• Intocáveis

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    Parte da Série QUINTA DIMENSÃO: 1/16

    Intocáveis
    Eric Toledano e Olivier Nakache
    Filme
    2012
    5 em 10

    Encontro-me neste momento dentro de um avião. Não há net e faltam 8 horas para o destino final. Mas isso não impede que escreva reviews à mesma! Poderão é ser escassas durante os próximos tempos.

    Anyway, primeiro filme que vi no avião foi este. Por acaso os aviões da TAP têm um bom leque de filmes para escolher. Tinha interesse neste filme desde que tinha visto o trailer no cinema, por isso aproveitei. Infelizmente o trailer é melhor que o filme.

    Philippe é um homem rico que teve um acidente de parapente e que, por um desvairio e loucura ao nível de Marco Paulo, contrata Driss, um senegalês ladrão e delinquente. Driss não tem pena nenhuma do tetraplégico e essencialmente trata-o como se fosse uma pessoa normal, o que agrada muito a Philippe de forma a que este não se quer separar do seu ajudante. A história é, segundo consta, verídica (e aparece um micro-vídeo dos reais no fim, tendo ambos um ar muito mais realista que os actores, ou não fossem eles verdadeiros)

    Os personagens estão estabelecidos ao início e o máximo de desenvolvimento é uma troca de características derivadas da interacção. Os actores também não são muito bons, parecem estar um pouco indiferentes aos seus papéis. Fazer de tetraplégico há-de ser difícil, mas mesmo uma pessoa sem sensibilidade no corpo tem a capacidade de exprimir emoções.

    O ambiente musical é um intercalar de clássico (Philippe) com pop (Driss). Parecce que em todo o filme nos querem mostrar o choque cultural e social e como apesar das diferenças podemos ser todos amigos. No entanto eu questiono a validade desta moral, sobretudo porque neste filme parece estupidificada e racista.

    Não me comoveu e não foi muito divertido.

    Agora anime até acabar a bateria e depois filmes até morrer. Acho que nunca vamos chegar lá. E ainda nem sequer passámos na zona de turbulência. Bem, se eu for comida pelo Adamastor aéreo esta review nunca será vista por ninguém. Para quem quiser a informação, a minha viagem está relacionada com a seguinte música:


  • Viagem à Quinta Dimensão - FOTOREPORTAGEM

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    Olá!

    Sentiram a minha falta? Muito? Muito? Pois é! Para informar os mais desatentos, estive em viagem espirito-independente durante o último mês.

    Estive na Quinta Dimensão.

    Ok, já estamos todos situados? Para provar a minha intensa e alucinante viagem, e partilhar convosco as maravilhas artísticas deste universo paralelo, estrategicamente colocado do outro lado do mundo, decidi fazer este post.

    Primeiramente vou-vos apresentar uma versão textual dos factos, seguida de fotoreportagem. Depois irão suceder-se todas as críticas e revisões que fiz durante o tempo que estive encerrada na cápsula (um em cada post, para parecerem muitos). Aviso desde já: não há anime quase nenhum. Levei 4 séries e 4 filmes e nem passei da primeira série. Mas verão.

    Agora passemos ao importante:

