• Os Homens que Odeiam as Mulheres

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    Os Homens que Odeiam as Mulheres
    David Fincher
    Filme
    2011
    8 em 10

    Depois do livro, que comentei ainda há bocadinho, fiquei com uma certa vontade em ir ver o filme. Como tínhamos bilhetes grátis para o Fonte Nova e "Os Descendentes" estava esgotado fiz a minha mãe e seu esponjo irem ver este. Confesso que estava com algum medo do filme. Estava com um certo medo de que a Lisbeth Salander tivesse uma imagem completamente diferente da que eu tinha dela. Mas o filme superou todas as expectativas.

    O filme captou com exactidão todos os personagens e deu-lhes um volume emocional excepcional. A história é a mesma, com alterações em pequenos detalhes. Como um filme só pode ter duas horas e meia, e ainda assim já é muito comprido, eles cortaram alguns detalhes que davam mais vivacidade à história, nomeadamente a crise da Millenium. Também não gostei muito da solução para a Harriet Vanger, que no livro estava mais realista e mais gira. E o detalhe do caso Bjurman também me desagradou um bocadinho. No livro está mais completo e torna todo o evento muito mais hilariante.

    É um filme violento e sexual, mas não chega aos calcanhares do livro, que se pinta com requintes de malvadez.

    Extraordinários actores. Gostei sobretudo da prestação dele. Ela pode estar nomeada para Oscar, mas Lisbeth Salander não é uma personagem assim tão complicada de interpretar quando se pensa bem no assunto.

    O filme prima pelo detalhe, que confere uma nova ilustração a todo o cenário do livro.

    Um filme excelente. Mas, para mim, serviu apenas para solidificar a opinião que eu tinha sobre a obra original.
  • Casos do Beco das Sardinheiras

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    Casos do Beco das Sardinheiras
    Mário de Carvalho
    2004
    Contos

    Quando fui retirar este livro do quarto da minha irmã ela disse-me "é muito giro". Hoje fui à procura da data da primeira edição e encontrei comentários de estudantes do 10º ano a dizer que o livro era mais do que fabuloso. Mas eu... Eu... Eu... Eu não achei.

    Isto são casos de um beco em Lisboa, que pode ser na Madragoa ou em Alfama (ou quiçá em Benfica), casos insólitos de coisas estranhas e surreais que poderiam acontecer a qualquer pessoa em qualquer beco de Lisboa. Imagino que o objectivo do autor seria caracterizar a população alfacinha de forma original. Ora portantos, acontece aqui um problema. É que eu sou de Lisboa. E isto não tem nada que ver com nada.

    As histórias por si só até são engraçadas. Mas o que irrita mesmo é a forma como está escrito. É uma verdadeira seborreia verbal. Do tipo "quantas palavras originais que eu ouvi uma peixeira a dizer uma vez é que eu consigo enfiar na mesma frase?" Ora, em Benfica, nem mesmo no Mercado, não se fala assim. Em Alfama nunca ouvi ninguém a falar assim. E aquele abuso da palavra (que eu vou chamar de puta, porque passei a odiá-la) "escanifobético"... Que vá enfiar o escanifobético em qualquer lado!

    Uma irritação que este livro me causou.
  • Os Homens que Odeiam as Mulheres

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    Os Homens que Odeiam as Mulheres
    Stieg Larsson
    2005
    Policial

    Bem, vamos começar pelo livro, está bem? :)

    Eu quis ler este livro porque o título me pareceu giro e porque a minha colega Rita lá da clínica mo recomendou muito. Depois a Doutora João também o recomendou muito. Por isso peguei num cartão de oferta FNAC que eu tinha e lá fui eu! (Os outros dois volumes da trilogia comprei-os na Bertrand com um desconto de 20€ no Cartão Bertrand, do qual - por sinal - possuo duas cópias) E, devo dizer, valeu muito a pena.

    Este é um policial. Mas um policial a sério. O mistério é mantido até ao fim e é impossível de adivinhar o desfecho, até porque os próprios personagens não o sabem antes de nós. Mas o mais interessante é o nível de detalhe. Neste primeiro livro temos uma série de histórias que não estão cruzadas mas que estão relacionadas umas com as outras. A história da família Vanger, a história da revista Millenium, etc.

