Mostrar mensagens com a etiqueta segunda guerra mundial. Mostrar todas as mensagens

  • Zona de Interesse

    0

     

    Zona de Interesse
    Jonathan Glazer
    2023
    Filme
    8 em 10


    Quando falamos do Holocausto, usualmente esquecemos uma perspectiva: a do agressor. E sinceramente, já li tantas coisas sobre o tema que pensava que não me chocaria mais. Mas este filme é simplesmente visceral, pela intensidade da indiferença, aliada a uma banda sonora electrizante e a uma fotografia esplendorosa, que nos mostra com toda a ironia o lado oposto ao das paredes do campo de concentração.

    Um filme que nos deixa realmente indispostos, e que mostra a realidade esquecida: a da ignorância, a da maldade pura, a da indiferença da sociedade. Enquanto coisas terríveis acontecem por trás do muro, a família vive feliz e contente nas suas actividades diárias. E eu penso que isto é muito importante de analisar nos tempos que correm: perante as guerras que nos atormentam diariamente, qual a nossa posição? A de viver numa vida normal, ou a de lutar contra a injustiça?

    Como este filme calhou mesmo em véspera de eleições, foi uma forma para mim de contemplar os meus ideais, aquilo que quero para mim, aquilo em que acredito. Aquilo em que acredito não é isto, a oposição do horror versus a normalide. Votei conforme. Espero que tenham feito o mesmo.

  • First Squad: The Moment of Truth

    0

     

    First Squad: The Moment of Truth
    Ashino Yoshiharu - Studio 4ºC
    Anime - Filme
    2009
    6 em 10


    Vi este filme curto enquanto esperava que aparecesse o homem para ler o contador da água. Nunca apareceu.

    Estamos na segunda guerra mundial e os Alemães, como sempre, têm um plano maléfico: vão ressuscitar um cavaleiro negro para vencer a guerra. Para o evitar temos uma equipa de russos que vai lutar contra isso.

    Com uma animação sublime e cenas de acção espectaculares, este filme é um gozo para os olhos. Mas fora isso, não temos muito mais. A história é muito improvável, os personagens não tèm tempo para se desenvolver, e as suas relações não estão bem estabelecidas.

    Mas lá que é um regalo visual, lá isso é.

  • Batalhão de Mulheres

    0

     

    Batalhão de Mulheres
    W. A. Ballinger
    ???
    Romance


    Um livro tão obscuro que nem está no Goodreads nem em lado nenhum, nem consigo descobrir a data da primeira edição. Pela capa parece um pulp estranho e ridículo, mas acabou por se revelar uma leitura viciante.

    Conta a história (verdadeira?) de uma Major russa que organizou um batalhão exclusivamente feminino, que terá ajudado a conquistar um ponto chave do território durante a segunda guerra mundial. A história é contada pela perspectiva de várias destas mulheres, e de alguns homens também, e é extremamente violenta, incluindo cenas sexuais terríveis e torturas que só uma imaginação activa conseguiria criar.

    A leitura foi bastante simples, porque a narrativa é muito directa ao assunto, e acabou por ser um livro muito interessante. Não estava nada à espera e, devo dizer, que nada do que está escrito na capa acontece.

  • Kaputt

    0

     

    Kaputt
    Curzio Malaparte
    1944
    Relato de Guerra


    Alguns dados importantes: a minha edição era diferente desta do Goodreads e mostrava uma suástica com uma águia em desenho bem grande. Portanto, um livro bem nazi. Noutra nota, o autor era um dos fascistas até que mudou de ideias, e escreveu este livro para relatar a verdade sobre a guerra.

    Cada capítulo tem um animal como temática, e fala tanto dos actos de guerra como das opiniões das pessoas ricas com que o autor conviveu durante esta época. Estas pessoas dizem coisas terríveis como "os judeus gostam mesmo de viver no lixo", assim do género. O relato das mortes, da destruição, da pobreza, da fome, tudo isso é terrível. Mas tão bem escrito que acaba por ser viciante, por não nos permitir parar de ler por um único instante.

    Apesar de a capa ser muito feia, este livro é fantástico.