    Pontos de Elevado Interesse na Actividade Socio-cultural da Quinta Dimensão

    • São pelo menos 10 horas de viagem
    • Lá chegados, prova imediata da loucura das pessoas que nos irão rodear, pois se esqueceram de nos ir buscar.
    • Falando em loucura, devo referir a existência do Senhor Gedeão, que acontece ser meu avô. Ele vive na Sétima Dimensão e fez 98 anos no dia 1 de Agosto. Irei citar alguns momentos adiante.
    • A cidade em que estive é espraiada, com casinhas de todas as cores e todas de cores diferentes. Foram feitas explorações de muito intenso nível cultural, acompanhadas de uma boa Polar e de um Bek. Estes fumam-se sem filtro e batem mais do que o esperado.
    • O rio é bastante sujo mas encontram-se lá cães fofinhos, nomeadamente a cadela que nominamos "Pizza" e que nos trocou por um gato
    • Existem diversas coisas nos jardins das casas. Algumas delas, que recolhemos durante as nossas voltas peripatéticas, foram: gnomos, coelhos, árvores pintadas da cor da casa, cavalos (verdadeiros), Brancas de Neve, Anões de Branca de Neve, cães agressivos, cães simpáticos, cães que ladram, cães que assustam, cães miniatura tosquiados e com roupa a ladrar de forma agressiva, gatos, sapos, etc.
    • Todas as casas têm um ou mais cães. A minha tem dois, Rusty e Titã. Além de uma gata, Princesa, e de um gato-humano, Marvin.
    • Toda a gente gosta de toda a gente, cumprimentos feitos sempre com grandes beijos e grandes abraços.
    • Chimarrão
    • Jogos Olímpicos
    • Jogos do Internacional, VIVA COLORADO
    • Chimarrão com Jogos Olímpicos
    • Conversas espirituais que ajudam nas melhoras das minhas patologias cerebelares e cerebrais
    • Pulgas!
    • Pessoas de interesse: Senhor Gedião, Belu, Cris, Malu, Beto, Jorge, Dico, Gerson, Lucas, Céu, Sofia, Heloísa, Kitty, Leonardo, Gabriela, Marina, Melissa, Rodrigo, Denise, a Helena que ainda aí vem, todos os outros amigos da Casa das Laranjeiras, Casa das Laranjeiras, Rusty, Titã, Princesa, Marvin, entre outros
    Elementos de Variado Interesse Psicológico da Versão Alternativa da Quinta Dimensão

    • Liberdade = Bairro do Japão = Livros Japoneses, Cosplays, Figuras, DVDs, CDs, Roupa Alternativa, merdinhas fofinhas, coisas fofinhas = TODO O MEU DINHEIRO LÁ JÁ AGORA
    • Sebos = Alfarrabistas do tamanho da Fnac = 4254879286 variedades de livros super baratos = TODO O RESTO DO MEU DINHEIRO LÁ IMEDIATAMENTE DEPOIS DA LIBERDADE
    • Pessoal do CB = Pessoinhas fofinhas, encantadoras, que provam que uma comunidade de anime pode ser saudável e divertida = Inspiração para cosplay = Inspiração para mudar a comunidade Portuguesa = ESPÍRITO CARVALHESA
    • Se estivermos o tempo todo a falar em Inglês com  um homem Holandês os mendigos afastam-se
    • Museu, haverá review.
    • Cosplayers na rua
    • Karaoke Box ao estilo Japonês = Cantar o Vira-Vira dos Mamonas Assassinas
    • Dia dos Vampiros = Evento de doação de sangue em que vai toda a gente vestida de vampiro = Fazer uma coisa igual em Portugal
    • Churrasco
    • Mortal Kombat 24/7
    • Crianças que não sabem ler
    • Fazer a rota turística = Perder-me (a dois quarteirões de casa) = DRAMA LATINO-AMERICANO
    • Cigarros de palha
    • Pessoas de interesse: Tjan, Pete, Maruseru, Jahr, Meny, Youkai, Sumomo, Paula Yokai, Kakarotto, Artemys e mais uma longuíssima e importantíssima série de pessoas cujos nomes estão em falha na memória mas que permanecerão para sempre na hipófise, órgão que regula o amor

    FOTOREPORTAGEM

    ^CLICKAI AQUI PFF^
    (É um Slideshow, são montanhas de fotos)
    (ah sim, vou publicar isto antes das fotos aparecerem, quando as tiver posto todas volto a spammar-vos. Obrigada pela compreensão ^^ )

    Citações do Senhor Gedeão
    Meu querido Avô que, apesar de não se lembrar bem de mim, me ama e me abençoa e essas coisas.
    Se o gajo lá do alto existir, há-de o abençoar também

    Sobre o aquecedor: "É uma coisa forte, firme, não treme, está sempre lá. Sabem quem é o meu melhor companheiro, o meu companheiro número um? É essa coisa fofinha aí na minha frente. Ai, o meu salvador. Quem é o meu salvador? É esse quadradinho santo!"

