• The Ideon: A Contact

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    The Ideon: A Contact
    Tomino Yoshiyuki - Sunrise
    Anime - Filme
    1982
    5 em 10

    Aconteceu uma história engraçada com este filme e eu, mas fica para depois. É um filme do criador de Mobile Suit Gundam (Gandamu), que todos conhecemos e amamos. Mas é um pouco diferente.

    O filme começa desde logo com uma imensa guerra entre duas entidades. Ambas consideram a outra parte como alienígena. Mas o certo é que nenhuma delas vive no planeta Terra. Apesar de tudo, como começam a perceber mais tarde, são ambas humanas. A guerra existe por uma razão misteriosa que não está muito bem explicada, mas está lá. E o filme desenvolve esta guerra, numa luta política de troca de reféns e por aí em diante.

    Na verdade, é um filme resumo de uma série e, por isso, parece estar incompleto. As personagens estão mal desenvolvidas e todas as mortes (copiosas) são demasiado fáceis de aceitar, porque a realidade é que não conhecemos estas pessoas e não nos identificamos com elas. O filme continua, num outro filme, que procederei a ver e que poderá dar-nos uma luz um pouco mais completa sobre o que realmente se passa aqui.

    Há um robot gigante tido como deus, mas esse conceito também não é suficientemente explorado para ter um verdadeiro interesse.

    Para a época, a arte não é muito boa. Apesar dos designs de maquinaria e roupa serem interessantes, é tudo muito simples e a animação é muito básica, sendo que nas cenas de acção chega a ser um pouco dolorosa. A paleta de cores é reduzida e o sombreamento está muitas vezes mal aplicado, trazendo uma profundidade errática nas perspectivas. Em termos de cenário, limitamo-nos ao essencial.

    O mesmo acontece com a música, que é parca. No final temos um tema lento, que não combina bem com a época e com o teor do anime.

    Resta, então, ver a conclusão do filme. Mas as expectativas não são muitas.
  • Denpa Onna to Seishun Otoko

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    Denpa Onna to Seishum Otoko
    Shinbou Akiyuki - Shaft
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2012
    6 em 10

    Há algum tempo que não via nada para o meu clube. Assim, foi com alguma elevação nas expectativas que achei por bem começar este curto anime.

    Tudo começa quando um rapaz vai viver com a tia. Ele tem uma prima que desapareceu durante seis meses e, quando voltou, veio convencida de que tinha sido abduzida pelos aliens e que se tinha tornado num deles. E, ao início (primeiros quatro episódios) este é o tema essencial. E é realmente interessante, pois queremos realmente conhecer mais acerca desta pessoa. No entanto, a partir do momento em que a relação dos dois primos se estabelece num bom tom, a narrativa muda de perspectiva, passando a fazer uma tentativa de análise das coisas boas da adolescência e do crescimento pessoal do personagem principal. Isto, infelizmente, não era aquilo que queríamos saber. Depois, na revelação do que realmente poderá ter acontecido à rapariga, tudo toma uma forma muito fantasiosa, com uma falta de realismo que não joga bem com o teor da série até esse momento.

    Os personagens são interessantes ao início, mas a partir do momento em que começam a evoluir acabam por cair, com muita rapidez, em conceitos cliché. Se ao início eram personagens extremamente curiosos, a forma como foram desenvolvidos tornou-os em apenas mais um lugar comum. O personagem principal é apenas mais um líder de harem. As raparigas são apenas as raparigas do harem. E é só isso. Infelizmente.

    Em termos de arte, temos opções estilísticas muito modernas, com um uso (quiçá excessivo) de pintura a aerógrafo nos personagens. É que eu não acho muito sentido em joelhos coradinhos. No respeitante a cenários, temos algumas cenas bastante boas, sobretudo aquelas de visualização do céu, mas nada de espectacularmente atraente.

    Na música, temos uma dicotomia flagrante. Achei a OP horrorosa, um pavor, uma dor. Mas a ED, adorei-a em todos os seus bocadinhos. Parenquimatosamente, temos temas que parecem ser o início para alguma coisa com mais interesse, mas que nunca continuam para além de si próprios.

    Uma série agradável e com o seu interesse, mas que se desenvolveu de forma muito pouco original.
  • Re: Cutie Honey

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    Re: Cutie Honey
    Anno Hideaki - Gainax
    Anime OVA - 3 Episódios
    2004
    7 em 10

    Uma espécie de remake de série dos 70s que ainda não vi (mas vou ver).

    Como sabem, não sou exactamente a maior apreciadora de maminhas balançando e gente nua a fazer coisas de gente nua, seja em animes seja em filmes com pessoas. No entanto, Re: Cutie Honey foi uma surpresa genial.