  • Anne no Nikki

    0

     

    Anne no Nikki
    Nagaoka Akinori - Madhouse
    Anime - Filme
    1995
    6 em 10


    Este é o anime do Diário de Anne Frank, que eu nunca li e ainda bem: é absolutamente pavoroso. Anne escreve sobre a sua vida diária enquanto clandestina numa casa de amigos, por isso é quase como um slice of life. Mas um slice of life em que todos vão para campos de concentração no fim, e isso foi horroroso. Também foi horroroso ver que as pessoas tinham gatos, e que os gatos ficaram para trás.

    Portanto, o que dizer sobre este filme? A animação não é extraordinária, mas também não é necessário para o contexto. Os designs estão adequados à realidade da época, e existem alguns cenários muito bonitos, pintados à mão.

    Acaba por ser um anime importante para recordar o horror do holocausto, tal como o livro o é, mas sinceramente acho que preferia não o ter visto.

  • Noite Sem Lua

    0

     

    Noite Sem Lua
    John Steinbeck
    1942
    Romance

    Pequeno livro numa edição luxuosa e ilustrada, que me foi oferecido no aniversário por uma amiga. Yay, obrigada!

    O livro é curioso porque começa de uma forma leve e aparentemente cómica. De forma muito progressiva, cheia de pequenos detalhes engraçados, vamos percebendo que afinal esta história não tem graça nenhuma: é uma história da invasão nazi a um país escandinavo, numa aldeia que não aceita a invasão e fará tudo para se revoltar.

    O autor tem um tal génio que consegue relatar as tentativas de revolta, a oposição aos soldados nazis, a actividade clandestina, sem nunca a dizer realmente. Também nunca menciona que tipo de soldados são estes, nem que tipo de guerra é esta. Podia ser uma guerra qualquer, mas nós - de alguma forma - sabemos qual é.

    É um romance aparentemente simples, mas que revela muito mais densidade do que poderíamos pensar à primeira vista.

  • A Hidden Life

    0

     

    A Hidden Life
    Terrence Malick
    2019
    Filme
    6 em 10

    Aparentemente, nunca são demais filmes sobre a segunda guerra mundial. Este é original: fala de um objector de consciência que se recusa a saudar Hitler quando se torna soldado. O filme é apenas isso: ele a dizer que não faz e todos a dizerem-lhe para o fazer.

    Então, temos sequências lindíssimas de paisagens naturais, e uma boa caracterização da vida numa aldeia austríaca nesta época. Também a relação entre os personagens principais é bela e cândida, plena de inocência e amor. Mas os diálogos... Os diálogos são extremamente repetitivos, sem qualquer tipo de conteúdo metafísico que nos leve realmente a pensar na decisão de objectar. As palavras que dirigem a este homem estão plenas de vazio, e caem no nada, porque o personagem nem responde nem pensa nem faz nada.

    Por isso, este filme é um festim visual, mas acaba por ser um fracasso narrativo. Além disso, que sentido faz dizer que a história é baseada em factos reais para depois dedicar o filme a !todos os anónimos"?

    É mesmo de quem não sabe o que dizer.

  • Trieste

    0

     

    Trieste
    Dasa Drndic
    2007
    Romance
     
    Penso que terei de me afastar de livros sobre a segunda guerra mundial e o holocausto. Penso que depois de "As Benevolentes" já nada me choca e já nada me impressiona. Por isso, este livro não me tocou minimamente.
     
    Trieste é uma análise romanceada dos horrores ocorridos nesta zona fronteiriça durante a segunda guerra. A autora enumera mortos, enumera desgraças, enumera entrevistas, enumera números, enumera culpas. E parece fazer apenas isso: listas e listas e listas de horrores.
     
    A personagem em que ela foca a sua história parece estar ali só para dar uma "cara" a essas listas, para tornar as listas mais palpáveis, porque parece que seriam fantasia se fossem só as tais enumerações.
     
    Mas os horrores não me chocam e, assim, o livro surge como desnecessário e um pouco aborrecido. Para além disso, não há uma consumação do tema principal do livro, o que torna tudo frustrante e dá um sentimento de inutilidade.
     
    Não recomendaria. 

  • Jojo Rabbit

    0
    Jojo Rabbit
    Taika Waititi
    2019
    Filme
    6 em 10

    Agora em tempos de quarentena de emergência, vamos ter tempo para falar de alguns visionamentos e leituras do mês passado e do corrente mês. Começamos por Jojo Rabbit.

    Um menino na Alemanha nazi tem um melhor amigo imaginário: Hitler. Com a sua ajuda, ambiciona ser o melhor nazi de sempre. Mas tudo muda quando tem um acidente e descobre que uma rapariga monstruosa vive dentro da sua parede. 