    Ouvindo o CD da Carminho: "Que música bonita essa! Que música linda!" 

    (Chamando) "Agostinho? Agostinho? Agostinho? Belu? Belu? ... Jesus?"

    "Eu não sei quem tu é, mas eu te vou dar uma mordida!"

    *Jantar* VIRGEEEEM MARIAAAAA SANTAAAA (cantando) 

    "Ave Maria Cheia de Graça.... AI POROMPOMPOM!" 

    "Eu sou o gerente deste quarto!" 

    (Referindo-se a mim) "Que mão tão fininha! Parece uma linguiça! Que pele macia! Deixa eu ver tu... Que linda! Que bonita! Que coisa mais linda! Quem é tu? Minha neta? Deus de abençoe! Que coisinha mimosa!" 

    Além disso ele chama as pessoas para lhes fazer discursos sindicalistas, para discutir casos do seu trabalho (ele era maquinista), para rezar e outras coisas. Também dança com o andarilho e canta muito. Em sua homenagem, sem contar com o bicho-lunar que está do seu lado na foto, deixo uma música. E agora espero que esperem pela foto-reportagem que se seguirá e pelo manancial de críticas que aí vêm! Espero que se divirtam!

     
  • Animal Farm

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    Animal Farm: A Fairy Story
    George Orwell
    A Fairy Story (evidentemente)
    1945

    Comprei este livro numa mega promoção do Bookdepository e vou fazer BookCrossing com ele. Só naquela.

    Este livro é estranho. É frio. Numa alegoria à Revolução Russa, os animais desta quinta revoltam-se, depois das palavras sábias de um velho porco. No início está tudo muito bem, com o bom porco Snowball a dar boas ideias e todos obedecendo aos sete mandamentos:
    1. Whatever goes upon two legs is an enemy.
    2. Whatever goes upon four legs, or has wings, is a friend.
    3. No animal shall wear clothes.
    4. No animal shall sleep in a bed.
    5. No animal shall drink alcohol.
    6. No animal shall kill any other animal.
    7. All animals are equal.
     Mas Napoleon, um outro porco, arranja maneira de se tornar o líder da quinta e o que era o verdadeiro ideal do comunismo torna-se numa opressão estalinista que se conclui na humanização dos porcos e no único mandamento:

    TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS

    E ninguém pode fazer nada. Os outros animais não são muito inteligentes, têm medo, não têm força. É isto o horrível deste livro. A impotência que sentimos por estes pobres.

    Está escrito precisamente como um conto infantil. Sem floreados, sem muitos detalhes, a história é assim e assim fica. Isto transmite uma frieza e um tom quase irónico a toda a história, de dar arrepios. Ainda assim, há momentos muito intensos (quase chorei com o Boxer), momentos de uma tristeza assustadora na sua simplicidade.

    Um excelente livro que se lê numa tarde. Um essencial.
  • Kurozuka

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    Kurozuka
    Tetsurou Araki - Madhouse Studios
    Anime - 12 Episódios
    2008
    7 em 10 

    Para abordar este anime vou começar por vos apresentar a sinopse, traduzida do que está no MyAnimeList:

