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  • Outfest 2025

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    Outfest 2025
    Festival de Música


    Mais um ano, mais um Festival de Música Exploratória do Barreiro. Curiosamente, estava pleno de pessoas a falar em inglês, e eu questiono-me sempre o que raio vêm fazer turistas ao Barreiro.

    O primeiro concerto foi de Leila Bordreuil, uma rapariga que tocava contrabaixo e o misturava, com um som muito aterrorizante e etéreo. Foi sobretudo bonito ouvi-lo misturado com o barulho dos comboios que passavam, dava um ar mesmo industrial.

    Depois, vimos o DJ Niggafox (que já se alimentou e está mais gordinho), com os Wolf Eyes. Foi muito interessante, apesar de não ser a grande festa do nosso DJ sozinho, mas tinha uma série de misturas que me permitiram dançar muito lentamente.

    Finalmente, foi a vez de Billy Woods, que tinha o baixo tão alto que mandou abaixo o sistema eléctrico e, para pânico do artista, colocou-se a possibilidade de ele cantar à capella. Mas não foi preciso e acabamos por assistir a um óptimo concerto, com letras fortíssimas, e também dancei.

    Dançar, dançar, dançar, eu amo dançar.

  • Meo Kalorama 2023

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    Meo Kalorama 2023
    Festival de Música


    Com muita contrariedade minha, lá fomos para este festival. Organizado no Parque da Bela Vista, é uma pura canseira andar de um palco para o outro por aquelas colinas e vales infinitos, e eu estava mesmo muito mal disposta e cheia de fome quando lá cheguei. Arrebatei um hambúrguer carérrimo antes de darmos conta da zona com mais comidas, que era no canto oposto. O sistema de pagamentos digitais é uma merda, e o preço das bebidas é outra merda maior, o meu orçamento mensal desapareceu todo nesta porcaria.

    Mas valeu a pena porque vimos bons concertos. Primeiro apanhámos Tamino, que estava a dar ao mesmo tempo que a Florence. Mas a mim não me interessa nada a Florence e gostei mais disto, que deu para aquecer um pouco os passos de dança. Depois seguimos para ver Arca, que foi um epectáculo fenomenal. Elu não passou os seus próprios sons, foi mais um DJ set das coisas que elu mais gostava, com vídeos de gatinhos fofinhos a passar por trás e uma estranha e fascinante performance num baloiço. Mas depois tivemos de fugir porque estava para começar a única razão pela qual eu tinha ido a um festival num dia de trabalho: Aphex Twin. Espectáculo visual fascinante, com música bem frita para eu dançar, acabámos por ficar quase à frente porque quanto mais ácida ficava a música mais pessoas fugiam em debandada. Deviam ser os jovens do ticatuca que pensavam que o Aphex era um fofinho e não sabiam da existência de coisas como o Ventolin.

    Dancei tanto que fiquei essencialmente paralisada no regresso, e com muitas muitas muitas dores. Mas valeu a pena, porque devo ter gasto milhões de calorias. Depois o Aphex veio cá abaixo dizer olá às pessoas, porque se ele não viesse até podíamos acreditar que não estava lá ninguém a tocar no cubo gigante.

    Obrigada RDW, gosto muito de ti.

  • Super Bock Super Rock 2023

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    Super Bock Super Rock 2023
    Festival de Música


    Dado que a Spring It foi cancelada, tivemos oportunidade de ir ao SBSR, que era no mesmo fim de semana. 

    Decidimos ir para lá de transportes. Ora, os comboios estavam em greve e, por isso, esse amigo estava cheíssimo. Apanhámos mesmo à justa. Depois esperamos longamente numa fila para o autocarro de transfer, no qual o passe não era válido por razões que me transcendem. A viagem foi demorada, porque havia imenso trânsito no único acesso.

    Chegámos, descemos uma rampa gigantesca, e fomos parar a um lugar pequeno, meio vazio, coberto de palhinhas. Revistaram todas as minhas bolsas e bolsinhas e conseguimos ainda apanhar um bocadinho do concerto do Nile Rogers. que deu logo vontade de dançar. Um dos membros da banda que vinha a seguir, e o que tinhamos ido realmente ver, também participou nesse concerto. Depois foi a vez deles: os Wu Tang Clan. Por essa altura começamos a reparar que havia imensa gente americana no público, possivelmente porque lhes fica mais barato vir aqui do que à tour da terra deles. O concerto foi fantástico: eu sei que não é muito suposto dançar-se com hip-hop, mas eu dancei loucamente.

    Depois foi tempo de dar uma volta para passear e descansar. O espaço era realmente pequeno, mas como estava pouca gente não havia fila para quase nada. Uma nota para as casas de banho, que eram aqueles porta-pottys horrorosos, em que uma bacana não tem capacidade de fazer xixi sem se encher de xixi a menos que toque com as suas partes pudendas no xixi dos outros. Não percebo porque continuam a insistir com estas coisas, que são tão pouco práticas. Nem tinham urinóis para os bacanos, pelo que rapidamente os cantos das coisas ficaram cheios de urina humana.

    Comemos um kebab hiperfacturado e um maravilhoso croquete de queijo.

    Entretanto vimos alguns concertos, mas o nosso foco principal era a Caroline Polacheck. A rapariga tem uma voz extraordinária, e as suas danças estranhas encantaram-me, mas por essa altura eu já estava muito cansada. Assim que ela terminou o album e passou para outras músicas novas decidimos ir comer mais croquetes e partir.

    Foi uma noite muito bem passada, e felizmente que estava tudo bem organizado.

  • Festival Iminente 2018

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    Festival Iminente
    Música
    Fui convencida a ir este festival, atraída pela presença da coisa musical que mais gosto no momento, que é o Conan Osiris. Este festival decorreu no outro fim de semana, num lugar misterioso para muitos mas que entretanto se tornou no "hub criativo" do Vhils.
     