    Apesar de a visão do realizador sobre o tema ser original e por vezes comovente, penso que este filme não traz nada de novo sobre o assunto da segunda guerra mundial e do holocausto. Parece transmitir apenas a vontade deste fazer o papel de um Hitler exagerado e cómico, com pouco mais a acrescentar. A visão infantil da realidade pode ser engraçada por vezes, mas acaba por se tornar um pouco cansativa.

    É um filme de comédia que irá entreter, mas que na minha opinião não merecia figurar em prémios.
  • The Man in the High Castle Season 4

    0
    The Man in the High Castle Season 4
    Frank Spotnitz
     2019
    Série
    Devo dizer que não estava especialmente ansiosa pela última season do Homem no Castelo Alto, também conhecida por "a série do edelweiss". Mas como era a última, pensei em fazer um último esforço.

    Mas o que esta última season nos deixa são perguntas: quem são estes da revolução comunista negra e de onde apareceram? Porque lhes estão a dar tanta atenção? Os judeus? Quem é este tipo que anda a beijar a Juliana? Porque é que a Juliana não tem expressão? Porque é que a família do Smith se foi isolar? Porque é que de repente os nazis são boas pessoas? E, finalmente, quem é aquela malta que sai do portal? Onde vai dar o portal?

    A série é descuidada, tentando desesperadamente atar todas as pontas mas esquecendo-se de uma série delas. Como se tudo o que aconteceu tivesse simplesmente desaparecido, também assim desaparecem personagens e actores, linhas narrativas, lugares.

    Penso que a única coisa que se aproveita desta série é UM actor e a música sobre as bolas do Hitler.

    Espero que não se lembrem de um remake.
  • Kono Sekai no Katasumi ni

    0
    Kono Sekai no Katasumi ni
    Katabuchi Sunao - MAPPA
    Anime - Filme
    2016
    7 em 10

    Se os animes sobre a guerra mundial e, sobretudo, sobre os bombardeamentos nucleares, normalmente desapontam, este foi uma belíssima surpresa, pois coloca as coisas sob uma perspectiva um pouco diferente.

    Uma rapariga sonhadora, que gosta de desenhar e que se distrai muito facilmente, casa-se por encomenda com um rapaz que vive próximo de Hiroshima, numa casa numa colina. Ali, ela faz novos amigos e observa o mundo que a rodeia, desenhando-o e encontrando novas formas para viver numa cidade atormentada pelas necessidades da guerra.

    Vemos como as pessoas comuns lidaram com o racionamento de alimentos, com, os bombardeamentos e com perdas importantes. Com a perda da guerra. E, no meio disto tudo, conseguimos ver o mundo pelos olhos desta personagem tão simples, que realmente não tem nenhum traço de personalidade especial que a distinga do resto do mundo.

    Penso que esta visão torna o filme muito refrescante, porque não temos uma heroína cheia de talentos e que vive grandes aventuras. Assistimos apenas à aventura da vida diária, sempre com uma sombra terrível que é a da guerra e daquilo que já sabemos que vai acontecer: a bomba.

    Temos momentos de animação muito interessantes, sobretudo aqueles que animam os desenhos da personagem, sem descurar o detalhe na maquinaria de guerra e das paisagens.

    Musicalmente, a banda sonora integra-se muito bem no filme, passando desapercebida.

    Gostei muito e, como foi recomendado pelo meu clube, foi um Sim. :)
  • O Mundo em que Vivi

    0
    O Mundo em que Vivi
    Ilse Losa
    1949
    Romance

    O necessário livro sobre a segunda guerra mundial de que o Plano Nacional de Leitura necessita. Narra a infância e início da vida adulta de uma rapariga judia.

    O problema aqui é que ela se sente sempre mal em ser judia. É certo que no pré-guerra da Alemanha era uma condição um pouco grave, mas não existe nenhum momento em que a autora faça referência aos hábitos familiares, resumindo as suas actividades religiosas a algo que lhe causa pudor e vergonha.

    Para além disso, a personagem aparenta ter sempre a mesma idade ao longo do livro. Par anós, continua sempre a ser uma criança de seis anos até que subitamente vai trabalhar e aí compreendemos que, surpreendente!, afinal estamos a falar de um adulto.

