• Kurt Cobain: Montage of Heck

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    Kurt Cobain - Montage of Heck
    Brett Morgen
    2015
    Documentário
    7 em 10

    Sábado passado, 4 de Julho, foi o dia de aniversário da minha alma mater, Gackt Camui. Tinha grandes planos para celebrar a data, que tiveram de ser cancelados, para minha grande tristeza, por falta de quórum. Assim, em vez disso, vimos o mais recente documentário sobre o representante musical de toda uma geração, Kurt Cobain, vocalista dos Nirvana e seu impulsionador maior.

    Note-se que eu não conheço nada sobre os Nirvana. Não era o tipo de banda que aparecesse na revista Bravo. E eu não ouvia rádio. Bolas, na altura eu não sabia nada sobre música. Assim, fui apresentada a este documentário, o primeiro "oficial", autorizado pela família do artista, sem ter qualquer noção sobre o que se passou realmente nestes inícios de 90s. Depois deste visionamento, fiquei com vontade de saber mais sobre a música deles e estou neste momento a tirar para o computador a discografia completa (que, apesar de tudo, não é muita)

    Este documentário explica a vida de Kurt Cobain desde a sua infância, tentando analisar o que é que correu mal e o levou à decisão irrevogável final. É-nos apresentada uma criança frágil, desde cedo incompreendida pelos pais, que o evitaram e impediram a sua progressão enquanto adolescente normal, que teve de recorrer à libertação das drogas para se sentir incluído num grupo. Rapidamente, é excluído e volta a encontrar maneira de se manter à tona através da criação musical e artística. Foi a partir daí, desse sentimento de exclusão e depressão constante, que nasceram os Nirvana e o hino que marcou uma geração que imediatamente se identificou com os problemas de Kurt.

    Mas os problemas eram mais do que um fanatismo adolescente. Tudo isto é explicado pelos desenhos, que estão animados ao longo do filme de forma muito original, que demonstram cada vez mais agressividade e ansiedade. Existiram figuras ao longo da vida de Kurt que o tentaram ajudar, mas o dinheiro não era o suficiente para o tão necessário psicanalista. Era suficiente para uma outra forma de tratamento: heroína. Isso perturba uma pessoa de tal forma que ela pensa que está bem. Foi o que aconteceu e o que é mostrado, em vídeos caseiros cada vez mais perturbadores. Aparenta ser uma broa horrível.

    O filme mostra Kurt Cobain como uma pessoa frágil e doente, que merecia ter sido ajudade e que, no auge do seu sucesso, podia ter sido ajudada. Mas o amor dos fãs, reflectido também no seu ódio, não conseguiu fazer nada por ele. Pelos vistos não é suficiente e isto é uma concepção assustadora.

    O filme tem muitos momentos de animação, para além dos desenhos, que mostram o artista em várias fases. Pessoalmente, não apreciei muito estes momentos. Com uma estética que recorda os meandros da banda desenhada independente, senti que uma produção diferente, mais crua, insistindo mais em sombras e cinéticas, poderia ter dado um efeito mais poderoso a estas situações.

    Finalmente, é um documentário puramente musical. Não insiste nos grandes sucessos, fazendo paralelismos a outras versões que, dentro do contexto, funcionam muito bem. Para quem é fã dos Nirvana, é uma delícia para os ouvidos. Para quem nada sabe, é motivo para despertar curiosidade. Se há quem odeie... Bem, talvez não devam ver este filme.

    É um documentário intimista, sobre uma pessoa enquanto ser humano, não como figura de proa de uma banda famosa. É o tipo de filme que causa tristeza perante a inevitabilidade dos acontecimentos. E vontade de estar lá.

  • O Moinho à Beira do Rio

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    O Moinho à Beira do Rio
    George Elliot
    1860
    Romance

    Variemos um pouco o estilo literário e viajemos até à época vitoriana. Que, como caracterizei no outro dia, era habitada por umas pessoas muito grunhas.

