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  • The Thing Around Your Neck

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    The Thing Around Your Neck
    Chimamanda Ngozi Adichie
    2008
    Contos

     

    Duas Chimamandas seguidas, quem não quer? Este livro foi a propósito do Clube de Leitura Meia Volta Pelos Livros, que sugeriu o manifesto feminista da autora que, por sua vez, incluía um conto que, desta feita, está incluído neste volume. Como já tinha lido o manifesto feminista, decidi-me por ler o volume de contos inteiro, yay

     Estes contos falam da condição da mulher negra, da mulher africana, em relação com os seus pares, nas dúvidas que têm, nos dilemas que vivem quando vão para outro país. Fiquei sobretudo impressionada com o conto (não era o pretendido) que falava de um workshop de escrita e em que diziam à escritora africana que "a sua escrita não caracteriza a mulher africana". Então, quem decide? É o homem branco, patriarcal e capitalista quem decide a vivência de África?

    Questiono-me muito sobre isso. 

  • A Cor do Hibisco

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    A Cor do Hibisco
    Chimamanda Ngozi Adichie
    2003
    Romance


    Livro que recebi através do BookCrossing, mas que se perdeu atrás da estante e só recentemente foi recuperado.

    Este livro fala sobre a condição feminina na Nigéria, expondo para isso a situação familiar de uma rapariga adolescente, do seu irmão, da sua mãe e do seu pai muito religioso e severo. A relação com o pai é explorada de forma violenta, mas com uma delicadeza da filha que vê injustiças mas que ainda assim não consegue deixar de amar.

    O despertar da maturidade e da sexualidade, falada nas conversas com o atraente padre, é um dos aspectos mais importantes deste livro, mas no fundo o que temos aqui é um debate de ancestralismo religioso cristão vs a tradição ainda mais antiga das religiões africanas.

    Foi um bom livro, mas não me encheu as medidas.

  • Vidas Seguintes

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    Vidas Seguintes
    Abdulrazak Gurnah
    2020
    Romance


    Livro que recebi através do BookCrossing, recebido num agradável café de inverno.

    Tratando-se de um prémio Nobel, estava à espera de gostar mais. Mas não gostei assim tanto. O livro começa por explicar a vida de todos os antepassados de Ilyas, um homem que acaba por ir combater para uma guerra africana da qual eu nunca tinha ouvido falar. Depois explica a vida de todos os antepassados do amigo dele. E depois explica como Ilyas encontrou a irmã.

    De repente dá um salto muito confuso e passamos a falar de Hamza, um outro soldado dessa guerra misteriosa. Isto para mim foi tão confuso que pensei que Ilyas e Hamza eram a mesma pessoa (o segundo nome, talvez?) durante imenso tempo, e eu não estava de todo a perceber porque é a que a personagem tinha mudado completamente de origem, educação e atitude. Todas as partes referentes à guerra, não gostei nada delas. A caracterização do horror pareceu-me insuficiente, e não há qualquer base para quem não saiba do que se trata. Gostei apenas das secções com a rapariga, passadas dentro de casa, na cidade, que mostram um pouco como se vive nessa zona de África.

    Fiquei bastante desapontada com este livro.

  • Niketche

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    Niketche

    Paulina Chiziane
    2002
    Romance

    Recebi este livro via BookCrossing, atraída pelo facto de a sua autora ter ganho um grande prémio da língua portuguesa recentemente. Fiquei agradavelmente surpreendida com a leveza e qualidade da escrita, sobre um tema estranho e muito localizado geograficamente. 

    Uma mulher casada descobre que o seu marido não tem apenas uma amante, nem duas, mas quatro! Confrontada com essa situação, a dúvida coloca-se: é ela que não é atraente? São as outras atraentes demais? Com o contexto de Moçambique por trás, ficamos a saber que os hábitos entre casais desta terra são bastante diferentes daqueles que conhecemos. E assim fica justificada uma poligamia, que a mulher irá utilizar com um requinte de vingança para se tornar independente e mais sábia. 

    Este livro conta-nos estes hábitos, para mim estranhos, a comparação entre as várias partes do país no que diz respeito a eles e a atitude da presença feminina, de como esta é injustiçada e maltratada. 

