• RoboCop

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    RoboCop
    Paul Verhoeven
    1987
    Filme
    6 em 10
    Apanhámos o robocop na televisão e eu nunca tinha visto, então ficámos a ver. 

    A história é aquela que todos sabemos: um polícia é transformado numa máquina-polícia e luta pela justiça. No processo, procura as suas memórias humanas, apesar de agora ser uma entidade diferente.

    É um filme violento, com efeitos práticos revolucionários. Apesar de ser uma série de elementos de acção uns a seguir aos outros, a parte filosófica da situação, em que a máquina enfrenta a sua própria humanidade, é quase um proto-cyberpunk, um marcar de um género e de - se o posso dizer - de uma geração.

    No entanto, a visão do "bem contra o mal" aparece muito simplificada, colocando a força policial como um elemento benigno em todas as ocasiões, o que não é de todo verdade, não trazendo justiça ao lado dos "criminosos", que por sua vez são o retrato de uma maldade pura.

    Nota para a imagem do mauzão a cair, com os bracitos a abanar. Muito bom efeito especial.

    Um filme de referência, para ver com espírito crítico.
  • Cosplay Photoshoot #17

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    Cosplay Photoshoot #17
    Evento

    Já passou algum tempo, mas é tradicional falar do primeiro evento do ano e aqui estamos nós: Cosplay Photoshoot #17!

    Estava muito ansiosa por esta Photoshoot, pois ia estrear um fato um pouco diferente do habitual. Decidi fazer um Gijinka de um Rapidash, o Pokémon, um design que adorei! Experimentei bordar à máquina e tudo, adorei fazê-lo! Por isso, acordei super cedo e pus-me desde logo a ouvir o CD Pikachu Music, dos anos noventa, que tem sucesso como "Mas que Pokémon és tu?" e "A Caminho de Veridian".

    Ora, à chegada concluí desde logo que o quórum estava bastante afectado. Tinham acontecido conversas dramáticas, nas quais me envolvi com conta, peso e medida, em que havia troca e partilha de acusações sobre a entidade organizadora deste "encontro". Ora, a minha opinião é que, apesar de tudo, não haveria razão para boicotar a Photoshoot, já que o evento transcende a organização actual, sendo um regresso ao passado e à tradição do cosplay em Portugal. Assim, foi com um misto de indignação e desapontamento que vi a organizadora a dizer "vamos esperar pelas pessoas que estão ali" e, logo de seguida, "afinal eles não vêm". Fazer um encontro paralelo à Photoshoot pareceu-me de extremo desrespeito e mau gosto.

    Fotografei várias pessoas, mas este ano falhei bastante como fotógrafa. Por isso, não vou colocar aqui as fotos. Encontrei um grupo de Tokyo Mew Mew, que era o primeiro grupo que eu queria fazer (eu seria a Zakuro) quando comecei a fazer cosplay! Gritei-lhes que fizessem o skit que eu inventei, que é dançar o Chocolate Disco das Perfume, mas com acrobacias, e espero que o façam porque é o sonho da minha pequena vida de cosplayer! *-* Encontrei um grupo de Gijinkas de Eeeveelutions e tirei uma foto com elas, mas elas não sabiam que Pokémon era o Rapidash D: Encontrei um nazi e , em vez de lhe esmurrar a fuça, tirei-lhe uma foto, porque pensei apenas que era uma farda muito gira. E, de resto, houve pouca interacção entre eu e aqueles que são os outros.

    Fomos beber uma cerveja ao café próximo e logo fomos tirar as nossas fotos para o concurso. Foi um passeio um pouco triste, porque em anos anteriores viam-se cosplayers por todo o lado a tirar fotografias e este ano parecíamos ser só nós. Fizemos uma Photoshoot pequenina mas com fotos muito giras.