    Este romance acompanha a vida de dois irmãos, nas suas aventuras e desventuras, na bonança e na pobreza, em amores e desamores, fazendo um retrato mais ou menos fiel da sociedade da época. Infelizmente, na sociedade da época, era toda a gente chata como só. Não se podia fazer nada.

    A primeira parte é um aborrecimento muito grande, pois fala de uma infância assim como assim feliz, mas cheia de regras. A partir do momento em que os nossos personagens vão crescendo, a coisa começa a ter um pouco mais de interesse. Mas o estilo, altamente floreado e cheio de elocuções morais que não interessam nada para o contexto da história, torna tudo numa aventura bastante maçadora.

    Os personagens têm atitudes estranhas e erráticas, movidos pelas suas "emoções" que, pelos vistos, são também estranhas e erráticas. A autora (George Elliot é uma mulher) aproveita o facto de os personagens tomarem estas acções para as criticar ou para falar de grandes momentos moralistas religiosos que não trazem nada de novo. 

    O livro é feito de muitos diálogos, que me pareceram bastante improváveis (embora não duvide que nesta época grunha as pessoas falassem realmente assim). Talvez a parte mais divertida sejam todos os diálogos com Bob, o bufarinheiro, que de entre todos parece ser a pessoa mais normal.

    Enfim, valeu a pena ler para conhecer um pouco mais da literatura da época e ficar a saber mais um clássico, mas não posso dizer que tenha gostado...
  • Hunter x Hunter

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    Hunter x Hunter
    Koujina Hiroshi - Madhouse Studios
    Anime - 148 Episódios
    2011
    6 em 10

    Afinal era esta a série muito longa que eu estava a ver. Já tinha visto a versão anterior, mais antiga, e sabia que esta era um remake sem os famigerados "fillers" (dos quais nem dei conta no original) e com uma prolongação da história. Ocorreu que o visse agora, a propósito do meu clube. É uma série famosa, amada por muitas pessoas, mas que terá a minha não recomendação, infelizmente. Como sempre, nadamos contra a corrente neste espaço e temos de ser maus para as coisas que as pessoas amam. Mas tudo tem uma razão. Passarei a explicar.

    Tudo começa na Whale Island, uma pacífica ilha onde Gon vive com a sua mãe. Ging, o pai de Gon, é um "Hunter" famoso. "Hunters" são aqueles detentores de uma licença que lhes permite acesso às mais variadas coisas, permitindo-lhes fazer novas descobertas, resolver assuntos pendentes de variada periculosidade e, no fundo, viver constantes aventuras. Assim, Gon decide também ser um Hunter, para conseguir descobrir o paradeiro do seu desaparecido pai, que está sempre afastado por razões que a própria razão desconhece.

    Tudo começa, então, com o Hunter Exam. Os candidatos terão de passar por uma série de testes que atestarão a sua capacidade para serem detentores da desejada licença. O começo é divertido, cativante, colorido, cheio de energia. Seguimos Gon e os seus novos amigos, Killua, Leorio e Kurapika, nos seus testes intensos e perigosos, desejando sempre que consigam encontrar a melhor solução. Estas são inteligentes, originais e muito estimulantes. A partir da segunda parte, processa-se uma certa mudança, que vem a afectar toda a tonalidade da série, progressivamente. Neste arco, vamos conhecer um pouco mais sobre Killua e a sua família. São momentos mais negros, mas continuamos a aprender um pouco sobre os valores que caracterizam toda a série shounen, amor, amizade e tudo o mais. No fundo, a série não deixava de ser típica, mas tinha uma originalidade refrescante nos personagens, variando entre o bom humor e o sarcasmo, e nos inimigos que vão aparecendo. Há um deles que, para mim, foi especialmente interessante: Hisoka. Apesar de, talvez, a minha opinião esteja desviada pelo facto de ele aparecer (de quando em quando) em total nudez (o que é muito agradável visualmente), senti que este vilão era mais do que o esperado. Caracterizado com uma aura de maldade, o facto de para ele ser tudo uma espécie de jogo, uma procura pelo oponente mais forte com um simples objectivo de diversão pura, é uma variação agradável ao típico antagonista.