    Que, por sinal, detesto tanto em conceito como em execução, mas deixem estar.
     
    Ora, este local é o Panorâmico de Monsanto, antigo restaurante que - falido - deu lugar a um ponto de encontro de mitra pintora no geral, que decorou as paredes com a sua melhor arte, por vezes muito bonita, muitas vezes muito doentia. Vhils fez o "excelente"  trabalho de depurar tudo e fazer o lugar um sítio seguro, sem cantos escuros a cheirar a xixi e cheio de arte bonita, filosófica e altamente produzida, que de streetart só tem a característica de estar numa parede. Portanto, gosto de algumas coisas que estão pelo pequeno recinto, mas o ver as grandes produções da arte urbana deixa-me doente.
     
    O lugar era bastante pequeno e a oferta musical um pouco apertada, apesar de variada. Esperava que o festival tivesse mais actividades para além da música, pelo que depois dos concertos que queríamos ver ficámos todos um pouco perdidos sobre o que fazer.- Deu-se a conclusão de irmos embora mais cedo, perdendo assim o espectáculo surpresa protagonizado por Fat Boy Slim! AAAAAAAAAAAAAAAAAAA
     
    Vimos os dois primeiros concertos do palco exterior (o da cave era claustrofóbico e agonizante) . Conan Osiris foi o primeiro e, sem dúvida, um nome para tomar atenção. Um concerto cheio de energia e danças bizarras, com uma potência na palavra e na acção, com um sentimento estranho de pertença e afastamento ao mesmo tempo. A presença em palco de quem nem tem um album oficial é surpreendente e a resposta aos desafios do artista sempre mais exigente, o que fez com que o concerto fosse uma experiência brutal de dança e agressividade concordante nas letras das músicas.
     
    O segundo foi o Bonga, um concerto muito divertido porque o próprio senhor é muito divertido. Com o seu reco-reco mágico, pôs toda a gente sob o efeito dos venenos da tarântula, em que a impossibilidade de nos pararmos de mexer estava igualada à vontade de praticar uma maior expansão corporal, vocal e - diria mesmo - mental. A disponibilidade do senhor para nos aturar motivava a que o público se sentisse em casa, na casa do Bonga.
     
    Depois fomos comer um cachorro. Zona de alimentação bastante bem feita, com muita variedade e muita variedade vegetariana. Um pouco demorado, é verdade, mas um lugar agradável para comer.
     
    Um festival engraçado, com uma boa oferta, embora a filosofia por trás da ideia seja um pouco torta demais para o meu gosto. A voltar.

  • NOS Primavera Sound 2017

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    NOS Primavera Sound 2017
    Festival de Música
    Quando saiu a notícia de que o Aphex Twin tocaria em Portugal, no Porto, no festival Primavera Sound, eu soube imediatamente que não poderia perder a oportunidade de o ver. Afinal, esteve desaparecido durante anos e pode voltar a desaparecer a qualquer momento! Mas, colocou-se imediatamente um problema: festival começava na quinta... E na quinta-feira é dia de trabalho! Assim, decidi ir apenas no Sábado, que era precisamente o dia do concerto que mais queria ver. :)

    Tentei arranjar umas viagens de avião, daquelas por dez euros, mas já não estavam disponíveis. Portanto, parti no comboio das nove da manhã, ao lado de um fulano que ia a ver coisas no computador com os fones, impedindo-me de sair do meu lugar junto da janela para fazer alguma coisa (como experimentar as fantásticas casas de banho do comboio ou ir à mala apanhar o meu lanche da manhã). Fui depois para a estação de S. Bento, pois o AirBNB que havíamos alugado em conjunto (eu, o Qui e mais quatro amigos) era nessa zona.

    Deixando as malas na residência, constatava-se que fazia parte de estranho edifício. Era no quarto andar, sem elevador, sem comunicador para abrir a porta da rua e, para chegarmos ao apartamento que nos competia, tínhamos de passar pelo meio das casas das outras pessoas: o corredor do prédio era também o hall de entrada dos apartamentos. A casa era idosa, com condições precárias, apesar de ter uma cama confortável. A cozinha horrorosa, a casa de banho toda peluda. Mas talvez ffosse porque já tinha estado habitada pelos gremlins nos dois dias anteriores.

    Depois fomos para o recinto do festival. Fomos de Uber, que nos levou até uma entrada toda catita com meninas da Uber a receber-nos. Utilizámos este meio de transporte porque um amigo precisava de levar uma mala, que deixou no bengaleiro. Mas eu e o Qui não entrámos logo no festival. Antes disso, estivemos a apanhar sol junto da praia. Só depois troquei o meu bilhete por uma catita pulseira roxa e rosa e por um cartão de plástico. Os dois juntos permitiam acesso permanente até às três da manhã ao festival. Os dois separados não serviam de nada. Perdesse-se um, já não se entrava.

    No primeiro dia, as sandes que o Qui tinha levado haviam sido retidos pelos cops. No entanto, a minha garrafa de água, através dos meus truques altamente simpáticos de, simplesmente, ser brutalmente honesta e dar a água à senhora, entrou pacificamente.

    O espaço, o Parque da Cidade, é muito bonito e cheio de relva. Tudo estava muito bem organizado, existindo uma série de palcos que, estando todos muito junto uns dos outros, não interferiam em nada na apreciação dos concertos que estavam a decorrer. Ofereceram-nos uns sacos muito jeitosos com  toalhas de piquenique lá dentro, o que tornava o acto de sentar muito agradável. Claro que isso não impedi que eu fosse brutalmente mordida por pulgas, ao longo de ambos meus pés...

