Piano no Mori
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Piano no Mori
Nakatani Gaku - Gainax
Anime - 12 Episódios
2018
5 em 10
Este era talvez o anime que eu mais ansiava na season passada. Foi também o que, sem qualquer dúvida, mais me desapontou.
Dois rapazes de estratos sociais diferentes tocam juntos um piano perdido na floresta. Rapidamente crescem e encontram-se como rivais no universo dos concursos de piano.
Este é um tema que eu gosto e que me fascina, mas este anime faz tudo pelo pior no que respeita a caracterizar as pessoas enquanto músicos e apreciadores de música. O ambiente de competição e a constante insegurança dos personagens fazem com que o acto de fazer música pareça avassalador e assustador. A falta de desenvolvimento do início, em que as personagens são apenas apresentadas e não se discorre grandemente sobre as suas relações interpessoais, faz com que a conclusão deste primeiro acto tenha uma tonalidade desinteressante. Irrelevante, até.
Os designs extremamente simples com uma animação espectacularmente má, sem qualquer tipo de atenção ao detalhe do cenário ou mesmo ao anatómico, com as cenas de maior intensidade (as do piano) animadas num 3D recordatório do SimCity, tornam este anime um pesadelo visual.
Musicalmente, não poderia deixar de ser bom, mas a relação entre a banda sonora e os sentimentos trazidos por esta aos intervenientes está caracterizada de forma muito fraca: a visão não corresponde ao ouvido.
Nem tenho vontade de ver a segunda season.
By : ladyxzeus
Mahou Shojo Site
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Mahou Shoujo Site
Matsubayashi Tadahito - Production doA
Anime - 12 Episódios
2018
7 em 10
Se foi unânime que este terá sido o pior anime da season passada, devo dizer que para mim foi precisamente o contrário. Defeitos, sim. Mas de todos os modos foi o anime que mais gosto me deu ver na season inteira!
É um anime que fala de assuntos importantes de uma forma terrivelmente irrealista e com suporte numa narrativa fraca e com pouco sentido por onde pegar. Ainda assim, as suas personagens conseguem cativar-nos com as suas fragilidades e, com elas, crescemos dentro desta história de superação e fantasia.
Os designs estranhos e a animação precária não ajudam a que este anime seja bem considerado.. Existem variadíssimas cenas que puxam para a violência gratuita. Este exagero, esta foleirice, para mim trazem um certo estilo único ao anime e é daqueles casos em que, havendo a admissão de que tudo é mau, o anime se surpreende a si próprio.
Com OP e EDs bastante curiosas e originais, esta série não nos apresenta uma banda sonora espectacular. Ainda assim, alguns temas são irónicos de uma forma quase perturbadora.
Talvez seja isso. Um anime feito com uma ironia tanto discreta como plena de histeria, contando uma história com relevância social da forma mais mordaz possível.
By : ladyxzeus
Golden Kamuy
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Golden Kamuy
Nanba Hitoshi - Geno Studio
Anime - 12 Episódios
2018
7 em 10
Este anime da season que passou (como podem reparar só estou a terminar agora) pode ser um sete, mas é um sete muito muito baixinho. Vejamos porquê.
Temos uma premissa muito interessante. Um soldado, perdido nas florestas nevadas de Hokkaido, junta-se a uma rapariga de uma tribo Ainu para encontrar homens tatuados. Estas peles, todas juntas, farão o mapa para encontrar um tesouro na floresta. No entanto, este soldado é um desertor e, por isso, vê-se perseguido por todos os lados. E não é apenas ele quem procura o ouro...
Este anime é sobretudo interessante (e é daí que vem o ponto do sete) pela caracterização da cultura e hábitos Ainu, colectivo de tribos essencialmente extinta pela intervenção da "civilização" do Japão bélico. Temos acesso a dados culturais muito interessantes, mostrando-nos o anime uma forma de viver muito eficientemente adaptada ao ambiente e, por isso, um excelente elemento para colocar num anime de mistério e sangue como este.
