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  • Para um teatro pobre

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    Para um teatro pobre
    Jerzy Grotowski
    1968
    Teoria do Teatro


    Pois que finalmente passamos aos livros digitais, depois de ter terminado a incansável TBR física.

    Comecei por este livro de teoria do teatro, no qual esperava aprender técnicas para realizar um teatro com pouca produção. No entanto não fala sobre nada disso, apresentando antes uma teoria de limpeza do gesto teatral (e da produção em si) por forma a tornar o espectáculo em algo cru que possa assim demonstrar toda a verdade.

    Ora, isto não me agrada, nem me é útil, sobretudo no que respeita à ideia de que o actor deve usar o palco para explorar os limites físicos do seu corpo, de maneira a demonstrar a verdade e apenas a verdade. Então, não é para isso que serve o desporto? Mais valia ir aos jogos olímpicos...

    Discordo em absoluto desta teoria do teatro pobre, e irrita-me, e exaspera-me, que nos tempos actuais, 60 anos passados, ainda tenham esta ideia da fisicalidade do teatro.

  • A Ideia do Teatro

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    A Ideia do Teatro
    José Ortega y Gassét
    1966
    Teoria do Teatro

    Este livro é curioso porque é a transcrição de uma palestra que o autor deu em Lisboa. Assim, tem uma série de referências à cidade que são muito engraçadas.

    O autor usa esta palestra para falar um pouco da definição e história do teatro, definição esta material, emocional e activa. No entanto, os exemplos que utiliza são antiquados e - isso foi o que mais detestei - profundamente machistas.

    Mais interessante é o Anexo I, em que o autor relaciona a existência da arte dramática com a religião dionísica, em que o teatro seria uma festa e a festa seria a celebração religiosa.

    Um livro interessante, que peca muito pela sua data.

  • O Actor Invisível

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    O Actor Invisível
    Yoshi Oida
    1995
    Teoria do Teatro

    Este livro mostra uma perspectiva muito interessante sobre a interpretação em palco, partindo a partir do teatro tradicional japonês. Com isto em mente, o autor cria uma espécie de manual, em que fala de elementos muitas vezes esquecidos.

    Oida esforça-se por transmitir a intenção na respiração, propondo alguns exercícios para que o actor possa aprender a controlá-la. Através do controlo da respiração, o actor terá o controlo total sobre o seu corpo. Esta é uma forma de actuar feita do detalhe, sem gestos elaborados, sem o esforço da limitação física.

    Assim, é algo que me agrada bastante, embora eu pense que sem um mestre que possa aconselhar e preparar directamente, seja algo muito difícil de atingir.

  • Como parar de atuar

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    Como parar de atuar
    Harold Guskin
    2003
    Teoria do Teatro

    Este é um livro para actores um pouco diferente dos que tenho lido, porque fala sobretudo do trabalho de actor para cinema e televisão. Na ideia do autor, o espectador procura sobretudo uma personagem, e não um actor que faz a personagem. Assim, ele tenta dar alguns exemplos de pessoas famosas com quem trabalhou, em filmes famosos em que os ajudou.

    Infelizmente os exemplos são extremamente limitados e parece-me a mim que este livro é mais um stunt publicitário do que outra coisa. Algo como "olhem o conjunto de pessoas fixes que eu ensinei, venham aprender comigo e dar-me dinheiros". De todos os modos, os exemplos de actores famosos que ele dá são poucos e muitos deles perderam rapidamente a fama.

    Assim, este livro não me transmitiu muita aprendizagem, o que foi desapontante.

  • Teatro sem Diretor

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    Teatro Sem Diretor
      Jurij Alschitz
    2007
    Teoria do Teatro

    Esta foi uma leitura extremamente esclarecedora, que me deu muitas indicações sobre como lidar com a minha própria situação. Neste livro, o autor explora um tipo de teatro que se baseia nas relações entre os grupos e entre os elementos do grupo.

    Afirma que num grupo o "director", usualmente tido como elemento principal e aglutinador, só pode cumprir a sua função se estiver em comunhão com todo o grupo. E que o grupo existe porque procura fazer arte da mesma forma, com os mesmos ideais e com os mesmos objectivos. A partir do momento em que não há união, e o autor mostra alguns exercícios para a estabelecer e manter, o grupo - tal como nasce - morre.

    E eu gostei muito de ler isto. Foi mesmo um grande alívio.

  • Estudos sobre Teatro

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    Estudos sobre Teatro
    Bertolt Brecht
    1972
    Teoria do Teatro

    Continuando no meu exercício de ler sobre teatro, cheguei a este clássico de um grande artista, Brecht. E as conclusões a que chego trazem-me um certo alívio. Após alguns anos em que me dizem "isto não pode ser feito" ou "já ninguém faz isto", chega um dos nomes mais importantes do teatro moderno para me dizer "podes fazer o que quiseres".

    Neste livro Brecht apresenta, resumidamente, a sua teoria sobre o Teatro Épico, utilizando para o explicar a análise de uma série de peças de teatro e da forma como estas foram trabalhadas. Infelizmente, não tenho um conhecimento profundo sobre elas para poder avaliar os detalhes do trabalho de encenação realizado. Mas a conclusão a que chego é que Brecht propõe um teatro livre, livre de amarras e livre de preconceitos.

    E considerando isto, penso que tenho feito um trabalho preconceituoso. Isto ajuda-me no processo decisório.

  • The Empty Space

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    The Empty Space
    Peter Brook 
    1968
    Teatro 
     
    Um livro sobre teoria teatral que me recomendaram no grupo de teatro, por forma a tentar melhorar a minha própria performance. Confesso que me desapontou, pois não consegui retirar nada deste livro que já não tivesse praticado anteriormente no próprio grupo.
     
    Essencialmente, o autor dedica a maior parte do livro a explicar sobre o teatro que *não gosta* e que, no seu entender, não é bom. Esforça-se por um teatro em que se coloca a naturalidade do actor, em que o actor não "cante", em que o texto toque o actor e que, com isso, o actor consiga transmiti-lo da forma mais exacta possível, mas em termos emocionais e não em termos formais.
     
    Por isso, parece haver um absoluto desprezo pela recriação histórica, que respeito profundamente, já que segundo o autor é impossível saber como as peças de Shakespeare eram realmente feitas na época dele (com pesquisa suficiente acho que isso se descobre).
     
    Assim, o livro pareceu-me muito exibicionista e mais uma lista de compras do que "não se deve fazer" em vez de uma lista de recomendações do que realmente devemos fazer. Não se trata de um manual nem de uma explicação, mas quase um conjunto de queixas.
     
    Chateou-me. 

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