• A Forma da Água

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    A Forma da Água
    Guillermo del Toro
    2017
    Filme
    7 em 10

    Quem diria que na noite dos óscares estaríamos a ver o filme vencedor?

    Uma mulher muda trabalha num laboratório de alta segurança do estado. Em plena guerra fria os ânimos fervem e ela descobre um estranho ser aquático que está retido no laboratório. Poderá o amor florescer dentro de água?

    Esta é uma fábula, um pouco misteriosa, um pouco sombria, uma fábula sobre o amor. O amor que pode existir sob qualquer forma, desde que as pessoas se entendam. Uma história de luta e fuga, em que o espectador se identifica plenamente com os intervenientes e se envolve emocionalmente com eles. Com um conjunto de actores excepcional, cada um com um papel altamente complexo e extremamente difícil (e, sem qualquer dúvida, encarado na perfeição!), é apenas necessário que nos sintamos completamente envolvidos por este oceano.

    Cenários curiosos, que causam uma certa estranheza, efeitos especiais simples mas muito eficientes e um trabalho de maquilhagem surpreendentemente humano. Tecnicamente, este filme não poderia se melhor. Infelizmente, alguns elementos impedem-me de lhe dar uma nota perfeita. Para começar, existe alguma carga simbólica em alguns objectos cénicos que funciona de forma um pouco hermética e pouco acessível. Depois, achei que os momentos de erotismo prejudicaram a caracterização das personagens, sendo absolutamente desnecessários e, muitas vezes, bastante confusos.

    De todos os modos, dos filmes que vi até agora, este pareceu-me o mais merecedor do prémio Parabéns Del Totoro-san! =D

  • A Ghost Story

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    A Ghost Story
    David Lowery
    2017
    Filme
    5 em 10

    Um filme que me marcou tanto que me esqueci completamente de fazer o comentário sobre ele aqui neste espaço. Na verdade, já o vimos a semana passada, lol

    Quem diz que os fantasmas têm de ser sempre assustadores? E, porque não, ver esta história fantasmagórica da perspectiva daquele que está por baixo do lençol?

    Um casal tem fenómenos estranhos em casa e está a considerar mudar-se. Quando o rapaz morre, volta à sua casa coberto por um lençol. E a vida continua. Descobre, então, que ele está preso naquele espaço. Para sempre?

    É um filme independente muito simples, com um baixo valor de produção, mas que faz um bom uso da sua simplicidade para nos transmitir uma história, um pouco triste e bastante contemplativa.Mas,s e temos aqui um excelente potencial, a execução acaba por falhar em alguns aspectos.

    Para começar, o filme insiste em nos mostrar prolongadas cenas que, no fundo, não trazem qualquer conteúdo para a história. Parece-me também que o investimento feito nos actores poderia ter sido utilizado para outros elementos. Afinal, estes actores essencialmente não aparecem no filme e, por isso, poderiam ter sido outras pessoas quaisquer. Causou-me estranheza o desenvolvimento dado a alguns personagens que depois são simplesmente retirados da equação.

    Também a passagem do tempo não é muito clara.

    Um filme com uma ideia sólida, mas que falhou na sua concretização.

  • Melhor é Impossível

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    Melhor é Impossível
    James L. Brooks
    1997
    Filme
    7 em 10

    Apanhámos este filme na televisão e, como eu nunca o tinha visto até ao fim, aproveitámos a boleia.

    Melvin é um escritor. Melvin tem um distúrbio obsessivo-compulsivo. Melvin não faz exactamente uma vida normal e Melvin é uma pessoa absolutamente execrável e insuportável. Mas será que conseguirá abrir o seu coração?

    Um filme de enganos e reencontros, em que o principal foco é este personagem, esta pessoa impossível de aturar, que tem sempre algo de negativo, violento e destrutivo para dizer. É a sua evolução, de pessoa horrível para pessoa tolerável, em que vamos trabalhando ao longo do filme. O realismo do personagem é absolutamente transmitido por Jack Nicholson, que leva a outro patamar este papel, tornando aquilo que poderia ser uma fantasia estereotipada de um qualquer boneco, numa pessoa puramente humana, cheia de sentimentos e de vontade de melhorar de forma a conseguir fazer uma vida normal.

    O filme tem tanto secções perfeitamente hilariantes como partes em que nos sentimos realmente incomodados pelo exagero da agressividade de Melvin. Não consigo dizer que este filme seja uma comédia (algo que pensava antes de o ver). Para mim, é mais um estudo de personagem em que temos de rir de algumas partes.

    Gostei bastante e fiquei muito satisfeita por ter tido a oportunidade de o ver. :)

  • Suburbicon

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    Suburbicon
    George Clooney
    2017
    Filme
    5 em 10

    Tinha ouvido falar sobre este filme na rádio e, só por isso, fiquei com vontade de o ver. :) E foi curioso porque, já que estávamos numa onda de direitos civis, este filme também trata um pouco sobre isso. Mas a sinopse que deram na rádio é completamente diferente!

    Suburbicon é uma cidade maravilhosa, em que toda a gente vive feliz e contente. Quando uma família de negros se muda para lá e um crime estranho acontece na casa do lado, todos relacionam uma coisa com a outra. Mas há mais mistério do que se possa imaginar.

