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  • Refusing Compulsory Sexuality: A Black Asexual Lens on Our Sex-Obsessed Culture

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    Refusing Compulsory Sexuality: A Black Asexual Lens on Our Sex-Obsessed Culture
    Sherronda J. Brown
    Ensaio


    Livro que li para o BookClub LGBT do Círculo dos Cogumelos.

    Um livro interessantíssimo que me colocou a pensar sobre a forma como avaliamos a sexualidade e sobre como a sociedade avalia o comportamento sexual dos seus elementos, e como esta está absolutamente fixada na vida sexual das pessoas.

    Perante uma sociedade que está - essencialmente - fundada sobre um conceito de sexualidade patriarcal, machista, capitalista e colonialista, onde ficam as pessoas assexuais? Num grande isolamento e sofrimento. Mas, enquanto pessoa cishet, este livro também me tocou de forma especial, porque me fez compreender que não são só as pessoas assexuais que são afectadas pela forma injusta de como esta sociedade está montada, toda em volta da sexualidade enquanto fonte de prazer masculina e enquanto fonte de "família tradicional de valores cristãos tradicionais". Esta perspectiva é profundamente assustadora, e este livro coloca o dedo na ferida de uma forma muito clara.

    A aprendizagem que obti com este ensaio foi preciosa e, por isso, recomendo vivamente a sua leitura, quer estejam envolvidos na defesa dos direitos das pessoas queer ou não. É um livro que dá muito que pensar, e que irá certamente mudar perspectivas com a sua leitura. E, talvez, com isso, mudar o mundo - nem que seja só um bocadinho.

  • A Civilização do Espetáculo

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    A Civilização do Espetáculo
    Mario Vargas Llosa
    2012
    Ensaio


    Último livro da Feira do Livro. Quando o comprei pensei que fosse sobre algo completamente diferente, mas trata-se de um ensaio sobre como a cultura "elevada" se está a perder para o espectáculo rápido e imediato das redes sociais e televisão.

    Se ao início o discurso parecia ter alguma lógica, nos capítulos finais o autor começa a revelar que talvez tivesse demência por esta altura da sua vida, porque diz que "devia deixar de existir ficção, para isso existem os filmes" e que a literatura que se faz hoje em dia não é boa, nem culta, nem alta, nem nada, só a dele é que deve ser válida. Isto irritou-me tanto que tive vontade de mandar o livro pela janela do autocarro, e acabei por ler o capítulo final de rajada, sem grande atenção.

    Nunca mais pego num livro do Vargalhosa, e eu até gostava bastante dele.

  • A Memória de Shakespeare

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    A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos
    Jorge Luis Borges
    1983
    Contos


    Pequenino livro, mas que apesar de tudo é muito denso.

    Começa com alguns contos, com a escrita sofisticada e mística de Borges, em que ele analisa o seu final de vida e o seu sentido. Depois, passamos para "Nove Ensaios Dantescos", e é sobre isto que tenho mais a dizer.

    Estes ensaios dantescos são apenas compreensíveis para quem tenha uma mínima noção da "Divina Comédia", de Dante. Por acaso (só por acaso), eu já li esse calhamaço de aborrecimento que é a Divina Comédia, e - graças a isso - consegui perceber mais ou menos sobre o que Borges queria falar. Mas, tal como a Comédia é uma chatice daquelas grandes, falar sobre ela acaba por ser também muito, muito chato.

    Portanto, temos metade de um livro muito interessante, e outra metade aborrecida até à morte. O que fazer?

  • O Discurso da Cumplicidade

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    O Discurso da Cumplicidade
    Ana Pais
    2004
    Dramaturgia


    Uma tese de mestrado (ou doutoramento) sobre o que é a dramaturgia e como ela tem sido utilizada ao longo dos tempos, com especial foco no teatro contemporâneo.

    Não tenho muito a dizer sobre este livro, confesso que não me marcou especialmente. A exposição da história da dramaturgia é interessante, mas a verdade é que não traz nenhuma indicação nova, nenhum conselho, nenhum conceito. Assim, para quem lê para fomentar a aprendizagem, este livro acaba por não trazer nada de especial.

    Claro que o estudo apresentado é especialmente válido como revisão bibliográfica, mas no entanto talvez eu esperasse demasiado.

    Mais um livro de teatro para quem se interessa pelo assunto.

  • Tanto Mar Entre Nós: Diásporas

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    Tanto Mar Entre Nós: Diásporas
    Vários
    2021
    Colectânea


    Obtive esta colectânea porque... Participei nela! É verdade! A convite da Patrícia Maia Noronha, outra das autoras, e mais tarde do Baltazar Gonçalves, o coordenador, escolhi um conto que - penso eu - tem algo a ver com o tema da diáspora.