    Este detalhe é conseguido por uma descrição exaustiva de todos os personagens envolvidos, até os mais irrelevantes, até os figurantes. Cada personagem aparece documentado até ao menor detalhe, mas de uma maneira fácil e interessante. Todos os personagens são tão interessantes que dá vontade de saber mais sobre eles. Temos também dois personagens principais muito fortes e muito originais. Mikael Blomkvist, o jornalista caído em desgraça e Lisbeth Salander, uma anormalóide meio gótica. Lisbeth é considerada pela maioria como o móbil principal da série Millenium, mas eu não a achei assim tão especial. Talvez porque eu conheço gente como ela. No entanto, a sua personagem encerra um certo mistério e tem uma aura de "anti-herói" que nos faz gostar dela.

    De escrita fácil, sem complicações ou confusões, as ideias estão apresentadas de forma clara. As descrições são muito ricas, mas não são aborrecidas.

    Um livro excelente, até para quem (como eu) não gosta muito de policiais.
  • Mobile Suit Gundam 00

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    Mobile Suit Gundam 00
    Mizushima Seiji - Studio Sunrise
    Anime - 25 Episódios
    2007
    6 em 10

    Pois bem, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e Gundam moderniza-se. Gundam 00 é a mais recente reciclagem de UC, feita para apelar às camadas mais jovens, com robôs todos giros para comprarmos modelos e com designs todos catitas para que todos percebamos que Gundam é uma coisa toda modernaça como às outras, que não é old-school e que é fixe gostar de Gandamu.

    Quando comecei a ver isto pensei que o fosse detestar tanto como o Wing, mas a realidade é que não está nada mal (se bem que não se pode comparar com UC, de maneira nenhuma). 00 está focado na política e em organizações terroristas. Engraçado como aqui os bons da fita, os heróis, são os terroristas (mas são bonzinhos!). Existem muitas personagens diferentes que pertencem a elementos diferentes da história. Alguns interagem uns com os outros e fazem a história andar para a frente. Outros estão ali só a, aparentemente, ocupar espaço. As várias histórias não se unem todas no fim e, por isso, não se percebe porque é que algumas existem. Mas, bem, ainda temos uma segunda season!

    Como disse, os designs são todos modernos. É o Gundam dos bishounens, tudo pejadinho de gaijos giros a pulular por todo o lado. Há um para cada fetishista (o que se reflecte na fanart. Por mim, o meu preferido é o Lockon Stratos, apesar de ter um nome idiota). As meninas dos cabelos cor de rosa também abundam. As cores são limpas. Em termos de maquinaria, os designs também se modernizaram. Agora temos máquinas de guerra mais ergonómicas e menos quadradonas. A animação é fluída e temos boas sequências. As lutas continuam a ter raios laser e granadas com fartura, o que se torna um pouco ridículo quando a arte não é dos 80s.

    Os personagens são para todos os gostos. Agradam a toda a gente, mas nenhum deles é especialmente interessante ou desenvolvido. Eles tentam, a verdade é que eles tentam. A dupla personalidade do Hallellujah (que raio de nome, outra vez), o passado infeliz de Setsuna e Lockon, e o facto do Tieria usar óculos, são tudo coisas que podiam ser interessantes. Mas no meio de tanta história cruzada e de tanta confusão perde-se a importância.

    Música completamente irrelevante. Após tantos anos continuam sem admitir que no espaço não se ouvem as explosões.

    Entretanto, como todo Gundam deve ser, morre toda a gente no episódio 24. Não é spoiler, é um dado adquirido. Tendo isto em conta, é um mistério para mim como vão fazer a segunda season. Mas alguma coisa se há-de arranjar.
  • Ai no Kusabi

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    Ai no Kusabi
    Akiyama Katsuhito - AIC
    Anime OVA - 2 Episódios
    1992
    9 em 10
     Review original aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=391775&show=0#post2

    Deixem-me começar por dizer que nunca nomeei Ai no Kusabi. Nunca pensei que gostassem dele, se não pela razão óbvia, porque é antigo e não passou o teste do tempo. No entanto, eu amo este OVA e penso que merece um lugar de qualquer forma. Ai no Kusabi foi a minha primeira interacção com o conceito de "yaoi" (agora, BoysLove) e introduziu-me a um novo conceito de relação na literatura e anime. Tenho orgulho por ter sido introduzida por Ai no Kusabi. É um trabalho essencial e um clássico, não só em BL mas no anime em geral. É bom.

