho) a coisa toma uma proporção de loucura absoluta. Isto faz com que todo o filme apresentado até ao momento pareça não ter servido para nenhum objectivo, o que me levou a uma grande frustração.
     
    Não é que o filme seja mau, porque na realidade até é bastante interessante e bem feito. Mas foi um final desapontante e que não corresponde às expectativas que haviam sido construídas até ao momento.
     

  • Red Dragon

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    Red Dragon
    Brett Ratner
    2002
    Filme
    7 em 10
    Se há coisa que gosto é um belo filme de psicopatas. E este é tanto assustador como inspirador.

    Começamos por prender um dos assassinos mais terríveis de que há memória: Dr. Hannibal Lecter. Este Hannibal, como sabemos, é um canibal. Por isso, o detective que o prendeu arriscou muito para o fazer. Ainda assim mantém uma relação cordial. E agora o detective precisa da ajuda deste psiquiatra forense para prender a Fada dos Dentes, um terrível assassino que já tirou a vida a duas famílias felizes.

    Os personagens são cativantes e a forma como a narrativa está construída torna-os ainda mais assustadores. Os métodos escolhidos pelos assassinos são curiosos e originais e levam-nos a pensar até onde podem ir as taras das pessoas. A forma como os assassinatos são mostrados também tornam tudo mais fascinante.

    Ainda assim, penso que o filme tem algumas falhas a nível narrativo, em que acontecem algumas coisas que não são explicadas. Por exemplo, como conseguiu o assassino entrar na biblioteca? E como escolhe ele as vítimas. Penso que estes elementos poderiam ter sido mais claros e isso teria ajudado ao filme.

    Mas gostei muito e recomendo. Quero ver mais deste género!
  • Babylon

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    Babylon
    Twin Engine
    Anime - 12 Episódios
    2019
    4 em 10

    Este era um anime pleno de potencial, que estava a ser realmente interessante e misterioso até ao momento em que foi adiado para o ano seguinte.

    Tratava-se de um thriller emocionante sobre uma estranha "doença" ou "política" que influenciava as pessoas a cometerem suicídio. Seguíamos a investigação da polícia e os meandros políticos do assunto que, apesar de por vezes sserem desnecessariamente complexos, até tinham um efeito estimulante. O último episódio antes da pausa foi surpreendente. Apesar de não termos uma animação extraordinária nem personagens especialmente convincentes, apenas queríamos saber: o que vem a seguir?

    Mas o que veio a seguir foram alguns episódios de debate político das Nações Unidas, com eles a flutuarem no além, com cubos e outras formas geométricas, a falarem do sentido da vida e a encontrarem um significado, uma resposta para a grande pergunta do universo.

    E isto é muito parvo.

    Por isso, este anime fica-me na memória como o lugar onde, pela primeira vez, vi uma caricatura da Merkel com traços positivos.
  • Carrie

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    Carrie
    Stephen King
    1974
    Thriller

    Este livro apareceu nas recomendações de Halloween do Goodreads e já tinha ouvido falar tanto dele que decidi pegar-lhe. Foi uma bela surpresa!

    Sabemos logo desde o início do livro que vai acontecer uma tragédia. Essa tragédia vai ser num baile de finalistas e a sua causa é Carrie. Sabemos que Carrie tem poderes paranormais. Mas o que não sabemos é como vamos chegar à dita tragédia.

    O livro é um exercício, que mistura as reportagens de fantasia com a narrativa da realidade sob a perspectiva de várias personagens, de análise de uma terrível adolescência. Carrie aparece como uma personagem limitada, feia, ignorante, mas - por outro lado - também com um lado de bondade, humor e uma beleza escondida. Assim, sempre que vemos os colegas de Carrie a maltratá-la, sentimo-nos terríveis, mas também nos sentimos na dúvida sobre qual seria a nossa atitude perante a situação.

    É muito forte, porque conseguimos acompanhar os sentimentos das várias personagens e ver as consequências das suas atitudes. O ambiente ultra-religioso em oposição à rebeldia adolescente, sempre pontuado com as descrições directas e frias da reportagem, remetem-nos para um universo puramente real, que poderia ser o nosso.

    Gostei imenso e agora fiquei com vontade de ver o filme!
  • The Butterfly Garden

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    The Butterfly Garden
    Dot Hutchison
    2016
    Romance
    Vi este livro sugerido nas recomendações de Halloween do Goodreads e fiquei cheia de vontade de o ler! Como não encontrei o ebook, decidi comprá-lo. Já não mandava vir um livro há muito tempo! Por isso, quando chegou, embrenhei-me logo na leitura.

    Trata-se de um thriller cheio de emoção, que fala de um "coleccionador" de borboletas. As borboleta são raparigas que ele rapta, tatua com o tema da borboleta, renomeia e guarda num jardim secreto, onde têm tudo para estarem confortáveis, excepto a liberdade. A narradora é Maya, uma das borboletas, e o interlocutor é um agente do FBI encarregado de descobrir o que realmente se passou naquele jardim de horrores.
     
