• Bubblegum Crisis

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    Bubblegum Crisis
    Obari Masami - AIC
    Anime OVA - 8 Episódios
    1987
    7 em 10

    Depois de um falso clássico, é hora de um verdadeiro! Bubblegum Crisis, o anime que não tem quase nada de pastilha elástica!

    Este é um futuro que hoje em dia não é muito distante. Ainda assim existem uns andróides chamados Boomers que são um perigo para a sociedade. A AD Police está encarregada de os destruir mas devido aos seus elevados níveis de incompetência existem as Knight Sabers, quatro gajas dentro de fatos robotizados que lhes dão uma força super-poderosa e a capacidade de transformar os boomers em grandes explosões de óleo!

    Elas são quatro e cada uma está extremamente bem definida dentro do seu arquétipo. Têm as suas vidas além da luta pela justiça, têm as suas personalidades e têm os seus problemas. Também têm passado. São um conjunto de personagens interessante e bem caracterizado. A natureza episódica da série trás-nos um conjunto de novos personagens a cada episódio, cada qual também muito bem caracterizada e realista. O drama atinge o seu pico a meio da série, tudo o resto é um intercalar entre momentos muito sérios e momentos de humor muito próprios derivados da personalidade de cada personagem.

    Os designs são típicos da época, mas a animação é muito boa. É muito detalhada e bem coreografada, sem abuso nas cores. O ambiente criado é o primórdio do cyber-punk, para sempre imortalizado com Ghost in the Shell mas que vê os seus inicios em Bubblegum Crisis. A vida e interacção com robots eram grandes preocupações dos anos 80 (infundadas, como se pode ver) e a funcionalidade de todas as máquinas desta série está muito bem estruturada, sobretudo a nível artístico.

    Mas a melhor parte é sem dúvida a música. Pastilha elástica? Sim senhor! O melhor pop dos 80s Japoneses,  beat electrónico e letras sensuais. Duas grandes músicas por episódio, ilustradas por fantásticas sequências de animação. A abertura do primeiro episódio, o concerto de Priss, é memorável. Estes momentos musicais contribuem muito para o ambiente geral da série, uns 80s futuristas, e tornam-na absolutamente deliciosa.

    Um clássico recomendado, e não só para quem se deseja informar.
  • The Big O

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    The Big O
    Katayama Kazuyoshi - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Quando fui ler algumas críticas deste anime, pouco depois de o começar, vi-o classificado como "noir". E achei interessante que estivesse a ver um anime noir. Mas depois fui ver algumas características dos verdadeiros film noir e não creio que esta classificação esteja correcta. Existe um anti-herói, no caso um negociador de sequestros e uma femme fatale. O ambiente é tristonho e deprimido, muito pouco colorido e com algum ênfase no preto contra o branco, sobretudo no que respeita aos designs dos personagens. Mas a  história e a motivação dos elementos desta não correspondem ao trope original. Assim, conforme sugestão, permitam-me que classifique este anime como "neo-noir".

    Big O é um robot gigante, conduzido pelo negociador de sequestros Roger Smith. Tem uma android como governanta e ajudante e um criado zarolho que carrega grandes armas consigo. Todos os episódios encontra um robot gigante novo com quem lutar, um megadeus, e destrói toda a cidade no processo. Tem um amigo na polícia. E são episódios de destruição atrás de episódios de destruição até que, circa episódio 18, temos uma história um pouco mais completa, mas ainda assim sem grande mistério e complexidade.

    Os personagens Roger e Dorothy são interessantes pois trazem momentos de humor algo irónico. Roger, apesar de estar apresentado como um pouco anti-herói, até é uma pessoa bastante simpática e bem humorada, que gosta de dormir até tarde. Dorothy tem alguns momentos geniais de humor, pois - sendo um robot - não tem qualquer expressão. Ainda assim diz coisas muito desadequadas para robot, que revelam a sua humanidade que, em minha opinião, não deveria existir. O episódio do gato é um exemplo forte disto.