    No resto do meu post vou fazer os meus melhores esforços para vos convencer a pelo menos vê-lo, apesar de não acreditar que a maioria de vós vá votar "sim".

    Antes de mais vamos situar Ai no Kusabi no tempo e no espaço. Tempo são os primeiros 90s. Espaço é Japão. Este OVA foi o primeiro a incluir cenas de sexo homoeróticas em anime. Isto parece ser irrelevante, mas nos 90s japoneses, onde as mulheres começavam apenas a ganhar o seu espaço como demografia, isto foi certamente uma revolução. Pela primeira vez na indústria do anime existe pornografia para mulheres. De repente, um novo mundo estava aberto para ser explorado. E é como se a presença feminina tivesse ganho algum crédito nesta indústria. Tanto a nível económico como social, Ai no Kusabi tem um papel muito importante. Este OVA é a base de todo o género. Tudo seria diferente se Ai no Kusabi não tivesse aparecido quando apareceu e com a apresentação que teve. Tivémos BL antes, com Kaze to Ki no Uta. Mas agora temos gráficos. Agora admitimos que podemos fazê-lo. Não existe mais tabu.

    Agora vamos falar do anime em si. Para tornar as coisas mais simples vou usar a fórmula do PO e desenvolver um bocadinho de cada elemento deste anime. Se tudo correr bem, as coisas vão ser um bocadinho diferentes do que estão à espera. :)

    Animção

    É claramente o pior desta produção. Vamo-nos situar de novo: princípio dos 90s. As técnicas são as medianas dessa época. Os designs de personagens são desactualizados e, na nossa perspectiva moderna, feios. Porque é gostávamos de gajos musculados em t-shirts de vinil nesse tempo é um mistério. Temos de considerar que este OVA foi baseado numa Light-Novel. O essencial dos designs é baseado nas ilustrações dos livros, mas - de certa forma - são mais apropriados ao ambiente e estilo do mundo circundante. No OVA temos realmente homens contra homens, enquanto que as ilustrações frequentemente mostram toda-a-gente-menos-os-Blondies com características infantis e magricelas. Fizeram bem em fazer de Riki um gajo giro, mas fizeram ainda melhor em fazer toda-a-gente-menos-os-Blondies bastante normais. Esta gente não viveu uma vida abençoada e protegida e o seu aspecto reflecte isso. E, já que falo disso, todo o design e cores usadas nos fundos são muito apropriados e caracterizam perfeitamente o ambiente deste anime. Tudo é escuro e cruel. As poucas cenas com mais cor são irónicas, pois mostram Minos e a indústria dos pets (que são, não interessa como olhamos para elas, bastante perturbadoras). Em resumo, a arte e animação são desactuaçlizadas e medianas, mas são essenciais na caracterização da história e do mundo. E, para ser honesta, prefiro algo que se integre com as outras partes do anime do que uma produção toda avant-garde que só funcione sozinha.

    Som

    A música não é memorável, mas apropriada. O que interessa aqui são os actores de vozes. Provavelmente nenhum destes actores tinha experiência a dobrar cenas de sexo. E fizeram um belíssimo trabalho. São muito bons actores e as suas vozes foram muito importantes para o estabelecimento do OVA de Ai no Kusabi como um clássico entre os fãs de BL (e no geral, digo mesmo mais). As vozes ajudaram muito na caracterização.

    Personagens

    Como sabemos (ou devíamos saberl), BL, shounen-ai, yaoi, o que quer que lhe chames, está centrado à volta do desenvolvimento das personagens e das relaões. No caso de Ai no Kusabi isto atinge proporções muito interessantes. Ignorando os personagens secundários (que, para ser muito honesta, estão apenas delineados no OVA, apesar das suas acções serem muito importantes para o desenvolvimento da história e dos personagens principais) devemos focar-nos em Iason e Riki. Vou começar por dizer que não devem ser iludidos pelas aparências. Atrás da imagem de S&M e da relatividade de Seme/Uke há muito mais que fanservice. Nem precisam de ler a Novel para perceber isto, só precisam de olhar para trás da cobertura do cliché.

