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  • Aftersun

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    Aftersun
    Charlotte Wells
    2022
    Filme
    6 em 10


    Um pai extremamente jovem e a sua filha de 11 anos passam férias num resort nos anos 90. A filha tem uma videocamera e está a fazer uma reportagem das suas férias, e o pai parece não se estar a divertir muito. Pelo meio aparecem estranhas cenas um pouco surreais da filha em adulta a dançar numa festa, enquanto o pai - ainda jovem - também dança loucamente e ela se tenta aproximar, sem nunca lhe chegar. O que se passa aqui?

    Um filme pleno de simbolismo, que fala sobre a memória, sobre o que gostaríamos de guardar na memória, sobre o que desejaríamos que fosse a nossa memória. Apenas as coisas boas, ou gostaríamos de guardar também as discussões, os traumas, a morte?

    Apesar do seu valor simbólico, penso que este filme - triste e melancólico - se perde um pouco na sua característica slice-of-life e se estende durante um tempo demasiado longo. Poderia ser mesmo uma curta para que compreendêssemos o seu significado profundo, sem nos perdermos em detalhes que pouco acrescentam à história, que não se trata de um coming of age, mas de um exercício de luto.

    Assim, o filme acaba por empalidecer perante o que poderia ter sido.

  • Baby Reindeer

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    Baby Reindeer
    Richard Gadd
    2024
    Série


    Forte candidata a série do ano, Baby Reindeer é uma série autobiográfica protagonizada pela própria vítima dos acontecimentos.

    Um rapaz oferece um chá a uma estranha mulher que visita o bar onde trabalha. A partir daí vê-se enrolado numa trama de perseguição por esta stalker, que o apelida de "Rena Bebé", que lhe manda e-mails infinitos, chamadas infinitas, mensagens badalhocas, o persegue na rua, enfim, não o deixa em paz.

    Uma série que é também uma análise sobre o abuso sexual sobre homens, que é um tema que nunca é analisado nos media, e que por isso é muito valiosa. A stalker é verdadeiramente assustadora, e a forma como o autor lida com a situação é irresponsável e ilógica, o que torna tudo muito mais humano.

    Creio que esta série funciona como uma catarse para o autor, a admissão do seu abuso, a admissão do seu sofrimento. E isso tem muito valor. Parabéns.

  • Rain Man

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    Rain Man
    Barry Levinson
    1988
    Filme
    5 em 10


    Tom Cruise é um vendedor de carros sem escrúpulos que vê a sua grande herança desaparecer para um hospital psiquiátrico. Nesse momento descobre que tem um irmão mais velho, Dustin Hoffmann, que está no espectro do autismo e - tendo uma capacidade matemática e de memória extraordinárias - não consegue perceber as coisas simples da vida. Irá viajar com ele numa road trip e aprender a ser um bom irmão.

    Seria um filme engraçado, mas Dustin Hoffmann desta vez vai Full Retard, e o seu exagero na personagem torna-a completamente inverosímil. Também o Babbit mais novo me pareceu demasiado agressivo, demasiado convencido, demasiado sem escrúpulos, para depois a sua transformação diametral fazer um sentido lógico.

    Com este argumento e o exagero dos actores, Rain Man acaba por ser um filme de família que coloca as pessoas dentro do espectro num nível fora dos limites do razoável, o que me parece bastante injusto.

  • Dog Day Afternoon

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    Dog Day Afternoon
    Sydney Lumet
    1975
    Filme
    8 em 10


    Dois homens vão roubar um banco. No entanto um deles é muito simpático e não quer matar ninguém (Dustin Hoffmann). Vamos ficar a saber porque é que ele quer o dinheiro a meio do filme e a resposta vai surpreender TODA A GENTE.

    Um filme surpreendentemente romântico e comovente, que fala sobre os direitos queer, sobre a liberdade de sermos quem somos, e sobre até onde estamos dispostos a ir pelo verdadeiro amor. Tudo isto com muito suspense à mistura, e um grito patente sobre direitos sociais.

    Com um papel extraordinário, Hoffmann mostra-nos um homem dividido, com facetas secretas e com uma desenvoltura na personagem que é digna apenas de um grande actor. Ele suporta todo o filme, que tem os seus momentos calmos e engraçados mas também tem momentos altamente stressantes e emocionantes.

    ATTICA nunca sairá das nossas memórias enquanto este filme existir.