    Assim o anime ganha interesse não pela história ou personagens mas pelo ambiente artístico. As cores são parcas e a animação tem traços fortes, apesar de não ser nada de extraordinário. Muitas explosões e prédios a cair. Esta cidade onde vivem tem uma característica especial: é uma cidade sem memórias, pois há 560 anos toda a gente se esqueceu de tudo (o que lembra bastante A Wind Named Amnesia). Não me pareceu que este conceito fosse suficientemente explorado. O ambiente é coroado por uma excelente banda sonora, com muito jazz e blues, muito piano e saxofone. A música trás muita melancolia à série, o que por vezes não corresponde às personalidades dos personagens nela inseridos.

    Tinha tudo para ser um clássico. Talvez se não tivesse mechas feiosos o tivesse conseguido.
  • Comer Orar Amar

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    Comer Orar Amar
    Elizabeth Gilbert
    2006
    Memórias/Auto-ajuda

    Tinha curiosidade por este livro desde que saiu o filme (que não vi), por isso aparecendo a oportunidade li-o. E, bem... Enfim...

    O livro está escrito de uma maneira engraçada. Tem muitas piadas, tem comparações giras, fala de uma maneira casual de um problema sério, que é a depressão da autora. Mas não me vou demorar muito. Este livro ensina como curar a depressão. E a resposta é simples: é preciso ter dinheiro para ir a Itália enfardar massa e pizza, à Índia aprender a meditar e à Indonésia, Bali, arranjar um amante brasileiro. Foi a parte do Amar a que gostei mais, diga-se de passagem, não pelo amante brasileiro mas pelo mestre curandeiro, que é uma personagem muito engraçada (real, mas personagem) e que pensa exactamente da forma que eu tento pensar todos os dias.

    Mas convenhamos... Se eu fosse rica também curava a depressão num instante.

    Sinceramente, não acho que este livro valha a pena o tempo. Achei que depois de o ler iria ter vontade de fazer uma caminhada espiritual e encontrar deus/falar com deus/qualquer coisa divina, mas a verdade é que me deixou completamente indiferente. Liz, tiveste sorte em arranjar alguém que te pagasse as férias. Mas as pessoas normais não são assim.
  • Ookami Kodomo no Ame to Yuki

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    Ookami Kodomo no Ame to Yuki
    Hosoda Mamoru - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2012
    7 em 10

    Eu antes de ter um fascínio por cães, tinha um fascínio por lobos. Os lobos eram a minha vida e ainda tenho as memórias de quando queria ser um. Uivava melhor do que ninguém. Por isso este filme veio mesmo a propósito.

    Hana conhece um homem lobo. Apaixonam-se e têm filhos, crianças lobo. E este filme conta a história do seu crescimento e da maneira como a mãe os educou, depois da morte inusitada do homem lobo. É uma história sobre o amadurecimento e a auto-descoberta e os diferentes caminhos que pessoas na mesma situação podem tomar. Foi realizado pelo mesmo autor de The Girl that Leapt through Time, ganhou um prémio num  festival espanhol. Promissor.

    Os personagens sofrem uma evolução constante, marcada por momentos essenciais da sua vida diária, momentos bastante fortes que deixam sinais na personalidade dos intervenientes. Hana tem uma caracterização sólida e é a sua personalidade que a ajuda a adaptar-se e a mudar conforme necessário. Já Yuki e Ame tiveram soluções diametralmente opostas ao que nos foi apresentado inicialmente, o que me pareceu um pouco inadequado, pois a evolução teria de ter sido mais lenta e gradual. Também creio que teria sido mais realista, na medida em que um filme sobre crianças lobo é realista, se estas mudanças se tivessem passado na adolescência e não durante a escola primária.

    A animação está interessante, com as transformações dos lobos em crianças e crianças em lobos a tornarem-se nos momentos mais giros do filme. Temos paisagens soberbas, extremamente detalhadas, e por vezes a simplicidade do design das personagens não se conjuga bem com o que está por trás deles.

    Efeitos sonoros que correspondem à força visual, apesar de a banda sonora não ter nada de extraordinário. Nota para a actriz que deu voz à Yuki pequena, Kuroki Haru, que deu uma vivacidade impressionante à personagem.

