Archive for sexta-feira, outubro 30

  • Análise: Devilman - Uma História à Qual Sempre Volto

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     Devilman é o tipo de história que me fascina, e por mais que veja e reveja os OVAs (revi recentemente também , e falarei deles de seguida) e o Crybaby, de vez em quando gosto de voltar a ela. Então, para complementar o meu (re) visionamento, achei por bem desta vez ler o manga.

    Certamente que existem vários defeitos neste manga, desde a arte um bocadinho out of date até à lógica da história em si que, confessemos, não é muita. Mas a verdade é que, mais uma vez, temos uma oposição entre forças masculinas, o Devilman que é a encarnação de todo o mal mas que - desta feita - está do lado das pessoas, contra o seu melhor amigo que se vem a revelar ter um papel muito mais importante do que aquilo que esperávamos.


    Como podem ver, a arte é violenta e as citações dos personagens violentas são. Tudo isto começa com uma festa satânica em que todas as pessoas são contaminadas com drogas (curioso estes mangakas dos anos 70 e as suas drogas, considerando o quão ilegais elas são no Japão) para que se transformem em demónios, por forma a tentar invocar aquele que será o Devilman, o demónio protector da humanidade. A coisa corre até mais ou menos bem, e depois o Devilman irá proceder a destruir todos os demónios que encontra que, diga-se de passagem, são bastante feios e atemorizantes.


    Dito isto, a arte do manga é simplesmente fascinante, porque é tanto nojenta e assustadora como também tem cenas de página inteira/duas páginas que revelam uma capacidade artística invejável. Os designs podem nos parecer antigos, mas a verdade é que este é um excelente exemplo de como aplicar a arte tradicional a algo um pouco mais avançado do que, simplesmente, aventuras de um jornalista europeu. Assim, o manga de Devilman acaba por ser altamente sofisticado para a sua época, e também é altamente viciante, pelo que não me espanta ter sido um sucesso que se manteve até aos dias de hoje, com Crybaby


    As personagens são memoráveis, com uma caracterização extremamente cuidada, que depois na viragem final mais ou menos (aliás, totalmente) apocalíptica acaba por trazer consequências ao desfecho, não só o da história mas ao das pessoas que vivem dentro desta história, cujo destino acaba por ser imprevisível e horrendo.

    Uma história à qual sempre volto, e cujo o manga será um 9/10 mais uma vez, porque é simplesmente TÃO BOM.

    Recomendo vivamente todas as instâncias de Devilman, excepto o anime TV dos anos 70, que é extremamente infantil e não tem graça nenhuma.








  • Análise: MW - Os Gays de Tezuka

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     Depois de ver a Fénix, fiquei fascinada com o Tezuka e com a sua capacidade de contar histórias extremamente violentas. Por isso, fui ler MW, um manga que fala sobre uma droga com o mesmo nome e sobre uma tragédia que aconteceu numa ilha isolada pela libertação dessa droga.

    No meio disto, temos uma história de amor tóxico entre dois homens, um certo vilão muito bonito e um outro que era delinquente e, à medida que a vida foi passando, se tornou padre. Com estes dois elementos, temos aqui um conflito bastante premente, em que o padre duvida da sua fé e das suas capacidades perante a beleza maléfica do seu amante, que irá fazer de tudo para libertar a droga MW por todo o mundo e - assim - destruir a sociedade que tanto mal lhe fez.

    Com esta premissa violenta começamos a procurar o MW e a desvendar o mistério por trás da tragédia na ilha. Ficamos a saber que a relação tóxica foi na verdade iniciada pelo (potencial) padre, que violentou o outro rapaz na infância. Assim, o processo de libertação do MW é uma libertação pessoal, uma vingança pessoal contra aquele que o tornou estranho, invertido, um homem à parte da sociedade. Por outro lado, o padre arrepende-se profundamente das suas atitudes e tenta encontrar uma catarse na exploração do divino, sem sucesso pois a ameaça que paira - o MW - é demasiado grande para ignorar e o rapaz vilão comete atitudes tão desregradas e tão inspiradas numa maldade ancestral que parece não haver forma de lhe resistir.

    Chocou-me sobretudo quando ele arranca os dedos a uma mulher, aquela que se iria casar com ele, por nenhuma razão aparente sem ser simplesmente decepar dedos porque sim.

    A arte de Tezuka pode-nos parecer desactualizada, mas a verdade é que nos habituamos rapidamente a ela e tem um nivel de detalhe nos cenários absolutamente impressionante para a época, em que não havia recursos digiteais e era tudo desenhadinho à la pata.

    Esta foi uma história que me cativou, mas que também me chocou, e uma das melhores leituras de Tezuka que tive até agora (comparando com a sua prolificidade, a minha leitura até que é bastante reduzida). Ficou com 9/10 e uma referência para os mangas futuros que irei ler.


  • Análise: Paradise Kiss - A Moda e o Amor

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    Mais um anime que vimos na nossa festa de segundas-feiras. No caso, para mim foi um Rewatch, porque já o tinha visto há muitos anos. Tantos, que nem me lembrava que a série tinha uns meros 12 episódios, e não 24 ou 26. 

    Paradise Kisse é o nome do anime e da marca de roupa que os nossos personagens estão a tentar criar. Este conjunto de pessoas é, tal e qual a trupe de Gokinjo Monogatari, estudante na escola de moda de Tóquio, e e estão a competir para conseguir o primeiro lugar num concurso de designs de moda de final de ano. No entanto, não têm uma modelo! E é aí que aparece "Caroline" uma rapariga estudiosa que não sabe bem o que fazer da vida, apenas que o caminho que quer não é bem aquele que escolheu.

    Enquanto modelo, a personagem de Caroline - com a quem simpatizo bastante por causa do nome - pode ser um pouco duvidosa. Afinal, trata-se apenas de uma adolescente, e como todos os adolescentes os sonhos e desejos vêm sempre em primeiro lugar, em oposição ao que é realmente necessário fazer. Assim, começa a relação amorosa e sexual com "George", o líder da Paradise Kiss, e Caroline foge de casa para poder viver este curto mas intenso amor.

    No entanto, também as outras relações entre as personagens nos revelam a mestria de Ai Yazawa a contar histórias realistas e presas no nosso próprio mundo. Temos uma personagem trans, crossdresser, com uma sexualidade duvidosa, que consegue expressar-se da forma que sempre quis por causa da roupa. Temos Takumi e Miwako, numa relação tóxica essencialmente baseada na força sexual feminina, pontuada por episódios de ciúmes e de violência. E a relação do nosso par principal, que nunca nunca poderá durar porque - como sabemos - os sonhos de adolescência são muito voláteis.


    Fica uma nota para os designs maravilhosos de todos os figurinos, que desafiam as leis da física mas não as leis da construção textil. O conhecimento de moda da autora é profundo, e isso aplica-se também nos designs e nos momentos do anime em que observamos os personagens a construir o figurino principal, lindo vestido verdeazul com borboletas.

    Tendo isto em conta, Ai Yazawa apresenta-nos uma história talvez mais curta, talvez menos relevante que - por exemplo - Nana, mas que ainda assim é valiosa a mostrar-nos um conjunto de pessoas diferentes, num contexto diferente, mas que vivem exactamente da mesma forma que todos nós.

    Mantenho o 8/10.

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