• Django Unchained

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    Django Unchained
    Quentin Tarantino
    Filme
    2012
    9 em 10

    Tinha uns bilhetes grátis para o Fonte Nova, por isso vá-de ir ver o filme do Tarantino antes que seja tarde demais. Se bem que já se viu que eu de filmes percebo patavina por isso até devia deixar de lhes dar notas, se calhar é mesmo isso que faço, mas ainda posso comentar não posso? Acho que posso, se não puder olhem não sei.

    Ora bem, eu - percebendo patavinécias - sei do Tarantino uma coisa: ele curte bués do sangue. Então até estranhei o filme porque estava com níveis muito baixos. Mas depois passa-se tudo e entrega o esperado.

    Isto é um western à moda antiga, mas em vez de ser passado com os cowboys é passado com um escravo, o Django. Ele é comprado por um caçador de recompensas, homem bem simpático, e depois mete-se na aventura de ir salvar a mulher dele, uma outra escrava.

    E o filme está mais ou menos próximo do perfeito, sempre com aquele pequenino sarcasmo do Tarantino por todo o lado. Imagens bonitas e interessantes, música feita especialmente para o ambiente que se quer transmitir. Os personagens são o melhor, cada um mais bizarro que o outro mas todos muito fortes e sólidos. Os actores fazem um trabalho estonteante para transmitir a especialidade dos seus personagens.

    O ritmo está muito bem conseguido, sem um único momento em que se perca a atenção. É um filme longo, mas manteve-me agarrada até ao fim.

    E não percebo porque é que a "comunidade negra" dos Estados Unidos se revoltou tanto com este filme. É um filme contra a escravatura! O herói é um preto que se passa contra a opressão dos brancos! É uma coisa boa! Deviam voltar a vender as action figures!
  • A Vida de Pi

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    A Vida de Pi
    Yann Martel
    2001
    Romance

    Já há muito tempo que queria ler este livro. Na realidade, desde a primeira vez que vi a capa. Depois saiu o filme e o meu pai perguntou-me se eu o queria ver. Disse-lhe que o veria depois de ler o livro. Então o meu pai deu-mo! Viva!

    Ora bem, Piscine Patel, vulgo Pi (3,14), é filho do dono de um jardim zoológico na Índia. Os seus pais decidem mudar-se para o Canadá e levam o jardim zoológico consigo, para o revender a outras partes do mundo. Acontece que o cargueiro Japonês em que se encontram naufraga e Pi vê-se num bote salva-vidas na companhia de uma zebra com a pata partida, um orangotango, uma hiena e um tigre, Richard Parker. Brevemente sobram apenas Pi e Richard Parker, que passam então a partilhar uma vida de náufragos no meio do Pacífico. E esta história é verdadeira.

    A história de Pi é fascinante, a forma como ele conseguiu domar Richard Parker e estabelecer os seus limites e a forma como sobreviveu à custa de ver o tempo passar e ter fé. Quase que a perdeu, mas manteve-a. É inverosímil, é certo. Muito. Sobreviver sete meses a comer peixe e tartarugas na companhia de um tigre de bengala com três metros de comprimento. Aliás, há uma parte, a ilha carnívora habitada por suricatas, que torna a história muito pouco acreditável. Talvez tenha sido tudo imaginação do rapaz que esteve perdido no oceano durante tanto tempo. Mas mesmo sendo imaginação é uma história de sobrevivência para a qual todos devemos olhar com respeito.

    O autor, que copia a história que lhe foi contada em primeira mão pelo próprio Pi, faz descrições belas e detalhadas dos momentos no mar. Tornam todos estes sete meses de horror numa experiência quase bonita, de tão detalhada que é. E a maneira como transmite a personalidade do personagem torna o livro ainda mais interessante e engraçado.

    Fiquei descontente com o final. É certo que a verdade por vezes é simples demais para ser romanceada. O próprio Pi fica descontente com ele. Achei a adição da conversa com os técnicos Japoneses um pouco desnecessária, podia ter terminado logo na chegada ao México. Mas ainda assim...

    Ainda assim uma história por demais fascinante. Gostei. Agora resta-me ver o filme e ver como transformaram isto.
  • Mahou no Star Magical Emi

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    Mahou no Star Magical Emi
    Arai Kiyoko - Studio Pierrot
    Anime - 38 Episódios
    1985
    5 em 10

    Antes que perguntem "como é que viste isto se não há subs?": eu vi isto em Francês. Um amigo Francês arranjou-me uma torrent francesa num site francês. E foi uma aventura. Uhlala por todo o lado, uma irritação profunda. Tenho umas bases de francês suficientemente sólidas para perceber um anime como este, que é bastante simples.

    Mai quer ser uma mágica. Não uma menina mágica, isso todos gostaríamos de ser, uma mágica como as do circo, aquelas das varinhas e das pombas e das cartolas. A família dela é toda de mágicos. Mas infelizmente ela não tem jeitinho nenhum. Na realidade, a miúda não tem jeitinho para nada. No entanto, um esquilo voador dá-lhe uma pulseira que a transforma em Emi: a maior mágica de todos os tempos! Temos pequenos dramas familiares, um ângulo amoroso e a vida diária de Mai que não pode revelar que é Emi mas que se transforma em Emi para salvar o dia todos os episódios.