    As descrições são ricas, de forma a que podemos imaginar perfeitamente onde estão estas "borboletas" e aquilo que sofrem. A relação entre elas e a sucessão de coisas terríveis que lhes vão acontecendo estão enumeradas de uma forma intensa, que nos deixa sempre com vontade de ler a seguir. As personagens estão bem construídas e conseguimos identificar-nos com elas, sempre com a questão de "o que faria eu se estivesse neste situação?"
     
    No entanto, a qualidade literária não é muita e este livro - apesar de por enquanto se manter na memória -  peca pela forma directa como os assuntos são apresentados, sendo uma leitura muito simples e nada desafiante.
     
    Ainda assim, gostei bastante!

  • Misery

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    Misery
    Stephen King
    1987
    Romance
    Recebi este livro pelo meu aniversário e logo que possível peguei nele. É uma história de obsessão e dominação, tanto perturbadora como assustadora.

    Um escritor famoso pela sua série de livros "Misery" tem um acidente de automóvel. Quando acorda vê-se na casa da sua maior fã. E tudo o que ela quer é que ele escreva um verdadeiro final para o seu livro, pois não ficou satisfeita com o que foi publicado.

    Stephen King já me tem habituado à sua mestria para contar uma boa história. Aqui, temos duas personagens em oposição directa e vamos conhecendo-as lentamente, com o levantar de véus misteriosos que nos revelam progressivamente o íntimo destas pessoas. A narrativa é um thriller assustador e viciante que nos deixa agarrados do início ao fim, à medida que os horrores vão acontecendo a este prisioneiro da sua própria profissão. 

    Para além disso, a qualidade da escrita é fenomenal. Deixou-me com vontade de ler mais livros do autor e fiquei com um respeito renovado por ele.
  • Todos Lo Saben

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    Todos Lo Saben
    Asghar Farhadi
    2019
    Filme
    6 em 10
    Um filme espanhol com uma belíssima colecção de estrelas de cinema para mostrar. Estas, como é certo, fazem bem por ganhar a sua fortuna, mas de resto...
     
    Uma mãe de família residente na Argentina, viaja para a sua Espanha natal para o casamento da irmã. Durante o casamento, enquanto se vão descortinando algumas das relações interpessoais entre as diversas personagens. Quando uma surpresa desagradável acontece, estas relações serão levadas ao máximo da tensão de forma a tentar aplacar o desespero que se abate sobre esta família e os que lhe estão mais próximos. 
     
    No entanto, apesar de termos aqui um conjunto de interpretações excelentes, as persoangens não possuem assim tanto dentro delas para que compreendamos a profundidade dos seus sentimentos. Apesar de terem algo de profundo, sem dúvida, as personagens retratadas são de traços gerais e simples. Isto faz com que o seu desenvolvimento seja  previsível e pouco emocionante.
     
    Também a imagem fica aquém das expectativas, não se aproveitando de forma alguma do cenário, desperdiçando a oportunidade artística do lugar.
     
    Este é um filme que vale pelas interpretações, mas que de resto me desapontou.

  • Burning

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    Burning
    Lee Chang-dong
    2018
    Filme
    6 em 10


    Uma adaptação coreana de um conto de Haruki Murakami. Temos de dar a mão à palmatória: o filme lembra muito um livro de Murakami. Nesse aspecto, podemos dizer que é uma excelente adaptação (não li o original). Por outro lado, tem todos os defeitos a que o autor já nos habituou.

    Um rapaz encontra uma rapariga que era colega da escola e envolve-se com ela. Entratanto, esta dá-lhe a conhecer um tipo muito estranho. Depois acontecem coisas que não direi para não estragar quem tiver vontade de ver o filme. Mas posso dizer que, tal e qual como Murakami faz, esta narrativa perde-se no tempo, perde-se no espaço, tem falhas graves na estrutura e na lógica. Para além disso, o filme deixa uma série de pontas soltas e de questões não respondidas que, dando o desconto de não termos de saber tudo, soam mais a "não sei o que acontece às personagens e confesso que nem me tinha lembrado disso".

    De resto, temos um ambiente de thriller que funciona bastante bem, excepto o facto de que o mistério nunca vem a ser revelado. Os actores são medianos dentro dos papéis estranhos que lhes deram. Existe um foco exageradíssimo nos actos de masturbação, que não contribuem em nada quer para a história quer para o desenvolvimento da personagem.

    Tem um gato fofinho.


  • Sharp Objects

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    Sharp Objects
    Jean-Marc Vallé
    Série
    2018

    Esta é uma série baseada no livro "Objectos Cortantes", com argumento escrito pela própria autora. Assim, vi a série já sabendo o final e comparando mais ou menos os acontecimentos.