Temos também personagens com motivações claras, embora o desenvolvimento que lhes é oferecido peque por - muitas vezes - se basear numa relação cliché de amor-ódio-com-humor.
A questão principal encontra-se na arte. O estilo utilizado não favorece a caracterização dos cenários, que poderiam ter sido muito mais ricos, detalhados e realistas. A neve, elemento principal, acba por se tornar pesada, monótona e abafada. Também a animação de lutas e outros combates, é quebrada, com estranhezas anatómicas e pouca eficiência para muito sangue.
Em termos musicais, não existe nenhum momento memorável.
Apesar de estar a apreciar mais a série quando todos ainda eram "maus", verei a segunda season com todo o gosto. Eu também quero o tesouro!
By : ladyxzeus
A Eterna Desculpa
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A Eterna Desculpa
Miwa Mishikawa
2016
Filme
7 em 10
Fomos ver este filme ao cinema, aqui perto. Um filme baseado num livro, ambos da mesma autoria. Combinação curiosa.
Neste filme, dois homens enfrentam o luto pela perda das suas esposas, tornando-se companheiros devido à amizade entre as duas. Um deles, um escritor embriagado de sucesso, irá tomar conta dos filhos do outro, um camionista um pouco bimbo, cirando assim uma relação de familiaridade que irá (ou não) fluir para dentro da ausência da esposa, preenchendo-a.
Os personagens enfrentam diversas fases do seu luto e da sua busca por compreender a morte e por compreender a reacção à morte. Cada cena é simbólica para o desenvolvimento da aceitação e a passagem para uma "nova vida", para um novo entendimento. No entanto, pareceu-me que o filme se prolongou demasiado na exploração de novos símbolos e momentos de transição, o que acabou por tornar o final um pouco moroso.
O argumento tem também grande vivacidade e sentido crítico social, o que é manifestado sobretudo pelas interpretações dos actores. Tomaram as personagens como suas e deram-lhes uma individualidade muito própria, sem exageros mas também sem comedimentos.
Um filme muito interessante. Só tenho pena que pouca gente tenha ido ver.
By : ladyxzeus
Conhecimento do Inferno
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Conhecimento do Inferno
António Lobo Antunes
1980
Romance
Finalmente um livro de Lobo Antunes que me enche as medidas, depois destes todos que tenho lido (ainda me faltam dois e depois fecho a lista de leitura para começar outra, woohoo!)
Com uma certa tonalidade autobiográfica, o autor esforça-se por nos contar o seu dilema, entre ser médico e ser pessoa, entre ser soldado e ser médico e ser pessoa. Numa estranha alegoria, ele coloca-se na posição do internado de psiquiatria, aquele que ele próprio trataria, preso na memória louca da guerra colonial, pesadelo sempre presente no discurso. Discurso esse que, cada vez mais obscuro, cada vez mais quebrado, nos leva para os meandros de traumas com fontes diversa.
O autor analisa-se enquanto médico rodeado dos seus pares e enquanto ser primal, o animal doente que se urina e se enoja, em comparação com o animal febril que destrói com indiferença o que desconhece, o que lhe faz medo. Este contraste caracteriza a personagem: o autor dissecando o seu próprio cerebelo e apresentando uma versão de si que transcende o próprio horror que uma pessoa (sempre) tem a si própria.
Penso que, talvez, o vocabulário do livro seja um pouco complexo para quem tem pouca formação técnico-científica. Penso também que o tema do colonialismo e subsequente gu4erra é um tema sempre visitado pelo autor e que isso me chateia, mas neste caso admito que esteja próximo demais aos acontecimentos para ser menos do que uma imagem viva.
Fiquei encantada com este livro, vamos ver os próximos dois!