    O que mais me fez triste neste anime foi que a magia não está explicada de nenhuma forma. Todos sabemos que os mágicos não fazem magia nem feitiços, fazem truques. Mas o anime leva-nos a pensar que Emi não é mágica: é uma feitoçeira!!11 Não há explicação possível para os seus truques e isso tira muita da graça da história e do anime.

    A arte, apesar de ser dos 80s, é muito má. Muito má mesmo. Temos milhentas cenas repetidas (tantas que me levavam a pensar se eu já tinha visto esse episódio antes), os designs são pouco detalhados e a animação muito fraca. Temos muitas cores, mas não funcionam muito bem devido à própria natureza das ideias para os designs.

    O anime é muito musical, mas esta versão francesa estragou o que podia ser um elevadíssimo grau de entretenimento. A música é sempre, única e exclusivamente, douce emi tu est magique, emi magique, emi magique, emi magique JÁ NÃO POSSO OUVIR MAIS ESTA MÚSICA SE NÃO OS MEUS TÍMPANOS VÃO-SE TRANSFORMAR EM POMBAS BRANCAS COM DESINTERIA QUE IRÃO VOAR SOBRE AS VOSSAS CABEÇAS E ESPALHAR SANGUE POR CIMA DELAS OH MEU DEUS CALEM-SE COM A PORCARIA DA MÚSICA!! Fui ouvir a OP e a ED originais só para saber o que estava a perder e não estava a perder muito. São muito diferentes do que eu estava à espera, um pouco mais depressivas do que o verdadeiro teor da série. A menos que a versão francesa tenha alterado tudo e o verdadeiro teor da série seja levemente mais deprimente.

    Enfim, mais um anime que me tira as esperanças nos 80s. Ao menos a roupa da Emi dava um cosplay giro. Que não vou fazer, porque não sei fazer truques de magia.
  • Kara no Kyoukai: Epilogue

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    Kara no Kyoukai - Epilogue
    Iwakami Atsuhiro - ufotable
    Anime - Filme
    2011
      7 em 10
     
    Finalmente, a conclusão para a saga do Jardim dos Pecadores. Fiz batota e saltei o filme de recapitulação, que irei ver e avaliar em breve, mas avanço desde já que Kara no Kyoukai é, definitivamente, a obra prima do início do milénio. As reviews anteriores, dos 7 filmes, podem ser encontradas aqui.

    Adicionar algo, uma conclusão, a uma série que já explorou uma série de complexidades e detalhes pode ser tarefa árdua. Mas foi com leveza e simplicidade que este Epílogo foi feito. E funciona perfeitamente. 

    Trata-se, apenas, muito simplesmente... De uma conversa. Uma conversa entre Ryougi Shiki e Kokuto, debaixo de uma neve suave iluminada pela artificialidade de uma cidade. Com este ambiente, que nunca muda, descobrimos mais sobre Shiki. Shiki é, sem dúvida, uma das personagens mais complexas que tive o prazer de conhecer. Esta é mais uma das suas facetas, a faceta original. Isto não retira a paixão que tenho pela personagem, não. Apenas adiciona mais intensidade, mais carne, mais sangue.

    O ambiente causado pela arte de fundo e pela música podem parecer monótonos ao início, mas trazem um enfoque muito especial para a conversa que nos permitiram espiar. Neste momento da série o que interessam são as palavras. E o discurso de Shiki tem uma poesia intrínseca que não pode deixar de me fascinar.

    Uma excelente conclusão. Kara no Kyoukai, recomendo a todos. Os seus defeitos são ultimamente excedidos pelos momentos altos. Uma série de filmes de uma beleza artística integral, que cobre todos os campos, arte, música, personagens, diálogo... Um essencial no mundo do anime.
  • Memórias de um Caçador de Vampiros

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    Memórias de um Caçador de Vampiros
    Ardo Antas
    2011
    Romance

    Ora bem, eu não gosto especialmente de fantasia. Assim, a leitura deste livro requer uma explicação. Há uns largos meses, no ano passado, ganhei um concurso da Nanothron, produzido pela Nanozine. Era um concurso que consistia em escrever a maior história possível em duas horas, com distracções como o Ninja das Caldas a passar em volume exagerado atrás de nós. Pois bem, ganhei uma série de livros, pelo menos uns 15, todos da Chiado Editora e todos de fantástico. Foi altura de os começar a ler. 

    Vejamos. Logo na capa, o livro começa da seguinte forma:

    Se és uma dessas criaturas infames, sugadoras de sangue, apenas uma coisa te espera:
    ~~~~A ANIQUILAÇÃO~~~~

    O que esperar de uma apresentação destas? Pouca coisa.

