All of Us Strangers
All of Us Strangers
Andrew Haigh
2023
Filme
7 em 10
Um homem homossexual vive practicamente sozinho no prédio. Tem um vizinho que um dia lhe faz uma visita e lhe propõe uma noite de copos. Ele rejeita. Nesse dia, mais tarde, vai visitar a sua cidade natal. E encontra os seus pais.... Mas algo de estranho está a acontecer: porque os seus pais estão mortos. E ele navega entre fantasmas.
Um filme de extrema sensibilidade e beleza, que aborda os medos e a solidão do personagem principal, que explora o amor queer e a sua aceitação social, e que nos mostra um casal com uma grande química, mas que está fadado ao insucesso desde o início.
À medida que o filme se vai desenrolando vamos descobrindo mais sobre este protagonista, o que aconteceu e quem são estes fantasmas, que tanto o atormentam como o perdoam, a forma como ele faz as pazes com o seu passado e consigo mesmo, para depois concluir numa nota de tristeza desesperada e pungente, mas ainda assim de um amor profundo condenado a uma solidão eterna.
Recomendo bastante.
Drive-Away Dolls
Drive-Away Dolls
Ethan Coen
2023
Filme
6 em 10
Revelado no final como tendo o nome verdadeiro de "Drive-Away Dykes", este é um filme energético e divertido que segue a roadtrip de duas lésbicas de personalidades muito diferentes que transportam a mala mais importante do mundo, que tem dentro de si características dos membros mais relevantes da sociedade de então (e mais não posso dizer). No processo, as duas amigas vão conhecer outras comunidades queer e lésbicas e formar uma relação improvável.
Colorido, cheio de humor e de ironia, este filme explora o que é ser queer nos anos 90, mas sem a parte difícil, sem a parte da doença, sem a parte do desprezo social, sem a parte da violência. Assim, quase parece um conto de fadas lésbico em que tudo é sexy e encantador, sobretudo o que está dentro da mala.
No entanto, parece-me que estas personagens practicamente movidas pelo que têm no meio das pernas poderiam ter muito mais a dar se não fosse a sua necessidade constante de engate. O desconforto mostrado por uma delas é muito mais realista, e se não fosse isso tudo seria simplesmente absurdo.
Enfim, um filme para passar uma boa tarde, mas não um dos melhores de meio Coen.
EJEU - Encontro de Jogos de Estratégia Universo 42
EJEU - Encontro de Jogos de Estratégia Universo 42
Evento
Convidaram-me para este evento para, pela segunda vez na minha vida, jurar o concurso de cosplay! FELIZ! Yaaaaay. Mas parece que o dia estava feito para correr mal.
Para começar, a ponte estava fechada, então tivemos de ir dar uma volta ao bilhar grande, isto é, ir até ao Montijo para apanhar a Vasco da Gama e por esse lado dar a volta completa a Lisboa para ir ter até à Ajuda, local do evento.
Depois, não arranjámos lugar para estacionar e tivemos de estacionar dentro do Pingo Doce, o que se revelou um erro, porque tivemos depois de esperar na caixa para pagar o estacionamento, que foi caríssimo e horrível, e a senhora olhou para nós como se fôssemos de uma dimensão paralela: "quem estaciona no Pingo Doce se não vai fazer compras no Pingo Doce?" Nós, pelos vistos.
Mas enfim, entrámos no evento e fiquei logo agradada com o local. Com um espaço exterior espaçoso, uma zona de entrada com muitos sofás (incluindo um bizarro sofá de lábios onde tive de tirar uma fotografia de Yazawa Ai), uma zona de bar e zona de jogos de roleplay e tabuleiro. No andar de cima, um campo de basket onde estava a decorrer um concerto e uma vasta área polivalente onde estavam as bancas e os principais torneios.
Fui vestir o meu cosplay nos balneários, onde até se podia tomar banho, e logo as tragédias se sucederam: a minha blusa tinha o tecido podre de estar guardada há anos e rasgou-se de uma ponta à outra, e as luvas não me cabiam mais nos pulsos gordos. Os sapatos eram uma espécie de tortura e sentia-me uma dama chinesa do antigamente, com os pés partidos em pedacinhos e ligados, para serem pequeninos e elegantes.
Assistimos ao concerto da Brisa, que foi muito divertido: ela misturou as músicas dela com músicas de anime, e cantei imenso! Depois fui ver o EP dela "Nuvem" no youtube e é realmente muito interessante, dêem lá uma olhadela!
Mas subitamente algo de estranho aconteceu.... Pensávamos que o concurso ia suceder no espaço da Brisa, mas decidiram mudar o sistema todo para o pavilhão principal, porque havia pouco público e pouco quórum. Tudo bem, mas infelizmente os cosplayers ficaram virados para os jurados, que estavam virados para o público e, consequentemente, os cosplayers ficaram de costas para o público. :( Isto foi algo que abordei pessoalmente com a organização, pelo que penso que posso falar aqui à vontade.