    Esta colectânea inclui poema, conto, ensaio, de tudo um pouco. Dividido por país de origem, mostra-nos vários autores da diáspora da língua portuguesa, com participantes do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. A qualidade da escrita surpreendeu-me imenso! Sobretudo os autores africanos, achei-os fortíssimos e acutilantes na observação do seu país.

    Também a edição está bastante boa, com apenas um erro que reparei que - por acaso - é no meu nome (usaram o meu nome do facebook e o meu pseudónimo em duas partes diferentes lol)

    Se puderem por as mãos neste livro, recomendo!

  • 40 Questões para um Papel

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    40 Questões para um Papel
    Jurij Alschitz
    Teoria do Teatro
    2012

    Continuo na minha senda de estudar o máximo possível sobre teatro de forma a fazer teatro melhor (e cosplay também!)

    Este é um livro interessante que, de uma forma acessível, aborda a forma de nos aproximarmos ao papel que nos é dado, ao texto propriamente dito. De forma bastante directa, o autor explica como encontrar os vários significados do texto, a profundeza de cada personagem e o que cada dramaturgo realmente quer dizer com as suas palavras.

    Ainda assim, penso que 40 questões talvez sejam demasiadas questões e que o livro poderia ter sido resumido com uma outra estrutura.

  • O Teatro e o seu Duplo

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    O Teatro e o seu Duplo
    Antonin Artaud
    1938
    Ensaio

                    Emprestaram-me este livro no grupo de teatro, por forma a esclarecer-me sobre mais teoria teatral, coisa que me tem feito muita falta. Devo dizer que gostei muito e que identifiquei várias das coisas que fazemos actualmente nesta proposta para um novo tipo de teatro, embora mais subtis.

                    O autor propõe um “Teatro da Crueldade”, em que o movimento substitui a palavra por forma a confrontar o público, enquanto intregrante coeso do espectáculo, com a sua própria ideia do “eu” metafísico. Isto é, a imagem que podia ser transmitida por palavras passa apenas a existir sob a forma de sons, músicas grotescas e gestos limpos, planeados e representativos do que deveria estar a ser dito, por forma a encontrar-se uma experiência quase religiosa entre o espectador, o actor e, o mais importante elemento, o encenador.

                    Refere o autor que neste “Teatro da Crueldade”, o encenador é o elemento coesivo de todo o espectáculo, que envolve uma cenografia exagerada e brutalizante, efeitos de luzes (impossíveis para a época) e o gesto como elemento de maior importância. Incluímos no gesto a própria voz, que não serve como instrumento de dizer palavras mas como instrumento musical, através de gritos, gemidos e canções pagãs.

                    Uma perspectiva revolucionária e extremamente interessante, embora – me pareça – pouco possível de aplicar. Recomendo a sua leitura!

  • Os Dois Lados do Espelho

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    Os Dois Lados do Espelho
    Helena Roseta
    2001
    Crónicas 

    Recebi este livro através do BookCrossing. 

    Trata-se de um conjunto de crónicas pela entidade política portuguesa, Helena Roseta, que aborda vários assuntos da actualidade de então (final dos anos 90). Achei muito engraçado descobrir alguns paralelos com a actualidade, quase duas décadas depois.

    Por exemplo, achei curioso como já na altura havia o problema da falta de habitação em Lisboa, então ainda não condenada ao turismo mas povoada de edifícios de escritórios em que ninguém podia viver.

    Também achei curioso falar do aborto, que já está legalizado há tanto tempo, e de momentos de racismo que já foram há muito esquecidos.

    Foi uma leitura muito interessante, apesar de desactualizada.
  • O Anticristo

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    O Anticristo
    Friedrich Nietzsche
    1895
    Filosofia

    Há muitos anos tinha lido "Assim falava Zaratustra" e fiquei convencida que tinha percebido tudo. Claro que não. Portanto, desta vez decidi dar uma oportunidade a este livro que tinha em ebook guardado no Kobo há muito tempo. Foi uma leitura muito rápida e interessante!

    Neste volume, o autor faz questão de explicar porque é que - de todas as religiões - a cristã é a mais perversa, remetendo a culpa para os padres e para a igreja. Explica que os ensinamentos de Jesus terão sido desvirtuados pelos seus contemporâneos judeus que colocaram o exemplo de temeridade em vida numa cruz pelo sacrifício, enquanto que o ensinamento era precisamente o de "viver como ele viveu". Fala do absurdo que é a crença na vida depois da morte e no absurdo que o catálogo de pecados que temos de expiar para encontrar essa dita salvação, que nem sequer existo.