    Este livro é uma colecção de aventuras protagonizadas por um caçador de vampiros, Rick Chambers. Infelizmente é possivelmente o caçador de vampiros com uma Harley Davidson e botas de cowboy menos carismático do planeta. É simplesmente tão irritante. Permanentemente numa posição de "sou o máior", "já matei montes de vampiruhs", "eu tenho razão e tu não", só me deu vontade de lhe dar estaladas.

    As histórias em si não são muito complexas e os resultados são bastante previsíveis. São interessantes as lendas dos vampiros criadas pelo autor, se bem que a filosofia de base da seita de Rick Chambers (não seita! Sociedade!) poderia ter sido mais explorada. Ainda assim, não sei muito bem se hei-de acreditar na pesquisa do autor para a criação das lendas. Numa nota de rodapé ele cita como fonte a... Wikipedia. Pois.

    A escrita é simples, com muita acção que por vezes se torna confusa, mas houve uma coisa que me atrofiou grandemente o sistema. Ora, o livro está em Português certo? Então, porque é que os personagens dizem coisas aleatórias em inglês? Por exemplo, em vez de "sim" dizerem...

    Yeah.

    Ou "sempre o mesmo de sempre". Passa a

    Same old Chambers.

    Qual a necessidade disto?

    Suponho que o sonho do autor seja tornar isto numa mini-série, mas não acredito que o vá conseguir. Talvez se as histórias se passassem no Alentejo....

    Enfim, um livro para ser libertado pelo BookCrossing. Aleatoriamente, num sítio qualquer. Espero que um de vocês o encontre, ainda dá para se rirem um bocado! =D
  • 1001 Nights

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    1001 Nights
    Sonoyama Yukio
    Anime - Curta Metragem
    1999
    7 em 10

    Este é um vídeo de 20 minutos, uma ilustração a uma peça clássica interpretada pela Filarmónica de Los Angeles. É uma co-produção Japão-América e o único filme animado de uma série de "Filmharmonics", videoclips na onda de Fantasia, da Disney.

    Este vídeo é bizarro. A animação é experimental ao máximo, com um estilo muito próprio, numa mistura de tradicional e CG. Infelizmente o CG não funciona nada bem. Essencialmente este vídeo é a visualização de um sonho, um sonho de amor, com componentes que podem ser confusas mas que são muito fortes. Paixão, desespero, tristeza, a felicidade final. Numa mistura de cores e texturas que saem umas das outras para um efeito contundente para os olhos.

    Em termos de história não há nada mais simples e a música é apenas uma peça interpretada por profissionais. O filme existe em função da música e adapta-se a ela perfeitamente. O que interessa aqui é o visual. E o visual é merecedor de um lugar no meu Tripanário.

    São apenas vinte e três minutos. Não posso deixar de o recomendar.

  • Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi

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    Tenpou Ibun Ayakashi Ayashi
    Nishikiori Hiroshi - Bones
    Anime - 25 Episódios
    2006
    6 em 10

    Pela primeira vez vou DES-recomendar um grupo de subs: Lunar. Montes de erros de playback nesta versão, horrível.

    Mas adiante!

    Tenpou Ibun Ayakashi etcoetera é mais um anime passado na época dos samurais (Edo), com monstros e fantasmas. Fala de um grupo de caçadores dos ditos fantasmas, que por fachada têm um grupo de estudos de literatura e trabalhos estrangeiros. É um anime muito ligado à literatura e às palavras, pelo que talvez seja mais interessante quando o espectador está familiarizado com os significados ocultos por detrás do kanji. O que não é o meu caso. Apesar de tudo, não desgostei da série.

    A história é bastante simples e ao início apresenta-se como um "monstro da semana". Depois há progressão para uma história mais complexa. Dizem, quem viu isto sem erros de playback de três em três minutos, que a história a partir do meio foi apressada e que não funciona bem, dado que isto era suposto ter sido uma série de cinquenta episódios. Terá sido reduzida pela falta de popularidade logo ao início. É fácil ver porque é que a série não foi popular. Os personagens principais são adultos. Com cara de adultos. Mas são interessantes. Apesar das suas histórias pregressas serem um pouco lugar-comum, estão bem concebidos e temos uma grande variedade, de selvagens a travecas.

    O que me fascinou mais foi os poderes utilizados para combater os monstros e fantasmas. O personagem principal consegue transformar os nomes das coisas em armas, o que - não sendo de todo original (já o tinha visto em Loveless) - não deixa de ser interessante. Os designs dos monstros também estão muito engraçados, apesar das histórias em que cada um aparece não serem nada por aí além.

    Em termos de animação, nada de especial. Não existem grandes coreografias, o CG está mal disfarçado. Não são lutas muito cativantes, o que é falho para um anime que tenciona basear-se nelas.

    Estou dividida no que respeita à música. Por um lado, as segundas OP e ED combinam muito bem com o espírito do anime. Mas por outro lado, tudo o resto parece estar um pouco fora do lugar. Para mim faria mais sentido um anime passado nesta época e neste local ter uma música menos ocidental.

    Não é um mau anime.
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