    Cutie Honey é uma heroína que luta contra as forças do mal. No entanto, as forças do mal estão sempre a tirar-lhe a roupa, que se desfaz frequentemente, para além de também boiarem para cima e para baixo frequentemente. Mas, no caso deste pequeno OVA (cerca de duas horas e meia), o resultado está para lá do hilariante. Com uma história muito simples, vemos personagens com que nos identificamos imediatamnete a viver aventuras altamente desnudadas, numa sequência de acção, terror e muitas cores que só para mesmo no final.

    Estes personagens são bastante unidimensionais, caracterizados apenas pelos seus traços principais, mas isso não é mau no contexto narrativo. Rapidamente se tornam queridos para nós, Honey com a sua simplicidade, Na-chan com a sua agressividade... E pela amizade que se forma entre todos, que evolui de forma consistente ao longo dos três episódios. O conceito por detrás de Honey também capta bastante o interesse, já que ela é um cyborg que vai obtendo características humanas à medida que o tempo decorre, coisas como a fome e a capacidade de amar.

    A animação, por si só, é bastante fraca. Mas é largamente compensada por uma opção estilística muito moderna, com um excelente uso da paleta de cores e das perspectivas, tornando cada cena numa delícia explosiva. As expressões dos personagens dentro de cada contexto são impagáveis, coisa que é acrescentada por um conjunto de vozes bem escolhido, especialmente nos personagens secundários.

    Finalmente, nada disto poderia existir sem uma banda sonora implacável, um pop açucarado sem precedentes, com temas de ironia constante que dão vontade de ouvir uma e outra vez.

    Um anime que me fez rir como há muito não acontecia neste universo.
  • Roujin Z

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    Roujin Z
    Kitakubo Hiroyuki - TV Asahi
    Anime - Filme
    1991
    7 em 10

    Será que aqui a je vai voltar ao hábito de ver um filme de anime por dia? Talvez sim. Talvez não.

    Depois de Wrinkles, foi com alguma surpresa que me calhou este filme também sobre a temática dos idosos. Desta vez com uma interpretação um pouco mais futurista. Num assunto que ainda se mantém actual, ao longo deste filme vemos as consequências que uma tecnologia ultra-prática pode ter na vida das pessoas mais velhas que estão acamadas e dependentes de outrém.

    Um velhote é levado da sua casa para ser a cobaia de uma nova máquina que permitirá a juventude ter mais independência: com ela, deixarão de ter de tomar conta dos seus avós ou pais, pois a máquina é uma unidade fantástica de cuidados intensivos que toma conta de todos os aspectos, das necessidades físicas ao exercício e alimentação. Mas será que a pessoa que está lá instalada é feliz? Começa o debate quando a enfermeira do senhor decide salvá-lo. Com isso, a máquina acaba por ganhar uma personalidade e o caos na cidade acontece.

    O tema é muito interessante e o resultado é bastante engraçado. De uma forma leve e cheia de entretenimento, é-nos permitido pensar sobre que destino real dar aos nossos velhinhos, se colocá-los dependentes de maquinaria é realmente uma coisa boa. A conclusão, terão de ser vocês a ver. ;)

    A animação tem os seus momentos, sendo que toda a tecnologia tem designs práticos e lógicos, que tornam tudo numa experiência acreditável. Não é exactamente um poço de excelente produção cinematográfica, mas está bastante aceitável e os detalhes são divertidos.

    A banda sonora serve como complemento, sendo que a ED tem um ritmo pleno de felicidade, trazendo ao filme uma nota final positiva.

    É uma experiência interessante e, portanto, recomendo.
  • The Mars Daybreak

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    The Mars Daybreak
    Kyoda Tomoki - Bones
    Anime - 26 Episódios
    2004
    6 em 10

    Comecei a ver esta série enquanto o meu computador desktop, de nome Zizi, estava para arranjo. No portátil, de nome Asimov, foi um instante, mas no Zizi foi uma demora profunda para o sacar. Então esteve este tempo todo em pausa no episódio 9.

    Este anime baseia-se na assumpção de que Marte é um planeta habitável cheio de água. Na verdade, toda a acção se poderia passar num futuro longínquo do planeta Terra, que já tem água desde origem, pois é sobre piratas em submarinos. Assim, o setting não é especialmente feliz. Um jovem soldado junta-se a uma trupe de piratas e vive aventuras com eles. De uma forma mais ou menos episódica, atacam coisas, descobrem tesouros e fogem das autoridades, com mais ou menos ajuda de uma rapariga que aparece logo no início e da qual se sabe pouco (excepto que se apaixona pelo personagem principal por razões pouco convincentes)

    Os personagens são bastantes e variados, mas não possuem traços que os distingam de outras pessoas no mesmo género. O personagem principal é um vivaço que faz coisas erradas, a capitã é um monstrinho, há raparigas e raparigos com fartura, um gato que fala... E um golfinho que por alguma razão vive dentro de um sistema mecanizado. Se isto lhe permite andar em terra firme como as pessoas, não se compreende porque há-de ele usá-lo dentro de água. Afinal, os golfinhos nadam bastante bem , por mais que eu implique com eles.

