Tesoro
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Tesoro
Natsume Ono
Manga - 15 Capítulos/1 Volume
1998 - 2008
8 em 10
A minha experiência com Natsume Ono resume-se a duas coisas distintas. O manga not simple, de que não gostei especialmente mas cuja qualidade consigo aceitar, e o anime Ristorante Paradiso, de que gostei bastante apesar da qualidade deixar um pouco a desejar em alguns detalhes. Para a review de Ristorante Paradiso pode consultar este post. Comprei Tesoro na festa da Kingpin Books porque era o único volume solitário que aparentava estar na loja, mas neste momento sinto-me orgulhosa por possuir este trabalho. É uma edição bonita, com ilustrações no final, bem organizada e bem editada. E o conteúdo, para minha grande surpresa, não podia ser melhor.
Tesoro são histórias curtas feitas entre 1998 e 2008, alguns editados sob a forma de doujinshi anteriormente e outros nunca antes editados. Todas estas histórias, muito curtas e concisas, demonstram uma intensidade maravilhosa, atingida através de uma extrema simplicidade. São histórias sobre famílias, mas muito belas, em que a tragédia é ultrapassada pelos momentos bons da vida. São histórias para nos sentirmos bem e que nos fazem bem. Algumas são engraçadas ("come os bróculos"!), outras são um pouco mais tristes, mas no geral fizeram-me todas sentir o coração mais quente.
A arte é estranha, muito característica desta autora. À primeira vista parecem só uns rabiscos, mas numa análise mais detalhada repara-se que os designs foram concebidos com cuidado e carinho. Não existem muitos fundos, mas os que existem são muito pouco detalhados. Apesar disso, o que achei fantástico, mostram exactamente o que a autora quer mostrar, não através da imagem directa mas através do sentimento que imprimem no leitor. Isto é, "isto parece uma cadeira" em vez de "isto é uma cadeira".
Não sei o que terá acontecido à autora para gostar tanto de Italianos mas, mais uma vez, estão em todo o lado (até mesmo no título). Confesso que a minha passagem por Itália se resumiu a Roma e, apesar de me ter divertido muito (foi a primeira viagem que fiz sozinha com a minha mãe), não gostei especialmente: pareceu-me uma cidade confusa e suja e as pessoas mal-educadas e violentas. Mas Natsume Ono parece adorar e quase que me inspira a voltar a Itália para confirmar se a minha primeira impressão é real ou se é a dela a verdadeira.
Muito recomendado. Por estranhas razões, mas não posso deixar de o recomendar.
Tesoro são histórias curtas feitas entre 1998 e 2008, alguns editados sob a forma de doujinshi anteriormente e outros nunca antes editados. Todas estas histórias, muito curtas e concisas, demonstram uma intensidade maravilhosa, atingida através de uma extrema simplicidade. São histórias sobre famílias, mas muito belas, em que a tragédia é ultrapassada pelos momentos bons da vida. São histórias para nos sentirmos bem e que nos fazem bem. Algumas são engraçadas ("come os bróculos"!), outras são um pouco mais tristes, mas no geral fizeram-me todas sentir o coração mais quente.
A arte é estranha, muito característica desta autora. À primeira vista parecem só uns rabiscos, mas numa análise mais detalhada repara-se que os designs foram concebidos com cuidado e carinho. Não existem muitos fundos, mas os que existem são muito pouco detalhados. Apesar disso, o que achei fantástico, mostram exactamente o que a autora quer mostrar, não através da imagem directa mas através do sentimento que imprimem no leitor. Isto é, "isto parece uma cadeira" em vez de "isto é uma cadeira".
Não sei o que terá acontecido à autora para gostar tanto de Italianos mas, mais uma vez, estão em todo o lado (até mesmo no título). Confesso que a minha passagem por Itália se resumiu a Roma e, apesar de me ter divertido muito (foi a primeira viagem que fiz sozinha com a minha mãe), não gostei especialmente: pareceu-me uma cidade confusa e suja e as pessoas mal-educadas e violentas. Mas Natsume Ono parece adorar e quase que me inspira a voltar a Itália para confirmar se a minha primeira impressão é real ou se é a dela a verdadeira.
Muito recomendado. Por estranhas razões, mas não posso deixar de o recomendar.
By : ladyxzeus
Memórias de Sherlock Holmes III
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Memórias de Sherlock Holmes III
Sir Arthur Conan Doyle
Histórias Curtas
1894
Esta edição compila as Memórias de Sherlock Holmes em vários volumes. O terceiro, que li hoje, compreende três histórias muito curtas: O Intérprete Grego, O Ritual de Musgrave e O Escriturário da Corretagem.
Eu li muito pouco do universo Sherlockiano, resumindo-se a minha experiência a três romances: O Cão dos Baskervilles, Um Estudo em Vermelho e O Signo dos Quatro. Recordo que não gostei muito deles, não podendo colocar o dedo na ferida para saber porquê.