    Assim, mais que uma história de poligamia, esta é uma história puramente feminina e, acho que o posso dizer, feminista. 

    Recomendado.


  • A História de Meu Filho

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    A História de Meu Filho
    Nadine Gordimer
    1990
    Romance


    Livro que recebi num encontro de Escrita Narrativa. O primeiro livro de Nadine Gordimer que li não me cativou muito, mas decidi dar uma segunda oportunidade.

    Mais do que a guerra, o racismo e o apartheid, temas recorrentes na autora, este livro fala da vivência familiar de um conjunto de pessoas que, por acaso, também combate os temas anteriores. Um filho descobre que o seu pai tem uma amante, e a partir daí tudo irá dar uma grande volta.

    Gosto da forma como o livro retrata a África do Sul, o seu ambiente, as suas cidades, os seus bairros e a forma como as pessoas vivem. A história da família em si acaba por servir apenas como um fundo para que se possa fazer a caracterização desta forma de viver.

    A escrita é simples e directa, o que torna a leitura mais simples do que o esperado. Apesar disso, não o recomendaria.


  • A Minha Irmã é uma Serial Killer

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    A Minha Irmã é  uma Serial Killer
    Oyinkan Braithwaite
    2018
    Romance

    Comprei este livro porque tinha ouvido falar muito dele. Trata-se de um dos romances mais badalados de escritoras negras africanas dos últimos tempos, e olhem que estas não são muito comuns de todo.

    O livro é simples, em capítulos rápidos e dinâmicos, e conta a história da relação entre duas irmãs: uma, a narradora, é enfermeira. A outra, nova, bela e talentosa, é uma assassina. O livro tece entre os assassinatos a história desta família e os sentimentos que Korede, a enfermeira, vai alimentando perante a irmã.

    Apesar de ser um estudo bastante interessante sobre a relação fraternal, e também um retrato curioso da vida actual na Nigéria, acabamos por nos sentir mal alimentados com este livro, porque aparenta tudo ser inconsequente, como se a relação fosse mais forte do que qualquer outra coisa.

    No entanto, penso que vale a pena ser lido e vou pô-lo em BookRay.

  • Um Capricho da Natureza

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    Um Capricho da Natureza
    Nadine Gordimer
    1987
    Romance

    Recebi este livro através do BookCrossing, mas não era exactamente o que estava à espera. Primeiro, uma edição terrível, com letras minúsculas e estreitinhas, extremamente difícil de ler. Depois, uma narrativa densa e por vezes complexa, que me deixou aflita na leitura algumas vezes.

    Este livro conta a história de Hillella, uma improvável interveniente nas revoluções da libertação da África negra e no fim do apartheid. O livro é quase como uma biografia imaginária, cruzando-se com referências da realidade. No entanto, a personagem principal é sempre indiferente a tudo aquilo que a rodeia e uma pessoa questiona-se porque raio é que ela se junta aos movimentos revolucionários se não aparenta ter uma ideia própria para pensar.

    Apesar de existir uma boa caracterização do apartheid e do estado em que se encontravam os refugiados políticos na época, esta personagem esbatida acaba por tornar o livro numa narrativa estranha e quase desnecessária.

    Desapontou-me.

  • Poesia

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    Poesia
    João-Maria Vilanova
    2007
    Poesia

    Poesia africana, vinda directamente de Angola.

    São poemas curtos que nos remetem para uma forma de viver muito directa, pouco romanceada, transmitindo todo um ideário tribal. São poemas por vezes muito agressivos, que tocam directamente na ferida deixada pelo colonialismo selvagem, que falam da morte a tiros e da violência cometida para com as populações.

    é um livro um pouco denso, pois possui muitas expressões crioulas que, misturadas com o português clássico, têm um efeito tanto totémico como difícil.

    Ainda assim, com ajuda do glossário no final, a leitura é possível e, assim, muito interessante.

    Recomendo.