    No geral um bom filme. O ritmo é muito bom e manteve-me sempre atenta, o que já de si é difícil, por isso considero-o um filme bastante acessível e agradável. Pode puxar a lágrima no final, se estiverem motivados para isso.
  • Minami-Ke

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    Minami-Ke
    Oota Masahiku - Daume
    Anime - 13 Episódios
    2007
    6 em 10

    É interessante observar como a minha nova Plan to Watch (Planeio Ver), de animes escolhidos sem critério das recomendações de gente que supostamente sabe o que está a dizer, está recheada de anime fatia-de-vida. Que é um género que me cansa cada vez mais, todos os dias. Mas este... Não está mal.

    Minami-ke é um anime sobre a vida, em casa e na escola, das três irmãs Minami, Haruka, Kana e Chiaki (por ordem decrescente). Não é um anime para ser levado muito a sério. E eles admitem isso logo desde o primeiro momento:


    Ora, a vida de adolescentes, pré-adolescentes e crianças, no Japão e em qualquer lugar do mundo, não é particularmente excitante ou fascinante. Por isso, o que é mais válido num anime fatia-de-vida são as personagens e as suas interacções. Minami-ke, por estranho que pareça, consegue manter um nível bastante bom no que lhes diz respeito. Haruka, a mais velha, é caracterizada como boazinha, talentosa (na perspectiva das irmãs mais novas), bonita e tudo o mais, uma verdadeira perfeição. Quando confrotada com outros personagens, nomeadamente o jovem que está apaixonado por ela (e que foi quem mais me fez rir durante toda a série. Não ri muito, confesso), não demonstra grande personalidade, excepto para responder aos gags de comédia. Kana, a do meio, coitadinha, é meio atrasadinha. Faz sempre tudo errado e é do facto de ser desastrada que advém, ou deveria advir, grande parte da comédia deste anime. Mas eu sou incapaz de me rir com pessoal a cair. Por isso ela apenas me irritou. Finalmente, Chiaki, a mais nova, é possivelmente a mais interessante do conjunto. Está sempre a chamar toda a gente de bakayaro (sp? O meu japonês fica pior de dia para dia... E pensar que eu conseguia manter uma conversa sobre animais com uma criança de três anos!) e aparenta ter grande maturidade para a idade, dado que todas as coisas a chateiam. No entanto há momentos em que se revela a sua infantilidade, como a aventura da pedra Yamada. E tem uma cornucópia na cabeça. As personagens por si só não são grande especialidade, como se pode ver nesta pequena análise. Mas a relação entre elas, enquanto irmãs, torna-se bastante especial. O fascínio de Chiaki por Haruka, o fascínio de Kana por Chiaki e as suas respostas às situações revelam que são uma família unida e que se ama. Apesar de não terem pais (fiquei para saber onde arranjam o dinheiro para comer e para pagar a conta da luz, mas diz que explicam na terceira season).

    Em termos artísticos, não temos nada de especial. Em absoluto. Os designs são muito simples, apesar de funcionarem como "a(s) rapariga(s) da porta ao lado". Podiam ser qualquer pessoa e com os seus designs podemos identificar as suas aventuras de todos os dias com as nossas. Detestei as boquinhas de gato, constantes e que nunca desaparecem.

    No sonoro, há uma caracterização forte da série como "situação que na verdade é normal e não interessa muito, passem à frente". O que é bom, porque era esse o objectivo inicial, não era? As vozes não me pareceram nada adequadas, sobretudo a de Chiaki, muito nasalada.

    Enfim, um anime agradável, não mata de riso mas também não é muito chato. Não estejam à espera que eu vá ver as próximas três temporadas. Pelo menos em breve.
  • Yuru Yuri

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    Yuru Yuri
    Oota Masahiku - TV Tokyo
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2011
    5 em 10

    Olá amigo! Gostas de meninas pequeninas? Gostarias de ser preso um dia? Tens um atraso mental? Então este é o anime ideal para ti!

