Má Educação
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Má Educação
Pedro Almodóvar
2004
Filme
7 em 10
Éramos para ir ver este filme ao cinema, mas não cheguei a casa a horas convenientes e decidimos que o iríamos ver em casa. Bem... Eu decidi! =D
Neste filme Almodóvar fala de uma vingança, faz uma crítica à igreja e conta uma história de amor e paixão, mas de uma forma terrivelmente negra em que descobrimos que nunca se pode confiar em ninguém. É um filme com diversas camadas mas, essencialmente e tentando não estragar muito a visão do leitor, conta-nos como um realizador de cinema é convencido a fazer um filme sobre a vida da sua paixão da escola, um rapaz travestido chamado Ignacio, escrito pelo próprio.
Existem muitas reviravoltas neste filme, cada uma mais surpreendente que a outra, mas o que realmente faz o filme ultrapassar-se é a atitude dos personagens e a transição do mundo fantástico, heróico, sensual, emocionante, para o mundo real, decadente, deprimente e sujo. Esta dicotomia ´+e perfeitamente caracterizada pelos personagens que, também eles, têm uma dualidade dentro de si: a pessoa que ama e é real contra a pessoa que odeia e quer utilizar o outro para o seu próprio proveito.
Temos muitas cenas homoeróticas, que podem ser consideradas de choque para algumas pessoas mas que, na minha visão, não foram colocadas no filme para tentar impressionar e falhar nisso. Na verdade, Almodóvar é espantosamente prático e muito natural na filmagem destas cenas, que nos transmitem uma sensação de perfeita normalidade.
Gostei muito do filme e só me sinto mal por não o ter visto antes.
By : ladyxzeus
A Vegetariana
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A Vegetariana
Han Kang
2007
Romance
Este livro tinha-me sido largamente recomendado por várias pessoas, em algumas das comunidades literárias em que participo. Arranjei em e-book mas, antes disso, acabei por o receber através do BookCrossing :)
Dizem as críticas que este é um livro de uma violência tão extrema como discreta e que é um grande candidato a representar as correntes do realismo mágico da Ásia. Mas, pelo contrário, este livro convenceu-me que os asiáticos não sabem, realmente, trabalhar o realismo mágico. Isto porque, de todos os que tenho lido, existe sempre uma incapacidade de dar uma forte caracterização aos personagens de forma a que os acontecimentos estranhos tenham todos um contexto suficientemente realista para não soarem simplesmente a uma coisa absurda.
Mas adiante.
Um marido exaspera-se quando, após um estranho sonho, a sua esposa decide tornar-se vegetariana. Toda a família da mulher desespera quando ela se recusa a comer todo e qualquer tipo de produto animal, sempre baseada no facto de que teve um sonho, sonho terrível, sanguinolento e muito agressivo. Num segundo capítulo, já está ela divorciada, descobre-se que o seu vegetarianismo está antes relacionado com um forte amor sensual às plantas. Note-se que agora já não há referências aos sonhos como antes e que estes ficam para trás. Definitivamente esquecidos são quando vemos a sua irmã a visitá-la no hospício onde a sua transformação em planta continua a decorrer.
E é isto. O problema principal aqui é que, logo desde o início, a autora pede-nos para imaginar uma pessoa normal, vulgar, igual a toda a gente. Mas em literatura, o personagem não pode ser uma coisa em branco, não pode ser uma pessoa sem personalidade, sem contexto, sem emoções que, para mais, se vão esbatendo progressivamente ao longo da narrativa. Os outros persoangens têm, pelo menos, um pouco de passado para os sustentar, mas parece que existem em função da vegetariana e não em função de si próprios.
Aliás, parece que neste livro a magia não existe para os personagens mas, pelo contrário, os personagens apenas estão lá para a magia acontecer. E, por causa disso, qualquer verosimilhança e fascínio que isto me poderia trazer perdem-se completamente e tornam o livro numa historieta que, sendo um pouco incomum, parece vazia e incompleta.
Muito desapontante.
By : ladyxzeus
Montanha
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Montanha
André e Gabi
2017
Zine
Um volume extremamente curioso que a minha mãe me trouxe pelo Natal, após visita à Serra da Estrela.
Pelo que entendi, é uma pequena publicação, com uma tiragem de apenas 20 exemplares (o meu é o 9) feito por um casa, André e Gabi. Parece-me que são jovens e que se transportaram da cidade para o campo, lugar onde criaram esta zine para que a sua experiência pudesse ser partilhada.
Assim, temos aqui um conjunto de páginas muito interessantes, com várias dicas e indicações sobre os planos de agricultura sustentável e protecção da Natureza e uma história que, penso eu, poderá ser muito auto-biográfica da vida deste casal.
Fiquei cheia de vontade de falar com eles, mas a verdade é que só têm disponível uma morada e um número de telefone. Acho que vou mandar uma sms. :)
By : ladyxzeus
A Obra ao Negro
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A Obra ao Negro
Marguerite Yourcenar
1968
Romance
Este foi um livro que penso ter lido na minha remota juventude mas do qual não me lembrava nada. Portanto, tendo aparecido na minha nova TBR, decidi pegar nele. E foi uma excelente ideia!
Um erudito romance histórico que nos fala sobre a vida diária quando se está rodeado pela inquisição por todos os lados. Zenão é um jovem com uma origem um pouco inusitada, apesar de não ser assim tão incomum nos tempos que então corriam, e que decide afastar-se de uma vida eclesiástica para abraçar a profissão de médico. Enquanto médico, escreve uma série de documentos e tratados que colocam em causa a visão dogmática e fixa da igreja de então, o que o torna imediatamente num inimigo à pátria e, por isso, num fugitivo. Assim, decide mudar de nome. Mas será que conseguirá manter o segredo?