    O primeiro concerto que vimos foi o da Elza Soares. Já apanhámos a meio. A senhora estava sentada num trono, mas ainda assim tinha uma presença em palco invejável. Não conhecia bem, mas fiquei a adorar as músicas, a voz, tudo poderosíssimo. As ideias, os conceitos, tudo isto com uma perspectiva antiga: uma espécie de proto-funk que saiu das ruas para dizer a verdade da forma mais brutal e crua possível. Ela ainda fez um encore, coisa rara, e nunca soubemos a solução do mistério: afinal, como é que ela vai sair dali?


    Depois fomos explorar e jantar algo. Havia muitas opções de comida, não especialmente baratas e escolhi o lado vegetariano da vida, comendo um caril de grão que estava mesmo muito óptimo. Entretanto, o Qui havia-me revelado o segredo de que além de jola sobrevalorizada este festival vendia bebidas brancas ao mesmo preço da jola sobrevalorizada. Isto foi óptimo, porque poupei imenso dinheiro bebendo muito devagarinho e tive de ir muito menos vezes à casa de banho. Tinham o sistema de pagar uma caução pelo copo, que depois poderia ser devolvido ou, o que fizemos, levado para casa como recordação. Quanto às casas de banho, que estávamos a falar de xixi, eram aceitáveis, perdendo a qualidade à medida que a noite ia progredindo. Vi cenas estranhas, como branca no meio dos cagalhões. A parte que mais me espantou pela positiva foi o facto de  amaior parte das casas de banho eram unissexo. Apesar de tudo, isto continua a ser incompreensível para as pessoas em geral, porque havia uma fila masculina e uma fila feminina. Revoltou-me grandemente!

    Andámos por aqui e por ali e depois vimos Death Grips. Tinha ficado a conhecer esta banda nos dias anteriores, mas adorei o concerto. Se bem que foi um concerto diferente... Já me doía os pés, portanto sentei-me e apenas ouvi o concerto. E foi brutal. Um hip-hop cheio de core, violento, cheio de dicas que à primeira vista não passam de ruído mas que, à medida que nos vamos envolvendo na sonoridade hipnótica, começam a fazer um sentido profundo e visceral. Entretanto havia descoberto que se me transformasse num calhau as pessoas perdiam a tendência de ir contra mim, coisa que me causa pânico nos concertos. Portanto, passei o resto do festival perspectivada como um calhau. :)


    Depois fomos para o palco principal, onde vimos Metronomy. Achei uma parvoíce de banda, um pseudo-indie cheio de estilo que não tinha conteúdo nenhum. De seguida vimos Japandroids, mas não me cativou e portanto nem vi com atenção.

    Até que foi momento, momento final, momento brilhante, momento de ver o Aphex Twin. Como descrever este concerto? Foi uma brutalidade, foi um exercício de resistência física e emocional, mas foi sobretudo uma experiência transcendental plena de detalhes que até agora estou a tentar compreender. Não o podíamos ver, ao artista, escondido na sombra, disfarçado pela luz que o rodeava. E os ecrãs, muitos ecrãs, mostravam as imagens mais improváveis: nós. O público aparecia nos ecrãs, com as suas imagens mutadas em milhões de padrões e cores. Enquanto isso, luzes e lasers levavam-nos para um planeta tão orgânico como puramente digital. Mas um digital defeituoso, um computador viral. Porque o som, por vezes calmo, transmitia sempre uma sequência de nervosismo. Samples do próprio, samples do próprio disfarçado de outra pessoa, samples de amigos, nada de famoso, nada de histérico. Ainda assim, uma sequência autobiográfica e contemplativa que, junto com as imagens, ironizava todo o contexto, gozando connosco (tantas imagens dos palhaços de Portugal!) e também com ele próprio. De resto, foram duas horas a fritar ovos. E pipocas. Fritar tudo. Não parei de dançar um segundo, porque nem havia espaço para bater palmas. Seguido, seguido, cada vez mais violento, cada vez mais agressivo, um animal selvagem que se dirigia para nós para nos comer o cérebro às fatias, um ácido que entrou nas nossas mentes deixando-as em papa e, após recuperação, cheias de imagens subliminares.

    Foi a melhor experiência musical que tive nos últimos anos.



    Depois, voltámos de autocarro. Não sabia em que posição haveria de me meter, porque me doía tudo xD

    No dia seguinte arrumámos tudo, deixámos as nossas malas num bengaleiro público que também era uma loja de souvenires e fomos almoçar. No dia anterior havíamos descoberto um restaurante com pizzas caseiras baratíssimas e lá voltámos. Depois fomos passear pelas lojas hipsters do Porto, o que foi uma situação horrorosa, porque tudo o que eu queria era estar sentada a apanhar sol, em vez de estar a ver coisas demasiado caras para serem coerentes.

    Voltámos no comboio das sete. Adormeci.

    Agora estou aqui. Ainda estou a pensar.
  • 22º Super Bock Super Rock

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    22º Super Bock Super Rock
    (Sábado)
    Festival de Música
     
    Depois de todas as actividades que tinham acontecido ao longo da semana, o culminar foi visitar, mais uma vez, este festival de música, por forma a assistir a um pouco de hip-hop.
     
    História curiosa se passou com o processo de adquirir os bilhetes. Sendo o dia do hip-hop, estávamos calmos e pouco concentrados, pois nunca perspectivámos que os bilhetes esgotassem. No entanto, no dia anterior ao que havíamos combinado para os ir comprar, o Qui envia-me uma mensagem muito triste, dizendo que esgotaram! D: Mas como? O quê? Quando? Porquê? Nooon ;_____; Já ia eu a correr para casa para ver os sites e páginas de compra e venda de bilhetes, quando me lembro de passar na Fnac mais próxima a ver se ainda conseguia arranjar um. E aí, o Qui liga-me de novo: afinal os Correios ainda tinham bilhetes! E eu na Fnac, a ver todas as pessoas à minha frente a comprarem as suas entradas para o festival e a pensar... "É desta que vão comprar o último!". Mas não. Consegui um para mim também :)
     
    Mas regressemos à nossa aventura!
     