  • Kramer vs Kramer

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    Kramer vs Kramer
    Robert Benton
    1979
    Filme
    6 em 10


    A modos que fizemos uma maratona de Dustin Hoffmann, e de seguida irei falar sobre esses filmes.

    Começamos com Kramer vs Kramer, um filme que fala sobre o divórcio, sobre o papel da mulher na família e sobre a parentalidade. Kramer-esposa decide abandonar Kramer-esposo e o seu filho pequeno para procurar uma nova vida. Kramer-esposo não sabe o que fazer, pois tem um emprego extremamente exigente. Terá de se adaptar. Quando Kramer-esposa regressa para buscar o seu filho e lutar por ele em tribunal, o que irá fazer o Kramer-esposo?

    Este é um filme importante na sua altura, porque coloca em causa o papel do homem e da mulher no contexto familiar, fala de famílias divorciadas e de pais sozinhos enquanto educadores, e fala do homem enquanto figura paternal, o que era um tema muito pouco tocado nesta época. No entanto, creio que o filme pode ter envelhecido um pouco mal, pois este assunto - nos tempos modernos - passou a ser quase um não-assunto.

    Apesar de tudo, é um filme bonito e comovente, que nos faz tomar uma posição.

  • Look Back

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    Look Back
    Tatsuki Fujimoto
    Manga - 1 Volume
    2021
    6 em 10


    Comprei a edição portuguesa deste manga muito baratinha na Kingpin, a propósito de um passeio que fizemos no Meet anual do Re:Conquista.

    Este manga está agora na berra por causa da adaptação para filme, de que falaremos depois, e porque o autor é famosíssimo pelo seu manga Chainsaw Man.

    Este manga é uma retrospectiva do autor sobre a sua luta enquanto mangaka, colocando-se nos pés de uma personagem que não desenha muito bem mas que trabalha muito por isso, e que conhece uma rapariga hikkikomori que tem um grande talento inato para desenhar cenários. Juntas, elas vão ter um sucesso especial a desenhar manga, mas os seus caminhos irão separar-se. O autor contempla os caminhos das personagens e o sentido de perda, o sentido do que poderia ter sido feito para evitar a tragédia, o sentido do que poderia ter acontecido se tudo fosse completamente diferente, e contempla a dor do luto e a sua própria experiência com as dificuldades de ser mangaka.

    O manga é muito curtinho e tem uma mensagem forte, no entanto não me tocou especialmente, apesar de ser muito triste, já que os desenhos não são nada de extraordinário e a narrativa torna-se algo confusa na parte final, em que ficamos sem saber o que é fantasia, o que é real, e o que é desejo.

    É um manga bem intencionado, mas o talento do autor talvez se revele insuficiente para uma história tão pesada. Ainda assim, será o meu manga do ano, visto que li muito poucos.

  • They Shoot Horses, Don't They?

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     They Shoot Horses, Don't They?
    Sydney Pollack
    1969
    Filme
    7 em 10


    Onde é que eu já ouvi este título... Mas esperem, este é o filme! Depois de ler o livro, eu queria muito ver o filme, então cá estamos.

    O filme é bastante diferente do livro, pegando em diversos elementos diferentes para se focar e ignorando outros completamente. Ainda assim, não deixa de ser um fiklme excelente, que nos coloca a pensar sobre o que é a função do espectáculo, se vale tudo para o entretenimento e o próprio valor da vida humana perante o capitalismo da sociedade.

    Com cenas altamente stressantes, quer para o espectador quer para os actores, vemos os dançarinos a cair um por um até restarem apenas uns quantos. As suas quedas nem sempre são literais, podem ser emocionais, num nível mais ou menos trágico conforme o realizador nos prefere guiar.

    No fundo, um filme muito bem feito que faz jus ao livro.

    Recomendo.

  • The Lost Daughter

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    The Lost Daughter
    Mary Gillenhaal
    2021
    Filme
    6 em 10


    Sabem quando o trailer é completamente diferente do filme? Este é um desses casos.

    A filha perdida não é, então, uma história de rapto e sequestro, mas sim uma análise de personagem e um exercício de actuação bastante curioso. Uma mulher vai de férias e conhece uma família de pessoas um pouco implicativas. No dia em que uma criança dessa família se perde, a mulher vai começar a dar voltas à cabeça tentando encontrar significados para o seu passado, para as suas atitudes, e para compensar os actos anteriores em relação às suas próprias filhas.

