• Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
    Stanley Kubrick
    Filme
    1975
    7 em 10

    Ok, depois de ver este filme ardem-me os olhos. Foram quase três horas a olhar para a televisão, com uns breves intervalos para um xixi, para encher o copo com água, para comer açúcar e controlar um ataque de soluços e para comer o meu lanche. A sério, está-me a ser difícil olhar para o ecrã agora. Deveria descansar, mas eu não sei fazer coisas que não exijam usar os olhos...

    Mas, bem, foram quase três horas muito bem passadas. Barry Lyndon é um filme lindíssimo e só por isso vale a pena. A dedicação que foi dada a esta peça do cinema vale por tudo.

    É a história sobre a ascensão e queda de Barry Lyndon, um jovem labrego irlandês que após muitas reviravoltas acaba casado com uma mulher riquíssima e muito bem vestida. Andou na guerra, tornou-se croupier de mesa de jogo, virou lascivo e conquistador, virou bom pai e depois acaba só e infeliz. O filme, dividido em duas partes, detalha todos os passos definitivos do personagem, que evolui de forma graciosa e demonstra um cartel completo de emoções, com interpretação bastante boa mas um pouco indiferente. O texto tem os seus momentos irónicos, o que torna o filme um pouco mais fácil de digerir. É um pequeno "twist" Kubrickiano e torna o filme único.

    O que faz este filme distinguir-se são as imagens. Kubrick revolucionou um pouco o cinema com este filme ao usar uma nova raça de lentes para filmar cenas apenas com luz natural, e o resultado é maravilhoso. As paisagens aparecem com uma fotografia clara e bela, que nos transporta imediatamente para lá. Os interiores estão decorados de forma riquíssima e as roupas, segundo consta, foram feitas exactamente nos conformes da época (o que é bastante difícil e dispendioso). Todo o ambiente é um luxo e nenhum detalhe é esquecido.

    A música é detalhada e bastante divertida, o que adiciona aos pequenos momentos do texto.

    Pena que seja tão longo, ou estaria pronta a recomendá-lo a toda a gente. Assim, fiquemos por coisas mais fáceis, como o mais recente Maria Antonieta.

  • Fate/Zero

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    Fate/Zero
    Aoki Ei - Aniplex
    Anime - 13 Episódios
    2011
     8 em 10

    Depois de Fate/Stay Night eu não estava especialmente motivada para ver mais desta série Type-Moon. Depois de um primeiro episódio com 47 minutos, menos motivada fiquei. Mas eu sou o tipo de pessoa que dá segundas oportunidades. E terceiras e quartas e décimas segundas. Eu vejo tudo até ao fim. E mais uma vez posso provar que vale a pena.

    Fate/Zero é superior à sua sequela cronológica em todos os aspectos. Iniciando pelo facto de não ser um harem.

    Temos uma produção mais eficiente e cautelosa, com sequências de animação muito interessantes e cenas de acção vívidas e emocionantes. Há alguns momentos de CG pouco discreto, mas que se podem perdoar pelo efeito bem conseguido nas cenas em que existem. O design dos personagens melhorou e tornou-se mais apropriado, sendo que o único personagem que manteve o seu estilo Stay Night foi Saber (como personagem "principal" também não se podia mudar, ou os fãs explodiam o seu satélite pessoal)

    O anime está escrito de forma extraordinária, quer pela linguagem quer pela trama. É uma história de guerra a um nível que envolve factores originais. Não falo já da magia, mas sim dos personagens que estão envolvidos nesta guerra. O anime não dá reviravoltas alucinantes, que por vezes tiram um pouco o sentido à história, mas a evolução dos acontecimentos acontece sempre de forma inesperada e inteligente. Os diálogos estão muito bem feitos e a perspectiva em que eles acontecem tornam-nos muito interessantes e nunca aborrecidos.

    Os personagens, para mim, são o ponto alto. Temos dois grupos distintos, os Masters e os Servants. Todos têm um objectivo comum, o obter do Santo Graal, mas as razões que os movem são todas diferentes. Entre os Masters, temos uma caracterização inicial bastante sólida e acções que demonstram as suas personalidades, mas ainda não há uma definição patente. Ainda existe muito espaço para crescerem. São os Servants as estrelas da companhia. Cada um deles é um personagem histórico, um "herói". Desta vez o anime não nos pede que adivinhemos quem são, somos informados com antecedência. O design e as acções combinam perfeitamente com a informação que temos sobre estes heróis, que existiram verdadeiramente. O que os distingue verdadeiramente é que, apesar de serem lendas passadas e de estarem mortos, estes Servants ainda possuem sonhos e desejos para o futuro. Eles preferem o diálogo à luta, são civilizados, não são apenas instrumentos. A sua motivação não é a do ganhar por ganhar, é algo mais profundo. Tornar as armas em seres sensíveis é, na minha opinião, admirável.