  • Mayombe

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    Mayombe
    Pepetela
    1980
    Romance
    Este é um livor que fala dos guerrilheiros do MPLA, pela libertação de Angola do colonizador. É escrito com base nas experiências do autor na guerrilha, o que é surpreendente para mim. Questiono-me se não há escritores africanos negros que possam falar sobre a experiência de ser negro, do tribalismo e das divisões tribais que assolavam a situação da guerrilha. Questiono-me porque tem de ser um escritor branco a falar dos negros.

    O livro caracteriza bem a guerrilha na floresta, nesse tal "Mayombe" selvagem, duro e doloroso. Temos personagens cativantes, que têm discursos informados e justos. No entanto, o autor discorre sobre coisas que desconhece, tornando-se por vezes ofensivo, nomeadamente sobre o papel da mulher ao lado do guerrilheiro.

    Assim, o livro deixou-me com um misto de fascínio, pela história - por vezes humorística - que nos contam, e de irritação, porque muitas vezes o autor é injusto para as suas personagens, dando-lhes características ridículas e quase ofensivas.

    Não sei se repetirei o autor.
  • O Assobiador

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    O Assobiador
    Ondjaki
    2002
    Romance

     Apesar de gostar muito deste autor, este curto romance desiludiu-me bastante.

    Numa aldeia, surge de repente um assobiador, um homem que assobia coisas maravilhosas. O autor esforça-se por mostrar a grave influência que esses assobios têm nos vários habitantes da aldeia, mas penso que ficou aquém das expectativas.

    Para começar, nunca percebemos exactamente o que é que o assobiador está a assobiar, pelo que o deslumbramento pelo seu som  passa ao lado do leitor. Depois, as outras personagens não possuem muita verosimilhança, aparentando ser mais caricaturas de pessoas reais do que outra coisa.

    Também as descrições dos lugares, espaços e acontecimentos são muito difusos, sendo que a sua falta de clareza não nos permite localizar bem as acções.

    Acabam por ter mais interesse as citações em todos os capítulos, o que me pareceu um exagero, do que os capítulos em si.
  • A Idade do Ferro

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    A Idade do Ferro
    J.M. Coetzee
    1990
    Romance

    Com uma impressionante capacidade literária, Coetzee volta a surpreender-me com um livro tão violento como altamente viciante.

    Uma senhora idosa na África do Sul acolhe sob sua protecção um sem-abrigo. Juntos, irão assistir a uma série de injustiças cometidas contra os seus amigos, companheiros e empregados negros, que estão a viver momentos de puro terror nos seus bairros isolados e cercados por uma autoridade corrupta e falível.

    Este livro não é apenas uma análise social da época vivida na África do Sul. É também um excelente estudo de personagem, em que o autor penetra nos segredos mais profundos destas pessoas e lhes dá uma voz tanto emocional como altamente lúcida e coerente.

    As imagens de terror que pontuam o livro atingem-nos com todo o detalhe, mas o facto de a narrativa ser a visão pessoal de uma personagem que está tão perdida como as vítimas torna-as ainda mais violentas. Afinal, esta velhinha encontra-se no meio de um problema que ela não pode controlar e vê-se desrespeitada por todos aqueles em quem confiava, acabando por transferir o seu voto de amizade ao sem-abrigo desconhecido que se protege no seu jardim.

    Um livro excelente que me ficará na memória.

  • Estórias Abensonhadas

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    Estórias Abensonhadas
    Mia Couto
    1994
    Contos

    Este é o último livro de Mia Couto que tinha na minha primeira lista de leitura da minha nova e gigantesca TBR. Acabei de o ler no café, enquanto estava à espera que o pessoal chegasse para irmos fazer coisas (e fiquei sem livro para ler, o que foi terrível D: )

    Supostamente, este livro é uma versão renovada das histórias habituais de Mia Couto: uma versão dos acontecimentos que ocorrem depois da guerra. Agora, em tempo de paz, é tempo para as pessoas sonharem e terem esperança. Pelo menos, é isso o que diz no prefácio. Ora, achei então muito estranho que estas histórias se distingam muito pouco daquelas que li e que eram passadas *antes* da guerra.