    Aparentemente, Iason é apenas um maníaco sádico que se apaixona pelo seu objecto. Na realidade, a verdade é que Iason não tem nada de sádico nele. O que ele faz ao Riki não é realmente a busca de uma qualquer perversão sexual. De facto, a sua obsessão não é de todo sexual. Ele está obcecado em dominar Riki de uma maneira psicológica. Riki é, de todas as maneiras, inferior a um Blondie. No entanto, ele não age como inferior. O seu comportamento é errático e estranho da perspectiva do Blondie e Iason precisa de controlar isso, para seu próprio bem, para garantir que ainda é superior. Por isso, Iason "domestica" Riki. "Domesticá-lo" significa reeducá-lo para obedecer e se comportar como inferior, tanto socialmente como mentalmente. Por isso Riki é transformado num pet, que é a pior forma de vida que existe neste mundo. Por isso é que é atacado sexualmente repetidamente. é só para o humiliar e para garantir que ele sai a saber o seu lugar.

    E Riki, não é o vosso uke típico. De facto, isto é o que modernamente consideramos um "sekke", um uke que se comporta como um seme ou, melhor, um seme que funciona como a parte de baixo. Tem uma personalidade dura, é teimoso, é forte. Entrou na situação de ser um pet por acidente, por erro, ele não quer estar ali e ele não aceita o seu destino. Mesmo sendo maltratado e violado, os seus olhos nunca mostram um sinal de submissão e a sua personalidade nem sequer se mexe.

    E assim temos duas personalidades fortes agarradas por correntes de obsessão e dominância. Esta relação começa complicada e desenvolve-se por todo o OVA. Quando Riki é mandado de volta para o bairro de lata, Iasson compreende que não pode esquecer o facto de que ainda não ganhou a luta. E, de volta aos seus amigos e amante, Riki não pode esquecer o que aconteceu no seu cativeiro. De facto, ele tem uma bonita recordação (objecto que deverá aterrorizar todos os homens, sim senhor). é isto amor? Creio que não. Acho que é uma forma diferente de atracção. Riki e Iason não se amam. Acreditop que a sua relação se desenolve na aceitação. O seu suicídio não simboliza que fizeram as pazes e que vão viver juntos no céu. Penso que significa que aceitam que nenhum dos dois é o vencedor. Que não há S ou M na sua relação. Que nem Iason nem Riki são a parte dominante da equação. Que estão os dois na mesma situação, que são os dois a mesma coisa. Que Blondies e Mongrels são, de facto, a mesma coisa e que vão ambos morrer. E assim, porque não morrer juntos e com um sorriso?

    Acreditem-me, eu vi muito BL na minha vida. Ai no Kusabi foi o primeiro e único a seguir uma relação de ódio em vez de amor. Que se torna em absolutamente nada.

    História

    Aqui temos duas coisas importantes. A história da relação entre Iason e Riki, que desenvolvi na secção precedente, e a história do universo em que acontece a relação. Este segundo elemento é muito interessante e o OVA retrata-o perfeitamente. Alguns elements foram deixados por explicar. Quando vi isto pela primeira vez o "mistério" que rodeava os elementos em falta era bom. Depois de aprender os detalhes e ver isto pela 46352634534écima vez... Foi fantástico. Mesmo brilhante.

    Isto é um mundo original, num ponto distante do espaço num futuro tecnologicamente independente distante. Neste planeta, as pessoas são dominadas por um super-computador que funciona como governo. Este super-computador tem toda a gente organizada num sistema de castas, uma estratificação da sociedade em que os elementos superiores desprezam os elementos inferiores na cadeia social, que começa em andróides orgânicos seleccionados artificialmente, onde Blondies como Iason estão inclusos, e termina nos mongrels criados naturalmente de Ceres, que é Riki. No meio estão as pessoas de Midas, a Las Vegtas deste mundo que vive para as indústrias do entretenimento e do sexo, pessoas como Katze que estão mais ou menos no meio, pets e furniture (mobília). Pets sendo o entretenimento dos altos círculos de tanagura e a mobília sendo os eunucos que tomam conta dos pets. Pets são brinquedos sexuais e orgulham-se disso (vêm como Riki estava inadaptado nesta situação?). Mobília... Bem, ninguém se interessa pela mobília.

    Acho que esta estratificação, e a forma como é apresentada  (a relação entre duas facções opostas), é uma forma muito interessante de imaginar um possítvel futuro. No mundo como o temos agora, são seria possível - com o advento da tecnologia - que a humanidade acabasse assim? Isto é ficção científica, com motos voadoras e andróides biónicos e outras coisas ridículas como essas. No entanto, a criação deste sistema social distingue este universo dos oturos e torna-o numa criação original.