Depois de ler estes três pequenos contos acho que consigo perceber melhor o porquê de eu não gostar muito. A escrita, apesar de antiquada (devemos lembrar-nos sempre que isto foi concebido no século XIX), é fluída e cativante. No entanto há um excesso de descrições. Ora, faz algum sentido que uma pessoa que está absolutamente perturbada por ter sido raptada se lembre com perfeita exactidão do mobiliário da sala onde a ameaçaram? Parece-me que as informações dadas pelos clientes são demasiado completas e, por isso, demasiado convenientes para a dedução de Sherlock Holmes.
É claro que as resoluções dos casos são sempre imprevisíveis, mas parece-me também que são um pouco impossíveis de mais. Não seria imensamente mais provável que estivessem simplesmente a tentar ludibriar o escriturário em vez de lhe estarem a roubar a identidade para assaltar uma bolsa de valores?
A caracterização dos personagens ganha apenas um pouco com estas três histórias curtas. No total da obra calculo que os personagens estejam perfeitamente representados. Segundo a página da Wikipedia, assim o é.
Bem, foi bom para entreter durante duas viagens de autocarro e uma de metro.
By : ladyxzeus
Quem Matou Palomino Molero?
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Quem Matou Palomino Molero?
Mario Vargas Llosa
Romance
1986
Da mesma família de "Quem matou o António?" e "Quem matou Fernando Pessoa?", "Quem matou Palomino Molero?" é uma história da resolução de um assassinato. À primeira vista simples, a história desenrola-se com cada vez mais surpresas, demonstrando que o que parece à primeira vista pode não ser verdade. Nem o que parece à segunda vista, ou à terceira. O final, totalmente inesperado, é uma prova da genialidade do autor e, graças a ele, continua o mistério de quem terá matado Palomino Molero.
Rico em descrições frutosas, caracteriza perfeitamente a vida na pequena vila em que a história se passa, e também a própria situação social do país na época referida, com toda a pobreza mas também toda a música. Os personagens, sobretudo o agente Lituma, procedem a uma auto-análise muito coerente da sua existência e dos seus actos passados, apoiando-se nessas conclusões para evoluirem e, logo depois, para cairem em desgraça.
Llosa mostra mais uma vez que é um merecedor indiscutível do Prémio Nobel. Um livro muito curto, muito simples, com muito pouco do discurso enlouquecido que caracteriza em parte este autor. Fácil de ler. Uma perfeita iniciação para quem quer conhecer um pouco mais do autor e ainda não teve a oportunidade.
By : ladyxzeus
Um Livro Negro sobre o Portugal do Século XVII
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Um Livro Negro sobre o Portugal do Século XVII
Catarina Crespo Coelho Correia de Castro
Tese
2007
Encontrei este livro enquanto explorava as caves sinistras da Universidade Nova com os da Espherographica (se bem que, espero eu, agora também seja um deles). Havia montanhas deles todos iguais, por isso um não havia de fazer falta. Afinal, como iremos fazer com os lémures do zoo, "dá-me um... Tens tantos..." (com sotaque cigano)
Mas bem, isto não é bem um livro. É uma tese. E, sendo uma tese com quase 200 páginas, está escrito como tal e tem o seu valor. Não será um valor literário, mas sim um valor cultural pois dá-nos a oportunidade de conhecer, através de uma análise extensiva, o Portugal do Século XVII.
A análise é a de um outro livro, "Sketches of Society and Manners in Portugal", de James Ferrier, também conhecido pelo seu pseudónimo Arthur William Costigan. Esta tese explora não só a validade do pseudónimo como a vida real do autor e o que o levou a escrever um livro tão desagradável, que diz que Portugal é uma terra suja cheia de bárbaros e badalhocos que seduzem freiras. Demonstra como essa descrição está errada e compara-a com outros livros de viagem da mesma época. Também explica sobre a literatura de viagem e o que levava as pessoas a fazê-la.
Um livro que nos faz viajar de uma maneira muito técnica.
E também o livro com que me vou estrear no BookCrossing! Vou deixá-lo amanhã na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, alguém que o venha buscar! :)
By : ladyxzeus
Honey and Clover II
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Honey and Clover II
Nagai Tatsuyuki - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2006
6 em 10
Há coisas que eu não consigo explicar e há coisas que estão além da minha compreensão. São muitas, mas uma delas é "porque é que Honey and Clover é considerado uma obra-prima?" Depois desta segunda season ainda menos entendo.
A segunda season pega exactamente no sítio onde a primeira acabou. E faz uma coisa horrível logo no primeiro episódio: um recap da primeira season. Já a vi há algum tempo, mas não o suficiente para a esquecer, apesar de ter detestado. Logo isso é razão para desistir!
Entretanto, já que o personagem principal descobriu a sua existência numa viagem de bicicleta, devemos focar-nos nos poligonos amorosos. E são 12 episódios de gente a chorar. No entanto esta segunda season é um pouco superior à antecedente, pois demonstra alguns laivos de sensibilidade em certos momentos. Mas a seriedade é rapidamente interrompida por cães risonhos e outros elementos de comédia às três pancadas. Não que eu não goste dos cães, acho-os a melhor parte do anime pelo seu pensamento simples e inocente. Fossem os personagens mais como os cães e aí eu compreenderia o chamarem-lhe obra prima.
De resto, esta season é suposto concluir com a vida de estudante desta gente. Mas isso não acontece. Não há perspectivas para o futuro profissional nem pessoal. Tal como estava no início continua tudo na mesma. Ah sim, agora admitimos que gostamos todos uns dos outros, se calhar até ultrapassamos alguns problemas pessoais que nos prendiam. Mas ninguém admite nada a ninguém e as suas relações não se materializam.
Além disso há introdução de uma série de outros personagens que não estão ali a fazer nada.
Tal como na primeira season, a arte é delicada e sonhadora. A música é muito variada, mas nem por isso é especialmente boa. Superior a temporada anterior, mesmo assim é um anime que não se destaca. Talvez um dia eu tenha uma iluminação e venha a compreender.
By : ladyxzeus
Dragões de um Amanhecer Primaveril
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Dragões de um Amanhecer Primaveril
Margaret Weis
Romance Fantástico
1999
Misterioso livro encontrado no quarto da minha irmã (lembram-se do projecto? "Ler todos os livros do quarto da minha irmã") que eu não teria interesse nenhum em ler se não fizesse parte do projecto. Eu não sou uma fã muito especial de livros de fantasia. Não me interessam muito, acho a maioria deles ridículos e, em resumo, as situações apresentadas não têm pés nem cabeça apesar de se levarem absolutamente a sério,.
Estes Dragões da Primavera são o terceiro livro de uma série de 4, Dragon Lance (ou, em PT-PT, a "Lança do Dragão") Felizmente a história não é muito complicada e é simples de apanhar quem é quem e o que está a fazer no mundo apesar de não ter lido os dois livros anteriores. Talvez isto seja, na realidade, um defeito, pois é capaz de ser um pouco aborrecido para quem os leu ter de voltar atrás e aprender quem são outra vez.
O mundo está bem construído, apesar de ser um pouco ridículo. Há alguma incoerência em relação aos deuses (porque raio uma deusa quereria dominar o mundo é algo que não consegui aceitar) e também alguma simplicidade no que respeita à resolução de problemas. Isto é, por coincidência encontramos esta pessoa super-poderosa para nos salvar. Que bom. Também há algumas coisas que ficam por explicar (nomeadamente, que raio aconteceu a Raistlin) e alguns personagens que foram esquecidos e abandonados sem qualquer justificação (como a moça que tinha o barco pirata). Há muita, muita, muita gente neste livro e é também difícil de acompanhar quem é quem de vez em quando. Demasiados nomes exóticos, quer para pessoas quer para locais.
A escrita não é da melhor qualidade, mas é simples e lê-se muito bem. Mantém o interesse do início até ao fim, se formos capazes de perdoar o facto desta gente estar a lutar com dragões.
O que achei mais interessante foi, confesso, o facto de isto ter nascido de um LARP (Live Action Role Play). De vez em quando ria-me, para dentro e para fora, a imaginar um grupo de Americanos numa sala num apartamento a dizerem aquelas coisas.
By : ladyxzeus
O Piano
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O Piano
Jane Campion
Filme
1993
7 em 10
Mais um filme visto com a minha avó.
O detentor da mítica imagem do piano na praia afinal é um filme que não é sobre música. Infelizmente, ela ocupa apenas o lugar de ilustração e não é ela que faz mover a história. Eu realmente não percebi o que faz mover a história. Não é o tipo de argumento que eu goste, cheio de insinuações sexuais reprimidas e não tão reprimidas. Não compreendi o que une os apaixonados e não compreendi porque é que o verdadeiro marido era assim tão mau. Também não compreendi como pode uma criança ser tão estúpida.
No entanto a actriz faz um papel fenomenal. Fazer de pianista muda é um trabalho medonho e ela conseguiu-o fazer na perfeição. Óscar completamente merecido. A miúda também faz um grande papel, sobretudo por ser uma criancinha.
As imagens poderiam ser mais belas, todo o filme é um pouco escuro demais. É feita uma boa caracterização do universo circundante, com os detalhes nos indígenas e no entretenimento.
Nota especial também para a música, que eu em tempos soube tocar e agora já não sei. É uma banda sonora extraordinária, mas não sei se se adequa muito à época. Naquela era não se tocavam coisas destas, por mais traumatizada muda que se seja.
Um bom filme, mas sexo a mais.
By : ladyxzeus

