• Comer Orar Amar

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    Comer Orar Amar
    Elizabeth Gilbert
    2006
    Memórias/Auto-ajuda

    Tinha curiosidade por este livro desde que saiu o filme (que não vi), por isso aparecendo a oportunidade li-o. E, bem... Enfim...

    O livro está escrito de uma maneira engraçada. Tem muitas piadas, tem comparações giras, fala de uma maneira casual de um problema sério, que é a depressão da autora. Mas não me vou demorar muito. Este livro ensina como curar a depressão. E a resposta é simples: é preciso ter dinheiro para ir a Itália enfardar massa e pizza, à Índia aprender a meditar e à Indonésia, Bali, arranjar um amante brasileiro. Foi a parte do Amar a que gostei mais, diga-se de passagem, não pelo amante brasileiro mas pelo mestre curandeiro, que é uma personagem muito engraçada (real, mas personagem) e que pensa exactamente da forma que eu tento pensar todos os dias.

    Mas convenhamos... Se eu fosse rica também curava a depressão num instante.

    Sinceramente, não acho que este livro valha a pena o tempo. Achei que depois de o ler iria ter vontade de fazer uma caminhada espiritual e encontrar deus/falar com deus/qualquer coisa divina, mas a verdade é que me deixou completamente indiferente. Liz, tiveste sorte em arranjar alguém que te pagasse as férias. Mas as pessoas normais não são assim.
  • Ookami Kodomo no Ame to Yuki

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    Ookami Kodomo no Ame to Yuki
    Hosoda Mamoru - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2012
    7 em 10

    Eu antes de ter um fascínio por cães, tinha um fascínio por lobos. Os lobos eram a minha vida e ainda tenho as memórias de quando queria ser um. Uivava melhor do que ninguém. Por isso este filme veio mesmo a propósito.

    Hana conhece um homem lobo. Apaixonam-se e têm filhos, crianças lobo. E este filme conta a história do seu crescimento e da maneira como a mãe os educou, depois da morte inusitada do homem lobo. É uma história sobre o amadurecimento e a auto-descoberta e os diferentes caminhos que pessoas na mesma situação podem tomar. Foi realizado pelo mesmo autor de The Girl that Leapt through Time, ganhou um prémio num  festival espanhol. Promissor.

    Os personagens sofrem uma evolução constante, marcada por momentos essenciais da sua vida diária, momentos bastante fortes que deixam sinais na personalidade dos intervenientes. Hana tem uma caracterização sólida e é a sua personalidade que a ajuda a adaptar-se e a mudar conforme necessário. Já Yuki e Ame tiveram soluções diametralmente opostas ao que nos foi apresentado inicialmente, o que me pareceu um pouco inadequado, pois a evolução teria de ter sido mais lenta e gradual. Também creio que teria sido mais realista, na medida em que um filme sobre crianças lobo é realista, se estas mudanças se tivessem passado na adolescência e não durante a escola primária.

    A animação está interessante, com as transformações dos lobos em crianças e crianças em lobos a tornarem-se nos momentos mais giros do filme. Temos paisagens soberbas, extremamente detalhadas, e por vezes a simplicidade do design das personagens não se conjuga bem com o que está por trás deles.

    Efeitos sonoros que correspondem à força visual, apesar de a banda sonora não ter nada de extraordinário. Nota para a actriz que deu voz à Yuki pequena, Kuroki Haru, que deu uma vivacidade impressionante à personagem.

    No geral um bom filme. O ritmo é muito bom e manteve-me sempre atenta, o que já de si é difícil, por isso considero-o um filme bastante acessível e agradável. Pode puxar a lágrima no final, se estiverem motivados para isso.
  • Minami-Ke

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    Minami-Ke
    Oota Masahiku - Daume
    Anime - 13 Episódios
    2007
    6 em 10

    É interessante observar como a minha nova Plan to Watch (Planeio Ver), de animes escolhidos sem critério das recomendações de gente que supostamente sabe o que está a dizer, está recheada de anime fatia-de-vida. Que é um género que me cansa cada vez mais, todos os dias. Mas este... Não está mal.