    Ora, eu sentia uma certa magia em HxH. Era algo único, apesar de estar dentro dos padrões da normalidade. Infelizmente, é difícil manter as coisas únicas. E HxH desiludiu nesse aspecto. A magia perde-se rapidamente a partir do momento em que entramos no terceiro arco. Aqui, o personagem principal é Kurapika, uma pessoa desde logo interessante na concepção. Ele procura vingar a morte do seu clã, perpretada pelo grupo das "Aranhas" e, por isso, tem de destruir os assassinos da melhor forma que conseguir. É introduzido um novo conceito, o "nen". Este "nen" acaba por tornar toda a continuação da história numa oposição constante de super poderes originais (certamente inspirados pelos "stands" de Jojo), dando uma razão para a existência de variadas formas de lutar. Este conceito torna tudo bastante aborrecido e desagradável, sobretudo porque grande parte da série é passado a treiná-lo. Enfim, voltemos a Kurapika. Este personagem, que até me era bastante querido, sofre uma profunda descaracterização de forma a torná-lo numa espécie de máquina de matar, um ser magoado, introvertido e com uma aura de maldade que não lhe era nada própria. O anime torna-se "negro" e pelos vistos é isso o que o pessoal gosta. Coisas "negras" e com muitas mortes, sangue e tudo o mais. E a magia? Pelos vistos a magia está na destruição.

    Passamos para a Greed Island, um jogo que Ging dá a oportunidade de jogar. Arco extremamente desinteressante, parece estar ali apenas para estabelecer os poderes do "nen", permitir aos personagens que os aperfeiçoem e, no fundo, é uma preparação física e mental para o arco seguinte, o muito afamado Chimera Ant Arc. Para ser sincera, eu compreendo as razões que levam à maioria das pessoas gostar deste arco. Adorá-lo, até. Tem acção, tem muita acção. É negro, muito negro, com momentos horripilantes e arrepiantemente sanguinolentos. É violento. O pessoal gosta. Eu senti que, mais uma vez, houve uma completa descaracterização narrativa e dos personagens. Até Gon, que era uma criatura infantil e bem disposta, se torna num animal psicótico capaz de qualquer coisa para operar uma vingança e vencer as forças do mal. Pois é, pela primeira vez temos aqui uma força maligna invencível, mesmo aquilo que faltava a um shounen típico. Igual a todos os outros. De tal forma invencível que o autor recorre a um instrumento de extremo mau gosto para resolver a situação, acabando por não a resolver de qualquer forma. Isto é, de certa maneira poderíamos fazer um paralelismo ao passado da vida real: somos atingidos por este tipo de arma e encontramos uma espécie de paz interior. Mesmo assim, pareceu-me completamente desnecessário e teria preferido que a paz interior tivesse sido encontrada por uma outra forma de destruição: afinal de contas, o poder do velhote era de tal forma interessante que poderia ter sido aproveitado dessa forma. Para mais, o estilo narrativo (com narrador) é anticlimático, aborrecido, peca pela falta de ritmo. Nesta parte, a banda sonora torna-se de tal forma repetitiva que acaba por ser nauseante. E a integração de momentos de comédia nas situações mais abstrusas leva-as ao ridículo.

    Para finalizar, recuperamos um pouco daquilo que foi a primeira parte. Um alívio, relativamente ao que passámos nos arcos anteriores. Mas, mesmo assim, senti que houve um esquecimento de personagens que eram tão importantes, nomeadamente Leorio e Kurapika.

    Em termos artísticos, a série tem os seus altos e baixos, como qualquer série longa. Existem cenas de acção extremamente bem montadas e animadas, mas alguns momentos (especialmente no final) demonstram um evidente desaproveitamento de orçamento, fazendo uso de uma experimentação insossa e pouco iluminada.