    Apesar de ter concordado com muitas coisas que este livro diz e de me identificar bastante com algumas ideia,s há uma situação curiosa que o autor já tinha abordado em Zaratustra: o facto de - para ele - existirem pessoas "superiores" e "inferiores", sendo que apenas as superiores podem inferir para a existência de um muito desejado super-homem, com características quase divinas. Assim, ele acredita que não pode existir igualdade entre pessoas, o que é uma ideia para mim muito estranha.

    Diverti-me muito com este livro, apesar disso!
  • Um, Ninguém e Cem Mil

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    Um, Ninguém e Cem Mil
    Luigi Pirandello
    1926
    Ensaio
    Recebi este livro através de uma actividade secreta do BookCrossing ;) Infelizmente, até agora, foi o que gostei menos de receber através deste jogo.

    TYrata-se de um ensaio sobre a identidade e sobre o verdadeiro significado do eu. Quando confrontado com aspectos de si próprio que desconhecia, o narrador entra numa espécie de desespero regrado em que se esforça por analisar os significados do que é a sua percepção sobre si próprio e de quais são as percepções dos outros sobre ele, sobre eles mesmos e sobre tudo o que os rodeia.

    No entanto, esta análise fica um pouco confusa e aborrecida, porque o autor faz longas enumerações, como se de um trabalho de escola se tratasse. Foi um livro desafiante e difícil, mas que ainda assim não me fascinou nem me interessou especialmente. Senti que o problema do narrador consigo próprio não tinha a importância suficiente para que merecesse todo um livro.

    Fica para o próximo.
  • As Identidades Assassinas

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    As Identidades Assassinas
    Amin Maalouf
    1998
    Ensaio
    Este é um ensaio claro e bem estruturado sobre o que é a verdadeira identidade de cada pessoa e como as várias identidades que cada um tem dentro de si podem influenciar os seus comportamentos e opiniões.

    O autor faz um paralelo entre as várias coisas a que uma pessoa pode pertencer (morada, religião, etc.) e como as coisas não são mutuamente exclusivas, podendo influenciar-se umas às outra e, assim, formando a verdadeira identidade de cada um.
     
    No entanto, não apreciei que o autor estivesse sempre a voltar a uma comparação com o islamismo, sendo que ele se afirma cristão desde o início. Parece-me injusto falar-se destas formas de uma religião que não nos pertence, embora saibamos que este autor tem uma pesquisa muito completa nos seus livros, versando muitas vezes sobre o mundo islâmico.
     
    Uma leitura rápida e que vale sempre a pena.

  • Contra o Fanatismo

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    Contra o Fanatismo
     Amos Oz
    2002
    Ensaio

    A propósito da morte deste autor, começou a circular pelo BookCrossing este mini-micro-livro. Supostamente, é um conjunto de três ensaios (ou discursos) contra o fanatismo político e religioso.

    Mas o próprio autor é um fanático.

    Sem querer entrar em grandes conflitos, falando da guerra israelo-palestiniana que continua a dilacerar o planeta, devo apenas dizer que a posição do autor é clara. Embora ele se esforce por dizer "não são todos assim", ele próprio admite a sua opinião. E a sua opinião é a tal de um fanático.

    Prémios, penso que só o tem pela sua fantástica qualidade religiosa. Porque em termos literários temos divagações e temos fanatismo. Temos uma anulação do que o próprio autor reitera como correcto. Temos a anulação do próprio sentido de humor. Temos exemplos de como o mpróprio autor é injusto relativamente ao que descreve.

    Não gostei.
  • Os Dragões do Éden

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    Os Dragões do Éden
    Carl Sagan
    1977
    Ensaio

    Este é um livro de divulgação científica pelo famoso Carl Sagan que tanto nos ensinou sobre o corpo humano e os aliens.

    Infelizmente, considerando que eu até tenho umas bases sobre o assunto tratado, este livro peca por ter sido escrito em 1977. É que em quarenta anos muitas coisas aconteceram e mudaram e, por isso, é um livro de divulgação científica que está absolutamente desactualizado!

    Carl Sagan fala-nos sobre a magia e os meandros do cérebro, esse órgão misterioso. No fundo, ele tenta estabelecer um paralelismo com o tamanho do cérebro e as suas funcionalidades, explorando temas como a memória, o sonho e estado de vigília, e terminando num debate bastante válido que é a definição de qual o momento em que se inicia a consciência humana.