    Há detalhes no livro que tornam esta exierpiência mais rica e vívida (nomeadamente Guardian), mas podemos viver sem elas.

    E outro detalhe que estivémos a discutir antes! O papel da mulher em Ai no Kusabi. Muitas pessoas vivem sob o erro de que no mundo de Ai no Kusabi não existem mulheres. Existem. Elas são muito importantes. No OVA eles representam a sua importância por imagens e sequências curtas. Penso que isto dá um charme especial à est´tica do OVA e serve o objectivo de apontar de que apesar de isto ser tudo sobre homens as mulheres continuam a ser um factor importante.

    Em resumo!

    Um trabalho excelente que todos deviam ver. Ponham o coração ao alto. Eu sei que BL não é agradável, mas há muito mais do que sexo gay neste OVA e vale a pena vê-lo. Um verdadeiro clássico.
  • Os Cachorros - Os Chefes

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    Os Cachorros - Os Chefes
    Mario Vargas Llosa
    Vários
    Contos

    Mais um Vargalhosa, desta vez menos denso. Esta é uma colectânea com alguns dos seus contos, escritos em diversas eras da sua vida.

    Todos eles são muito interessantes, com personagens vívidas e situações carregadas de significado. Por vezes um significado pequeno, mas ainda assim muito importante para essa gente que está no livro.

    Mas o melhor é sempre a escrita. Neste livro encontramos contos diferentes escritos de maneira diferente e aí se vê como Vargalhosa é um mestre da narrativa. Consegue agarrar-nos pela alma até quase nos sufocar com as suas palavras. E quando de repente a história acaba é um misto de alívio, porque acabou a corrida na montanha russa, com tristeza, porque a história bem que podia continuar, com felicidade, porque efectivamente acabou e acabou de uma maneira que nos afecta de alguma forma.

    De facto, estas histórias parecem afectar as outras histórias de Vargalhosa. Nomeadamente "Os Cachorros" poderá ter inspirado uma das secções d'"Os Cadernos de Don Rigoberto".

    É muito interessante ler estes contos, sobretudo quando já se conhece um pouco (no meu caso muito pouco) do autor. É maneira de o compreender um pouco melhor e de estabelecer uma relação mais próxima com ele. Eu acho que quando lemos um livro é como se passássemos a conhecer o autor. Pelo menos se passar por um autor que conheça na rua cumprimento-o.
  • Marie Antoinette

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    Marie Antoinette
    Sofia Copolla
    Filme
    2006
    7 em 10

    Uma produção gigante. Roupas que eu não me importava de usar todos os dias. Detalhes engraçadíssimos. Um filme saboroso.

    Esta é a história da glória e queda de Maria Antonieta, rainha de França. História essa que eu conheço detalhadamente porque já vi Rose of Versailles 6 vezes. Mas nunca me cansa, apesar de não ter Oscar de Jarjayes e André. Sniff. O filme concentra bem a história, sem ocultar os detalhes mais interessantes e caracterizando cada fase da vida da Antonieta com exactidão e clareza. Os seus problemas, as suas dúvidas, os seus desejos, todos estão caracterizados.

    Kristen Dunst faz o papel da rainha e mostra-nos uma Antonieta inocente e divertida, ausente do mundo que está fora de Versailles e impossibilitada de o ver. A personagem cresce com o tempo e passa por várias fases depois de enfrentar os seus pequenos-grandes problemas do dia a dia de uma rainha.

    Música fabulosa. Adorei ver o pessoal todo maluco a bailar ao som de Siouxsie. A música dá ao filme a impressão de que é tudo uma brincadeira, e era assim a vida de Maria Antonieta. Por isso, funciona muito bem.

    As cores são fantásticas e existem imagens muito bonitas, especialmente as do campo no Trianon. A produção é capaz de ter custado mais do que a própria corte francesa, mas ainda bem, porque está muito exacta em termos históricos e dá vontade de lá viver.

    Juntamente com a vida da Rainha, este filme mostra-nos a vida na corte Francesa, o que o torna quase num documento de relato histórico.

    Não gostei muito do tom do envolvimento de Antonieta com Fersen, que foi uma coisa muito mais apaixonada (acho eu, também não estava lá) e o fim caiu um bocado mal porque dava a sensação de que o filme ainda ia continuar. Se calhar foi o canal de televisão que o cortou.

    Filme muito divertido, cheio de detalhes deliciosos.
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