    Musicalmente, acontece a mesma coisa. Em alguns momentos a banda sonora é arrepiante e muito excitante mas, com o processar da narrativa e o estilo adicionado, acaba por se tornar repetitiva e cefaleica.

    Enfim, uma série que poderia ter sido muito mais do que aquilo que é, tivesse escolhido um rumo diferente para si própria. Tenho muita pena que assim seja, mas não a poderei recomendar.
  • Sidonia no Kishi: Daikyuu Wakusei Seneki

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    Sidonia no Kishi: Daikyuu Wakusei Seneki
    Seshita Hiroyuki - Starchild Records
    Anime - 12 Episódios
    2015
    5 em 10
     
    Terminando a Season de Primavera de 2015. Pelos vistos não há melhor da season, já que estava vendo apenas três. Aliás, o melhor da season só vai terminar dentro de uns meses. Enfim, este foi, mais uma vez, uum anime incapaz. Para saberem mais sobre a primeira season, vejam aqui. Apesar de a minha opinião anterior não ser muito positiva, decidi ver a segunda parte por ter lido algures que iam falar sobre Blame!, um manga que amo de paixão. Infelizmente, de Blame! nada se falou. A segunda season de Sidonia no Kishi continua com os mesmos problemas.

    Quiçá ainda mais exacerbados.

    Nesta parte da história eles buscam encontrar os alienígenas maléficos e destruí-los, com ajuda de uma nova amiguinha que se tornou meio entidade maléfica mas que é boazinha na mesma. Isto é, em termos narrativos não temos nada de especial. Sobreviveria o anime com força do desenvolvimento dos seus personagens. Mas estes, que pena, continuam a ser patéticas crianças com problemas de crianças. Em minha opinião, eles teriam mais coisas com que se preocupar do que as suas competições infantis e beijinhos secretos e a amiguinha que é tão inadaptada (por ser, afinal de contas, um monstro horroroso. Apesar de simpático). Mas nada isto acontece, o que acaba por se reflectir nas suas prestações respeitantes a combates galácticos.

    Estes procuram ser algo de espectacular, mas a animação digital em nada contribui para isto. Simplesmente não funciona. Existem cenas horríveis e, sendo que esta season se dedica mais aos personagens, as expressões faciais têm uma plasticidade ineficaz que nada transmite sobre emoções ou estados de espírito. Se na primeira season poderíamos perdoar isto por ser uma "experiência", na segunda season já deveriam ter colmatado as falhas. Parece-me inadmissível que, para além de não corrigirem nada, ainda façam coisas piores.

    Musicalmente, tudo nos leva a acreditar no épico. Mas de épico esta série não tem nada.

    Talvez tenha sido um erro ver esta season. No fundo, senti-a quase como uma perda de tempo. Embora ver anime nunca seja perda de tempo. Um paradoxo.
  • JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders - Egypt Arc

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    JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders - Egypt Arc
    Tsuda Naokatsu - David Production
    Anime - 26 Episódios
    2015
    6 em 10
     
    Vamos à segunda parte da terceira parte de Jojo's Bizarre Adventure! Para saberem mais sobre esta, cliquem aqui. :) Foi o último anime da season de Inverno de 2015 a terminar, dos que estava a vendo.

    A história começa exactamente onde a primeira season nos deixou: os nossos amigos estão em busca de Dio e acabam de chegar ao Egipto, onde os esperam novos oponentes e inimigos. Mais uma vez, cada um ou dois episódios são dedicados a um inimigo diferente, com o seu próprio estilo e o seu stand único. Isto significa que todas as lutas são completamente diferentes umas das outras. No fundo, tudo isto acaba por servir como exemplos seguidos de exemplos para demonstrar a versatilidade dessa invenção que é o conceito de "stand". Muitas vezes, isto dá azo a lutas muito interessantes e emocionantes, devido às diversas capacidades que cada um dos personagens tem. Mas, outras vezes, poderá ser um pouco aborrecido. Em alguns episódios dedicamo-nos à comédia, a situações ridículas e bizarras (de acordo com o título) que têm pouco a acrescentar. São divertidas, mas no geral é uma série um pouco cansativa por intercalar tantas lutas umas com as outras. Em algumas usam a força bruta, em outras usam a sua perspicácia, são todas tão diferentes que não há nada que se possa dizer sobre elas.