    Enquanto que a OP e a ED são um popzinho sem sal, a banda sonora dos episódios é muito intensa e apropriada. Dá mais fervor às cenas de acção e dá ambiente aos diálogos, de forma a nunca tornar a série aborrecida.

    Sem dúvida um anime recomendado. Agora só me resta esperar que termine a segunda season para poder ver qual vai ser a conclusão. Espero sinceramente que consigam safar-se todos.

  • Festa do Japão 2012

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    Festa do Japão

    Bem, acabei de chegar da Festa do Japão e enquanto ainda está fresquinho porque não falar um pouco dela?
    Esta é uma festa organizada pela Embaixada Japonesa para partilhar, em Lisboa, no Jardim das Cerejeiras em Belém, a cultura Japonesa e fomentar a amizade Portugal-Japão. Encontrei-me com amigas intermetianas no CCB para irmos juntas (porque a minha noção de distâncias em Belém é algo de fenomenal e eu não sabia que era tão perto do CCB) e lá fomos, a tempo de assistir à cerimónia de abertura.

    Não estive muito tempo, porque entretanto a minha mãe me ligou a perguntar se queria boleia (e eu quero sempre), mas tive a oportunidade de ver todas as bancas e alguns espectáculos.

    Em termos de bancas, havia uma representação algo insuficiente dos objectos culturais do Japão. Poderiam ter investido mais em artesanato e objectos em segunda mão, como já vimos noutros eventos culturais. Não havia o manga que me tinham prometido e os balões cheios de água (um dia ainda hei-de ter um, apesar da minha globofobia) eram muito caros para mim.

    Espectáculos, assisti ao de tambores e ao de artes marciais. Teria assistido ao tiro com arco se não tivesse sido cancelado por causa das condições atmosféricas. Realmente, ninguém esperava que estivesse a chover em Junho. Mas imprevistos acontecem e a organização lidou com eles com humor e delicadeza, sem stress. Foram espectáculos bonitos, mas um pouco inesperados. Eu não estava nada à espera que os tambores fossem tocados por meninas, tinha imaginado homens grandes, altos e espadaúdos (perdão ao senhor que lá estava, o senhor era ofuscado pelas meninas)!

    Além disso pude comer takoyaki, que adoro. E experimentei um daifuku, que também me soube mesmo bem. A fila para as comidas não foi muito bem abordada pelo staff e foi uma confusão, que não valeu muito a pena porque já comi takoyaki melhor. Mas ao menos não se repetiu a brincadeira do ano passado em que se tinham de comprar as bebidas noutra fila.

    Um evento interessante e bonito, apesar da chuva. Encontrei muita gente, cheguei a conhecer gente nova. Teria sido mais agradável se estivesse solinho e pudéssemos ter ficado a relaxar na relva (era o que eu tinha imaginado), mas ainda assim valeu a pena e espero que continuem com esta iniciativa para o ano que vem!
  • Kyou Kara Maou 3rd Series

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    Kyou Kara Maou 3rd Series
    Nishimura Junji - Studio Deen
    Anime - 39 Episódios
    2008
    4 em 10

    É com grande pena minha que me vejo obrigada a dar um 4 a esta série. Eu desde o início (a primeira season, salvo seja) que gosto muito de Kyou Kara Maou. É uma série muito engraçada, cheia de homens bonitos (oh, Gwendal da minha vida!). Mas esta última season falha em todos os aspectos.

    No início tínhamos uma história, um jovem que descobre que é o rei dos demónios num universo paralelo. Depois tivemos as suas aventuras, cada uma com a sua história. Depois tivemos uma segunda season que também tinha uma história. E agora, que é feito da história? A primeira metade da série é um revisitar aos personagens das seasons anteriores, puro material de filler. Tem alguns momentos engraçados, mas foram episódios completamente desnecessários. Depois metem-me ali uma história a martelo, uma história previsível com personagens insossos, só para fazer figura. Os gags recorrentes param de aparecer, quando menos esperávamos. E há elementos que me parecem cópias de outros animes (Aoi Kaze? Parece-se muito com um certo Akai Kaze? Será que isto do Kaze é uma coisa japonesa? Haverá um Midori Kaze? Um Momoiro Kaze?)