    Depois de me transportar da Quinta das Conchas, onde tinha estado no Picnic Bookcrossing (tinha torcado de roupa lá, pela t-shirt que comprei no picnic e leggings e sapatos confortáveis), comecei a reparar que o metro ia cheio de pessoas que claramente iam para o festival. Mas estranhavam-me essas pessoas. Estavam todas tão bem arranjadas, cheias de saltos altos e colares. Havia uma rapariga toda borbulhosa que ia com os pés em cima do banco da frente, como se fosse mais especial que as outras pessoas. As pessoas, no geral, começaram a perturbar-me. Isso acabou por ter consequências, que veremos de seguida.
     
    Depois de me transportar até ao Parque das Nações, encontrei-me com o Qui e amigos, sendo que depois fizemos uma caminhada heróica até ao carro, onde deixei a minha mochila e preparei uma sub-mochila apenas com os objectos essenciais. Chegando ao recito, começamos a procurar outros amigos, que encontramos imediatamente olhando para uma banca de comida. Achamos boa ideia apostar num kebab vegetariano e ficamos logo por ali. Infelizmente, o kebab saiu frustrado pois, por um exorbitante preço de 4,5€, nos forneceram um wrap com alface, tomate, cenoura e queijo ralado. Nem um falafel para amostra!

    Atrasei-me tanto que não pudemos ver dois concertos que queríamos, Kelala e Capicua. Na verdade, nem sequer vimos nada do recinto este ano, porque fomos logo para dentro do pavilhão, onde iriam começar os concertos mais importantes da noite.

    Entretanto, fomos adquirir cervejas diversas. Descobrimos que teríamos de pagar uma caução de dois euros para obter um copo de plástico que poderia ser reutilizado todas as vezes que quiséssemos. De certa forma, isto é uma boa ideia, porque nos devolveriam o dinheiro no fim (no nosso caso, ficámos com os copos) e porque é amigo do planeta, sendo que se produz muito menos lixo e resíduos. No entanto, teria sido boa ideia avisarem disto com antecedência, para uma pessoa ir correctamente preparada e motivada... Zanguei-me com o Qui porque ele me trouxe um copo miniatura, quando eu queria um grande como as outras pessoas. O preço era o mesmo e, afinal, foi fácil bastante pedir para trocarem o meu copo bebé por um copo crescido. :)

    Mas comecemos os concertos. Acabámos por ver apenas três, mas foram todos excelentes! O primeiro foi

    Orelha Negra
     
    Sam the Kid apresenta um novo projecto: uma banda e dois DJs. Porque não? Com uma batida poderosa e um baixo muito melódico, ouvimos uma remistura de samples improváveis, muitos dos quais aparentavamaté ter sido gravados propositadamente para que estes sons fossem criados. Eu já conhecia bem a banda, mas o concerto nunca deixou de me surpreender pela energia que transmitiu, muito positiva.

    De La Soul
     
    Contextualizando esta banda, digamos que aparecem em oposição a todo aquele hip hop agressivo de pessoas com armas. São um hip hop feliz e bem antigo. Não os conhecia e, antes do concerto, decidi explorar um pouco os seus álbums para ficar a saber melhor. No entanto, só encontrei disponível para download o álbum de 1989, 3 Feet High and Rising. Que adorei, sendo que estava mesmo ansiosa por este concerto para ouvir alguns sons deliciosos deste disco.
    Mas, para meu grande azar, o trio decidiu-se por tocar todo o tipo de coisas menos aquelas que eu sabia. Foi um grande desapontamento. Para além disso, pareciam estar bastante aborrecidos com o público, sempre dizendo coisas relativas à sua juventude, aos telemóveis em pé e outros elementos que devem chatear uma pessoa quando está num palco. Na verdade, até tinham uma certa razão: quando a camera se focava na fila da frente, era só pitas todas arranjadas e maquilhadas com ar de que iam cair de aborrecimento a qualquer momento. Só faltava adormecerem e babarem-se.
     
    Percebo que os De La Soul se tenham chateado.
     
    Outro assunto relativo a este concerto foi a qualidade do som. Os vocais nas músicas eram muito pouco claros e a produção do espectáculo parecia muito mal cuidada. Assim, foi um concerto que ficou muito imperceptível.


    Kendrick Lamar
     
    No intervalo, aproveitámos para ir ao banheiro e comprar mais bebidas diversas. Estávamos a ir para o local original onde estávamos, do lado direito, tudo muito calmo, quando um dos nossos amigos se lança em passo rápido para o lado oposto, para ir ter com outras pessoas. E fomos atrás dele. De repente, eu e o Qui estamos perdidos de toda a gente, rodeados de pessoas por todos os lados. E eu devo ter um atractivo qualquer, porque num concerto toda a gente (toda a gente!) decide que é por mim que têm de passar para ri em qualquer direcção. Então, toda a gente (toda a gente!) me estava a dar encontrões. Tentamos ir até à régie, porque é um lugar um pouco mais calmo, mas sem sucesso. Quando concerto começa e se acendem as luzes... Pânico. Entro em pânico. Não consigo estar ali, começo a ficar com falta de ar, e no meio da confusão nem conseguia dizer ao Qui que precisava sair daquele local. Mas conseguimos.

