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  • The Wire

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    The Wire
    David Simon
    2002
    Série


    Uma das séries mais famosas de todos os tempos, e tida como uma das melhores. A verdade é que é extremamente viciante, com personagens muito cativantes e uma narrativa em várias camadas em que nada acontece como estamos à espera.

    A vida e a morte são uma constante nos bairros e nas "corners" onde se trafica a droga. Do mais miserável vendedor de hash ao barão da droga, todos têm um lugar nesta série, que caracteriza a situação do tráfico nos anos 00 em Baltimore, cidade muito afectada por este problema.

    A "escuta" (o wire) dá-nos a conhecer as estratégias dos traficantes e dos mafiosos que estão acima deles, sempre interpretados por um grupo de polícias com personalidades muito fortes. As personagens crescem, vivem a sua vida, à medida que os anos cronológicos vão passando na série, e as pequenas mudanças na caracterização, na tecnologia, são giríssimas de ver.

    A violência é seca e pouco emocional, mas assim é que deve ser, porque é uma violência profissional. Depois, mais tarde, temos um envolvimento político grande, e aí as coisas podem ficar um pouco confusas.

    De resto, foi uma série que quis ver depois de ler o Black Nerd Problems, e da qual gostei completamente.

  • Pineapple Express

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    Pineapple Express
    David Gordon Green
    Filme
    2008
    5 em 10


    Quando falamos de filmes burróides, lembramo-nos imediatamente de filmes de comédia. Este é um desses.

    Pineapple Express, para quem não estava à espera, é o nome de um tipo de erva terrestre, daquelas que faz rir muito. Dois amigos, um tipo aparentemente normal e o seu querido dealer, fumam esse ananás e logo se metem numa aventura sem precedentes, mas que não tem assim nada de tão especial que chegue a ser memorável.

    O filme sucede numa série de piadas casuais, todas relacionadas com as dorgas, com ser dorgado e com estar todo broado.

    Enfim, é um filme que tem a sua graça, mas que não fica na memória.
  • The Gentlemen

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    The Gentlemen
    Guy Ritchie
    2020
    Filme
    4 em 10


    Também apanhámos este filme na televisão.

    Um filme completamente incompreensível, que mistura alguns factores de comédia com uma forte carga de violência no mundo da droga. Pelo que entendi um barão das ervas aromáticas (daquelas) vinga-se de alguém que lhe queria vender o bizz a uma malta das seringas.

    Isto tem perseguições de bicicleta, tem metralhadoras, tem acção até dizer chega... Mas e contexto? A miríade de personagens que se sucedem não tem qualquer tipo de caracterização e apenas com um grande exercício imaginativo chegamos a perceber quem é quem.

    Por isso, não gostei nada deste filme e dou-lhe uma nota infeliz.

  • Beautiful Boy

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    Beautiful Boy
    Felix Van Groeningen
    2018
    Filme
    6 em 10


    Havia quem estivesse ansioso por este filme, pois o actor principal também participava no querido Call Me By Your Name.

    Em "Beautiful Boy" explora-se uma história (real) da relação entre pai e filho. Apesar deste filho ter sempre sido um exemplo maravilhoso, descobre-se agora que tem um vício e um prazer terríveis: as metanfetaminas. E a heroína, entre outras coisas. A espiral de decadência em que se envolve, após várias tentativas falhadas de reabilitação, é um sofrimento para o próprio e para a sua família, nomeadamente o seu pai. Este procura sempre apoiar o filho mas acaba por não conseguir compreender o vício nem o que faz o vício viciar.

    Apesar de ser uma história sobre esta relação familiar, aliás muito bem interpretada por todos os intervenientes, o filme acaba por ser uma terrífica ode ao anti-consumo, um apelo desesperado para a rejeição da droga: o filme admite que a droga não pode ser (nem deve ser!) compreendida e que os seus utilizadores devem ser imediatamente retirados da sociedade de forma a não se prejudicarem a si próprios.

    Esta análise emocional e muito doutrinadora torna o filme quase como um ralhete ao espectador, em que todos os personagens, o realizador e o resto da equipa nos dizem "as drogas são más, meu filho". E apesar de termos alguns momentos de grande qualidade, não consigo deixar de sentir que há algo de muito pessoal neste filme que não nos é dado a compreender.

    Fica pelas interpretações. Realmente, temos aqui alguém com futuro.
  • Verão Danado

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    Verão Danado
    Pedro Cabeleira
    2017
    Filme
    3 em 10

    Fomos ver este filme ao cinema aqui ao lado. Confesso que fui para este filme sem nenhuma ideia do que poderia ser. O resultado foi puro ódio.