    Apesar de ser um exercício interessante, penso que o filme falha bastante ao colocar outra actriz como a versão mais nova da personagem. Acho que teria sido mais eficiente se utilizassem a mesma actriz maquilhada, assim como o próprio exercício teria sido mais completo.

    De resto, foi bastante interessante.

  • The Whale

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    The Whale
    Darren Aronofsky
    2022
    Filme
    7 em 10


    Um estudo de personagem protagonizado pela estrela dos anos 90 caída em desgraça, Brandon Fraser.

    Ricky é obeso mórbido, e não consegue mais sair de casa. Ganha dinheiro ensinando inglês online. Tem uma amiga enfermeira que cuida dele. Tem uma filha. E mais nada.

    É um filme profundamente triste, porque nos explica como é que uma pessoa pode morrer de desgosto: através de vícios e consumos excessivos que destroem o corpo, vícios esses que foram ganhos depois de uma tragédia terrível. Também nos explica a influência negativa que a religião pode ter nas pessoas, e na consequência que isso depois traz aos outros.

    A interpretação é soberba, assim como a maquilhagem e efeitos para criar esta "baleia", triste, encalhada, causadora de nojo ao olhar menos atento. A forma como o outro olha para a baleia e vê apenas um monstro, enquanto que esta pode ter uma sensibilidade profunda desconhecida, penso que essa é a moral principal desta histórias.

    Penso que, apesar de tudo, este filme não passa do tal estudo de personagem, e que tem muito pouco a acrescentar.

  • Minari

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    Minari
    Lee Isaac Chung
    2020
    Filme
    7 em 10

    Um dos grandes vencedores dos Oscares, Minari conta-nos a história de uma família de coreanos na América. O marido deseja cumprir o seu sonho de ter uma quinta, mas será que vai tudo correr bem? E quando a avó chega da Coreia, o que se altera?

    Este é um drama familiar com um toque de originalidade mas que, apesar de tudo, não se ultrapassa. A parte muito positiva é que se mantém sempre imprevisível e de todas as formas como a história podia ser explorada, a autora escolhe sempre aquela que - sendo muito realista - é a menos esperada. Assim, este filme está constantemente a surpreender-nos.

    Apesar de tudo, não me satisfez a conclusão. Foi um filme que me deixou dividida.

  • Leave No Trace

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    Leave No Trace
    Debra Granik
    2018
    Filme
    6 em 10

    Um pai e a sua filha vivem na floresta. Estão acampados e esforçam-se por não ser encontrados de forma alguma, apagando todos os rastos e escondendo-se da melhor maneira possível. Mas um dia, terão de voltar à civilização. E agora?

    Este filme serve mais como uma análise da personagem (a do pai), sendo a narrativa quase um mecanismo para que fiquemos a conhecer esta figura e o porquê de estarem a viver na floresta. Os acontecimentos são simples e bastante previsíveis, mas isso apenas funciona para que nos seja dado a conhecer este pequeno drama familiar.

    O belo deste filme encontra-se nas paisagens e nas imagens da flora que se encontram em todas as cenas. Isto torna a viagem dos dois numa coisa muito bonita e quase emocionante, mesmo que seja sempre calma e muito lógica.

    Podemos resumir este filme como um espectáculo da natureza em que viaja uma personagem. Interessante, mas será o suficiente?
  • 3-Gatsu no Lion Season 2

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    3-Gatsu no Lion Season 2
    Shinbou Akiyuki - Shaft
    Anime - 22 Episódios
    2017
    5 em 10

    Convenhamos que eu já não tinha gostado muito da primeira season. Como gostar de um anime que se baseia no desenvolvimento das suas personagens quando estas não nos cativam nem fascinam e, por isso, não significam nada para nós?

    Esta segunda season torna os dramas infantis deste conjunto de pessoas desinteressantíssimas num melodrama trágico, uma catarse de faca e alguidar em que toda a gente resolve os seus problemas a chorar. Qualquer coisa que acontece, lá estão todos a chorar com aquelas lágrimas gordas nas suas caras redondas e gordas, todas ranhosas e com rosetas gordas nas bochechas gordas.

    No meio deste design todo gordo (penso que é para ser fofinho), o anime não deixa espaço para que as personagens se desenvolvam de forma lógica e humana. Os sofrimentos que passam são minimizados pela sua falta de contexto e pela falta de ligação que temos com elas. Passam, assim, por pouco realistas, forçados e muito exagerados, com reacções improváveis e - mais uma vez - lágrimas que não param de correr.

    Pensei ainda que nesta season se fossem focar um pouco mais no aspecto do jogo, mas foi só impressão minha.