    No entanto, no novo local em que estamos, não consigo ver nem o palco nem o ecrã. Apesar de estarmos encostados à parede e eu ter o Qui a proteger-me, continuo a levar encontrões e fortes pisadelas. A qualidade do som era tal que, sem associação à imagem (que não conseguia ver) só consegui identificar uma única música. E eu conheço bem o artista! À minha volta, só ruído. Cada vez que havia uma pausa, gritavam todos PORTUGAL ou CRISTIANO RONALDO e eu não estava a perceber porquê, nem o que tinha aquilo a ver com o concerto que deveríamos estar a ver.

    Não conseguia ouvir as letras decentemente, o beat estava todo baralhado. Não vi nada do concerto e só gritava quando os outros gritavam. Ter visto o concerto de frente ou de costas teria sido exactamente a mesma coisa. Foi completamente incompreensível para mim, apesar de a maioria das pessoas ter percebido tudo (talvez porque não tivessem milhões de cabeças altamente penteadas a tapar a vista)

    Fiquei muito triste, porque de todos este era o concerto que queria ver mais e não consegui perceber nada. :( Restam os vídeos do concerto, mas não é a mesma coisa. Senti que o dinheiro do bilhete foi, essencialmente, deitado ao lixo.


    Depois, saímos do recinto e descobrimos que, mais uma vez, nos havíamos perdido das pessoas. Quando os reencontrámos, caminhámos até ao carro e, nele, adormeci.

    Conclusão: espero que o Kendrick volte a Portugal um dia destes, para eu poder ir ver. Já que não vi.

    Uma tristeza para mim.
  • 21º Super Bock Super Rock

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    21º Super Bock Super Rock
    (Quinta e Sexta-Feira)
    Festival de Música
     
    Começa a época alta dos festivais de música. Este ano não estava muito motivada. O mais perfeito era no Porto e não era conveniente lá ir e de resto não vi nenhum cartaz altamente aprazível que me dissesse "tens de ir a este festival sem falta". De alguma forma, lá fui convencida pelo Qui a ouvir Blur para depois ir ver. Entretanto, a minha mãe ficou sem companhia para ir ver o Sting e, portanto, fui com ela. Segue-se então o relato das aventuras.

    Quinta-Feira
     
    Tinha ido a uma entrevista na Margem Sul, de onde imediatamante me dirigi para o recinto. Após atribulada viagem de metro, chego ao local, onde está uma multidão de seres humanos numa fila, aparentemente esperando trocar bilhetes por pulseiras. Aí aguardo pela chegada da minha mãe (doravante conhecida por Minha Mãe) e da amiga dela, que também é prima (doravante conhecida por Rosarinho). Comi um gelado estranhíssimo à porta: dizia que tinha sabor a marshmellow, mas tinha uns veios amarelos.
     
    Enfim, entramos e vemos mais ou menos o espaço. De um lado está o Pavilhão Atlântico (agora chama-se Meo Arena, mas eu continuo a chamar-lhe assim), à sua frente um pequeníssimo palco, o Palco Antena 3. Do lado esquerdo passamos por tendas alimentares diversas e debaixo da pala do Pavilhão de Portugal está outro palco, o Palco EDP. No Pavilhão de Portugal está uma exposição sobre o festival e passando por umas portinhas maléficas vamos ter a um jogo de reciclagem, casas de banho e outras comidas.

    Bem, o espaço estava catita. Uma enorme quantidade de caixotes do lixo, incluindo amarelos para coisas de plástico, impedia que o chão estivesse impróprio para sentar. Fazia falta algum ponto verde, um bocadinho de clorofila. Apesar de não estar cheio e de, por isso, haver bastante espaço, senti que o local era muito pequeno e em nada comparável à dimensão normal de um festival de música. A parte melhor é que as casas de banho eram bastantes e normalmente estavam aceitáveis. E com papel! Yay!

    Dirigimo-nos então para o Palco EDP para ver Perfume Genius. Era a única coisa que queria mesmo ver neste dia, porque é uma música realmente bonita e muito sentida. Apesar de o concerto ter tido alguns problemas de som no início (que se vieram a prolongar durante todo o festival), o jovem Perfume Genius decidiu usar esse tempo para distribuir abraços pelas pessoas. Depois, o concerto foi lindíssimo, muito emotivo. Ele parecia estar realmente feliz por estar ali, apesar da sua constante depressão. A Minha Mãe manifestou desejos de o adoptar para fazer companhia à minha avó.


    A pouca distância do fim do concerto, decidimos comer. Fomos ao Psicológico, a roulotte de hamburgueres que me tem salvado frequentemente, mas não fomos muito bem servidas, o burguer estava frio e meio cru e era tudo meio horrível. 

    Depois fomos para o Palco Antena 3 para ver o PZ. Foi um concerto bem divertido! Apresentaram-se todos de pijama às riscas, o que é sempre simpático, e tocaram todos os novos sucessos, cheios de humor característico. Fiquei super feliz quando apareceu a verdadeira Cara de Chewbacca! E fiquei a conhecer alguns sons novos que nunca tinha ouvido, que também soaram muito bem. Achei curioso como tocaram os intrumentais ao vivo, com sintetizadores e guitarras.


    E, de repente, vemo-nos sem nada que fazer! A Rosarinho sugere ir ver o Noel Gallagher ao Palco principal (Palco Super Bock), mas confesso que nem vi com atenção. Acho um som bastante detestávelzinho. Assim, de quinze em quinze minutos mais ou menos, revezava-mo-nos para sairmos dos lugares no primeiro balcão que tinhamos arrebanhado e dar passeios mais ou menos longos pelo espaço. Casas de banho limpinhas, uma oferta ou outra (apanhámos uns lenços e umas bolsas de cintura), bares com bebidas mais chiques, como o gin da moda. Até que, finalmente, chega a hora do Sting!

