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  • Priscilla

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    Priscilla
    Sofia Copolla
    2023
    Filme
    7 em 10


    Por trás do famosíssimo Elvis Presley estava, invisível e desconhecida, Priscilla. Mas de onde veio ela? Este filme conta a história trágica do grooming horrível feito a uma adolescente, uma criança, essencialmente retirada dos seus pais pela maior estrela da sua geração para viver encerrada num palácio encantado, sem companhia, sem amigos, sem ninguém, forçada a ter uma imagem artificial montada pelo marido e forçada a estar lá para ele sempre que tinha vontade do que quer que fosse.

    O filme tem uma imagética saudosista terrível, como se Priscilla fosse um bibelot desse passado, como se ela fosse apenas mais um elemento decorativo. A sua libertação é um alívio, mas a forma como ela é manipulada e manietada para agradar à grande estrela, aqui caracterizada como um homem vulgar, mimado, burro - sem o glamour das suas canções, que nunca aparecem - é simplesmente nojento.

    O símbolo dos corredores, como se a personagem estivesse sempre de passagem, como se o tempo passasse por ela sem que ela tenha qualquer controlo sobre o que se passa, é muito forte. 

    Uma história que tem tanto de desconhecido como de real, e que desfaz a imagem da estrela ascendente que todos conhecemos e amamos.

  • The Virgin Suicides

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    The Virgin Suicides
    Sofia Copolla
    1999
    Filme
    8 em 10


    O que é ser uma rapariga adolescente? O que as move, o que as faz sorrir? O que as faz sofrer?

    A família Lisbon é conhecida por ser extremamente religiosa e estrita, mas as suas cinco filhas fazem sucesso por onde passam: são de uma beleza incrível. Quanto Cecilia - a mais nova - se tenta suicidar, todos à sua volta tentam compreender o que raio se terá passado, o que terá acontecido naquela família para isso acontecer. A partir daí sucedem-se momentos de libertação seguidos de contenção, que se vão acumulando até à tensão final: the virgin suicides.

    Este filme tocou-me especialmente porque me recordou a minha própria época adolescente, e a minha própria depressão adolescente. A forma como as personagens se vão alterando, enlouquecendo após um breve momento de liberdade, e culminando na desgraça está feita com muita mestria, e cativa-nos do início ao fim. 

    Também é muito interessante que o narrador esteja da perspectiva de rapazes jovens, mais jovens que as irmãs, mas que lhes ganham uma afeição à distância. A sua curiosidade pelo mundo feminino é aquilo que move o seu interesse, e acabam por tentar salvar as raparigas, tentar tirá-las da prisão emocional em que se encontram. É a análise dessa perspectiva que torna o filme tão belo e tão comovente.

    Chorei no fim.

  • The Beguiled

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    The Beguiled
    Sofia Copolla
    2017
    Filme
    5 em 10

    Vimos este filme na Lourinhã, na noite pós-evento, em que celebrámos o facto de ter sido tudo tão fixe. :) Infelizmente, o filme deixou muito a desejar.

    Eu não sou a maior conhecedora da Sofia Copolla e, por isso, esperava um filme como os outros que tinha visto dela. Afinal, este acaba por ser uma história muito simples de medo e luta pela hierarquia, o que poderia ter funcionado lindamente. Uma professora e as suas alunas vivem isoladas durante a guerra civil americana. Quando uma das meninas encontra um soldado da União ferido, à beira da morte, ajuda-o e leva-o para a escola, onde tratarão dele. Os sentimentos desenvolvem-se e todas querem alguma coisa deste homem, alguma coisa que - enquanto mulheres - só ele lhes pode dar. As consequências serão trágicas.

    Os personagens estão feitos de forma a que nenhum deles possua um mínimo traço agradável que faça com que o espectador nutra algum sentimento por eles. Como estão, a indiferença é o sentimento prevalente. Para além disso, a necessidade de todas as figuras femininas de influenciar o homem para seu próprio benefício acaba por ser uma visão bastante redutora e muito machista da situação, que se poderia ter desenvolvido de uma forma muito mais coerente.

    De resto, temos um guarda roupa que se confunde com o cenário, fazendo com que se torne difícil entender quem é quem em muitas das vezes. Efeitos especiais para cenas gore que poderiam ter sido eliminadas sem que isso afectasse a história. Uma banda sonora pouco orelhuda de que nos esquecemos rapidamente.

    Poderia salvar o filme a prestação das actrizes, se ao menos estas tivessem personagens para interpretar.

    Uma tristeza.

  • Marie Antoinette

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    Marie Antoinette
    Sofia Copolla
    Filme
    2006
    7 em 10

    Uma produção gigante. Roupas que eu não me importava de usar todos os dias. Detalhes engraçadíssimos. Um filme saboroso.

    Esta é a história da glória e queda de Maria Antonieta, rainha de França. História essa que eu conheço detalhadamente porque já vi Rose of Versailles 6 vezes. Mas nunca me cansa, apesar de não ter Oscar de Jarjayes e André. Sniff. O filme concentra bem a história, sem ocultar os detalhes mais interessantes e caracterizando cada fase da vida da Antonieta com exactidão e clareza. Os seus problemas, as suas dúvidas, os seus desejos, todos estão caracterizados.

    Kristen Dunst faz o papel da rainha e mostra-nos uma Antonieta inocente e divertida, ausente do mundo que está fora de Versailles e impossibilitada de o ver. A personagem cresce com o tempo e passa por várias fases depois de enfrentar os seus pequenos-grandes problemas do dia a dia de uma rainha.

    Música fabulosa. Adorei ver o pessoal todo maluco a bailar ao som de Siouxsie. A música dá ao filme a impressão de que é tudo uma brincadeira, e era assim a vida de Maria Antonieta. Por isso, funciona muito bem.

    As cores são fantásticas e existem imagens muito bonitas, especialmente as do campo no Trianon. A produção é capaz de ter custado mais do que a própria corte francesa, mas ainda bem, porque está muito exacta em termos históricos e dá vontade de lá viver.

    Juntamente com a vida da Rainha, este filme mostra-nos a vida na corte Francesa, o que o torna quase num documento de relato histórico.

    Não gostei muito do tom do envolvimento de Antonieta com Fersen, que foi uma coisa muito mais apaixonada (acho eu, também não estava lá) e o fim caiu um bocado mal porque dava a sensação de que o filme ainda ia continuar. Se calhar foi o canal de televisão que o cortou.

    Filme muito divertido, cheio de detalhes deliciosos.
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