    No entanto, o autor esforça-se por fazer uma série de comparações entre os animais que nos estão mais próximos (e ainda assim sem considerar a proximidade filogenética), coisa que não pode ser feita sem se utilizar um conceito, não assim tão recente, que se chama "inteligência funcional". Isto, para mim, torna o livro especista e muito injusto para com as outras formas de vida que vivem à nossa volta. O autor também faz algumas comparações desnecessárias, como o tamanho do cérebro entre géneros e argumentos nessa onda.

    De todos os modos, é um livro bem escrito e ainda me ensinou algumas coisas sobre austrolopitecos. Mas não posso dizer que o recomendaria.

  • Uma História da Leitura

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    Uma História da Leitura
    Alberto Manguel
    1996
    Ensaio 

    Como podem ver, ultimamente a minha lista de leitura tem-me presenteado com uma série de oportunidades para ler não-ficção. Nunca entrei muito nesse campo, mas a veradde é que há livros surpreendentemente bons e interessantes! Este é um deles.

    Utilizando extensa bibliografia documental e muitas referências históricas, Alberto Manguel conta-nos uma história: a história do livro enquanto objecto e a história da humanidade enquanto leitora de livros. Este autor é especialmente conhecido por ter sido o "leitor" de Jorge Luís Borges numa das fases da sua vida, em que já se encontrava cego. Assim, o autor faz uma ponte entre as suas experiências pessoais enquanto leitor, tomando-as como ponto de partida para análise dos comportamentos dos leitores ao longo da história da humanidade.

    Assim, ficamos a saber uma série de coisas curiosas, como a origem dos primeiros livros (placas de barro presas por corda), o papel dos vários elementos da sociedade em relação aos livros (por exemplo, as diferenças de época e de geografia na função da mulher enquanto entidade de leitura) ou mesmo alguns estereótipos que se mantêm até hoje (como o do caixa de óculos, rato da biblioteca, ideia nascida num livro de conselhos para a sociedade do século XVII)

    Tudo isto escrito com muito humor e candura, mas também de forma directa, sem nunca abusar da crítica nem do auto-elogio.

    Um livro sobre livros que foi um prazer ler! Orgulhosa leitora me anuncio!

  • Dor

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    Dor [A Grief Observed]
    C.S. Lewis
    1960
    Ensaio

    C.S. Lewis é um autor de que gosto muito, embora apenas tenha lido as Crónicas de Nárnia (um dos meus livros preferidos, diga-se de passagem). Neste livro ele aborda a questão da dor, partindo de um momento de grande sofrimento na sua vida pessoal: a morte da sua esposa.

    O autor analisa as várias vertentes da dor emocional, sem tocar na dor física. Questiona-se se conseguirá ultrapassar a dor, de que forma o conseguirá fazer. Questiona-se se depois de ultrapassada, irá esquecer tudo sobre a pessoa amada e tornar-se indiferente em relação a ela. E, muito importante, questiona-se o porquê de deus, existindo, permitir este tipo de sentimento destrutivo e contundente.

    Depois de ler este livro, uma pessoa fica com estas questões dentro de si. Se as pessoas que amo desaparecessem, como um dia irão desaparecer (tal como eu própria) qual seria a minha reacção. Qual seria o meu sentimento? Qual seria a minha atitude?

    Será que conseguiria escrever sobre isso, como o fez Lewis? Espero que sim.

  • Bem Julgar

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    Bem Julgar - Ensaio sobre o Ritual Judiciário
    Antoine Garapon
    1997
    Filosofia de Direito

    Este livro estava, casualmente, sentado na estante da nova TBR que estou a enfrentar. Parecia ser uma coisa horrível e fora da minha compreensão, mas muni-me de coragem e... Porque não?

    Surpreendentemente, este livro não é uma seca. Tendo por base a premissa de "bem julgar" o autor olha para os elementos de um tribunal e de um julgamento como figuras normativas de estética, que poderão ou não influenciar o próprio processo decisivo do julgamento propriamente dito.

    Assim, o autor analisa a forma e distribuição de funções no espaço da justiça enquanto "templo", fazendo uso de uma perspectiva histórica dos símbolos comummente utilizados. Analisa também as roupas dos intervenientes e as suas significações e a organização do espaço em que estes se encontram.

    Também faz uma comparação do modelo francês e americano, que conheço apenas de ver na televisão.