    É uma adaptação perfeita do livro, sem deixar nada de fora e acrescentando elementos que - não sendo essenciais - colaboram na caracterização das personagens. Estas, são interpretadas de forma surpreendente, plenas de realismo na dor que todas sentem. É uma série completa, suportada em muito pelas interpretações mas também pelo processo narrativo, que se desenrola de uma forma sensata e objectiva.

    A aura narrativa de toda a séria inspira ao terror e à ansiedade. Apesar de não ser uma história propícia a sustos, o espectador tende a sentir-se nervoso enquanto o mistério, cada vez mais complexo e com uma resolução inesperada (pelo menos para quem não tenha lido o livro). O ambiente retratado transmite alguma opressão, aquela característica das comunidades herméticas altamente tradicionalizadas dos estados unidos profundos.

    Talvez o único defeito que tenha encontrado tenha sido a própria caracterização do embiente. É suposto ser um Verão ardente, um calor insuportável. Mas não só a personagem principal, sempre tapada, parece não sentir isso como quase ninguém sua ou exaspera com o calor. As cores da imagem sugerem um ambiente húmido e nada solarengo.

    Fica a nota também para a banda sonora, que se enquadra de forma perturbadora às imagens e que coloca no centro alguma da música que melhor se tem feito hoje em dia.

    Uma série que ficará na memória.
  • Bird Box

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    Bird Box
    Susanne Bier
    2018
    Filme
    5 em 10
    Tinham-me falado imenso deste filme. Diziam que era aterrorizante, ameaçador, provocador para o pensamento. Então eu comecei a ter pesadelos em que via o filme e este consistia em algo como "se olharem uns para os outros começam a crescer-vos olhos gigantes por toda a cabeça e explodem". O que é de sobremaneira pavoroso quando se está a sonhar.

    O filme não é bem assim. O que me causa grande pena, porque o meu sonho era bastante mais emocionante.
     
    Um bicho/doença/demo/coisa misterioso aparece no mundo. Quando as pessoas olham para ele  têm a irresistível vontade de se matar, por puro terror ou pura felicidade. Há quem diga que o bicho é lindo e, por isso, todos têm de olhar para ele. Há quem tente sobreviver. E Sandra Bullock, mais uma vez, tem que ser forte e não-emocional para poder sobreviver, agora acompanhada por duas crianças e uns passarinhos digitais (as únicas criaturas que podem prever o aparecimento do bicho). Fará tudo isso de olhos vendados.

    Apesar de a história ser interessante e um pouco desafiante (como sobreviver sem ver), aparece um pouco repetitiva considerando o tratamento do tema por escritores e filmógrafos do passado. A actriz faz um papel medíocre e não transforma a sua personagem numa figura identificável e amada pelo espectador, pelo que os acontecimentos são mais ou menos indiferentes a quem vê.

    No fundo, é ver quem morre quando e porquê, tal qual um slasher movie dos antigos. As personagens são todas descartáveis e as suas mortes diversas tornam-se mais engraçadas do que assustadoras ou comoventes.

    Fica a nota para a longevidade dos passarinhos digitais, que vão à água, apanham humidade, apanham calor e frio e nem por isso morrem. Extraordinário.
     
     

  • O Silêncio dos Inocentes

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    O Silêncio dos Inocentes
    Jonathan Demme
    1991
    Filme
    7 em 10

    Depois de ter lido o livro, finalmente o Qui me convenceu de que o filme não metia medo e que, portanto, estava na altura de eu o ver. E, realmente, o filme não mete medo. :)

    É inevitável para mim fazer uma comparação directa entre o livro e o filme. Sem dúvida que é uma excelente adaptação, mas penso que a personagem de Clarice foi um pouco mal caracterizada. A confiança demonstrada no início do filme, sendo que vai regredindo com a progressão da história, é pouco realista para o contexto, sendo que são omitidos alguns elementos de pânico que muito influenciam a sua caracterização no livro. Para além disso, a sua narrativa psicológica influencia o espectador a pensar que algo de terrível e sexual lhe aconteceu, quando não há qualquer evidência disso no livro. A mudança da morte da égua para a morte do borrego também torna o seu lado emocional e frágil bastante redutor. Outros detalhes que eram de importância no livro, como Hannibal Lecter ser polidáctilo, também foram omitidos.

    De resto, não podemos negar que neste livro existe uma grande força motriz, que é o poder dos actores e a forma como estes estão filmados. Os seus diálogos são muito intensos e, com a música adicionada, tornam-se muito perturbadores. A relação entre Clarice e Lecter acaba por tornar uma forma muito sólida, se bem que o final foi pouco satisfatório.

    Outro aspecto que não apreciei muito foi o cenário e ambiente, que era muito pouco claro e quase confuso. A clareza de movimentos no espaço do livro acaba por se tornar muito limitada por excesso de objectos.

    De todos os modos, foi muito interessante ver esta interpretação de uma história que já se tornou um clássico.

    Nota: gostava que tivessem mostrado a razão pela qual Buffalo Bill se tornou psicopata e o método de contenção utilizado em Hannibal Lecter
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