    Felizmente, a animação não está nada má. Apesar de termos alguns momentos com CGI arcaico, os cenários aquáticos estão bastante realistas dentro do contexto e o design de personagens não falha, embora usem sempre as mesmas roupas. Existe um nível aceitável de fluidez nos moviementos, com cenas de acção bastante espectaculares, sobretudo aquelas que não têm robots.

    A banda sonora é positiva e alegre, remetendo-nos para um universo bastante leve e agradável, por vezes até cómico.

    Um anime simpático, mas que não recomendaria.
  • Wrinkles

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    Wrinkles
    Ignacio Ferreras
    Animação
    2011
    8 em 10

    Depois de um filme amoroso, passamos para uma película fortíssima. Infelizmente houve um erro técnico e assistimos à dobragem americana. Não sei dizer se é boa ou má, porque é muito raro ver dobragens em inglês, mas sem termo comparativo até me pareceu bem. A língua original é o castalhano, sendo Espanha o país de origem.

    Emilio é um velhote e os filhos já não estão para o aturar. Assim, toma a decisão de se internar num lar. Lá, forma amizade com Miguel e outros velhotes, que ainda estão bons da cabeça. Mas o ambiente é todo ele o de um manicómio, pois não há nada para fazer e todos estão loucos, esperando a morte. No entanto, Emilio tem um problema grave de saúde. Acontece a muita gente. E à medida que vai piorando, o desespero assola-o, a ele e aos amigos. Qualquer que seja o destino, sabemos que a morte está próxima. Então, o que fazer?

    Perante esta narrativa, altamente realista e bastante assustadora, seguimos a personagem de Emilio à medida que as suas memórias vão ficando perdidas e a sua vida se vai tornando cada vez mais confusa. Estes momentos, memórias boas ou más, memórias que se tornam assustadoras e que impossibilitam a vida normal, nestes momentos todo o ambiente se torna ainda mais realista e pungente, comovendo pois talvez seja esta a realidade das pessoas que sofrem este tipo de doença.

    Se ao início achei que o design das personagens seria pouco expressivo, rapidamente me habituei a estas imagens e mergulhei no seu universo. Os cenários são detalhados ao extremo, numa opção suave mas realista que funciona extremamente bem dentro do contexto. Toda a animação é muito simples, mas isso joga em seu favor, tornando o filme numa experiência emocional contundente.

    Os efeitos sonoros são discretos, mas acrescentam ao desespero e à confusão, permitindo-nos apreciar cenas muito belas.

    Um filme que recomendo muito e que gostaria de rever na sua língua original.
  • Ernest et Célestine

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    Ernest et Célestine
    Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner
    Animação
    2012
    7 em 10

    O pessoal pode ter ficado a beber na festa do cosplay, mas eu continuei a party em local longínquo, muito mais caseiro e muito menos bezano, como eu gosto e aprecio. Procedemos a movie party, continuando na nossa eterna maratona de filmes de animação. Como eu os adoro, não me faz diferença nenhuma. Viva o Qui por os escolher tão bem :)

    Neste filme existem apenas ratos e ursos. Célestine é uma ratinha que tem como trabalho encontrar dentes de ursos, para entregar no dentista. E Ernest é um urso pobretanas cheio de fome, que não consegue uns trocos a tocar mil instrumentos na rua. Depois de se encontrarem, começa, devagar devagarinho, a criar-se uma bonita amizade.

    Esta relação entre os personagens evolui de uma maneira muito delicada e bela. Cada um deles está caracterizado individualmente com uma personalidade muito forte, o que joga muito bem com as acções que consolidam a amizade entre eles. As vozes estão encantadoras, trazendo mais vivacidade a diálogos que poderiam pecar por ser demasiado simples, não fosse este um filme para crianças.

    Em termos de animação temos sequências tradicionais, com cores de aquarela, e momentos extremamente artísticos. É dada extrema atenção ao detalhe e ao design dos diversos personagens que aparece, dando características próprias a cada um. A fluidez é perfeita e o aumento de detalhe à medida que o filme progride em tudo está relacionado com a narrativa. A animação é complementada com uma banda sonora excepcional, com peças tocadas por Ernest, o nosso músico.

    Um filme muito bonito e agradável. Gostei muito porque simpatizo bastante com ratos e adorei vê-los animados desta forma. :>


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