    Os personagens, aparecem todos uma e outra vez, mas não há nada que os distinga das primeiras seasons. Em quase 70 episódios, Yuuri continua a ser o mesmo tótó amigo do seu amigo que quer a paz e o amor. Os outros personagens aparentam ser apenas um suporte, servem simplesmente para amar Yuuri, para salvar Yuuri e para aconselhar Yuuri. Não existem por si próprios.

    A arte é deprimente. Para uma coisa produzida entre 2008 e 2009, a animação é horrorosa, cheia de erros, pouco detalhada, com uma direcção básica. As cenas de acção são de bradar aos céus.

    A música é muito variada, mas também é muito básica, não se distingue de outra música de outro anime qualquer. Mas ainda assim é a melhor parte deste anime.

    Eu gosto de KKM, mas se quero ser objectiva não lhe posso dar um rating melhor que este. A qualidade desta série diminui ao longo das seasons, mas um fã vai sempre gostar.

  • A Lição

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    Gostaria de vos convidar a assistir à minha nova peça de teatro, Produção do Grupo de Teatro de Antigos Alunos do Externato Marista de Lisboa

    Dias 1 e 2 de Junho e 8 e 9 de Junho
    Externato Marista de Lisboa (Ginásio)
    21:30

    A ENTRADA É GRÁTIS


    É uma peça muito divertida que explora as ligações de dominância entre alunos e professores e também a incompetência de ambos no que respeita à sua inserção na sociedade.

    VENHAM VER-NOS E DIVIRTAM-SE!


     

    Juntem-se ao nosso evento no Facebook!
    http://www.facebook.com/events/439287966090264/
     

    AINDA VÃO A TEMPO DE ASSISTIR A ESTA GRANDE LIÇÃO!

    Ficam aqui algumas fotos para dar água na boca, dos primeiros dois dias. A estreia correu muito bem, estávamos com a energia toda. No segundo dia, por falta de público, não foi tão bom como podia ter sido, mas ainda assim foi um espectáculo aceitável.

    DOU-LHE UM 10 EM 10!




    Mais um dia de sucesso!
    O terceiro dia da nossa peça foi o máximo!
    Imenso público, imenso público a rir. Apesar de isto não ser uma comédia. Apesar de até ter o seu lado trágico. Mas é absurdo. É uma maneira de falar das coisas completamente diferente. Exploramos as falhas na educação, a incompetência de professores e alunos, o exercício da dominância intelectual e sexual daqueles com poder sobre os que nada podem fazer.

    Em breve teremos vídeos!

    Ainda vão a tempo de assistir a esta grande peça! Foi muito trabalho ao longo de muitos meses e, para o dia final, ficaríamos muito felizes de ter outra vez uma sala cheia de público amigo! :) 
  • A Janela em Frente

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    A Janela em Frente
     Ferzan Ozpetek
    Filme
    2003
    6 em 10
     
    Um filme Italiano que a minha mãe comprou com o jornal ou outra coisa semelhante. Pelo resumo na caixa, pela capa e pelo título imaginei logo que fosse uma imensa e grandessíssima seca, mas - felizmente - não é. É um filme calmo, mas é interessante.
     
    A cena inicial é misteriosa e dá o mote para o resto do filme. Vemos um padeiro a assassinar outro padeiro e a correr por Roma afora nos anos 30. Depois vemos, na era actual, um casal a discutir e a encontrar um velhote perdido na rua. O que o público quer saber, então, é qual a relação desta gente com a cena inicial. É uma relação bonita, que explora temas como a guerra, a aceitação social e a homossexualidade. Neste aspecto o filme é bastante bom.
     
    No entanto, temos uma história paralela que me pareceu completamente desnecessária. A mulher que pertencia ao casal anteriormente referido, sente-se infeliz com o seu casamento e sente-se atraída por um homem que vê na janela em frente. Este é o tema do filme, mas apresenta-se como um tema secundário que não ajuda em nada. Giovanna, a mulher, não evolui como personagem graças à relação platónica com o homem da janela em frente, mas sim graças à sua interacção com o velhote que apanha da rua. Em termos de personagens só a principal é que tem uma evolução evidente, que também está bastante realista.
     
    Os actores não fazem nada de especial, especialmente ela que passa o tempo todo a gritar e a zangar-se com toda a gente.
     