    A única coisa que têm em comum são o estilo e a estética. Isto é, sem dúvida nenhuma, o ponto forte do franchise.As texturas, as cores, toda a paleta visual é muito apelativa, fascinante, única. Os diveresos ambientes proporcionados pelos diferentes inimigos e stands dão uma grande variedade artística que é parte integrante e essencial deste anime.

    Esperava eu que, durante esta segunda season, houvesse mais algum tipo de desenvolvimento no respeitante a personagens, mas - infelizmente - continuam a ser iguais a si próprios. A sua concepção, como terei referido no comentário anterior, é bastante sólida, são todos personagens interessantes e com os quais nos identificamos imediatamente, com toda a sua caracterização que tanto dá para momentos de intensidade como para eventos mais leves. Mas gostaria que lhes tivesse sido dada alguma oportunidade de crescer enquanto seres humanos, o que teria toda a lógica devido a todos os problemas em que se meteram. É uma série longa e todos, nós e personagens, parecemos esquecer-nos de qual o primeiro objectivo da viagem. Só ao rever a série com o Qui é que recordei.

    Finalmente, temos uma banda sonora intensa, característica, por vezes brutalizante em algumas cenas. Desta vez, a ED é um tom de jazz instrumental que liga muito bem com as consequências da série, apesar de ser - em opinião de muitos - muito calma para o contexto.

    Foi, mais uma vez, uma grande experiência assistir a Jojo e viver com este grupo todas estas aventuras. Agora, fico à espera das outras partes. Espero que tenham ganho dinheiros bastantes com estas para continuarem com este fantástico projecto!
  • Arraial Pride 2015

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    Arraial Pride 2015
    Festival
    À semelhança do ano passado, decidimos celebrar a liberdade de género nesta festa, aberta a tudo e a todos, a decorrer no Terreiro do Paço, em Lisboa. Tinha combinado encontro noutro sítio mas, encontrando amigos pelo caminho, cheguei ao local por volta das oito horas. Lá nos sentámos, apreciando as bancas que nos rodeavam. Comidas variadas, representantes de festas e bares simpatizantes e artesanatos vários.

    Uma pessoa que nos tirava fotografias como se nós não nos apercebessemos da sua presença.

    Enquanto isso, ouvíamos um concerto coral. Creio que o nome do agrupamento era "Jazzy". Enfim, era agradável até certo ponto. Coros de música pop variada são sempre interessantes. Mas os solistas deixavam um pouco a desejar. Talvez não ajudasse que estivéssemos mesmo atrás das colunas e ouvíssemos estas vozes em toda a sua potência.

    Depois do jantar e de uma aventura por lojas de conveniência, voltamos. Voltamos para ouvir

    La Terremoto de Alcorcón

    Esta pessoa, aparentemente, é um ícone gay espanhol (espanhola? Bem, não interessa por aí além) que aparece frequentemente em televisões variadas com as suas paródias da melhor música pop. Melhor? Bem, o melhor azeite.

    Canta as músicas da moda que todos conhecemos em Espanhol, dança que nem uma perdida e é fonte profunda de diversão. Posso garantir que, enquanto lá estivémos e ela se requebrou no palco, todo o público se estava a passar grandemente. Isso, mais que a inerente qualidade musical, é o mais importante para este tipo de coisas. Beber e dançar! Vinho entornado por cima de mim, nem o meu livro escapou!

    A sua figura é curiosa e a sua energia é inspiradora. Mas quando há ruído e luzes em demasia, começo a ficar perturbada. Assim sendo, não ficámos até ao fim.