    Disseram-me também, e tinha essa expectativa, que o livro era extremamente triste e que fazia chorar até as pedras da calçada. Mas todos os momentos de tristeza eram sempre os de uma criança mimada que não tem o vestido bonito que queria ou coisas do género.

    Desapontou-me, embora perceba a sua importância para o panorama literário nacional.
  • A Ciocciara

    0
    A Ciocciara
    Alberto Moravia
    1957
    Romance
    Quando falamos da segunda guerra mundial, normalmente focamos a nossa atenção naqueles que a viveram de uma forma activa, envolvendo-se na luta e, de um lado ou de outro da trincheira, fazendo a guerra funcionar. Mas o que dizer sobre as pessoas que viveram a guerra sem estar nela?

    A Ciocciara é um livro sobre esse tipo de pessoa. Quando se vê cercada numa Roma prestes a ser bombardeada, quase sem comida, uma comerciante pega em todo o seu dinheiro e vai com a sua filha para o campo. Lá, consegue a custo alugar uma casa num socalco, onde passará os próximos meses.
     
    Este livro é um retrato cirúrgico e emocional de uma Itália perdida na pobreza dos corpos e dos homens, caracterizando as pessoas que tentam a todo o custo sobreviver ou até mesmo ganhar alguma coisa com esta guerra. O autor faz um excelente trabalho ao nos mostrar as singularidades de viver numa cabana num socalco, com detalhes para as luzes, as texturas e as cores, assim como cheiros e sabores. É um ambiente tanto bucólico como a todo o instante aterrorizante à medida que soldados diferentes, e de diferentes facções, vão surgindo e desaparecendo na vida destas mulheres.
     
    Apesar de ser um livro antigo, é uma leitura cativante e veloz.


  • Toda a Luz Que Não Podemos Ver

    0
    Toda a Luz Que Não Podemos Ver
    Anthony Doerr
    2014
    Romance
    Este é um livro que, apesar de espesso, se lê numa penada. Uma escrita contagiante e viciante, com uma história um pouco inverosímil mas ainda assim bastante curiosa.
     
    Uma rapariga cega vive em Paris, guiando-se pela memorização de uma maquete à escala da cidade. O seu pai é serralheiro no Museu de História Natural. Algures na Alemanha, um rapaz é excelente a manipular objectos electrónicos, sobretudo rádios. Há um diamante. E a segunda guerra mundial estala.
     
    Acompanhamos as personagens ao longo de todos os anos da guerra, partindo do pressuposto do seu encontro e observando a sua sensibilidade em relação ao universo - mais ou menos visual - que os rodeia. Assistimos à violência consentida a que as crianças dos dois espectros da guerra eram submetidas, admitindo situações de grande injustiça mas que, ainda assim, acabam por ser pouco tocantes devido à indiferença com que o autor as maltrata.
     
    Apesar de ser uma leitura muito interessante, precisamente porque está escrito no presente do indicativo (o que faz com que os nossos olhos procurem constantemente a palavra seguinte), as personagens ficaram aquém das minhas expectativas, sendo o final estranhamente conveniente para impressionar.
     
    Fica a nota para as descrições das paisagens, que estão muito bem conseguidas e que nos levam directamente para as maravilhosas praias de Saint Malo.

  • Darkest Hour

    0
    Darkest Hour
    Joe Wright
    2017
    Filme
    7 em 10
    Este filme estava à espera de ser visto desde os óscares do ano passado. Estava esquecido, mas foi boa a hora em que assistimos a este Darkest Hour.

    O filme fala dos primeiros dias de Churchill enquanto primeiro ministro do Reino Unido, na deflagração da geurra mundial que viria nos anos seguintes. Acompanhamos o seu processo de tomada de decisão nestes momentos difíceis, em que a sua teimosia e coragem promoveram o envolvimento do seu país nesta guerra, pensada perdida desde logo, impedindo assim o nazismo de se levantar em toda a Europa e mundo.

    Acredito que a história tenha tomado algumas liberdades de estilo, mas ainda assim é muito emocionante. E tudo isso se deve quase em exclusivo ao actor. A sua interpretação é de um realismo contagiante, apresentando-nos um Churchill divertido e igualmente assustador, ligado a valores de extrema ética e bondade. Isto talvez possa ser um certo exagero estilístico, mas funciona muito bem no contexto.

    De resto, não existe nada de especialmente atractivo neste filme. Até houve uma inclusão de material digital perfeitamente desnecessária, como quem diz "para ter um filme de prémios tehop de ter uma perseguição de barcos espectacular".