    Continuam a acontecer fenómenos bizarros, é certo. Mas eu esperava que este conjunto de fenómenos viesse a ter conclusões positivas na vida das pessoas, já que não existe mais o tormento da guerra. Não é isso o que acontece. Estas histórias são tão fantasiosas e com consequências tão absurdas como as anteriores. Não existe uma perspectiva de positivismo nem uma alegria emocional por finalmente ter terminado o terror.

    Parece, então, que a guerra foi absolutamente inconsequente. É muito injusto.
  • Hamina e Outros Contos

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    Hamina e Outros Contos
    José Craveirinha
    1997
    Contos

    Ainda numa onde de literatura africana, comecei a ler este livro. E muito rapidamente o acabei, porque é muito mito minúsculo.

    É inevitável comparar esta obra a outras de autores do mesmo continente e do mesmo país. A minha impressão da literatura africana em língua portuguesa é que existe uma tendência para a análise dos personagens das situações da vida real tendo por base um conjunto de crenças e mitologias características dos locais, com muita influência tribal e toda uma aura de fantasia e quase inocência infantil.

    Este livro de José Craveirinha é totalmente diferente. Nestes contos são abordados os mesmos temas familiares, sociais e a sua relação com a guerra há pouco abandonada, tendo sempre como pano de fundo um regime estranho e injusto, mas com uma visão realista, terra-a-terra e bastante assustadora. Para este autor as pessoas não são belas, os espaços não são belos. Para este autor a realidade é algo de cru e, sobretudo, algo de muito cruel.

    Os contos são curtos mas muito directos ao assunto, acompanhados por uma série de litografias que acrescentam ao ambiente sombrio destas histórias.

    Foi uma experiência diferente. 
  • Contos do Nascer da Terra

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    Contos do Nascer da Terra
    Mia Couto
    1997
    Contos

    Mais um livro de Mia Couto, no processo de me convencer que afinal este autor não é merecedor do meu desprezo.

    Em "Contos do Nascer da Terra", o autor explora de forma inocentada mitos e lendas africanas da zona, para além de nos remeter para um mundo passado, quase infantil, de brincadeiras e ansiedades juvenis. São contos muito curtos, que sempre causam uma certa estranheza. Mas eu gosto de coisas um bocadinho estranhas.

    São contos em que as pessoas sofrem consequências por actos que não obedecem às crenças da região, sendo que os castigos infligidos são tanto bizarros como divertidos, para além de haver sempre uma carga simbólica na relação pessoa-objecto.

    Já não me estranha as palavras inventadas. Lendo o livro com o sotaque Moçambicano, tudo faz mais sentido.

  • A Varanda do Frangipani

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    A Varanda do Frangipani
    Mia Couto
    1996
    Romance

    O frangipani é uma árvore africana que perde todas as folhas no momento da floração. Esta é uma árvore simbólica e mágica no contexto deste livro, mais uma das minhas tentativas de reconciliação com Mia Couto.

    Tudo começa com um espírito de uma pessoa morta. Está descansado, debaixo da terra, até que um pangolim mágico lhe dá a oportunidade de passar por uns momentos ao mundo dos vivos, observando tudo através do corpo de um polícia encarregado de investigar o assassinato de um director de lar de idosos. O espírito assiste às entrevistas com os habitantes deste lar, que não são muitos, sendo que cada um tem uma versão diferente da história.

    O romance navega por histórias de magia e mistério tribal, esclarecendo-nos e também ao personagem sobre estes hábitos rituais ainda presentes na cultura do povo moçambicano. Assim, o livro acaba por ser uma sucessão de descrições de artes mágicas muito específicas e características, sempre em relação à guerra passada, o que não deixa de ser bastante interessante.

    O que mais me cativou neste livro foi, sem dúvida, o final carregado de simbolismo e mística.

    Talvez este autor não seja assim tão horrível. Ainda tenho mais para ler. ;)

  • Vinte e Zinco

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    Vinte e Zinco
    Mia Couto
    1999
    Novela

    Este livro aparece na sequência de uma colecção temática da Editorial Caminho, com o mote do "25 de Abril", em 1999. Esta é a perspectiva de Mia Couto sobre a data em causa. Ora, eu por norma não gosto do Mia Couto. Sempre o achei um pedante que se acha muito especial por inventar palavras novas. Mas este livro foi, de certa forma, uma experiência diferente, porque tudo o que eu tinha por defeito do autor se dilui nesta narrativa.