De resto, o concurso foi fantástico, temos malta mesmo talentosa por aqui e é super difícil dar uma avaliação só de olhar para eles durante um instante. Eu queria olhar e falar e babar e comer-lhes os fatos, e só depois dar a avaliação, mas neste tipo de concurso (género desfile) não é de todo possível. Espero ter sido justa e que todos se tenham divertido a mil!
As banquinhas estavam giras, e ainda ganhámos um homenzinho (a quem dei o nome de Leandro) para pintar.
Podem ver o vídeo do evento no meu instagram @ladyxzeus
Até à próxima!
Kimi wa Houkago Insomnia
Kimi wa Houkago Insomnia
Sasaki Reiko - LIDENFILMS
Anime - 13 Episódios
2023
6 em 10
Um rapaz que não consegue dormir à noite refugia-se no observatório da escola, uma área proibida porque supostamente alguém lá cometeu suicídio. Lá encontra uma rapariga que, quem diria, também sofre de insónias. Vai agora desenvolver-se uma história de amizade para romance, baseada na observação da noite e do céu nocturno, por dois noctívagos patológicos.
O anime tem visuais muito bonitos, mas o desenvolvimento da relação parece tão casual que não me convenceu. Porque é que só porque os dois sofrem de insónia haveriam de se tornar amantes? Porque partilham a noite juntos? A teoria de "a noite é nossa" parece estranha, quando a própria noite está viva em vários aspectos (bezanos à noite sendo um deles)
Depois, à medida que vão aparecendo mais personagens para o clube do observatório, parece tudo ainda menos provável, porque se eles usam o espaço para dormir de dia, estar lá mais gente impede-os de dormir, então para que é que serve aquilo tudo?
Achei um anime que, sendo bonito, não serve o seu propósito lógico.
The Book that Wouldn't Burn
The Book that Wouldn't Burn
Mark Lawrence
2023
Fantasia
Segundo livro para o BookClub do CnC.
Quando me dizem para parar de ler livros que não gosto, eu argumento sempre "mas o fim pode ser bom". Este é um desses exemplos. Neste universo, há uma biblioteca gargantuesca e impossível de navegar e a nossa heroína, Livira, improvavelmente vai lá parar. Nas suas pesquisas encontra um rapaz, Evar, e durante todo o livro irá tentar reencontrá-lo.
Ora, todo o livro é insuportavelmente aborrecido. O universo não é suficientemente diferente do nosso para nos cativar, as personagens parecem não ter nenhuma profundidade, a escrita é chata, chata, chata, tudo o que acontece não parece ter nenhum objectivo. Foi PENOSO ler este livro até aos momentos finais em que, subitamente... Tudo se transforma. Tudo fica lindíssimo. As descobertas que fazemos sobre a verdadeira natureza de Evar e do seu povo, fantástico.
Então fiquei muito aborrecida com isto, porque se por um lado o final é fabuloso, tudo o que nos levou até ele foi chato como a potassa. O livro que não quer arder quer efectivamente arder: queremos pegar-lhe fogo, por ser tão incrivelmente balhelha.
Bakuon!!
Bakuon!!
Nishimura Junji - TMS Entertainment
Anime - 12 Episódios
2016
5 em 10
Anime em tudo semelhante ao outro anime de motas que tinha visto (Super Cub) com a diferença de que esse é sério e este é cómico.
Umas raparigas engraçadas e giras gostam de motas e vão aprender a andar de mota e vão passear de mota. Tudo cheio de bom humor, algum ecchi e MOTAS. Muitas motas. Sobretudo motas.
Portanto, para fãs de motas isto será um deleite. A única coisa bem feita aqui são mesmo as motas. Tudo o resto é meh. As maminhas são meh, as personagens são meh, as paisagens são meh. Só as motas é que são fixes.
Tudo bem, mas eu nunca andei de mota, nem nunca quero andar.
Hazbin Hotel
Hazbin Hotel
Vivienne Medrano
2024
Animação
Andava toda a gente a falar disto, e por isso tivemos de ver. Foi uma surpresa inesperada, e que me fez pensar que o cartoon americano se calhar não está totalmente entregue ao psicadelismo de um quadrado de ácido.
Charlie Morningstar adora cantar e é a princesa do Inferno, filha de Lucifer e Lilith. Os pais não lhe falam há anos e ela tem uma preocupação: reabilitar as almas por forma a que elas sejam levadas para o Céu e não sofram uma segunda morte às mãos de anjos malvados que todos os anos descem aos seus domínios para um extermínio total dos habitantes. Para isso cria um hotel e é aí que tudo começa.
Um musical com vozes da Broadway, com músicas impossíveis de apagar da memória, e que se eleva a um nível superior à medida que vamos conhecendo as personagens que, sendo pecadores, têm muito mais para contar do que realmente aparentam. Através das suas canções, ficamos a conhecer que realmente sofrem, que realmente têm dor, mas tudo isto tem também um apurado sentido de humor e violência a rodos, o que torna a série muito equilibrada e divertida.
Os personagens são cativantes demais, e Alastor, o gajo da rádio, é simplesmente o MVP.
Adorei a série, quero fazer cosplay da Charlie, e estou ansiosa pela segunda season! Conquistaram-me!