    Vale a pena pela performance.
  • Treblinka

    0
    Treblinka
    Sérgio Tréfaut
    2016
    Filme
    7 em 10

    Um colega ofereceu-me uns bilhetes para ir ver este filme. Bem, o filme era grátis na mesma, mas ganhámos bilhetes, hihihi :) Ganhou o principal prémio para filmes portugueses no IndieLisboa 2016 e tinha ouvido falar dele numa entrevista na rádio. Portanto, estava muito curiosa.

    Com um orçamento muitíssimo reduzido, o autor faz um excelente trabalho em remeter-nos aos fantasmas do passado. As imagens são recorrentes: um comboio que marcha por paisagens nevadas. O frio. A humidade. E as pessoas que estiveram naquele mesmo comboio e que tiveram um pior destino. Que foram parar ao campo de concentração de Treblinka. São estes fantasmas, nus, solitários, gelados, que fazem a transição para a realidade da narrativa.

    Um narrador, cujo texto foi baseado no de um sobrevivente do tal campo de concentração, conta-nos, com muita calma, os diversos horrores que praticou e a que assistiu. E as imagens do comboio parecem servir apenas como pano de fundo, como ambiente, para as imagens que vemos nas nossas cabeças, pelo que conseguimos imaginar.

    Um filme muito curioso, bem filmado e cheio de humildade.

  • The Man in the High Castle

    0
    The Man in the High Castle
    Philip K. Dick
    1962
    Ficção Científica

    E quando a ficção científica é ficção mas nos mostra um universo alternativo à nossa realidade, tão plausível como atemorizante? Phipil K. Dick acerta de novo, mostrando-nos como seria viver num universo em que o Eixo venceu a Segunda Guerra Mundial. Exacto: agora quem manda são os nazis e os japoneses.

    São várias personagens que se cruzam, cada uma com a sua história, cada uma com as suas dificuldades. Conhecemos a perspectiva das minorias perseguidas, mas também conhecemos a vida da elite japonesa que domina a parte Oeste dos Estados Unidos. Com extremo detalhe, o autor mostra-nos as diferenças essenciais entre a nossa realidade e a vida num mundo dominado por forças que são maléficas, que são instáveis e que constantemente lutam por um poder maior, por uma força superior.

    Os personagens vivem acompanhados e, talvez até, atormentados por um livro, o que foi escrito pelo "man in the high castle", livro proibido que conta como seria o mundo ao contrário, o mundo em que os Aliados venceram a guerra. Este livro e o seu significado, associados a uma série de outros elementos místicos e, pode-se dizer, filosóficos, tornam este livro num assustador exercício de conceitos em que se torna difícil de perceber qual o foco da realidade. Será que somos nós, leitores, que somos fantasia?

    Restam as dúvidas.
  • Os Anagramas de Varsóvia

    0
    Os Anagramas de Varsóvia
    Richard Zimler
    2015
    Romance

    Ganhei este livro na segunda volta de uma BookBox do BookCrossing em que participei :) Escolhi-o porque já havia lido o autor e gostado muito da sua escrita. No entanto, este livro acabou por me desapontar um bocadinho.

    Um médico judeu na Polónia muda-se para a casa da sua sobrinha e sobrinho-neto no gueto de Varsóvia. Apesar dos sacrifícios inerentes ao local, tudo parece estar a correr mais ou menos bem e a vida pode começar a ser um pouco normal. Mas, quando Adam, o sobrinho-neto, é encontrado morto em cima do arame farpado do muro que divide este universo do exterior, o velho médico decide, juntamente com o seu melhor amigo, proceder a uma investigação para se poder vingar do assassino.

    Percorrendo este ambiente negro, frio e invernoso, deparamo-nos com um mistério bem pensado e motivado por sentimentos fortes. O personagem principal está muito bem construído, na medida em que tem de ceder à sua idade. A trama desenvolve-se progressivamente, sendo que a cada momento vão-se descobrindo cada vez mais coisas que nos ajudarão a encontrar os verdadeiros culpados.

    Para além disso, o livro faz um retrato suficiente do ambiente do gueto e, posteriormente, daquele de um campo de trabalho nazi. Mas esta caracterização acaba por ficar um pouco estranha devido a todas as referências a livros, música e cinema, que não parecem adequados à época.