    Um homem do século XII chamado Minamoto no Yoshitsune (Kurou) foge para as montanhas depois de perder o seu irmão Minamoto no Yoritomo, o primeiro Shogun a controlar todo o Japão. A história diz que ele cometeu suicídio mas, em vez disso, Kurou encontra uma estranha e linda mulher na sua casa na montanha.
    Ora portanto, a sinopse diz isto. Mas o anime não. Vemos dois gajos a fugir e a encontrar a mulher, depois um deles tenta matar o Kurou e continuamos sem saber de onde vieram, quem são e para onde vão. Começa aqui o problema principal deste anime: a falta de clareza e foco. Kurou e Kuromitsu são vampiros que vão vivendo pelo milénio afora até chegarem a um universo pós-apocalíptico e meio cyberpunk em que (por razão pouco válida e inexplicável) são perseguidos por toda a gente. Ao início a abordagem é bastante interessante. Cada episódio começa com uma recapitulação acompanhada de um poema Japonês, que vale a pena não passar à frente, e depois intercalam as memórias e os sonhos de Kurou com a sua busca por Kuromitsu na realidade. E depois há uma luta de guerrilheiros, cientistas psicopatas e muitas muitas lutas. À medida que o anime progride vamos vendo cada vez mais lutas, quase um "monstro da semana", com objectivos um pouco obscuros e, por vezes, parecendo quase desnecessários. O final pouco claro não abona nada em favor desta misturada de história.

    Outro enorme problema é que quiseram à força toda misturar vampiros e ciência futurista. Aqui se prova uma vez mais que quando queremos falar de um assunto é conveniente conhecer bastante bem o assunto. Não perdoo um personagem de anime que não saiba fazer uma aplicação intravenosa (tipo, convém a agulha tocar na veia, não é só espetá-la aleatoriamente no braço da vítima)

    A arte é excepcional e melhora progressivamente. Ao início os designs eram um pouco fluídos demais, mas depois fica tudo bem. Temos sequências de lutas extraordinárias e  originais, com uma animação exacta e bons valores de produção. Típico da Madhouse, mas sempre um gosto de ver.

    Achei que a música poderia ter-se limitado mais aos instrumentos tipicamente Japoneses, o que daria um ambiente mais puro ao cenário.

     Em resumo, um bom anime para quem tenha experiência e goste de sangue.

    Entretanto colocou-se uma questão muito importante sob o ponto de vista científico: será que a utilização de um anti-coagulante sanguíneo perturbaria as condições mágicas e vampíricas do sangue? Será que a precipitação dos elementos figurados perturbaria o vampirismo? O factor imunológico do vampiro está, na realidade, no soro sanguíneo? Deixo aqui a cópia de um pequeno debate acerca desta importante lacuna no universo da medicina:

    [14:11] <ladyxzeus> ok, first mistake of this series: it'simpossible to keep blood without using an anti-coagulant, which would probably reduce any magical effect of said blood
    [14:12] <santetjan> of course you can keep blood without one.
    [14:14] <ladyxzeus> it precipitates
    [14:14] <ladyxzeus> and the serum comes up
    [14:14] <ladyxzeus> unless the magical abilities are located in serum
    [14:14] <santetjan> but it's still blood.
    [14:14] <santetjan> not very useful blood, but still.
    [14:15] <santetjan> and i expect it's the magic, yeh.
    [14:15] <ladyxzeus> it's an important scientific question
    [14:15] <ladyxzeus> wether or not the anti-coagulant disturbs magical or vampiric powers
    [14:16] <santetjan> well, if the vampiric power itself is, in part,an anti-coagulant, you're going places.
    [14:16] <ladyxzeus> it's said that vampires have ananticoagulant poison, so they can suck
    [14:16] <ladyxzeus> at least mosquitoes and fleas and othervampiric animals have
    [14:17] <ladyxzeus> but that does not turn the rest of theblood in the body anti-coagulative
    [14:17] <[\> i doubt vampiric bats have anticoagulant.
    [14:17] <NavyCherub> right.
    [14:7] <ladyxzeus> i'm not sure, i don't know a lot ofmammals that produce "poisons" or other substances
    [14:18] <ladyxzeus> i only know platypus
    [14:18] <ladyxzeus> so this leaves to the consideration: is the vampire a mammal?
    [14:18] <santetjan> vampiric platypus?
    [14:18] <ladyxzeus> that would be cute
    [14:18] <FOE-tan> Do vampires lay eggs?
    [14:18] <ladyxzeus> i think they can't reproduce?
    [14:18] <santetjan> that would lead to a 'what came first? vampire or the egg?' question.
    [14:19] <ladyxzeus> i think vampires can't reproduce through a biological way
    [14:19] <ladyxzeus> it's like a disease
    [14:19] <ladyxzeus> they are prior humans, right?
    [14:19] <FOE-tan> Unless it's Twilight?
    [14:19] <FOE-tan> You mentioned something about a babyvampire there.
    [14:20] <santetjan> 'he's not undead, he's just ill'
    [14:20] <ladyxzeus> so it's a disease?
    [14:20] <ladyxzeus> then they are mammals, sick mammals
    [14:20] <FOE-tan> That's Zombies.
  • A Tia Julia e o Escrevedor