    Yuri é a arte do lesbianismo em anime. E normalmente, por estranho que pareça, é feito para um público feminino. Yuru Yuri não. É feito para o público ota-cu mais deprimente que existe. São 12 episódios mais três minutos de pura diarreia mental e é incompreensível para mim como é que alguém se pode sentir atraído por uma série como esta. Já é sabido que o ota-cu gosta bués de coisas sem conteúdo. Talvez não seja de admirar que gostem de coisas sem conteúdo em que as personagens são todas (quase)lésbicas.

    Porque é isso, essencialmente. Temos uma personagem principal que serve como observadora, dada a sua absoluta falta de dimensão (e eles até admitem isso, caracterizando-a como "apagada" e "normal") e temos meia dúzia de outras meninas que têm relações de intensa amizade/quase amor umas pelas outras. Acham-se fofas umas às outras, por isso apalpam-se. Gostam umas das outras, por isso tomam banho juntas. Tentam beijar-se, na maior das purezas que uma amizade permite. Olham para a roupa interior umas das outras, mas por pura curiosidade, onde está a perversão nisto? E é disto que o ota-cu gosta? É isto que um ota-cu espera de uma mulher? De uma rapariga? De uma criança? Sim, porque estas personagens são crianças. Têm 12 anos, acabaram de entrar para a escola básica. Mas estão desenhadas como alunas de escola secundária e têm atitudes que seriam mais plausíveis numa outra idade. Não admira que exista um grupo de pessoas com ideias completamente distorcidas sobre a realidade. Ainda por cima o anime é produzido pela TV Tokyo! A TV Tokyo devia cingir-se a produzir coisas que não alterassem a visão do que é real e do que ´é fantástico de um grupo de pessoas perturbadas que podem ser potencialmente perigosas. E que obrigam adolescentes que cantam em grupos a rapar o cabelo por terem tido sexo.

    A única coisa que se safa é a arte, que tem traços muito suaves e agradáveis à vista. A música também está mais ou menos, com OP e ED especialmente feitas para ilustrar isto.

    Quem gostar disto tem de me dar mesmo uma muito boa razão para gostar disto, porque me parece impossível e anormal. Repare-se que ainda vou ter a dor de ver a segunda season, porque me enganei e fiz download dela. E como está aqui, terá de ser vista...
  • Mokke

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    Mokke
    Nishita Masayoshi - Madhouse Studios
    Anime - 24 Episódios
    2007
    6 em 10

    Com este anime aprendi que não se devem ler reviews antes do tempo, porque só se criam expectativas e depois são desapontadas e depois é triste.

    Este anime trata da vida normal de duas irmãs. Excepto que elas não têm uma vida normal. A mais velha consegue ver os yokai (espíritos, demónios e deuses do fantástico shintoista) e a mais nova é frequentemente possuída por eles. O anime segue as suas aventuras diárias, fatia-de-vida no mais puro sentido da palavra, normalmente intercalando uma aventura da mais velha com uma da mais nova. Lembra Natsume Yuujinchou, mas sem a carga emocional.

    em minha opinião há apenas três coisas que podem tornar um anime fatia-de-vida numa obra de arte de valor: (1) Uma arte esplendorosa (como em Aria); (2) Um setting absolutamente original (como em Planetes); (3) Uma forte carga emocional. Mokke não possui nenhum destes três elementos.

    A arte é bastante deprimente, sem fundos extraordinários e com um design de personagens pouco proporcional e pouco original no que respeita aos yokai. Pode ser resumida no screenshot que tirei:

    Isto é, bastante má.

    Em termos de personagens, as suas aventuras não parecem trazer-lhes qualquer adição ou qualquer aprendizagem. A irmã mais nova é exasperante na sua estupidez e desobediência. O personagem mais interessante será talvez o avô que, detentor de certa sapiência no que respeita a fenómenos paranormais, ensina sempre coisas úteis sobre a vida. Os contactos com os yokai são de grande simplicidade e não comovem nem fazem rir, são absolutamente indiferentes.

    A música não se distingue nem adiciona nenhum tipo de emoção às cenas. Tanto a OP como a ED são do mais normal que existe. Se bem que a animação da OP engana, baseados nela pensaríamos que isto ia ser um anime muito mais bonito.

    Fica uma nota para a originalidade do título: Mokke (もっけ), é o hiragana de mokke (勿怪), que significa algo como "inesperado".
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