    Também não gostei do final, que retirou toda a credibilidade da história que nos veio a ser contada ao longo do livro. A situação dos anagramas é engraçada, mas acaba por ser um pouco forçada e ficamos sem saber se as coisas realmente se passaram, quer no reino da ficção quer no reino da realidade.

    Este livro estará disponível para quem o quiser ler. :)

  • Joker Game

    0
    Joker Game
    Nomura Kazuya - Production I.G.
    Anime - 12 Episódios
    2016
    6 em 10

    Finalmente começo a terminar a season que passou! Finalmente! A verdade é que não tenho tido muito tempo para ver anime e estes estavam todos 5 a 6 episódios atrasados, portanto estou a actualizar-me pouco a pouco. Brevemente recuperarei o ritmo normal. ;)

    Este anime foi uma das grandes surpresas da season e foi uma experiência muito melhor do que esperava inicialmente. Para começar, é um anime que fala de um tema muito pouco tratado neste meio artístico: funções durante a segunda guerra mundial. Para além disso fala de espiões, um tema ainda mais difícil de encontrar. Assim, em cada episódio vemos a actividade de um espião de um grupo escolhido pelas entidades governamentais.

    É muito interessante ver o que fazem e como o fazem, em diversas situações que constituem perigos vários. Cada história está bem estruturada e deixa-nos realmente na ponta da cadeira tentando descobrir a solução para o mistério. No entanto, o anime acaba por falhar a partir do momento em que os arcos narrativos fazem uma tentativa de se unir, deixando-nos um final que sabe a pouco. Para mim, tudo teria ficado melhor se continuássemos a ter um anime tipicamente episódico..

    De resto, a arte é bastante simples mas coaduna-se com o estilo pretendido para este anime. Temos cenários bem construídos e um ambiente clássico que nos remete para a época, assim como os designs dos personagens e roupas. Falando nestes, fica o pequeno defeito de os espiões serem muito pouco distinguíveis uns dos outros em termos de design, praticamente mudando apenas o penteado e a voz (e, bem, a altura).

    Musicalmente, está tudo dentro dos parâmetros normais, embora tenha achado que a OP não se tenha associado bem ao conceito do anime.

    Foi uma boa experiência, mas o final acabou por ser desapontante.

  • Filho de Saul

    0
    Filho de Saul
    Lászlo Nemes
    Filme
    2015
    7 em 10

    É verdade que ando muito desnaturada com este espaço. A realidade é que esta última semana foi de loucos e mal tive tempo para vir aqui, sendo que dediquei todo ele a escrever o portentoso comentário do Anicomics. E este filme foi visto precisamente na noite anterior, por sugestão do Qui. Trta.se de um filme húngaro (o meu primeiro filme húngaro, penso eu), que ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

    É um filme curioso e tem um interesse abertamente evidente, já que relata a partir de outra perspectiva a vida dos reclusos de um campo de concentração nazi. Mas, desta feita, analisamos os reclusos que "trabalham" no campo de concentração, tendo por tarefa a eliminação dos outros prisioneiros.

    O tema tratado é forte e vem com o acrescento do desespero destas pessoas. O personagem principal é Saul, um homem que encontra uma criança morta e vê nela o seu filho (nunca é clarificado se ele realmente tem um filho). Perante isto, ele promete a si próprio que irá enterrar a criança devidamente, com a oração propícia dita por um rabino. Mas onde encontrar um rabino?

    Está tudo filmado da perspectiva deste homem, sendo que a imagem nunca se afasta muito dele. Assim, todos os horrores do campo de concentração passam em pano de fundo, como se se tratasse de algo puramente normal dentro desse contexto. Isto impressionaria muito, não fosse o azar de eu ter lido "As Benevolentes" há pouquíssimo tempo. Quero dizer que, comparado com este livro, o filme que vimos é um passeio no parque. Assim, o efeito saiu um pouco frustrado pela minha parte.

    No entanto, é extraordinário o trabalho de actor e de caracterização do cenário, que aparece claustrofóbico e horrendo, quase podemos sentir o cheiro nauseabundo. Ainda assim, achei a narrativa um pouco romanceada, pela forma como o personagem se safa sempre por golpes de sorte seguidos uns aos outros (que, felizmente, terminam num final espectacular).

    Assim, acabou por ser um filme que não pode ultrapassar a imagem que agora mantenho sobre os horrores da grande guerra. No entanto, acredito que o posso recomendar.
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan