• O Assassino Cego

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    O Assassino Cego
    Margaret Atwood
    2000
    Romance

    Este foi o outro livro da Margaret Atwood que recebi de empréstimo. Demorei um pouco mais a atravessá-lo, pois é bem grande e tem a sua complexidade.

    "O Assassino Cego" é o nome de uma história dentro de uma história, um livro que uma das personagens supostamente escreveu e que tem muito de fantasia. Este livro dentro do livro relata uma história de amor impossível, entre pessoas de classes sociais muito diferentes, pontuado por momentos fantásticos em planetas distantes, Zycron, Xenor, nomes estranhos. 

    A outra parte do livro, que intercala com a anterior, é o relato da vida de Iris, uma velha senhora que recorda os seus tempos áureos. Filha de um industrial poderoso, tudo se transforma com a grande depressão dos anos trinta. Assim, acaba por se casar com um outro industrial poderoso, ficando à mercê de uma sociedade muito diferente da vida que ela conhece. Acompanha-a a sua irmã Laura, uma pessoa de contornos e comportamentos estranhos que faz sempre questões pertinentes e, por vezes, assustadoras. Laura é uma personagem que é usada para debater muitos conceitos, nomeadamente aspectos sobre o divino, o que - dentro da sua estranheza - acaba por ser bastante interessante. Esta parte da narrativa é um retrato excelente da época vivida, a grande depressão e a segunda guerra mundial na perspectiva dos habitantes do Canadá, com descrições vívidas e exactas de ambientes luxuosos e também de paisagens naturais.

    No entanto, à medida que se desenrola a história, percebemos os paralelismos entre esta narrativa e "O Assassino Cego", descobrindo cada vez mais coisas ocultas sobre a vida em família de Iris e de Laura. Assim, a história fantástica acaba por ser uma espécie de reflexão sobre a história real, o que se pode tornar um pouco repetitivo em termos conceptuais. Senti que esta história fantástica, apesar de ter alguns momentos belos, se tornou bastante inconsequente dentro do contexto. Por outro lado, também não se pode dizer que funcione por si só, individualmente, pois aparenta estar incompleta, aparenta ser apenas um excerto de algo bastante maior.

    Após este livro, que já é o terceiro que leio desta autora, acho que consigo caracterizar a sua escrita, que é muito única e individualista. Atwood escreve com uma ironia muito própria, relatando um certo desapontamento para com a vida que está presente por toda a sua obra (que já li). Posso afirmar que, apesar de por vezes procurar um pouco mais de belo, gosto bastante do seu estilo e que, por isso, continuarei a ser agradada pela leitura dos seus livros :)
  • Ghost in the Shell: Arise - Alternative Architecture

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    Ghost in the Shell: Arise - Alternative Architecture
    Kazuchika Kise - Production I.G.
    Anime -10 Episódios
    2015
    6 em 10
     
    Esta é a série em que vem a culminar a recente prequela de Ghost in the Shell, Arise. Para saberem mais sobre os primeiros três filmes (ainda não vi o quarto e último), cliquem aqui. Para além disso é o primeiro anime desta season da Primavera a terminar, com apenas dez episódios.

    Como saberão, eu sou uma fã inveterada de Ghost in the Shell. Tanto que, mesmo não achando os filmes anteriores tão bom como o franchise original, escolhi o design da Major neles referido para integrar a minha lista de cosplays futuros (podem ver aqui). Para esta série tinha expectativas elevadíssimas. No entanto, não fiquei menos que desapontada. Alternative Architecture acaba por ser uma interpretação pouco feliz do tema, ignorando os elementos originais que tornavam GitS no pilar do género cyberpunk.

    Sucedem-se várias histórias que têm como tema central a criação, com os seus altos e baixos, da equipa que doravante será liderada pela Major Makoto Kusanagi. São pequenos mistérios, policiais, bastante simples e directos, sempre resolvidos por uma invasão da "rede" pela parte dos personagens, que nela descobrem o essencial para resolver o problema. Isto está de tal forma esquematizado e estereotipado que tudo acaba por ser um pouco previsível, por mais reviravoltas que existam entre os personagens. Estes são apanhados desprevenidos pela formação da equipa, tendo prestações pouco sólidas ao longo de todo o anime. Para começar, isto é uma prequela, pelo que todos deveriam ser mais jovens. Ninguém, com excepçã da Major (coisa que nem faz sentido, visto que ela é um robot) e Arakami, está mais novo. Estão todos exactamente iguais. E isso revela-se também nas suas experiências de vida. Todos têm os sentimentos que terão nas séries mais para a frente, como se tivessem vivido todas as coisas que já se passaram antes delas. Há uma grande confusão entre lealdades e traições, que acaba por ser inconsequente dentro do contexto de cada história.

    Outro aspecto que não apreciei foi o facto deste anime se ter tornado, essencialmente, numa simples série de acção. Grande parte do tempo, que poderia ter sido usado para debater elementos como a própria filosofia do universo ou o desenvolvimento dos personagens, é gasto em tiroteios, lutas de artes marciais e perseguições de carros, motas e camiões em chamas. Para mais, existe aqui tecnologia e conceitos que não existem nas sequelas, o que não faz sentido: se estamos no passado, como podem existir coisas que não existem no futuro, considerando que são mais evoluídas que estas e não relíquias perdidas no tempo?

    A animação é um ponto forte, mas na verdade não escolhi este anime para ver para observar grandes coreografias em cenas de lutas. Não há qualquer tipo de experimentação, ninguém teve coragem para pisar o risco e para fazer algo de diferente, conforme um franchise deste género mereceria. Para mais, sendo praticamente todas as cenas passadas em ambiente nocturno, as cores estão demasiado escuras e muitas vezes é difícil de perceber quem está aonde e porquê. Talvez a melhor parte da animação seja a sequência de abertura, que é sem dúvida interessante.

    Também o é a música. Fazendo uso de uma electrónica simples, mas eficiente e sólida, a banda sonora acaba por ser o único elemento que nos remete para o universo cyberpunk de que nos lembrávamos. Temos várias músicas, variadas, que insistem no mesmo tema, que acaba por ser a única relação desta série com o passado.

    Assim, temos um Ghost in the Shell insípido, que não nos faz pensar, que talvez deva ser entendido mais como uma nova versão do original e não como a pretendida prequela. Talvez seja uma série boa para uma nova geração incapaz de gerar pensamentos e debatê-los, mas continuarei sempre a recomendar o filme original e o Stand Alone Complex.


     
  • Alabardas

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    Alabardas
    José Saramago
    2014
    Romance (Inacabado)

    Este livro foi-me oferecido no Natal do ano passado pela minha caríssima irmã. Fiquei muito feliz, porque Saramago nunca é demais e, certamente, tinha curiosidade em saber o que seria esta sua obra póstuma.

    Trata-se de um romance inacabado, os três primeiros capítulos daquilo que seria a sua última obra. Aqui, apenas são introduzidos os personagens e o tema do livro. A grande questão que se levanta é "porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas". A partir daí, Saramago tencionava desenvolver uma história da qual só temos os contornos iniciais. O grande potencial deste livro revela-se logo nestes curtos capítulos, escritos com a graça, candura e ironia que caracterizam o autor. Fiquei extremanente triste quando terminou a primeira parte do livro, porque estava cheia de vontade de saber como iria continuar, o que iria acontecer, como se iria desenrolar o livro.

    Esta edição tem algumas notas do autor sobre o livro, em que ele fala do seu potencial, das suas intenções e das mudanças de título. Seguidamente, dois artigos que referem sentimentos pessoais sobre estes capítulos perdidos. Gostei bastante do primeiro, que revela um conhecimento grande sobre o autor e sobre a sua pessoa (enquanto ser humano), mas o segundo pareceu-me escusado, porque referia apenas "Conheço Artur Paz Semedo" e debitava pessoas que poderiam ter, ou não, relação com a personagem. Foi muito aborrecido.

    É um livro triste, não pelo conteúdo mas pela consequência: Saramago deixou algo inacabado. Porque é que as pessoas têm de morrer? Pela mesma razão pela qual têm de nascer, disse o Qui. Ainda assim, fiquei com lágrimas nos olhos.
  • O Zahir

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    O Zahir
    Paulo Coelho
    2005
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, num RABCK em cadeia no qual participei. Fiquei um pouco desapontada: por norma evito livros do Paulo Coelho. Houve uma época em que li bastantes e cheguei à conclusão de que este tipo de misticidade é algo que não aprecio em literatura. Apesar de tudo, decidi dar uma oportunidade ao livro. Já que mo tinham enviado, teria sido por terem gostado dele e quis saber então o que realmente tinha como conteúdo. Revelou-se um livro simples, cativante à sua maneira, com uma aura mística que é própria do autor (como me lembrava), mas que não era tão horrível como tinha pensado.

    Conta a história de um homem que é deixado pela mulher. Ele torna essa ausência num "Zahir", algo que não pode ser encontrado e pelo qual criamos uma certa obsessão. Por influência de um jovem emigrado do Cazaquistão, ele começa uma viagem de procura espiritual e emocional, na qual se livra do estigma do "Zahir" e encontra nova disponibilidade para amar.

    A escrita é simples, directa, por vezes um pouco irónica, o que acaba por ser bastante agradável. Por vezes existem passagens, mais ou menos longas, de textos que apelam à nossa espiritualidade e ao significado de vários conceitos, nomeadamente o "amor" e a "ausência do amor". Infelizmente, o livro peca pela falta de conteúdo no respeitante à caracterização dos personagens: o personagem principal aparenta ser um decalque do próprio autor, devido a todas as características (como, por exemplo, ser um autor famoso e escrever sobre os mesmos temas). Esther, a mulher que desapareceu, mantém-se como uma ausência misteriosa que acaba por pouco ou nada influênciar a viagem espiritual, que foi feita precisamente por causa dela.

    As descrições poderiam ser muito mais ricas e detalhadas, o que daria toda uma nova energia à narrativa. Senti especialmente falta disto quando viajaram pela estepe, que é um ambiente inerentemente belo e que foi pouco aproveitado.

    O autor inicia também uma espécie de crítica social da juventude, mas as situações são tão abstractas e pouco detalhadas que isto acaba por não funcionar.

    No geral, um livro simples e agradável de ler, mas que realmente não tem o conteúdo suficiente para ser considerado uma obra maior. Segundo o meu pai, isto é um sintoma permanente em todos os livros do autor.
  • 85ª Feira do Livro de Lisboa

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    85ª Feira do Livro de Lisboa

    Mais um ano que passa, mais uma Feira do Livro! Como sempre, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
    Confesso que ainda não li todos os livros que comprei na última Feira do Livro... Mas livros nunca são demais! Desta vez coloquei um limite a mim própria: 100€ ou 7 livros, o que quer que atingisse primeiro. Não atingi nenhum dos dois, para minha grande alegria. :)

    Fomos ontem, que era feriado, pelo que o espaço estava cheio de gente, uma quantidade de gente que não cabia na cabeça de ninguém. Foi um pouco difícil percorrer o espaço e ver tudo... Para mais, mais uma vez, decidi colocar as minhas melhores farpelas para ir muito linda mas (!) ignorei os sapatos. Ao fim do dia tive de os descalçar e andar pela relva só de meias, o que é uma coisa estúpida e perigosa porque nunca se sabe se há vidros partidos. Mas estava totalmente em desespero com dores nas minhas patinhas...

    Quanto à Feira em si, tinha ouvido falar que a grande diferença era que havia muito mais comida. Na verdade, não reparei muito nisso. Havia comidas bastantes, é verdade, muito mais roulottes gourmet em comparação com roulottes badalhocas. Mas nenhuma delas me chamou à atenção e estavam todas muito inflaccionadas. 5€ por uma sandes é um bocado demais... Assim, acabámos por ir jantar ao Burger King, que eu adoro e que estava mesmo ali ao lado.

    No respeitante a livros, pareceu-me haver um pouco menos de variedade. Encontrei uma revista de Ranma 1/2 num alfarrabista que ia comprar e depois desisti (o que foi um pouco má onda para o vendedor), mas fora isso poucas coisas que estivessem em bom estado, com bons preços e que fossem interessantes para mim. A quantidade de gente presente não ajudou. Tanto na Leya (ondeia comprar um livro de Coetzee e uma edição baratíssima do Dom Quixote) como na Bertrand (onde ia comprar o Matadouro 5) desisti de me colocar na caixa pela quantidade copiosa de gente que lá estava. Não tive paciência para esperar... Mas acho que vou lá voltar de propósito parta comprar aquele Dom Quixote, que é um livro que quero ter e que o meu pai apenas tem numa edição especial ilustrada que é muito pouco prática para ler (o tipo de edição que é apenas para ter na prateleira e olhar para ela)

    Enfim, o resultado final das compras foi o seguinte:

    • "A Conspiração dos Antepassados" (David Soares) --> Um autor que adoro de paixão e um livro do qual andava à procura há milénios, valeu a pena a visita à Feira só para o conseguir
    • "To Kill a Mockingbird" (Harper Lee)
    • "Barry Lyndon" (W.M. Thackerey)
    • "O Beijo da Mulher Aranha" (Manuel Puig)
    • ´"Manazuru" (Hiromi Kawakami)
    Repare-se que muitos destes livros foram comprados por sugestão o influência dessa pessoa que é o Qui. Este, vinha especialmente à procura da nova edição da Babel da colecção das "Aventuras Fantásticas", que encontrámos mas que não tinha o único livro que lhe falta (o último, a "Maldição da Múmia". Se alguém conhecer quem tenha e venda, por favor que nos avise ;) )

    Para além disso, reparámos na quantidade de pessoas que, devido a lançamentos ou outros, estavam a dar autógrafos. Desses, apenas o Nuno Markl tinha uma fila de pessoas à espera de uma assinatura. Ele parecia estar ocupado e stressado, mas bem disposto como sempre (sou fã do senhor :) ). Todos os outros, estavam sós, cheguei a ver um senhor a ler um livro, coitadinho. Vi uma autora que pertence ao BookCrossing e olhei fixamente para ela porque sabia quem ela era, mas por força das circunstâncias não tinha livro para ser assinado e decidi não fazer conversa...

    Mas bem, foi uma tarde muito bem passada! Felizmente o tempo estava nublado, não fazia demasiado calor, e correu tudo bem. Estou muito contente por ter todos estes novos livros que gosto imenso e procederei a lê-los em breve. Até ao fim do ano tenciono ter todos os meus livros físicos livros e arrumados, mas pelo meio ainda voltarei ao Kobo (não se vá estragar por falta de uso...)

    Portanto, Feira do Livro, vemo-nos para o ano! =D
  • Shinkon Gattai Godannar!!

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    Shinkon Gattai Godannar!!
    Yasuchika Nagaoka - Oriental Light and Magic
    Anime - 13 Episódios + 13 Episódios
    2003
    5 em 10

    Mais um mecha, mais um mecha com maminhas. Chega a ser cansativo, por vezes.

    Tudo começa com um casamento, sendo que depois há um ataque de uma força alienígena qualquer e os personagens principais têm de se unir para lutar contra ela. Estes robots fazem pares, pelo que os pilotos têm de ser muito amigos ou apaixonados ou ter uma relação qualquer do género. Enfim, um potencial que deixa de ser explorado p'ra que o anime se possa dedicar a um festim de apêndices ubéricos.

    A história é muito simples e baseia-se sobretudo no desenvolvimento das relações entre os personagens. Como disse anteriormente, isto é feito aos pares, pelo que temos um foco que poderia ter sido interessante nas suas relações, amizade ou amor. Infelizmente, tudo isto tem ponta curta na medida em que rapidamente o anime torna todo este desenvolvimento num lugar comum, seguindo para a exposição de um erotismo infantil que roça o ridículo.

    Dizem que este anime é uma espécie de paródia aos mechas antigos dos anos 70, mas até nesse aspecto é falho.

    A arte está desactualizada e é antiquada, mas temos algumas cenas de animação bastante memoráveis, com uma fluidez fora do comum para a época. Há um ênfase em maminhas que balançam para cima e para baixo, incluindo um robot com estas características femininas. Isto é um pouco patético, mas podemos dizer que a animação cumpre com os seus objectivos.

    Finalmente, a música. Talvez seja a melhor parte. Apesar de repetitiva, os temas recordam-me o melhor do pior de concursos como a Eurovisão, apenas com letras um pouco mais estranhas. São épicos por si só, o que acaba por funcionar muito bem dentro do contexto.

    Assim, temos mais uma série para esquecer. Pode ser que brevemente comece a ver algo memorável.

    Nota: vou ficar, provavelmente, algum tempo sem falar de anime neste espaço, pois acabo de começar uma série de longa duração. Não é antiga, mas é longa e irei demorar algum tempo a passar por ela. ;)
  • Asian Culture Party 2015

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    Asian Culture Party 2015
    Evento
    Estava com saudades de ir a um evento. Depois de falhar o Iberanime por motivos de trabalho, decidi dedicar-me a ir ao que fosse logo a seguir. Ora, no primeiro ano deste Asian Culture Party, havia ficado muito mal impressionada. No entanto, decidi dar uma segunda oportunidade a este evento, para ver se haviam melhorado os acontecimentos. Por um lado posso dizer que sim, houve melhorias bastantes! Por outro lado, alguns aspectos podem ainda ser limados. :) Mas isto não é uma crítica analítica do evento, isso é impossível! Isto é um relato das aventuras e desventuras, protagonizadas pela super-heroína EU. O meu super-poder é dar puns sem cheiro.

    Começo, antes de relatar tudo aquilo que se passou, por falar do Espaço. Já lá tinha estado num outro evento e acreditei que seria demasiado pequeno para a afluência. Aproveitaram-no de outra forma: tinhamos um rés do chão, uma espécie de cave bastante escura, onde estavam as lojas, e um primeiro andar, onde estavam os palcos (um dos quais num terraço), salas diversas e o bar. Aproveitado desta forma, passou-se precisamente o contrário: o espaço parecia um pouco grande para a quantidade de pessoas que lá estavam. Isto é bastante bom, porque eu gosto de andar à larga com o meu grande rabo. Nas horas de maior afluência, como o concurso de cosplay de Sábado e logo antes dos concertos, o espaço parecia precisamnete perfeito para a quantidade de pessoas. Ainda assim, pareceu-me estar pouca gente comparativamente a outros eventos (não consigo fazer uma analogia para o ACP anterior a que tinha ido , mas seria um bom exercício). Agora, o espaço em si, tinha muitos problemas. O principal era o calor. Não havia um único meio de climatização neste espaço enorme, sendo que fazia uma caloraça bafosa constantemente. Na sala dos workshops, sentimo-nos todos a derreter. Pessoalmente, acredito que neste fim de semana devo ter perdido pelo menos umas 500 gramas em água. Outro elemento que detestei, foi a casa de banho. Uma casa de banho, pequena, húmida, badalhoca e sem papel. Para mais, servia as vezes de vestiário, mas como a porta tinha de ficar aberta (nem faria sentido fechá-la) toda a gente ocupava o seu próprio cubículo para trocar de roupa, o que fez da ida à casa de banho - que é sempre uma aflição muito grande - um projecto de paciência, só conseguido através de exercícios de meditação.

    Mas bem, passemos a contar o que se passou em cada dia! O fim de semana começa, então por...

    Sábado

    É raro mas acontece de vez em quando: em vez de partir da minha própria casa, parti de casa do Qui. Trazia uma mochila gigante cheia de tralha necessária para passar uma noite fora do meu habitáculo. Como já conhecia o sítio do evento, não me perdi. Tinha comprado o bilhete na Fnac (onde houve muitos problemas, pois quem me atendeu foi uma estagiária que, como é compreensível, não sabia nada) e foi picado à porta, onde me deram uma pulseira verde horrorosa que mais horrorosa ficou com o contacto com a minha pele suada. A minha primeira pergunta foi: "onde é o bengaleiro?". Tinha perguntado na página do evento se esse serviço estava disponível, mas ainda agora estou à espera da resposta. Enfim, deixei lá as coisas, saquei da minha poderosa máquina (que não é minha, é do meu pai, mas foi o que se arranjou em cima da hora) e dei umas voltas. Quase de imediato encontrei pessoas fofinhas e amigas, às quais me colei qual lapa em anfetaminas.

    Mantive-me perto do palco principal. A primeira coisa que vi foi as Danças Goesas. Tinha muita curiosidade, especialmente porque conheço um senhor ligado à Casa de Goa e tinha esperança de o ver e dizer "então por aqui?" e começar uma conversa, mas ele não estava lá. Achei as danças muito fofinhas, muito ligadas à natureza e ao trabalho no campo, gostei bastante.

    Seguidamente, assisti a uma actuação dos BB5. Os corpos dançantes dançam bem, mas cada vez menos aprecio este pop asiático dançável, é o tipo de música que não me estimula de forma alguma. Mas foram danças cheias de energia, com muitos gritos do público sempre que os rapazes faziam movimentos pélvicos. Também não acho isso muito estimulante, porque já vi muito homem na minha vida a fazer movimentos pélvicos e sinto-me velha a olhar para estas pessoas, que se mexem tão bem, tão requebradas, tão cheias de articulações e músculos e tendões, sendo que eu nem sequer consigo levantar a perna para dar um roundkick a um meliante com uma motosserra.

    Finalmente, foi hora do concurso de cosplay internacional: Clara Cow's Cosplay Cup. Estava muita gente, certamente todos com grandes expectavivas, mas havia apenas quatro grupos a concorrer. Uma nota pessoal: cada vez acho menos sentido à adição de mais e mais concursos ao circuito internacional de cosplay competitivo. São coisas a mais e isso torna as participações cada vez mais escassas em cada concurso, pois evidentemente cada pessoa não pode tirar do seu tempo mais do que o essencial para poder construir um fato e uma apresentação. Acho que o universo internacional começa a ficar um pouco saturado com eventos e, numa comunidade tão pequena como a nossa, é cada vez mais difícil ter concorrentes bastantes para fazer um bom espectáculo. Enfim, adiante! Os quatro grupos tinham fatos bastante interessantes, que fotografei, com algumas apresentações divertidas e satisfatórias. O grupo vencedor tinha claramente o skit mais interessante, sendo que o runner-up poderia ter feito melhor uso da biomecânica do corpo, dependendo totalmente da piada da música de fundo. Também gostei bastante do skit de Madoka, que contava uma história interessante e original.

    Fique uma nota para o apresentador, que interagiu muito com os cosplayers (talvez até demais), perguntando-lhes detalhes sobre os fatos e permitindo que ficassem mais tempo no palco para as fotografias.

    Deixemos agora o palco principal. Fui a um workshop, dado por um dos camones que estava no juri, sobre cosplay competitivo a nível internacional. A sala que nos foi atribuída era uma espécie de banho turco mas, ignorando isso, foi uma experiência bastante interessante. O jovem falou-nos da experiência em competições internacionais, o que esperar, o que fazer, como falar com os jurados, dicas sobre como aproveitar melhor o nosso potencial e fazer algo de sucesso. Eu considero-me uma pessoa bastante informada sobre isto, mas apesar de tudo foi uma partilha valiosa de experiências e espero ter aprendido muitas coisas que possa usar quando for lá às Inglaterras fazer porcaria participar no concurso.

    Queria ver o concerto, mas doíam-me os pés por causa dos saltos altíssimos que tive a triste ideia de levar, portanto decidi ir para casa. Pelo caminho, encontrei muita gente, incluindo os juris. Perguntei-lhes se iam jurar o concurso do dia seguinte. Disseram-me que sim. Disseram-me que traduzisse o meu skit para eles poderem perceber. Foi a minha actividade nocturna.

    Domingo

    Digamos que o dia não começou muito bem. Para começar, adormeci e só acordei três quartos de hora após o previsto. Depois, deixei cair uma nódoa de iogurte no meu cosplay. A seguir a isso, reparei que a peruca me caia no último ensaio geral e pensei em por ganchos, sendo que me esqueci e acabou por ser uma tragédia (como verão). Finalmente, esqueci-me da tradução do skit e do telemóvel e ainda tive de voltar a casa.

    Mas, finalmente, cheguei. Dei uma volta pelas lojas. Os artistas, são bons artistas. Pela primeira vez, vi algumas lojas diferentes, mas vendiam coisas coreanas e isso não tem interesse para mim. Mas comprei uma mala em forma de cara de gato, cuja foto não colocarei. :)

    Andei por aqui e por ali, de vez em quando uma foto. Haruhi continua a ser uma personagem mais ou menos popular! =D Uma pessoa disse-me que adorava o anime! =D 

    Vi um concerto de instrumentos tradicionais, muito bonito, com músicas muito agradáveis, e parte do desfile de trajes. Só apanhei os chineses, mas vi as outras pessoas vestidas e são roupas muito bonitas. Achei apenas estranho estar toda a gente de ténis.

    Tinha tomado café num café que também servia refeições e pensei almoçar aí. Mas os pratos do dia não eram nada que eu comesse (sou uma omnívora selectiva), então decidi ir ao bar do evento e experimentar um soba inflaccionado, com esperança que fosse um pouco diferente dos noodles de pacote cancerígenos. Em termos de sabor e textura era exactamente igual, variava a caixa com informações em alemão e francês. Enfim, receio que tenha apanhado alguma doença com aquilo. Infelizmente, enquanto esperava para saciar as minhas fomes, decorria o desfile de cosplay. Tinha-me inscrito e, de mal a pior, esqueci-me completamente de que ele existia e quando dei por mim já estava a terminar...

    Por aqui e por ali, um calor extenuante, cansativo, pavoroso. Esperei, naquela espécie de estufa onde estava o palco, que me chamassem para poder fazer a minha cena, que era sobre os aliens. Nunca mais me chamavam e andava por ali a dançar e a fazer tempo, divertido está claro mas ainda assim com um calor medonho. Até que me dizem que... Ganhei por defeito. Não vem mais ninguém. Sou a única. Quê? Qual é a cena? Então toda a gente desistiu e ninguém me disse nada? Que treta... Perguntaram-me se queria fazer o skit à mesma ou não, eu disse que sim (evidentemente). Afinal tinha ido ali, tinha trocado o fim de semana no trabalho, tinha feito trinta por uma linha para poder fazer a cena. Claro que a ia fazer.

    Infelizmente... A peruca traiu-me. Assim que entrei no palco, começou a cair. Então a cena, que tinha piada, ficou de um cringe pavoroso, porque estava sempre a tentar endireitar a peruca. Porque raio me esqueci dos ganchos? Ainda assim, correu mais ou menos bem, as pessoas riram-se, as pessoas bateram palminhas, pude espalhar - mais uma vez - o azeite que há em todos nós. Tinha decidido fazer algo sobre o país, a gozar com todas estas coisas, porque acredito que devemos falar de política, devemos falar de azeite, para se perceber que as coisas como estão são uma merda. Acho que, talvez, se gozar com elas o pessoal não se vai esquecer que as coisas existem.

    O apresentador depois perguntou-me quanto tempo demorei a fazer o fato e o skit e porque é que o tinha feito assim. Explicarei todas essas coisas no meu Cosplay Portfolio. Se quiserem, visitem também a minha página de cosplay no Facebook, Cosplay Portfolio by ladyxzeus, e deixem um like ou outro. :)

    Ainda tinha mais dois workshops, armaduras e j-pop, para ir mas estava a sofrer tanto com o calor que.... Decidi ir embora. Para mais, os sapatos são da minha mãe e ela calça abaixo de mim, então doiam-me as unhas dos dedos dos pés, que ainda estão doridas.

    Conclusão

    Foi um evento engraçado, pequeno, mas divertido dentro dos possíveis. Infelizmente, foi um pouco difícil de o aproveitar ao máximo devido ao calor que se fazia sentir. Para a próxima, espero que melhorem o espaço. Depois do desapontamento do primeiro ano, acredito que a organização evoluiu muito com as críticas que lhes foram dadas, oferecendo-nos um evento um pouco diferente, com actividades muito variadas e, a maioria delas, muito interessantes. Portanto, para o ano, se tudo correr como previsto, lá estarei :)

    Fotografias

    E agora, a parte de que toda a gente estava à espera! Fotografias! Tenho a dizer, então, que não há! =D

    Mentira, não totalmente verdade ;)

    A máquina que eu levei é uma analógica vintage, pelo que as fotografias ainda estão todas no rolo. Daí ter dito a algumas pessoas que não podia tirar outra foto, quando a anterior teria ficado mal. Vou revelar o rolo amanhã e dentro de uns dias terei aqui as fotografias. Será que ficaram bem? O suspense! Mantenham-se ligados! ;)

    Já Cá Estão!!

    Quase duas semanas depois da ocorrência, finalmente estão reveladas as fotografias. Infelizmente para se obter uma boa fotografia analógica, mesmo com uma máquina profissional como esta do meu pai, são precisos alguns elementos. Nomeadamente:
    • Jeito para tirar fotos
    • Saber as técnicas para tirar fotos
    • Um rolo dentro do prazo de validade
    Nenhum destes elementos foi cumprido. Portanto, de 36 fotos... Aproveitam-se as seguintes:







    Caso queiram as fotos no tamanho original é só contactar. Também tenho os negativos e, por isso, poderão ser impressas se quiserem :) Desculpem lá terem ficado horribilis!
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