    Sting aparece-nos com um barbão gigante que, segundo a Minha Mãe, o faz parecer ter 70 anos. Procede a cantar todos os sucessos, tanto dele como um ou outro dos Police e vejo a Minha Mãe e a Rosarinho a delirar nas suas cadeirinhas. Também eu bato palminhas. Foi um concerto muito bom! Sting tem uma grande presença de palco e tantos anos de experiência fazem com que as suas atitudes e a sua forma de puxar pelo público sejam simplesmente perfeitas! E, curioso, pensava eu que não sabia nenhuma musica e afinal sabia todas! Gente popular é assim. :)


    Saímos um pouco mais cedo para evitar a debandada e o trânsito. Tinha de descansar bastante, pois o dia seguinte seria extremamente cansativo! Vamos lá?

    Sexta-Feira
     
    Encontro-me com o Qui e fazemos (outra) atribulada viagem de metro até ao local. Desta vez não está tanta gente à porta, mas nós lá ficamos. Afinal, ainda estamos a aguardar a chegada de um outro amigo, o Gamito. Lá estamos nós falando quando somos abordados por uma pessoa muito chateada com a vida, da qual fugimos. Oferecem-me uma pulseirinha inútil no momento da fuga.

    Entramos e faço aos dois uma pequena tour. Afinal, o espaço também não é muito grande. Reparamos em como tudo está tão bem separado e dividido e, mais uma vez, na limpeza do espaço. Realmente estamos a ficar pessoas mais civilizadas, que separam o lixo. Vamos para o Palco EDP ver o poucochinho que falta de Benjamin Clementine. Por um lado, está tudo a correr bem: tudo está a começar a horas. Nós é que estamos atrasados. Não conhecia este cantor, mas gostei imenso do bocadinho do concerto que vimos. Um piano lindíssimo, uma voz maravilhosa, um concerto emocional que me deixou com curiosidade para saber mais sobre o autor.


    Dirigimo-nos para o Palco Antena 3 onde estava a dar uma coisa qualquer que já nem sei (acho que era White Haus), à qual não achei piada nenhuma. Depois fomos para o Palco Principal, onde estava a dar The Drums, banda à qual também não acho piada nenhuma e cujo concerto não convenceu. Linhas melódicas muito simples e um estilo igual a toda a gente do indie, muito sem sal. Recuperámos o sal depois de nos alimentarmos. Escolhi desta vez uma roulotte de bagels, onde mastiguei uma coisa maravilhosa com salmão fumado e queijo em paté, nham nham, quero comer outro se encontrar aquela maravilhosa roulotte.

    Seguimos para o Palco EDP, onde já iam a meio Savages. Sem dúvida o concerto revelação do festival, esta banda feminina de pós-punk colocou toda a gente aos saltos selvagens. Com uma energia inesgotável e contagiosa (até eu que estava em stand-by, a dormir uma pequena sesta acordada, estava a curtir imensamente), mostraram-nos sons inacabáveis, apesar de curtos, que falavam precisamente dos nossos sentimentos jovens em geral. Uma banda que vale a pena ouvir de novo!
     
     
    Depois aconteceu o meu pequeno drama pessoal. Eu estava mesmo a contar esta hora entre as Savages e dEUS para descansar e estar sentada sem fazer nada. É que Blur, a banda que íamos ver, era só à uma da manhã. À uma da manhã já eu estou a dormir que nem um pedregulho com musgo! Mas não descansámos. Vimos um bocadinho horrífico de uns Bombaim do não sei quê e não me interessa e depois cirandámos pela exposição do Super Bock, onde o nosso amigo se fartou de encontrar caras conhecidas nas fotografias. Encontrei um mini jardim interior maravilhoso onde queria ficar o resto do tempo, mas continuámos a nossa deslocação, admirando os vários passatempos e umas pessoas a fazerem acrobacias aquáticas com luzes neon. Realmente as coisas de que as pessoas se lembram. Enfim, eu dei o meu melhor para resistir, mas entretanto já me doíam tanto as pernas que tive mesmo de parar e descansar. Levantámos mesmo a tempo de dEUS, mas mesmo assim eu estava fora de serviço e tive de me manter junto à grade da regie, sentadinha, a descansar e a dormitar um pouco. Mais uma vez, estive em dEUS e não vi! É um estigma com esta banda (e até curto bastante deles)

    Ah sim, entretanto deram ao Qui e ao Gamito umas ceninhas luminosas que piscavam às cores e eu apoderei-me de uma e diverti-me imenso com ela, porque dava para abanar para cima e para baixo e fazer quiquiquiquiqui, que é um barulho que gosto de fazer.

    Acordo mesmo a tempo dos Blur! Devo confessar que não foi banda que me tenha fascinado à primeira audição. Não sei, não gosto da voz do gajo neste tipo de música. Gosto mais dos Gorillaz, que como é mais surreal parece-me que funciona melhor. De qualquer forma, foi um concerto bem giro, pontuado por muitas músicas novas (o album novo foi o que gostei mais). Com uma grande energia, o vocalista convenceu um público adorável a cantar todas as músicas com ele, a fazer coros e a explodir em gritos e palminhas a cada movimento. Já para o final, chamou um elemento do público para o palco, e o escolhido delirou, estava mesmo contente o jovem! Para mais, muito veio o vocalista para perto do público, empinandose no gradeamento de forma a tocar em toda a gente, se bem que era por fases... Por vezes víamos ele a gritar para que os seguranças o pusessem cá em baixo, quando parecia ao início que ele queria estar connosco. Também não se compreende o dente de ouro, que é uma visão estranha. De resto, foi um concerto muito bom e mexi-me imenso com a minha ceninha que piscava. :)


    E assim termina a nossa aventura. Cheguei a casa destruída e adormeci em três tempos, mas acho que valeu a pena. :)


  • O Sol da Caparica

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    O Sol da Caparica
    Festival de Música

    Este ano não há férias para ninguém. Bem, pelo menos para mim não há. Aliemos isso à falta de nomes interessantes nos festivais de música por aí. Queremos ir a um festival de música, ver uns concertos, beber umas jolas, comer umas scenas... Mas das duas uma: ou as bandas não têm interesse ou...  Já vimos as bandas. Se calhar até mais do que uma vez.