    Este é um argumento dos irmãos Coen, que tinha ficado na gaveta por muitos anos apenas para ser recuperado por George Clooney, agora tornado realizador de cinema. A tentativa é boa: o argumento tem aquele humor típico dos irmãos, a crítica social, o americanismo intenso. Mas a execução fica um pouco aquém das expectativas.

    Para começar, toda a cidade, todo o ambiente, as personagens, até mesmo os actores, tudo parece falso, construído, exagerado. Uma caricatura de um estereótipo que poderia servir bem como uma piada social se fosse simplesmente um pouco mais realista. Isto faz com que muitas cenas supostamente violentas sejam muito engraçadas e cenas supostamente muito engraçadas não nos toquem de todo.
     
    Assim, acaba por ser uma experiência muito estranha, embora divertida. Clooney ainda tem muito caminho a percorrer.

  • Trabalhar com Inteligência Emocional

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    Trabalhar com Inteligência Emocional
    Daniel Goleman
    1998
    Gestão

    Há muito tempo atrás tinha lido, do mesmo autor, "Inteligência Emocional". Foi, na altura, uma leitura reveladora e muito útil para a minha vida pessoal. Portanto, quando me surge na TBR este livro, senti-me bastante motivada. Afinal, hoje em dia as minhas dificuldades pessoais estão relacionadas, sobretudo, com o meu trabalho.

    No entanto, este livro foi escrito em 1998. Vinte anos depois, a informação que nele se encontra é algumas vezes obsoleta e, em outras, do conhecimento comum. Assim, não foi um livro tão útil como esperava.

    Por outro lado, está plenamente dirigido a grandes empresas, sendo que não coloca sequer a possibilidade de existirem ambientes de trabalho com muito menos pessoas (que não se formam em "equipas", por exemplo, porque são só uma "equipa") em que a inteligência emocional possa ser aplicada de forma a tornar a actividade de negócio mais rentável e agradável para o empregado.

    De resto, fiquei feliz por saber que, de uma forma ou de outra, as coisas que em mim se aplicam estão mais ou menos cobertas, hehehe ;)
  • Detroit

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    Detroit
    Kathryn Bigelow
    2017
    Filme
    6 em 10

    Curiosamente, após ter feito um vídeo para o meu canal do Youtube sobre racismo, aparece-me um filme precisamente sobre o tema do racismo, desta vez orientado para a perspectiva da violência policial.

    Este filme é uma peça semi-documental sobre o incidente do motel Algiers, durante as revoltas populares dos anos 60 em Detroit. Através de imagens documentais, análise bibliográfia e a colecção das memórias de alguns dos intervenientes, a autora faz uma reconstrução dos terríveis acontecimentos perpetrados por uma polícia inútil, injusta e racista, que culminaram em três mortes desnecessárias e malévolas.

    O filme está bastante confinado a um único espaço, sendo que o resultado acaba por ser bastante bom, inspirando a um sentimento de pânico e claustrofobia apenas estimulados pela prestação excelente dos actores, que demonstram tanto o desespero da vítima como a hipocrisia do atacante.

    É curiosa a mistura entre imagens reais, da época, e as imagens inventadas: este filme faz-nos realmente acreditar nos acontecimentos tal como mostrados, embora possam existir (como deverão, certamente) algumas inexactidões.

    Um filme violento, mas bastante interessante.

  • Phantom Thread

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    Phantom Thread
    Paul Thomas Anderson
    2017
    Filme
     7 em 10

    Fomos ver este filme ao cinema. Ao Corte Inglés, para ser mais precisa, pois já não havia sessões no nosso cinema comercial habitual (e ainda bem, porque o detesto D: )

    Woodcock é um estilista famosíssimo, nuns anos cinquenta fantasiosos, plenos de senhoras muito ricas, princesas e realezas em geral. No entanto, este homem é um estranho na sua própria realidade. Cheio de manias, não suporta a mudança da sua rotina, abordando de forma violenta todos aqueles que interferem nos seus hábitos diários.

    Quando leva para casa uma musa inspiradora encontrada, por coincidência, num café rural, a sua vida vai mudar: esta mulher não irá aceitar ser rejeitada em nome de uma rotina e fará de tudo para que Woodcock lhe seja totalmente dependente. Será que vai conseguir?

    Este é um filme contido, calmo, mas ainda assim sempre pleno de uma tensão fulgurante, que se revela no trabalho dos actores e, mais tarde, no desenvolvimento desta linha temporal, desta linha cheia de fantasmas e segredos. As obsessões dos personagens sofrem uma caracterização que é tanto agressiva como cheia de realismo. Os fantasmas passados e presentes de cada um deles ajudam a que a sua relação interpessoal seja tanto fascinante como absolutamente conturbada em termos emocionais.

    Pareceu-me, no entanto, que a edição do filme pode - por vezes - ser um pouco confusa e ter alguns erros. Por exemplo, se a irmã bebeu o chá, porque não lhe aconteceu nada? Também a localização das filmagens, aquela casa, tem uma anatomia um pouco estranha, sendo que o autor não consegue mostrar-nos de onde vêm as pessoas nem para onde elas vão.

    Finalmente, uma referência para a banda sonora. Apesar de ser feito por membro de uma banda que detesto, não é nada menos que brilhante!

    Um filme que vale, sem dúvida, a pena!


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