    Minami-ke é um anime sobre a vida, em casa e na escola, das três irmãs Minami, Haruka, Kana e Chiaki (por ordem decrescente). Não é um anime para ser levado muito a sério. E eles admitem isso logo desde o primeiro momento:


    Ora, a vida de adolescentes, pré-adolescentes e crianças, no Japão e em qualquer lugar do mundo, não é particularmente excitante ou fascinante. Por isso, o que é mais válido num anime fatia-de-vida são as personagens e as suas interacções. Minami-ke, por estranho que pareça, consegue manter um nível bastante bom no que lhes diz respeito. Haruka, a mais velha, é caracterizada como boazinha, talentosa (na perspectiva das irmãs mais novas), bonita e tudo o mais, uma verdadeira perfeição. Quando confrotada com outros personagens, nomeadamente o jovem que está apaixonado por ela (e que foi quem mais me fez rir durante toda a série. Não ri muito, confesso), não demonstra grande personalidade, excepto para responder aos gags de comédia. Kana, a do meio, coitadinha, é meio atrasadinha. Faz sempre tudo errado e é do facto de ser desastrada que advém, ou deveria advir, grande parte da comédia deste anime. Mas eu sou incapaz de me rir com pessoal a cair. Por isso ela apenas me irritou. Finalmente, Chiaki, a mais nova, é possivelmente a mais interessante do conjunto. Está sempre a chamar toda a gente de bakayaro (sp? O meu japonês fica pior de dia para dia... E pensar que eu conseguia manter uma conversa sobre animais com uma criança de três anos!) e aparenta ter grande maturidade para a idade, dado que todas as coisas a chateiam. No entanto há momentos em que se revela a sua infantilidade, como a aventura da pedra Yamada. E tem uma cornucópia na cabeça. As personagens por si só não são grande especialidade, como se pode ver nesta pequena análise. Mas a relação entre elas, enquanto irmãs, torna-se bastante especial. O fascínio de Chiaki por Haruka, o fascínio de Kana por Chiaki e as suas respostas às situações revelam que são uma família unida e que se ama. Apesar de não terem pais (fiquei para saber onde arranjam o dinheiro para comer e para pagar a conta da luz, mas diz que explicam na terceira season).

    Em termos artísticos, não temos nada de especial. Em absoluto. Os designs são muito simples, apesar de funcionarem como "a(s) rapariga(s) da porta ao lado". Podiam ser qualquer pessoa e com os seus designs podemos identificar as suas aventuras de todos os dias com as nossas. Detestei as boquinhas de gato, constantes e que nunca desaparecem.

    No sonoro, há uma caracterização forte da série como "situação que na verdade é normal e não interessa muito, passem à frente". O que é bom, porque era esse o objectivo inicial, não era? As vozes não me pareceram nada adequadas, sobretudo a de Chiaki, muito nasalada.

    Enfim, um anime agradável, não mata de riso mas também não é muito chato. Não estejam à espera que eu vá ver as próximas três temporadas. Pelo menos em breve.
  • Yuru Yuri

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    Yuru Yuri
    Oota Masahiku - TV Tokyo
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2011
    5 em 10

    Olá amigo! Gostas de meninas pequeninas? Gostarias de ser preso um dia? Tens um atraso mental? Então este é o anime ideal para ti!

    Yuri é a arte do lesbianismo em anime. E normalmente, por estranho que pareça, é feito para um público feminino. Yuru Yuri não. É feito para o público ota-cu mais deprimente que existe. São 12 episódios mais três minutos de pura diarreia mental e é incompreensível para mim como é que alguém se pode sentir atraído por uma série como esta. Já é sabido que o ota-cu gosta bués de coisas sem conteúdo. Talvez não seja de admirar que gostem de coisas sem conteúdo em que as personagens são todas (quase)lésbicas.

    Porque é isso, essencialmente. Temos uma personagem principal que serve como observadora, dada a sua absoluta falta de dimensão (e eles até admitem isso, caracterizando-a como "apagada" e "normal") e temos meia dúzia de outras meninas que têm relações de intensa amizade/quase amor umas pelas outras. Acham-se fofas umas às outras, por isso apalpam-se. Gostam umas das outras, por isso tomam banho juntas. Tentam beijar-se, na maior das purezas que uma amizade permite. Olham para a roupa interior umas das outras, mas por pura curiosidade, onde está a perversão nisto? E é disto que o ota-cu gosta? É isto que um ota-cu espera de uma mulher? De uma rapariga? De uma criança? Sim, porque estas personagens são crianças. Têm 12 anos, acabaram de entrar para a escola básica. Mas estão desenhadas como alunas de escola secundária e têm atitudes que seriam mais plausíveis numa outra idade. Não admira que exista um grupo de pessoas com ideias completamente distorcidas sobre a realidade. Ainda por cima o anime é produzido pela TV Tokyo! A TV Tokyo devia cingir-se a produzir coisas que não alterassem a visão do que é real e do que ´é fantástico de um grupo de pessoas perturbadas que podem ser potencialmente perigosas. E que obrigam adolescentes que cantam em grupos a rapar o cabelo por terem tido sexo.

    A única coisa que se safa é a arte, que tem traços muito suaves e agradáveis à vista. A música também está mais ou menos, com OP e ED especialmente feitas para ilustrar isto.

    Quem gostar disto tem de me dar mesmo uma muito boa razão para gostar disto, porque me parece impossível e anormal. Repare-se que ainda vou ter a dor de ver a segunda season, porque me enganei e fiz download dela. E como está aqui, terá de ser vista...
  • Mokke

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    Mokke
    Nishita Masayoshi - Madhouse Studios
    Anime - 24 Episódios
    2007
    6 em 10

    Com este anime aprendi que não se devem ler reviews antes do tempo, porque só se criam expectativas e depois são desapontadas e depois é triste.

    Este anime trata da vida normal de duas irmãs. Excepto que elas não têm uma vida normal. A mais velha consegue ver os yokai (espíritos, demónios e deuses do fantástico shintoista) e a mais nova é frequentemente possuída por eles. O anime segue as suas aventuras diárias, fatia-de-vida no mais puro sentido da palavra, normalmente intercalando uma aventura da mais velha com uma da mais nova. Lembra Natsume Yuujinchou, mas sem a carga emocional.

    em minha opinião há apenas três coisas que podem tornar um anime fatia-de-vida numa obra de arte de valor: (1) Uma arte esplendorosa (como em Aria); (2) Um setting absolutamente original (como em Planetes); (3) Uma forte carga emocional. Mokke não possui nenhum destes três elementos.

    A arte é bastante deprimente, sem fundos extraordinários e com um design de personagens pouco proporcional e pouco original no que respeita aos yokai. Pode ser resumida no screenshot que tirei:

    Isto é, bastante má.

    Em termos de personagens, as suas aventuras não parecem trazer-lhes qualquer adição ou qualquer aprendizagem. A irmã mais nova é exasperante na sua estupidez e desobediência. O personagem mais interessante será talvez o avô que, detentor de certa sapiência no que respeita a fenómenos paranormais, ensina sempre coisas úteis sobre a vida. Os contactos com os yokai são de grande simplicidade e não comovem nem fazem rir, são absolutamente indiferentes.

    A música não se distingue nem adiciona nenhum tipo de emoção às cenas. Tanto a OP como a ED são do mais normal que existe. Se bem que a animação da OP engana, baseados nela pensaríamos que isto ia ser um anime muito mais bonito.

    Fica uma nota para a originalidade do título: Mokke (もっけ), é o hiragana de mokke (勿怪), que significa algo como "inesperado".
  • Ai no Kusabi (2012)

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    Ai no Kusabi (2012)
    Akiyama Katsuhito - AIC
    Anime OVA - 4 Episódios
    2012
    7 em 10

    Todos sabem como eu amo Ai no Kusabi. Se não sabem, vejam aqui a review do OVA de 92 e aqui as reviews das novels que li até agora. Assim, quando a notícia deste OVA apareceu na aarinfantasy (site que frequento bastante, para que saibam) foi uma alegria. Foi uma felicidade absoluta! Ainda por cima diziam que iam seguir as novels! Que ia ter 12 episódios! Estávamos mesmo felizes. Mas depois as notícias deixaram de aparecer. E questionavamo-nos... O que é feito disto? Até que apareceu uma novidade: tinha sido cancelado. O estúdio faliu. Chorámos, ficámos cheias de raiva. E de repente outra novidade! Vão lançar um DVD, uma edição especial ainda por cima, com os quatro episódios que foram produzidos antes do estúdio falir! E assim ficamos com um novo Ai no Kusabi. Incompleto, é certo. Mas que nos deixa a pensar que este poderia ter sido o melhor anime BL de todos os tempos se tivesse sido feito até ao fim.

    Sobre os detalhes do universo, da história e dos personagens, recomendo a leitura da minha review do OVA de 92 (precisamente 20 anos entre um e o outro que giro!) pois considero-a bastante completa. Hoje vou fazer uma sempre necessária comparação.

    Ao contrário do original, este OVA segue as novels, até mais ou menos meio do volume 4 (que é precisamente o sítio onde estou na minha leitura, viva!). Acompanhamos a vida de Riki nas Slums, como pet e de volta às slums, com um flashback no último episódio que, adicionando mais vivacidade à história, poderia ter sido cortado. Apresentam-nos os detalhes de como conheceu Iason e a sua aventura com Mina, que não estava contemplada no original. Em termos de personagens não temos grande exploração, fora a evolução clara de Riki antes e depois de Iason, mas a caracterização inicial é muito forte. Não apenas para os personagens principais mas também para todo o grupo de Bison, o que torna tudo mais intenso.

    O que mais gostei nesta nova versão foi a caracterização do universo. Apesar de as slums serem um pouco mais "ricas" do que eu tinha imaginado, Midas e Eon estão perfeitos. Os designs futuristas estão bem pensados e são funcionais e adorei que criassem um novo alfabeto. Note-se a presença constante de mulheres ao longo dos 4 episódios, coisa que não acontecia no original: isto trás a segurança que neste universo a figura feminina é de grande importância e que isto não é apenas mais um yaoizinho da tanga com pretensões a pornografia. Aí está outro ponto: as cenas de sexo são reduzidíssimas e com uma sensualidade que me trouxe um certo sentimento de culpa, pois não são nada bonitas. Isto torna a caracterização da relação Riki x Iason muito mais evidente.

    A arte é limpa e existem cenas de acção bem coreografadas e com boa elasticidade. Pena o momento de CG na conversa com Ceres ou tudo teria sido perfeito. As cores são muito interessantes e utilizadas muito bem para caracterizar os diversos "mundos" dentro do universo.

    Enfim, um potencial excelente. Espero que um dia lhe voltem a pegar e o terminem.

    Por agora, encontrei a novel que me faltava a 25$ no e-bay. E tive de a comprar, apesar de estar de finanças reduzidas. Só porque estava 275$ mais barata do que a última que eu tinha visto.
  • Gakuen Utopia Manabi Straight!

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    Gakuen Utopia Manabi Straight!
    Yamanaka Takahiro - ufotable
    Anime - 12 Episódios
    2007
    6 em 10

    Já tinha ouvido falar deste anime, mas não fazia ideia do que era. E estranhei que fosse um moemoekyun ao ver o nome da produtora, já que ufotable foi o mesmo que nos deu Kara no Kyoukai e Fate/Zero. Bem, devo dizer que a ufotable fica melhor dramas de acção do que moesmoeskyuns.

    Manabi Straight passa-se num futuro não muito distante em que a natalidade é tão reduzida que os miúdos deixaram de ir à escola para irem trabalhar. O que não faz grande sentido, mas aceitemos. Agora, o que não faz mesmo sentido e que eu não consigo aceitar é que, havendo já tão poucas escolas e tão poucos alunos, se dêm ao luxo de ter uma escola exclusivamente feminina. Manabi transfere-se para esta escola e torna-se imediatamente membro do "student council" (creio que será algo semelhante à associação de estudantes). O anime segue-a e às suas amigas em actividades fofas de meninas fofas até ao culminar num esforço exuberante para ter um festival na escola. Por razão incompreensível querem deixar de o fazer, mas elas querem-no à mesma.

    É um anime muito básico em todos os termos, excepto por um episódio em que cobrem a temática do bullying. O mesmo se aplica às personagens, todas muito pouco fundamentadas, com excepção para a menina da boca de gato (e aprender os nomes, não?) que aparenta um desenvolvimento muito leve quando exploram a sua relação com as novas amigas (episódio do fogo de artifício).

    A arte corresponde aos níveis de produção a que este estudo nos habituou, apesar de um ou outro momento de CG arquitectónico pavoroso. Mas... Os designs. Vamos ver uma coisa Japão: se querem um anime com meninas de 10 anos, façam-no sobre uma escola primária. Não o façam sobre uma escola secundária em que todos aparentam ter 10 anos (excepto o irmão de Manabi, que é um fixe). Esta infantilidade, este excesso de moeficação, apenas prejudica a série. Pois causa-me irritação. E a série até é interessante. Mas causa-me irritação.

    O anime tem muitos momentos musicais, alguns deles bastante bonitos (veja-se o cantar do hino da escola). A OP é muito simpática. Uma nota para a animação stop-motion da ED, que dá alguma frescura à série.

    DDe todo o moe que vi e tenho visto este é um dos melhorzinhos. Apesar de me causar irritação.
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