    Eis então que surge uma alternativa que aparenta ser bem interessante. Neste novo festival, aposta-se na música portuguesa. Também já vimos quase tudo, se calhar mais do que uma vez. Mas temos a confirmação de que é sempre divertido. Para mais, o local: Costa da Caparica. Fica mesmo ao lado de Lisboa, mesmo ao lado de Almada, em quinze minutos estamos em casa. Junte-se outro factor importantíssimo: o preço. 35€ pelo passe, 15€ a diária... Mais um desconto a quem é de Almada e compre o bilhete no posto de turismo. Está feito, é a este festival que vamos!

    Fui apenas a um dia, quinta feira, que era precisamente o dia que tinha as coisas que eu queria ver. Comecemos por falar em alguns aspectos gerais, para além da música. O Espaço tem todo o potencial de ser muito bom. Está-se à larga, tem muita relva, em todo o lado se ouvia música. Havia três palcos: o principal, o da Blitz (que era tão grande como o principal) e um de cinema. Neste último não se estava nada bem, apesar de ser muito interessante. Passaram curtas-metragens de animação vindas directamente da Monstra, mas estava tanto frio nessa noite que era muito desagradável estar ali. Não estava lá quase ninguém, parecia mesmo o cantinho dos refundidos onde os refundidos vão dar no cavalo... Atente-se também no piso. Era areia. Se ao início estava tudo bem, mais para o fim já não me aguentava em nenhuma posição, necessitando urgentemente de me colocar em posição horizontal. Frio e dores nos músculos, fiquei podre para o dia seguinte. Se tivesse ficado mesmo doente, seria uma desgraça (estou aqui sozinha no gabinete durante esta semana inteira...)

    E agora, música!

    Chegámos mesmo no finzinho do concerto da Márcia, que nada de especial tinha, pelo que fomos directamente para o palco principal. 

    Dead Combo

    Dueto de guitarras e bateria, qualquer coisa como um... Fado Rockabilly. Desde que descobri esta banda que os venho apreciando muito. As músicas são extremamente expressivas e falam por elas próprias, sem ter necessidade de letra ou voz para compreendermos aquilo que nos querem dizer. Agora que os vi ao vivo, fiquei fascinada. Isto é gente que gosta mesmo, mesmo, mesmo de tocar guitarra. A concentração aliada à felicidade de tocar um instrumento que se ama, foi muito bom ter visto isto. 

    As figuras em palco, juntamente com todo o cenário, deram um aspecto bastante intimista à coisa - apesar de estar tanta gente a ver o concerto e ainda ser de dia. Será para repetir, quiçá da próxima vez dentro de um espaço fechado.

    GNR

    Gosto desta gente, sobretudo das coisas mais antigas, porque se estão a cagar. Fazem simplesmente o que lhes apetece e o que lhes apetece é completamente errático e aleatório. Portanto, queria ver isto. Mas por alguma razão toda a gente que estava comigo se convenceu que eles iam tocar a seguir, portanto foi decidido (comigo dizendo muito baixinho "mas é agora ;__;" ) que se ia jantar. Perdemos o concerto quase todo e o restinho que vimos foi a comprar umas jolans.

    Mas falemos da comida. Havia muita variedade, desde pizzas a bifanas e farturas e todas essas coisas de festivais. Foi decidido que ficaríamos na barraquinha do sushi (sim, também havia) que era a que tinha menos fila. O ERRO. Para pagar até era rápido. Pré-pagamento. Mas e para receber a comida? Uma meia hora pelo menos ficámos à espera que fatiassem o salmão, o partissem em pedacinhos, o pusessem em forma de hambúrguer e o grelhassem, porquê, porque é que eles não trouxeram as coisas feitas de casa??? Para ser mais fresco? É um festival, não um restaurante michelin! Eu estava tão reclamona que ainda foram mal-criados e pediram para ver o meu comprovativo de pagamento, quando não o pediram a mais ninguém! Como se eu tivesse passado à frente das pessoas! Mas, convenhamos, a porcaria do hambúrguer de salmão era positivamente deliciosa.

    João Pedro Pais

    Dado que não apetece a ninguém participar num suicídio auditivo colectivo, vamos ver os filmes e apanhar um pouco de vento.

    Gabriel O Pensador

    Finalmente! Foi isto o que eu vim ver!

    A minha adolescência foi passada a ouvir, repetidamente, os mesmos álbuns, que era o que havia em CD, num tempo em que sacar um som da net era uma tortura. O "Tás a Ver" do Gabriel era um deles. Posso dizer com segurança que sei todas as músicas desse álbum de trás para a frente e de frente para trás. Qual não foi a minha felicidade quando ele tocou quase todas!

    Desde o próprio "Tás a Ver", que podia ter beneficiado de uma voz feminina como no original (e que eu cantei lá do fundo, todinha, fiquei tão contente! =D ), passando pelo "Filho da Puta", pelo "Astronauta"... Até tocou a Festa da Música, que é uma música que pouca gente por aqui percebe pelo excesso de referências ao Brasil! Todo o concerto foi mais que boa onda, com muitas piadas, muitas alegrias, muitas felicidades (o baixista ultrapassou o cancro!), até umas rimas em freestyle falando sobre a lua e sobre a água gelada das Caparicas.

    Realmente gosto muito desta personagem, parece ser um freakalhóide do surf com quem se poderia ter uma conversa civilizada. E que fala de coisas muito reais e sempre actuais.