    Embora tenha ficado na festa relativamente pouco tempo, fiquei feliz por ter - mais uma vez - participado nesta celebração. Para mais, veio mesmo a calhar a decisão dos Estados Unidos em declarar a união entre todas as pessoas constitucional e legal! Viva!



  • Apocalypse Now

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    Apocalypse Now
    Francis Ford Coppola
    1979
    Filme
    9 em 10

    Nunca tinha visto o Apocalypse Now. Lembro-me de ser pequena e de o meu pai ter muita vontade de me mostrar este filme. Mas... Eu era pequena. Não era apropriado. Agora percebo que, realmente, não ia perceber o filme. Que ia ficar impressionada. Agora sou crescida, bem grande! E achei que Apocalypse Now é o exemplo de genialidade.

    Para mim, a guerra nunca foi coisa que fizesse sentido. Qualquer a razão, sempre considerei que matar pessoas indiscriminadamente não é uma atitude correcta para seres que se dizem racionais. Aqui, o exemplo é uma guerra que, entre todas as outras, é possivelmente a que menos sentido fez. Vietname. Uma guerra perdida desde a origem, desde a sua concepção. Uma guerra feita para matar uma geração. Para a perturbar. Que, devido a isso, tem consequências emocionais até aos dias de hoje. Este filme fala do Apocalipse. O apocalipse agora, neste momento. Uma guerra que de tão ilógica, poderia ser um retrato do fim do mundo.

    Um soldado conturbado, traumatizado pelos eventos passados nesta guerra, tem uma missão: ir até aos confins de um rio para assassinar um general que, dizem, enlouqueceu. A loucura rodeia-o. E ele tem de sobreviver com o único objectivo de voltar a causar destruição. Seguimos rio acima para encontrar momentos cada vez mais bizarros, inspirados por uma estética muito surreal e bastante psicadélica, dentro do contexto de floresta e nevoeiro. Pelo caminho, encontramos situações que têm tudo de doido, com protagonistas que se perderam na senilidade da situação e apenas encontram um escape, uma saída, na morte, no horror e no sacrifício de outras vidas.

    Parece que o fazem para se divertir. Para se libertar. Mas o que significa tudo isto, a um nível mais profundo? Será que a guerra, afinal de contas, é apenas a conjugação de um grupo de gente louca que precisa da morte para se sentir bem? Tudo isto é caracterizado no espectáculo final. Encontram, pois, uma nova civilização, lideradas pelo general, uma espécie de deus da morte. Esse, sim, é a personificação da guerra. Uma pessoa que está caracterizada de forma impecável, na sua luta interior, no seu desespero. Mas também é ele a figura humana que simboliza toda a falta de sentido que existe numa luta entre povos, entre ideologias, entre aqueles que discordam uns dos outros. Porque este homem discorda de toda a gente. Portanto, mata. Tortura. Destrói. Não é isso o que faz uma guerra?

    Momentos finais são altamente duvidosos. Afinal, o nosso protagonista liberta-se da guerra, depois da sua missão, ou toma o lugar de deus, já que viver no mundo real é demasiado difícil para ele? Foi o que vimos no início, a sua inadaptação, a sua dependência das "missões". Fica a dúvida, a ambiguidade. Certamente que o irão lá buscar, mas irá pacificamente?

    Todo o ambiente do filme nos remete para um pesadelo. Nada faz sentido e o clima recriado acaba por ser tanto engraçado como extremamente assustador. Nada disto seria possível sem um perfeito trabalho de imagem e fotografia, aproveitando paisagens que, de tão maravilhosas e luxuriantes, acabam por ser atemorizadoras e claustrofóbicas. É um filme que não se dedica muito a grandiosas cenas de acção (exceptuando talvez todos aqueles helicópteros), mas que pulsa vivo à conta de diálogos incisivos e absurdos, que apenas ajudam na caracterização deste mundo apocalíptico em que estamos condenados a cair uma e outra vez.

    Enfim, um filme exemplar. Acabei de o ver e já estou com vontade de o ver outra vez.
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