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    A Tia Julia e o Escrevedor
    Mario Vargas Llosa
    Romance
    1977

    De todos os Vargalhosa que li até agora (e ainda não são muitos, mas estão todos neste blog por isso parecem uma multidão) este foi o mais engraçado, o mais cativante e, sem nenhuma sombra de incerteza, o mais absolutamente delicioso gelado de Verão que me podia calhar em sorte.

    Isto tem o seu quê de autobiográfico. Marito Varguitas (ou, para os amigos, Mario Vargas - tão a ver o connect, tão?) é um jovem com pretensões a escritor que trabalha a recortar notícias para a Radio Pan-Americana. Entretanto aparece-lhe na família uma tia vinda da Bolívia, Julia, com a qual se desenvolve uma tragicomédia de amor. Intercaladamente aparecem histórias dos folhetins de Pedro Camacho, que os escreve para a mesma rádio. Assim, temos duas histórias dentro da mesma história, a da ascensão do amor e a da ascensão dos folhetins, seguidos pela sua queda e pelo futuro dos seus intervenientes.

    A história de amor é rocambolesca. A tia Julia é mais velha e divorciada, Varguitas é um estudante sem um chavo, como poderemos solucionar isto? Mas solucionam-no da maneira mais exasperantemente improvável e divertida (para o leitor, para eles não deve ter sido muito)

    Mas para mim o maior encanto reside nos folhetins. Cada capítulo é um folhetim diferente, escritos com um vocabulário absolutamente floreado, requintado e desapropriado, contando histórias que, sendo do quotidiano, se distinguem por terem uma certa aura surrealista. Os personagens dos folhetins são desenvolvidos a uma profundidade sem limites, mas nunca sabemos o que lhes vai acontecer, fica sempre para o próximo capítulo e só à medida que o livro vai avançando é que percebemos que o seu fim vai ser extremamente bizarro. Posso avançar desde já que sim, é. Porque parte da história consiste na loucura de artista de Pedro Camacho e como isso se reflecte nas suas histórias que, no fundo, são a sua vida.

    São livros como estes que me dão mais vontade de escrever. São livros como estes que provam que um excelente autor também tem de ser dotado de sentido de humor. São livros como estes que provam que um excelente autor, antes de mais, adora escrever.

    Gostaria de o recomendar a toda a gente, mas devido à intensidade do vocabulário pode ser um pouco difícil para quem não esteja habituado a ler literatura "da pesada". Ainda assim experimentem lê-lo. Vão ver-se envolvidos num mundo de fantasia que ultrapassa os limites da própria fantasia e que, melhor de tudo, é absolutamente real.
  • Karigurashi no Arietty

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    Karigurashi no Arietty
    Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    2010
    7 em 10

    Todos gostamos da Ghibli e vamos sempre dizer que os filmes são geniais, mas permitam-me discordar. Arietty é um bom filme. Arietty é um filme divertido. Mas Arietty não é um filme genial.