    Tem uns elementos de comédia no texto que estão muito bem aplicados para tornarem o filme um pouco mais leve e fácil de ver.
     
    E fiquei a aprender que em italiano uma cabra é uma estronça. Haha.

  • Como Apanhar um Marido

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    Como Apanhar um Marido - Sem Isca nem Golpes Baixos
    João Bethencourt
    1968
    Ensaio (acho eu, não tenho a certeza)

    Vou explicar primeiro como obtive este livro. Houve uma certa vez nas festas dos santos de Almada que o meu amigo João viu uma série de livros com nomes muito estranhos. Como custavam tipo dois euros cada um, comprou uma data deles. Este meu amigo mudou-se recentemente para Cabo Verde e na sua despedida distribui os livros por todos nós. Este foi o que me calhou em sorte. Quiçá se pense que eu necessito de um livro deste género. Talvez necessite.

    Infelizmente (ou felizmente), este livro não ensina como apanhar um marido. Não é, como todos pensavam, um livro de auto-ajuda. Isto é um ensaio. Vários. Sobre coisas da vida, como turistas, adolescentes e abajures.

    E é hilariante. Do início ao fim. Escrito de maneira respeitosa e oficiosa trata de todos estes assuntos com o maior tacto. Não consigo explicá-lo. Por isso vou transcrever para aqui um pequeno excerto, retirado aleatoriamente do livro. Espero que gostem tanto como eu. Obrigada João.

    A falta de finalidade da TV e os fenómenos bizarros com ela relacionados, alguns dos quais assinalamos neste breve e despretensioso ensaio, levaram certos cientistas mais cautelosos a duvidar da existência da televisão como tal, atribuindo os seus efeitos a um vírus.
    Assim, a TV seria uma doença endémica dos grandes centros urbanos e nervosos, transmitida por receptores que têm antenas, seis patas e um grande olho branco que se torna activo, como os mosquitos, à hora do crepúsculo.
    Originária do hemisfério boreal, as suas primeiras vítimas teriam aparecido na América do Norte, depois na França, Inglaterra e outros países do Mercado Comum. A TV atacaria principalmente o cérebro e o cerebelo, apresentando a curiosa capacidade de devastar tanto gente viva como gente já falecida. Isto, aliás, seria comprovado pelo facto de algumas criações das maiores inteligências da humanidade parecerem transformar-se - quando atacadas pela TV - em fantasias infantis, tolas e sem conteúdo.
    De modo geral, as pessoas afectadas de TV passam horas diante do olho branco, julgando vislumbrar aí toda a sorte de imagens, fascinantes. E não apenas pe4ssoas, mas também animais domésticos, são susceptíveis à TV, como é o caso de inúmeros gatos, ouriços, tartarugas, canários, papagaios, que acabam tão fascinados como os homens.
    Um dos animais domésticos que mais gosta de TV é a mosca. É impressionante o número de vezes e a pertinácia com que a mosca costuma aparecer, seja participando das imagens que os pacientes de TV (telepacientes ou telespectadores) pensam enxergar no vídeo, seja ela mesma enxergando-as como telespectadora amiga. O facto da mosca tanto gostar de TV explica-se pela especial preferência que este curioso insecto demonstra pelas coisas em ligeiro estado de decomposição.
    Diz ainda o Professor Feldwebel e seus associados (autores do relato à Royal Academy of Science) que os casos de TV são ou benignos ou malignos, podendo afectar, além do cérebro, outros órgãos. Temos assim a TV pulmonar (benigna ou maligna), a TV renal, a TV vascular (que ataca a aorta e o pericárdio), a TV do duodeno e a TV ganglionar. A TV óssea é rara; não se conhece na verdade, nenhum caso.
    Certos pigmeus da Austrália e algumas tribos do Brasil Central são imunes à TV. Em compensação, particularmente vulneráveis são as crianças, as donas de casa, as senhoras de certa idade e os débeis mentais.
    O paciente de TV, nos casos mais agudos, deixa de alimentar-se, desinteressa-se de tudo o que não seja TV, não quer saber mais do trabalho, nem da família, e passa os dias a contemplar o aparelho, à espera dos conjuntos de imagens aos quais dá nomes exóticos.
    Nos casos mais avançados, nota-se um esvaziamento geral do cérebro e uma evidente imbecilização das faculdades. O fenómeno é perceptível tanto naqueles telepacientes que pensam que estão vendo, quanto naqueles outros que pensam que estão produzindo as imagens.


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