    Estas personagens não merecem o meu amor e este anime não merece a minha boa nota.
  • Kokoro ga Sakebitagatterunda.

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    Kokoro ga Sakebitagatterunda.
    Nagai Tatsuyki - A-1 Pictures
    Anime - Filme
    2015
    6 em 10

    Trabalho de uma famosa argumentista, conhecida pelas suas histórias de angústias adolescentes, surge este filme, talvez uma tentativa para que a A-1 Pictures se renove enquanto estúdio de *animação*

    Uma menina fala sobre tudo e sobre nada e acaba por contar um segredo que não devia ter revelado. Nessa altura, é amaldiçoada por um misterioso ovo, sendo que a consequência é nunca mais poder falar. Sempre que fala, tem terríveis dores gastrointestinais. No entanto, quando chega à escola secundária, é proposto pela turma fazerem um musical na festinha do ano. Será que vão conseguir?

    Se a premissa do filme é interessante, temos um problema grande: a narrativa foca-se em demasiados personagens. Assim, acaba por se tornar um pouco difícil de distinguir a importância de cada um deles, sobretudo porque os designs escolares "realistas" tornam todos muito parecidos uns com os outros. Se nos focarmos simplesmente na história da maldição do ovo, temos um desenvolvimento lógico mas um pouco previsível, que não deixa de me comover um pouco por motivos pessoas alheios a este comentário.

    Desta feita, penso que o estúdio finalmente acertou com a sua animação. Temos cenas vívidas, com alguns momentos muito bem trabalhados e algumas cenas impressionantes, nomeadamente aquelas que envolvem o ovo. Este, é um símbolo um pouco inadequado para o contexto, mas talvez haja alguma nuance que me tenha escapado.

    Temos também uma banda sonora muito completa, que envolve adaptações de diversos standards.Isto faz com que os momentos musicais sejam muito realistas e sintamos o que as personagens e seus actores nos tentam transmitir.

    Foi um filme divertido, mas que não ultrapassa a média.
  • Toni Erdmann

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    Toni Erdmann
    Maren Ade
    2016
    Filme
    8 em 10

    Este foi um nomeado para os Óscares de filme estrangeiro e que, talvez, terá perdido por uma mera razão política. Este foi o filme mais comovente e meio esquisito que vi nos últimos tempos.

    Winfried é um velho professor de música que gosta de fazer piadas. A sua filha, Ines, trabalha numa empresa altamente competitiva e está cada vez mais afastada da sua vida familiar.A propósito de uma visita à Roménia, onde Ines está instalada, o pai fará todos os possíveis para lhe traze de volta um sorriso.

    Uma narrativa plena de espaço para o desenvolvimento pessoal das personagens, elaborada com calma e solidez, permitindo aos actores a expansão do seu trabalho. Assim, temos uma caracterização decorada com belos relevos e detalhes, como uma peça fina de doçaria tradicional que se saboreia tão rápido como imediatamente se desfaz, ficando apenas a memória do açúcar e, talvez, de uma lágrima de rir.

    Cinematografia simples mas altamente eficiente, este filme também pode funcionar como uma crítica ao mundo da alta roda empresarial, já que vemos muitos momentos desse universo. Contribuem também eles para o próprio desenvolvimento das situações e para empurrar a narrativa nos seus carris.

    Um filme maravilhoso e sorridente.

  • Awakenings

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    Awakenings
    Penny Marshall
    1997
    Filme
    7 em 10

    Um sensível filme, baseado numa história real, sobre a relação entre um médico e os seus pacientes.

    Robin Williams é Dr. Sayer, um médico neurologista a quem lhe é atribuída uma ala hospitalar em que residem doentes catatónicos. Através da observação, Sayer descobre que estas pessoas ainda possuem algum tipo de sensibilidade e experimenta novas drogas para os fazer "despertar". O paciente escolhido para os testes é Leonard Lowe, aqui Robert DeNiro. O seu despertar e o dos outros doentes é revolucionário. Agora querem recuperar todo o tempo perdido.

    Um filme que nos mostra um pouco sobre a descoberta da humanidade nos pacientes mais complexos e da humildade no médico, o detentor do saber que terá de explorar todas as possibilidades para os manter. E, neste caso, não tanto salvá-los, mas sim o mantê-los o mais confortáveis possível na sua situação. Esta perspectiva é tocante e palpável, fazendo a narrativa ir mais além do que a sua interpretação.