By : ladyxzeus
Cardcaptor Sakura: Clear Card-Hen
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Card Captor Sakura: Clear Card-Hen
Asaka Morio - Madhouse Studios
Anime - 22 Episódios
2018
6 em 10
Se há algo de que eu não estava à espera, era que Card Captor Sakura alguma vez me desapontasse. Umas das séries fulcrais da minha adolescência, acabava de receber uma sequela. O que viria daí. Mas se há algo de que eu devia estar à espera... Era que CLAMP me desapontasse.
Pegando no imediato após o término da primeira série, existe uma reunião - agora numa nova escola - dos personagens anteriores e de algumas novas figuras. Sakura tem acesso a um conjunto de novas cartas, umas cartas transparentes a que chamamos as Clear Cards. Portanto, tem de lutar contra elas para as capturar e fazer tudo como antes. Óptimo! O pior acontece a seguir.
É-nos apresentado um grande mistério mágico, com o aparecimento de estranhas figuras. E a partir daí a história parou. Temos de saber quem são estas figuras. Estas figuras passam a aparecer a toda a hora e a motivação dos personagens deixa de se enquadrar no desenvolvimento pessoal para nos envolver numa história de detectives com magia. Bem. Não foi para isso que eu comprei o bilhete.
Ainda assim, poderíamos aceitar isto se tivessem circundado a história a apenas uma season. O que mais pode acontecer para além de voltarmos ao mesmo filme de sempre, os mundos estão todos colados, etc.? Mas mesmo considerando a eventualidade de não fazerem isso, o que podemos dizer da animação? Um pastel deslavado, coreografias pouco dinâmicas, designs repetitivos. Tão suave para os olhos que quase se deixa de ver.
Musicalmente temos OPs e EDs interessantes, plenas de fantasia e com um toque de feminilidade.
Deixou muito a desejar e só verei a segunda season (existindo) por mera consistência técnica.
By : ladyxzeus
Bakemono no Ko
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Bakemono no Ko
Hosoda Mamoru - Studio Chizu
Anime - Filme
2015
6 em 10
Este premiado filme, estreado em Portugal numa Monstra, passou no outro dia na nossa querida, culta e adulta RTP2. Aproveitámos para o ver. Infelizmente, senti-me um pouco defraudada. Tanto pela RTP2, que passou um rip de DVD absolutamente horrendo, como pelo autor deste anime que, filme após filme, tem vindo a desapontar.
Um rapaz órfão de mãe, pai ausente, perde-se nos caminhos da noite de Tóquio, achando-se num labirinto que o leva até ao mundo dos monstros. É acolhido por um monstro muito especial, que luta para conseguir ganhar o lugar de senhor, o que lhe permitirá reencarnar como deus. Assim se desenvolve uma história de amizade familiar improvável, com algumas peripécias e crescimento pelo meio.
O problema neste filme não é tanto o desenvolvimento dos personagens que, realmente, é consistente e realista. O meu principal celeuma é, pois portanto, a caracterização. É que estas crianças, estes monstros, eles aparecem do nada. Não existe um passado a que se possam agarrar quando dizem que têm vidas tristes e difíceis. Assim, aparece este grupo de rejeitados vindo do nada que, por nenhuma razão em concreto, crescem até um zénite. Uma curva ascendente, mas sem um ponto de base.
A animação saiu desaproveitada com a qualidade terrível a que a nossa televisão pública teve acesso. Temos designs interessantes e originais, bastante consistentes dentro do universo, e alguns detalhes curiosos no ambiente circundante e cenário, que dão muita vivacidade ao mundo. No entanto, os cenários de cidade real são monótonos e repetitivos, sendo que não nos dão o detalhe necessário para que o apreciemos tanto como as personagens.
Musicalmente, temos alguns temas muito recorrentes em animes do género.
Um filme com uma moral engraçadinha e que se esforça por puxar a lagrimeta, mas que não poderá passar de mais uma estreia infantil com pouca densidade narrativa. Sorry.
By : ladyxzeus