    Quando falamos do cinema português emergente, não será pouco natural que muitos de nós não tenham uma referência evidente. Portanto, este filme surge como uma nova corrente no cinema nacional, que não deve ser ignorada. No entanto, se vamos fazer uma coisa, convém fazê-la como deve ser. E o jovem realizador não o consegue fazer. A culpa não está no valor de produção, não. A culpa está na soberba de se imaginar que as pessoas poderiam ter qualquer tipo de interesse neste tipo de história.

    Porque este tipo de história acaba por não ser história nenhum. As imagens do campo e da vida familiar do início são ignoradas para viajarmos até Lisboa, lugar onde um grupo de jovens dedica seus dias e noites a grandes festas e ao consumo exacerbado de drogas, com todas as coisas boas que isso traz à vida. O problema aqui é que o autor aparenta querer mostrar-nos todas as trips que teve e como ele e os amigos se divertem, preferindo uma sucessão de festas e bacanais (nem eu sei onde são estas festas, eu já não devo ter idade) a uma narrativa sólida e baseada no desenvolvimento da personagem.

    Existem demasiados elementos que são referidos para depois serem abandonados (a tosse, a namorada, aquele pessoal do início, etc.) e os actores parecem não saber o que é suposto fazer. Não duvidava nada que estivessem realmente todos broados. Nem sequer se dão ao trabalho de disfarçar o facto de que não tinham localizações suficientes para filmar, sendo que muitos dos lugares são reciclados da forma mais evidente possível.

    Para ver pessoal broado, prefiro ter eu a broa do que estar no cinema durante duas horas infindáveis a ver uma criançada sem contexto, história ou caracterização a foder a marmita.

  • Half Baked

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    Half Baked
    Tamra Davis
    1998
    Filme
    6 em 10

    Depois do Iberanime, fomos ver um filme. Estávamos numa de comédia, portanto o Qui escolheu este, cujo tema principal é a broa.

    Um grupo de gajos (broados) apanha broas. Quando um deles é preso por assassinar um cavalo diabético, os outros decidem que precisam de ganhar dinheiro para lhe pagar a fiança. Então, começam a vender marijuana e a ficar cada vez mais broados. No entanto, um deles conhece uma rapariga que é straight edge e quer conquistá-la. O que fazer?

    É um filme nostálgico e muito engraçado. Este pessoal tem grandes trips depois de fumar o que quer que seja, o que é muito cómico: nada faz grande sentido e não precisa de todo de fazer. Temos uma grande mistura de cores e os actores fazem um bom trabalho, apesar de uma evidente inexperiência.

    Os diálogos não são nada de especial, mas os actores imprimem-lhe uma grande personalidade, apesar de um pouco estereotipada.

    Um filme bom para relaxar.

  • T2 Trainspotting

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    T2 Trainspotting
    Danny Boyle
    2017
    Filme
    6 em 10

    Lembram-se do Trainspotting? Fomos ao cinema ver um pouco mais de comboios ;)

    Vinte anos depois, todos os nossos amigos estão mais velhos, as vidas de todos estão diferentes. Quando Renton volta para os seus, há um misto de desejo de vingança e amizade. E, claro, um regresso às falcatruas de sempre.

    Este é um filme nostálgico, em que um grupo de pessoas dos seus 40 anos observa o seu passado enquanto consumidores de droga e contempla o que poderiam ter feito melhor, como se divertiram na altura, como mudaram, o que podem fazer agora. É um tema, por vezes, difícil e um pouco desconfrotável, mas este filme faz uma avaliação simples, com a oposição do regresso à droga pela parte de uns e da saída dela pela parte de outros.

    A narrativa é muito simples e, curiosamente, não demonstra grande evolução dos personagens, apesar de se terem passado estes anos todos. Existem referências constantes ao filme anterior, incluindo flashbacks com as suas imagens, que achei um pouco desnecessárias. Da mesma maneira, a forma como tudo estava filmado (com muitas pausas e slow-motions) acabou por se tornar um pouco cansativa. 

    Este filme não é tão focado na comédia e no absurdo como o anterior, mas também tem os seus momentos. Talvez a parte mais curiosa seja a banda sonora que, actualizada com os nossos tempos, continua igualmente eclética.

    Também a referência a todas as novas tecnologias e o novo "choose life" dão muita força ao filme.

    Não gostei tanto como o anterior, por isso lhe dei uma nota mais baixa, mas ainda assim valeu a pena ir vê-lo ao cinema.

  • Sicario

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    Sicario
    Dennis Villeneuve
    2015
    Filme
    6 em 10

    Às vezes sabe bem ver um filme de acção, sobretudo quando ele é bastante diferente do habitual. Sicario pega na fórmula típica dos filmes de Hollywood, mas dá-lhe uma nova perspectiva, bastante refrescante.