    O autor propõe o debate: será que o espectáculo judiciário é essencial para a tomada da decisão legal? A mim parece-me desnecessário, mas coloca-se neste livro a perspectiva de que não se pode viver sem esse elemento.

  • Pelo Bem Comum

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    Pelo Bem Comum
    Arundhati Roy
    2001
    Ensaio

    Este é um livro de não-ficção da famosíssima autora do "Deus das Pequenas Coisas". Livro que, por sinal, não gostei. De todos os modos, não me impedi de experimentar este livrinho, que se lê num par de horas.

    Nesta obra a autora esforça-se por denunciar a injustiça decorrente à construção de uma série de barragens de grandes dimensões por todo o território indiano, mostrando-nos a corrupção que está por dentro dos relatórios do estado relativamente às condições em que estas são construídas e às consequências para os povos que vivem nas suas imediações.

    Infelizmente, a autora não se mantém de todo neutra na sua exposição. O seu tom é de revoltya e o discurso é de ódio. Considerando que este livro é uma enumeração de factos e números, tal qual uma reportagem, este tom soa muito mal e parece mostrar apenas um lado da questão.

    Para além disso, para quem afirma ter feito tanta pesquisa no terreno, o livro não nos dá as vozes das pessoas afectadas.

    Não gostei, definitivamente.
  • O Porquê da Vida

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    O Porquê da Vida
    Léon Denis
    1885
    Ensaio

    Como sabem, na minha visita a São Miguel tive uma "conversa fraterna" com um membro da Sociedade Espírita de Ponta Delgada. No final, ele ofereceu-me este livro, com uma grande dedicatória que ainda estou a tentar compreender (caligrafias difíceis...), dizendo que me iria dar mais algumas luzes sobre a perspectiva espírita da vida.

    Devo confessar que... Não. Não me deu nada de novo.

    Este livro é estranho porque, afirmando que vai dar soluções para as questões essenciais da vida, não passa de um resumo da matéria dada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. As próprias frases estão estruturadas de forma tão semelhante que quase se assemelham a uma cópia. O senhor Denis parece não ter tido nenhum contacto que lhe permitisse dar-nos novidades sobre o estado da arte desta corrente espiritual.

    Além disso, esta edição está recheada de estranhíssimas ilustrações, quase todas as páginas, que consistem em grandes planos de um mapa dizendo o lugar onde o autor nasceu e depois veio a falecer.

    Fiquei realmente desapontada.
  • Enamoramento e Amor

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    Enamoramento e Amor
    Francesco Alberoni
    1979
    Ensaio

    Trouxe este livro da LFL da Quinta das Conchas, quando lá me fui encontrar com o seu steward por outro propósito qualquer. Enfim, não resisti a trazer alguns livros, que servem de compasso de espera antes do meu próximo projecto TBR, que revelarei a seu tempo. Este volume foi-me pessoalmente recomendado pelo steward.

    No entanto, não me suscitou tanto interesse como estava à espera. Trata-se de um ensaio em que o autor debate as diferenças entre as noções de enamoramento, enquanto paixão, e amor propriamente dito. Refere vários pontos que fazem todo o sentido, mas forma como tudo isto está explicado parece-me demasiado redutora: afinal um sentimento, uma emoção, não podem ser minimizadas para caberem dentro da ideia de conceptualização de um autor.

    Apesar de tudo, gostei muito do facto de o autor raramente falar de géneros e sexos biológicos, permitindo a existência do enamoramento (e, posteriormente, do amor) em todas as suas formas e qualidades. Apenas no final ele começa a esticar um bocadinho a corda, com noções plenamente desactualizadas sobre o papel feminino no ambiente familiar.

    Regressará à casinha em ocasião breve. :)




  • A Invenção do Dia Claro

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    A Invenção do Dia Claro
    Almada Negreiros
    1921
    Ensaio 

    Este livrinho, com menos de quarenta páginas, é um pequeníssimo ensaio introdutório a algumas ideias do autor sobre variados assuntos culturais, nomeadamente a literatura e a pintura.

    De uma maneira simples e com muito humor, Almada Negreiros conta-nos pequenas reflexões sobre a sua vida, sempre relacionadas com a sua forma de observar a arte e, muitas vezes, como esta o pode observar a ele.

    Nesta obra existem muitos textos e frases frequentemente citados por aí nas redes sociais. Por exemplo, aquela de a vida ser demasiado curta para se lerem todos os livros da livraria. Ou aquela do "qual a sua profissão? Poeta" No entanto, dentro do contexto desta obra, as tais citações acabam por se tornar menos relevantes do que as querem querer parecer.

    Um livrito rápido e com a sua graça.

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