    Esta filme conta-nos o improvável encontro de um miúdo a morrer de insuficiência da mitral com Arietty. Acontece que Arietty é, bem, pequenina. É uma rapariga à escala de polegar. Vive por baixo de uma casa com o seu pai e a sua mãe e, para sobreviver, "tomam emprestadas" coisas que as pessoas da casa já não utilizam. Sho vê-a e, atraído pela sua existência, tenta comunicar com ela da melhor maneira que consegue, que não é de todo a ideal. A história é fofa e tenta dar-nos a moral de "nunca desistas de viver", mas pareceu-me que esse aspecto não foi desenvolvido com, bem, desenvoltura! Em termos de personagens temos a habitual mulher forte dos filmes Ghibli, mas pouco mais. Achei graça a Haru-san, cuja "maldade" tinha uma origem absolutamente inocente e infantil.

    A arte é o ponto forte. É maravilhosa. Conseguem tornar um jardim numa floresta, cheia de detalhes e de pequenas coisas. A casa das pessoas pequenas também é absolutamente deliciosa. Vale a pena ver o filme só pela arte.

    A música está muito adequada e transmite beleza.

    Reparei em dois erros crassos de planeamento: a porta que estava trancada abriu sem ser destrancada e a cortina corrida numa cena aparece toda aberta na cena seguinte. Estas pequenas coisas são, de facto, pequenas, mas para mim fazem todo um filme.

    Talvez compre o DVD para ver com a minha macaca de estimação.

  • Boys Be...

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    Boys Be...
    Kawase Kouhei - Hal Film Maker
    Anime - 13 Episódios
    2000
    7 em 10

    A imagem que escolhi para este anime é enganadora, mas não há muito mais que seja diferente. Boys Be não é um harém. Não é um H-rated. Não é uma poça de fanservice. Boys Be é como um shoujo. Mas um shoujo invertido. É difícil de classificar o seu género porque é algo completamente diferente. E é isso o que lhe dá tanta graça.

    Boys Be é um conjunto de histórias de amor, de pequenas relações juvenis que passam da hesitação à acção e à relação propriamente dita (ou a desfechos mais infelizes) ao longo de 12 episódios mais 1. Mas, e aqui reside a diferença essencial, é tudo contado da perspectiva dos rapazes, os Boys. Temos três rapazes imberbes a experimentar-se no universo das relações amorosas, e o anime mostra a sua atracção, as suas tentativas, os seus sucessos, os seus falhanços e, acima de tudo, a sua maneira de lidar com as situações que vão aparecendo. Por vezes isto tem muita piada, mas no geral há um tom de simplicidade e de melancolia presente ao longo de toda a série.

    Os personagens vão evoluindo, mais uma vantagem destes rapazes. A sua inocência inicial vem sendo substituida por uma maturidade crescente e por uma melhor capacidade de resolver os problemas.

    A arte é daquele tipo com que eu implico. Mesmo assim não está mal, tem alguns momentos de beleza. As cores são fortes e sólidas, não há grande foco em cenas de animação mas também não há aquela coisa irritante de transformar mãos em bolinhas que andam para cima e para baixo.

    A música é ambiental, com uma OP e ED pouco distintas mas apropriadas que trazem algum sentimento aos acontecimentos que estão para vir.

    Uma nota interessante é o fanservice. Porque o fanservice não é verdadeiro fanservice. As mamas, os rabos, as camisas molhadas, os fatos de banho, são coisas que os rapazes vêm. Não são coisas inúteis. São elementos importantes para percebermos o estado de espírito dos personagens naquele preciso momento. Posso mesmo arriscar dizer que até ajudam no desenvolvimento da história.



    Numa nota diferente, uma amiga minha tem o seguinte ser para adopção:

    Eu quando vejo estas coisas costumo ignorar bué porque são demais, mas como é da minha amiga estou a publicitar. Fiquem com o bicharoco, que é muito boa pessoa. Fiquem com o neko-chan e chamem-lhe Chi. Dêem uma Sweet Home à Chi!

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