    Fazendo uso de imagens simples mas muito belas, tanto trágicas como familiares, e um trabalho de actor pleno de sensibilidade e cuidado, é um filme que se eleva no seu contexto e traz mesmo uma certa paz a quem o vê.
     
    Um filme que me ficará por algum tempo na memória.

  • Tully

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    Tully
    Jason Reitman
    2018
    Filme
    6 em 10

    Aclamado pela sua visão da maternidade, este é um filme preparado para uma personagem que nos mostra uma perspectiva absolutamente pavorosa dessa maravilhosa visão.

    Marlo está grávida de nove meses e tem dois filhos e um marido. Sempre em correria por causa das duas crianças e daquela que entretanto nasce, decide-se a telefonar a uma ama nocturna, que a irá ajudar a tomar conta da situação, mas apenas durante a noite.

    Surge-lhe Tully, uma rapariga toda gira e toda jovem, que faz montes de coisas na sua vida e a ensina que também ela se pode divertir enquanto mão. E a conclusão que esta personagem tira (e aquilo que me atemoriza neste filme) é que não faz mal não ter sonhos, fazer sempre as mesmas coisas, estar lá para todos e ser sempre exactamente igual.

    Esta aprendizagem da personagem principal, de boa forma interpretada por Charlize Teron, é terrivelmente triste. Isto é ainda mais exacerbado pela conclusão final que, mesmo sendo previsível, tira todo o tempero do filme.

    Estava com muita vontade de o ver e, no final, desapontou-me.

  • Captain Fantastic

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    Captain Fantastic
    Matt Ross
    Filme
    2016
    6 em 10

    Sabemos todos que existem, espalhadas pelo mundo, comunidades de pessoal hippie e freakalhóide que vivem em contacto com a natureza, educando assim as suas crianças. Este filme é precisamente sobre uma dessas famílias, um conjunto de pai, mãe e cinco crianças que vivem isolados na floresta praticando os seus talentos físicos e intelectuais através de uma educação tanto rígida como libertária.

    Mas o que acontece quando eles têm de ir ter com a cidade, com o "mundo real"? Motivados pela morte da matriarca, procuram ir ao seu funeral para a salvar de ser enterrada (já que é budista). Será que as coisas vão correr bem?

    O filme tem os seus momentos engraçados mas, no fundo, trata-se de uma história familiar em que a figura paterna é confrontada com os seus ideais em termos educativos pelos seus próprios filhos. Os seus hábitos e celebrações são diferentes, mas a pouco e pouco vão acontecendo pequenas revoltas e fica demonstrado que podem saber tudo sobre a soma de integrais mas não saber nada acerca do mundo real, do convívio com pessoas, das reacções a ter quando em determinadas situações. Assim, o filme é um pouco agridoce, pleno de momentos cómicos mas também cheio de pequenos detalhes que demonstram o quão terrífico pode ser o isolamento social.

    A história acaba por pecar um pouco devido à profusa quantidade de personagens: nem todas estão bem caracterizadas e o autor dedica-se mais a explorar os detalhes de três das crianças, quando elas são seis ao todo. As raparigas, por exemplo, ficaram bastante esquecidas.

    O final é ambíguo e acabamos por não perceber o que realmente se passou com esta família. Ficam realmente todos juntos? É apenas alucinação? De qualquer forma, a celebração final é bastante bonita.

    Um filme sobre famílias diferentes e como elas podem ter um lugar no mundo.

  • O Leitor

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    O Leitor
    Stephen Daldry
    Filme
    2008
    6 em 10

    Foi este filme que vimos em família na noite de Natal. Foi um erro, mas começando-o tivemos de o acabar. Ninguém estava à espera que aparecesse tanta gente nua.

    Este filme tem um argumento interessante, que dá uma volta muito engraçada mais à frente, mas não é especialmente bom. Com um foco demasiado intenso e bastante desnecessário em cenas de sexo e em gente a tomar banho, parece que as fizeram só para ocupar espaço. De certa forma elas caracterizam bem a relação dos dois personagens principais, mas não era preciso tantas.

    Os personagens são bastante crus, se bem que a fêmea cresce e se torna mais profunda com a continuidade do filme. No entanto não deixa de ser básica. Nem uma actriz excelente consegue fazer de uma personagem básica algo mais do que isso.

    Teve imagens bonitas mas nenhuma especialmente memorável. O mesmo para a música.

    Um filme que não é bom para ver em família na noite de Natal.
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