    Uma mulher pertencente à SWAT é escalada para lutar contra os cartéis mexicanos. Começa a aperceber-se do horror que existe neste universo e como nem sempre o que ela acha que está correcto pode ser aplicado.

    O filme mostra-nos grandes momentos de violência, mas todas as cenas de acção são especialmente contidas. É raro ver uma equipa de soldados tão eficiente: tudo se passa rápido, sem vítimas desnecessárias, com método e com uma estrutura que, provavelmente, corresponde muito à realidade.

    Os personagens também têm uma dinâmica característica, mas existe entre eles uma constante desconfiança que permite a sua evolução e desenvolvimento. Mais uma vez, nem tudo o que parece certo o é, e a nossa rapariga terá de o aprender da forma mais difícil.

    Existem belas cenas de paisagem que tornam o filme um pouco menos tenso. No entanto, a banda sonora pareceu-me extremamente repetitiva e exaustiva.

    Um filme que varia perante a norma.

  • Trainspotting

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    Trainspotting
    Danny Boile
    1996
    Filme
    7 em 10
     
     Prevendo que existirá uma sequela deste filme brevemente, faria todo o sentido que eu visse (pois, na minha ignorância, ainda não o havia feito). Revelou-se uma verdadeira viagem pelo pior dos piores, o mundo do consumo de drogas pesadas em Edimburgo. Mas, como dizem, eu não gosto das drogas mas as drogas gostam de mim... É um filme, apesar de terrível, absolutamente hilariante!

    Este grupo de pessoas é viciado em cavalo, o que seria óptimo se a probabilidade de morte não fosse muito elevada. A forma como estas pessoas se tripam com tudo e fazem uma série de coisas aparentemente divertidas, quase torna o filme numa glorificação do consumo de heroína. Isto é: quase que parece uma óptima ideia consumi-la.

    Mas, à medida que o filme progride, vamos vendo um pouco da decadência envolvida com todas estas aventuras e começamos a perceber que, afinal, estas coisas fascinantes são todas bastante horríveis. A alucinação do filme demonstra que tudo o que pode correr mal... Corre sempre mal!

    Os diálogos são hilariantes, os actores fazem excelentes interpretações, mas o mais fascinante é toda a recriação do ambiente circundante. Também temos uma banda sonora que, feita de peças por todos conhecidas, trazem uma fortíssima carga irónica a cada cena, tornando tudo ainda mais engraçado.

    Por agora, ansiosa por ver a sequela!

  • Enter the Void

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    Enter the Void
    Gaspar Noé
    Filme
    2009
    5 em 10

    Se o primeiro filme até foi bastante simpático, este segundo foi uma experiência terrível. Gosto de filmes dignos de tripanário, mas parece-me que neste dia em que o vi... Bem, não foi o melhor dia. Não me encontrava mentalmente preparada.

    Tudo começa com um conjunto de créditos altamente epilépticos. Depois, tudo começa. Com Oscar, um dealer e adicto às mais variadas drogas, a fumar um poucochinho de DMT. Rapidamente entramos num conjunto de animações alucinadas. Mas depois Oscar morre. Mas a trip dele continua. Conhecemos a sua vida passada, os eventos traumáticos e tudo o mais, e ficamos a saber o que acontece à sua família e amigos.

    Tudo isto com muitos momentos de animação colorida e muitas cenas de sexo explícito. E muitas cenas do evento traumático, repetidas, repetidas. Música atemorizante. Grandes vistas da cidade de Tóquio por cima, pois isto se passa tudo numa Tóquio negra, neon e exasperante. E, o pior disto tudo, um truque de câmara recorrente em que ela anda à volta, gira, giratória, não para de girar.

    Todo o filme se passa na primeira pessoa. Isto é, nunca vemos o personagem principal, excepto num espelho. De resto está sempre de costas. Isto é interessante ao início, mas - misturado com o psicadelismo constante e a música tensa - acaba por ser muito cansativo. Confesso que isto girava tanto que eu já estava cheia de dores de cabeça.

    De resto, é altamente explícito em todos os temas sexuais. Como eu não tenho necessidade de ver estas coisas, acabei por me virar para o outro lado quase no fim do filme e perder estas partes essenciais. Já estava fartíssima. Porque na verdade, o filme nunca mais acaba. São quase três horas de trip, mas nem sequer é uma boa trip.

    Só lhe dou cinco porque algumas animações estão muito bem feitas. De resto, foi uma experiência para esquecer (e tinha quase a certeza que ia ter pesadelos, mas ainda bem que não tive)

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