Este livro é fascinante pelo retrato que nos dá da época. Dá-nos uma ideia altamente sofisticada do que as pessoas faziam, vestiam, comiam mas, sobretudo, uma visão do mundo da medicina de então. Isto, para mim, é um exercício de pesquisa por demais interessante! Por outro lado, não se foca demasiado nos horrores e pavores da inquisição mas sim nas consequências que a sua acção têm para as pessoas ditas "vulgares" e que estão simplesmente a tentar viver os seus dias com calma.
Digo que este livro é erudito pois faz recurso de uma linguagem muito específica, com utilização de uma série de palavras raras que terei de ir ver ao dicionário assim que possível (apontei-as todas). De resto, a escrita é até bastante simples e o livro lê-se muito bem, sem nunca ser cansativo.
Se tiverem a oportunidade, recomendo vivamente que o leiam!
By : ladyxzeus
Star Wars - Episode III: Revenge of the Sith
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Star Wars - Episode III: Revenge of the Sith
George Lucas
2005
Filme
6 em 10
E assim termina a minha educação no universo cinemático da Guerra das Estrelas! =D
Este filme é sinceramente melhor do que os anteriores. Agora temos um Anakin mais ou menos adulto, uma Padme secretamente grávida e um Obi Wan mestre Jedi. É finalmente a fase em que o poderoso mas muito infantil (ainda) Anakin é tentado pelo lado negro da força. Claro que a revelação de quem é o mestre Sith é muito previsível, mas enfim, deixem estar.
Este é um filme que permitiria um desenvolvimento imenso do personagem de Anakin não fosse a qualidade do actor ser tão terrível. Ele transmite a sensação de que os terrores que acontecem ao personagem são apenas fitas e birras, com lágrimas e gritos, de uma criança mal comportada. E isto é uma pena, porque havia aqui um real potencial para termos um filme brilhante.
Os efeitos especiais também estão um pouco melhores e mais realistas, com um orçamento muit equilibrado ao longo de todo o filme. Muito infeliz é a utilização de efeitos de transição saídos de um Power Point primário em todas (todas!) as cenas. Temos tudo, desde o rodopio contra relógio até ao efeito persiana. Simplesmente não consegui deixar de dar atenção a isso!
Mas enfim, agora finalmente vi todos os filmes de Star Wars. Já sou fixe agora? ;p
By : ladyxzeus
Star Wars - Episode II: Attack of the Clones
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Star Wars - Episode II: Attack of the Clones
George Lucas
2002
Filme
5 em 10
Vamos ao episódio II da Guerra das Estrelas!
Passou-se algum tempo. Anakin agora é um rapaz crescido, Padme é senadora, Obi-Wan está na dele. O primeiro é enviado para tomar conta da segunda e apaixonam-se. O outro pobre triste é enviado para descobrir coisas. Descobrem que há um exército de clones.
Este episódio é ligeiramente melhor que o anterior, nem que seja pelo facto de o Jar Jar Brinks falar muito poucas vezes. Mas tem aqui uma aura de filme dirigido a uma adolescência obsoleta que fica mal e irrita. A história de amor está muito mal contextualizada e os personagens não são realistas dentro delas. No fundo, não se entende sequer porque é que eles se esforçam por dar conteúdo a este conjunto de pessoas, porque não há volta a dar: estes actores não permitem que se possa levar a sério o que os personagens estão a fazer.
Assim, o filme tem uma grande componente de novela que não era de todo necessária. As cenas de acção aparecem pelo meio, mas pouco mais nos é oferecido. Mais interesse tem a aventura de Obi Wan no mundo dos clones e as descobertas que vai fazendo. A batalha final está bastante bem feita.
Nota para o guarda roupa de Padme: se no primeiro filme era altamente complexo, verdadeira alta-costura de rainhas e princesas, aqui encontra-se um pouco mais prático mas igualmente fascinante.
E assim me aproximei mais um passo de ser uma geek verdadeira.
By : ladyxzeus
Rei Ubu
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Rei Ubu
Alfred Jarry/Teatro na Gandaia
Texto - 1896/2017
Teatro
Alfred Jarry/Teatro na Gandaia
Texto - 1896/2017
Teatro
Perdi a primeira oportunidade de ver esta peça pois, pelo título e pelo cartaz, me havia convencido de que era uma peça infantil um pouco ridícula. Vim depois a saber, que embora seja admitidamente uma peça um pouco ridícula, é um clássico essencial da nossa cultura teatral, escrito no século XIX por Alfred Jarry. Por isso, não perdi a segunda chance: fui ver a peça ao Teatro-Estúdio António Assunção, ali ao fim da rua.
Este é um texto violento e bizarro, que nos mostra como um incapaz pode estar agarrado ao poder como se de um parasita se tratasse, envolvendo-se em injustiças e guerras não justificadas com o único pretexto de conseguir cada vez mais riqueza para si, riqueza essa que não tem consequência para o futuro do personagem. Enquanto crítica social, esta peça é altamente rica em momentos que, sendo absurdos, não me pareceram altamente cómicos.
Na verdade, confesso que me senti um pouco desconfortável com a abordagem que a encenação fez ao texto. O texto é, já de si, um pouco ridículo, com uns laivos de non-sense, mas pleno de uma agressividade não contida e apenas disfarçada pelo facto de os personagens serem tão bizarros. Mas a forma como o palco estava organizado, figurinos e a própria interpretação dos actores deu ao texto todo um contexto infantilizante que me pareceu um pouco gratuito e que tornou o texto ainda mais bizarro, mas de uma maneira que me chocou um pouco.
Ainda assim, valeu a pena ir ao teatro nem que fosse para conhecer um texto clássico.
By : ladyxzeus