    O concerto demorou um bocado, podíamos ver gente a fazer-lhe sinalefas para acabar cada vez que a câmara passava para o lado do palco. Mas eu adorei, porque tocaram quase todas as minhas músicas preferidas e pude cantá-las todas e dançar o groove. :)

    Buraka Som Sistema

    Por esta altura as minhas costas já estavam a dar de si. Mexi-me demais com o Pensador, andei demais em cima da areia, já não conseguia estar em posição nenhuma. Esforcei-me, isso sim. As dores musculares ficam disfarçadas quando uma pessoa se mexe. Então dancei!

    E todos sabemos que com Buraka se dança e se dança a sério! Têm uma rapariga nova a cantar. Esta também dança, é toda magrinha e energética. E isso inspira a dançar também. Não conheço muitos sons deles, mas todos os que sei gosto imenso. Confesso que até gostava de fazer uns sukitos de cosupure com sons deles, haha.

    Nota para os cumprimentos iniciais. Monte da Caparica, yeee. Charneca, yeee. Pica-pau amarelo, *silêncio*. Note-se que, ao contrário do que seria de esperar, não havia mitra maluca quase nenhuma. Em termos de segurança estava muy bueno.

    Mas enfim, passado pouco tempo cedi às dores que me consumiam e sentei-me no meio das pernas das pessoas à espera de levar um pontapé na cabeça a qualquer momento. Bateu a uma e meia e fomos embora, pelo que não conseguimos descobrir o que era o artista seguinte, um tal de DJ Branko. Contaram-nos que era música africana para dançar e dançar mesmo, mas ficámos sem saber, com exactidão, o que era exactamente.


    No geral, não há fotos nem nada. Havia muito surf, que ignorámos. A comida era boa. A cerveja estava a um preço normal de festival, com a sorte de ser Sagres e não ser nenhuma cerveja bizarra. A relva era boa. A areia era má. Gostei dos concertos. Talvez para o ano deva voltar. :)

  • 19º Super Bock Super Rock

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    19º Super Bock Super Rock
    (Sábado)
    Festival de Música

    A verdade é que eu queria muito ter ido ao Optimus Alive ver Green Day e Depeche Mode, mas estava no Porto na Central Comics Con. Então para compensar, e porque gosto bastante de Queens of the Stone Age, fui a este!

    Chegámos cedo, fomos de carro (não o meu) e descobrimos que se podia entrar no acampamento à toa. Coisa que fizémos, pois outros amigos estavam acampados. Logo no acampamento, montes de passatempos e coisas inúteis. Passatempos era o que mais tinha, o festival. É algo que me irrita um pouco, porque eu quero é ir ver os concertos. E porque me parece que os festivais se começam a perder um bocado no mundo da publicidade e são mais acerca dos patrocinadores do que da música.

    Mas enfim, uma volta dada e vimos que havia muitos sítios onde comer (que eu não aproveitei, pois nunca tive fome durante a noite toda), muitos sítios onde beber (mas apenas Super Bock), onde brincar e poucas casas de banho. Sobretudo ao pé do palco principal, não encontrei nenhuma próxima o suficiente para poder lá ir quando verdadeiramente precisei, mesmo antes do concerto que queria ver... Foi difícil, mas foi fixe à mesma. Mas antes disso ainda passámos nos outros palcos.

    Primeiro vimos um par de músicas de Surveillance na tenta electrónica. Um som cru mas bastante interessante, gostaria de explorar mais esta banda mas não encontro. No site dá para comprar a EP em formato digital pelo preço que quisermos, acho que o vou fazer porque gostei mesmo dos sons. Era só um baixo e uma bateria, mas parecia bem complexo!

    Depois seguimos para o palco secundário, onde vimos um bocado de Tara Perdida, Asterisco Cardinal Bomba Caveira e We Are Scientists.

    O primeiro, apesar de ser um culto... Bem, eu acho que nunca tinha ouvido. Não apreciei por aí além, pareceu-me tudo muito igual a si próprio. E o vocalista estava a assustar-me, porque fazia caretas!

    Os segundos, não percebi bem o que se passava com eles e também só encontrei para download a sua participação no Fnac Novos Talentos. Tenho de investigar melhor...

    Finalmente, os cientistas, era um som bem interessante, mas também não vi com atenção redobrada porque estava cansada de estar de pé: pus a minha toalhinha freak no chão e foi assim que eu passei o concerto. Já estão aqui uns albunzitos para ver o que é que é como deve ser.

    Seguimos para o palco principal. Ainda apanhamos um bocado de Gary Clark Jr., que me pareceu um pouco lamechas... Mas vamos admitir que o senhor canta muito bem, por isso também o vou explorar.

    Público começa a apinhar-se, consigo um lugarzinho ao pé da grade dos técnicos. E começa!

    Queens of the Stone Age!

    E de repente aquele momento em que "epah, eu curto bué disto, mas não me lembro de música absolutamente nenhuma apesar de as ter estado a ouvir ontem para estar preparada!" Por isso no-singing-along-for-mi. Mas fartei-me de dançar. Adoro os sons dos Queens porque são pesados e sensíveis ao mesmo tempo. É o Metal com o Indie tudo misturado, mas misturado de uma maneira excelente!

    Tiveram muitos momentos de jam, mas que não deixaram de funcionar, apesar de não terem algum objectivo. Desapontante não ter havido encore, quando estava toda a gente à espera de mais: foi curto.

    Mas fixe!

    Observem!


    Terminei o concerto bem contente!

    Depois à saída é que os senhores cops mandaram fazer um desvio brutal, quando nós só queríamos voltar para casa (fiquei na outra banda)... Isso também foi chato.

    Ah, e ao menos este ano havia mais relva no recinto, consequentando menos pó pelo ar. Melhorias, yay!

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