    Nos dias imediatamente antes e após o 25 de Abril em Lisboa, um grupo de habitantes de uma pequena aldeia africana não sabe o que fazer. Ora, um deles é agente da PIDE e tem muitos traumas sobre os quais se podem falar. É na relação destes personagens, as revelações sobre a realidade em oposição às sequências mágicas e feiticeiras dos hábitos locais, que o autor se baseia para nos mostrar a consequência imediata da revolução.

    A caracterização dos personagens é curta mas essencial, sendo que poderiam todos ter sido um pouco mais explorados se houvesse mais "tempo". A forma como tudo está descrito é muito simples, quase infantil, apesar da brutalidade de algumas das situações. E quanto às palavras inventadas, elas fluem com toda a naturalidade, assemelhando-se em tudo às suas partes que figuram realmente no dicionário.

    Será este o primeiro passo para fazer as pazes com o autor? Quem sabe... ;)
  • Quantas Madrugadas Tem a Noite

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    Quantas Madrugadas Tem a Noite
    Ondjaki
    2004
    Romance

    Já havia lido um livro deste autor Angolano e, por isso, estava muito entusiasmada para experimentar outro. Este livro foi "roubado" no picnic do BookCrossing na Quinta das Conchas. :)

    Escrito de forma absolutamente coloquial, é uma brilhante viagem pela Angola dos nossos dias, tendo como ponto de partida a morte de um homem que, coitado, tem o curioso nome de AdolfoDido. Ora, por alguma razão este pobre morte não consegue descansar em paz, porque não o deixam sossegado. E é assim que passamos a conhecer todo um conjunto de personagens absolutamente humanas e realistas, cada uma com as suas pequenas alegrias e problemas mas que, todas juntas, nos contam uma história plena de encanto e, também, algum mistério.

    Pelo meio destas figuras, existem algumas criaturas estranhas, quase mitológicas, como o Cão e a sua dona KotaDasAbelhas. De certa forma, o confronto com o Cão pode acabar por ser simbólico de uma luta do bem contra o mal, do enfrentar do divino com o infernal.

    De resto, o livro está extraordinariamente bem escrito, apesar de todos os termos tipicamente africanos que encontramos ao longo de toda a narrativa. Para isso, a editora fez o favor de colocar um glossário no final, hahaha. O final é muito belo e quase comovente, sendo que o nosso narrador (surpreendente narrador!) nos diz algumas frases que ficam na memória.

    Recomendo vivamente e, cada vez mais, quer continuar a conhecer a obra deste autor. :)

  • Teoria Geral do Esquecimento

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    Teoria Geral do Esquecimento
    José Eduardo Agualusa
    2012
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, o que simboliza a final da maratona de leituras digitais (porque é um livro físico, lol)

    Li-o de uma assentada, porque é realmente interessante. Conta a história de Ludo (Ludovica), uma mulher portuguesa em Angola que, perdida de terror e angústia perante a revolução, constrói uma parede à porta do seu apartamento, separando-a do resto do mundo durante 30 anos.

    O livro conta a sua história de sobrevivência, apenas com o que cultiva no seu terraço e algumas caçadas de pombos, queimando livros depois de os ler para ter alguma luz, acompanhada apenas por um cão branco que tem tanta fome como ela. Ao mesmo tempo, dá-nos pequenos detalhes da vida de uma série de pessoas que muito sofreu com esta revolução, mostrando todos os lados de um dado que gira até se demonstrar que todos fazem parte do mesmo objecto: as histórias de todos unem-se e existe algo em comum em todas as coisas que aconteceram ao longo do livro.

    Enquanto isso, são-nos mostrados excertos de um diário, o diário de Ludo, com considerações sobre esta vida que não chega a ser uma vida, com poemas, com frases. Isto ajuda em muito a caracterizar esta personagem cativante em todos os seus medos e permitem que o leitor queira saber cada vez mais sobre o que ela vai fazer de seguida para conseguir viver mais um dia, mais um mês, mais um ano.

    Gostei imenso desta leitura e espero que as próximas pessoas da lista o apreciem tanto como eu :)

  • os da minha rua

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    os da minha rua
    Ondjaki
    2012
    Contos

    No passado Natal recebi um livro repetido. Isto é, duas pessoas tomaram a excelente decisão de me oferecer o mesmo livro. Estas duas pessoas não têm qualquer relação uma com a outra, o que é sem dúvida curioso. Enfim, tive de trocar um deles e troquei-o por dois livros. Um deles é este, que acabo de terminar. Escolhi-o porque já há algum tempo que vinha tendo uma curiosidade sobre este autor Angolano, que para mais é contista. Gosto tanto de contos!

    Este é um conjunto de pequenas histórias sobre a infância em Luanda, pequenos momentos da vida do autor. São coisas muito pequeninas, mas são únicas e muito emocionais. Senti que com este livro o autor não partilhou apenas a sua infância, mas uma série de sentimentos, saudade, amor, amizade, coisas puras que apenas podem ser recordadas com uma certa dose de melancolia, equiparada à felicidade que estas memórias podem trazer.

    As descrições são vívidas, senti-me mesmo junto ao narrador (autor) enquanto ele relatava os acontecimentos das suas pequenas histórias. Mas mais que as descrições do universo físico, impressionam as do universo emocional e pessoal, dando ao leitor a oportunidade de também ter estes sentimentos. Tendo isto em conta, gostei sobretudo da história em que o tio dá banho ao cão.

    Foi uma leitura rápida, mas muito prazerosa, ler este livro fez-me muito feliz, apesar de os momentos sere (como tantos) tão curtos.
  • Os Intérpretes

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    Os Intérpretes
    Wole Soyinka
    1986
    Romance

    Afinal ainda tinha livros sobejantes da Convenção do BookCrossing 2013! Este foi um dos últimos (e para além deste resta apenas outro, que já estou a ler). Desconhecia este autor, laureado com o Nobel, e fiquei bastante curiosa ao ler na sua biografia o seu trajecto. Confesso que não conheço quase nada acerca de literatura do continente Africano e, assim, considerei este livro uma excelente oportunidade para saber um pouco mais.

    O livro conta a história de um grupo de amigos, em que cada um tem uma actividade diferente. No entanto, à medida que a história se desenrola, vão acontecendo coisas que os influenciam, a cada um de uma forma diferente, melhorando a sua perspectiva sobre cada uma das actividades, desde o jornalismo à pintura. Apesar de tudo, o livro pareceu vagar com um rumo um pouco confuso, em que os acontecimentos pareciam não ter consequências de maior à primeira vista. Mas têm, apenas não são manifestações físicas: são pequenas alterações no discurso e acção dos personagens. No entanto, ao terminar, pareceu-me que o livro estava incompleto.

    O livro está muito bem escrito, com momentos de elevada inteligência e diálogos extremamente bem montados e muito construtivos. Através dos diálogos, podemos perceber a influência da arte da dramaturgia na escrita do autor, o que funciona extremamente bem, devido à naturalidade com que as palavras são ditas pelos personagens e o realismo que lhes é impresso.

    O livro passa-se na Nigéria e existem elementos na descrição e nos acontecimentos que nos remetem para esse universo, de uma forma um pouco inesperada: afinal, quando pensamos em países africanos a primeira ideia que temos será a das crianças que morrem de fome. Aqui é-nos mostrada uma sociedade diferente, com as suas características, mas eloquentemente semelhante ao que conhecemos na nossa realidade europeia.

    A leitura pode ser um pouco difícil, pois são usadas muitas palavras dos dialectos originais e tribais. E os nomes, é muito difícil de perceber quem é quem, mas depois habituamo-nos. O livro contém um pequeno glossário no fim, mas para mim não foi muito útil.

    Por mero acaso deixei-o com o meu pai (mostrei-lho e ele açambarcou-se dele), mas quando ele mo devolver irei pô-lo a circular no BookCrossing. :)
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