    Uma menção ao concurso de fotografia: ao enviar a minha foto, esperava uma resposta que fosse minimamente respeitosa e educada. Por exemplo, algo como "obrigada pela sua participação". Espero que a organização reconheça que é possível ser-se educado e profissional ao mesmo tempo. Para além disso, é sempre bom dar reforço positivo àqueles que participam, de forma a que voltem a participar. Não que eu não volte a participar, porque este concurso é muito importante para mim (ie. razão para ir tirar fotos). De resto, apesar de as fotos vencedoras terem uma qualidade extraordinária e inigualável, senti que poderiam ter sido tiradas em qualquer lugar do mundo, não necessariamente no Parque das Nações, o que costumava ser um requisito para as fotos do concurso.

    Foi um evento desapontante, de certa forma, mas agradável. Gostaria de ter falado mais com as pessoas que prezo com amizade, mas fiz um excelente passeio. Ah sim, e ia morrendo de calor, porque o meu fato era malha polar, com pelo, pelo e mais um pouco de pelo.

    Um cavalo suado, fui eu.
  • Jojo Rabbit

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    Jojo Rabbit
    Taika Waititi
    2019
    Filme
    6 em 10

    Agora em tempos de quarentena de emergência, vamos ter tempo para falar de alguns visionamentos e leituras do mês passado e do corrente mês. Começamos por Jojo Rabbit.

    Um menino na Alemanha nazi tem um melhor amigo imaginário: Hitler. Com a sua ajuda, ambiciona ser o melhor nazi de sempre. Mas tudo muda quando tem um acidente e descobre que uma rapariga monstruosa vive dentro da sua parede. 

    Apesar de a visão do realizador sobre o tema ser original e por vezes comovente, penso que este filme não traz nada de novo sobre o assunto da segunda guerra mundial e do holocausto. Parece transmitir apenas a vontade deste fazer o papel de um Hitler exagerado e cómico, com pouco mais a acrescentar. A visão infantil da realidade pode ser engraçada por vezes, mas acaba por se tornar um pouco cansativa.

    É um filme de comédia que irá entreter, mas que na minha opinião não merecia figurar em prémios.
  • A Promessa

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    A Promessa
    Bernardo Santareno
    1959
    Teatro
    Para variar um pouco, uma peça de teatro. Escrita em pleníssimo Estado Novo, tratava-se uma peça arriscada e que poderia violentar os púdicos da época. É uma história de vinho, castidade e cantigas de varinas, épica, trágica e muito violenta.

    Infelizmente o efeito do texto não é mais conseguido nos dias de hoje, sem ser por uma pura apreciação histórica do contexto. O contexto socio-cultural da época colocava esta peça num nível próximo do limite do aceitável, o que é extraordinário. No entanto, o sentimento que transmite não sobrevive até aos dias de hoje, acabando a narrativa da peça por ser um melodrama exagerado, cuja malvadez não nos afecta mais do que uma simples piada.

    Ainda assim, penso que gostaria de ver esta peça em cena.
  • Seda

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    Seda
    Alessandro Baricco
    1996
    Novela

    Uma curta novela que recebi através do BookCrossing. Fala sobre as viagens de um francês ao Japão para comprar ovos de bichos da seda, que depois se irão transformar em preciosos casulos que irão alimentar a fiação da zona.

    O livro é muito simples e de leitura rápida, mas no entanto tem muitas falhas - precisamente por ser tão curto e resumido. Para começar, o autor não descreve nenhum elemento dos lugares que visita, limitando-se a dizer que está neles. Ora, quando falamos da Ásia gosto de ler sobre as paisagens e as nuvens no céu, que tanto caracterizam todo o ambiente.

    Outro aspecto é que nenhum personagem parece ser suficientemente desenvolvido, mantendo-se por um lado a aura de mistério mas, por outro, perdendo-se muito das razões por trás das atitudes dos personagens.

    Ainda assim foi uma boa leitura, que gostava que mais pessoas experimentassem!

  • Knives Out

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    Knives Out
    Rian Johnson
    2019
    Filme
    7 em 10

    Estamos desabituados dos policiais. Em livro, em filme, em qualquer meio, o policial passou a ser uma coisa negra, de crimes pavorosos. Por isso, foi absolutamente refrescante ver este filme: um policial em que o detective é o espectador. Tudo isto com um conjunto de personagens absolutamente fascinante.

    Um dos aspectos que mais me atraiu neste filme foi a protagonista, que é essencialmente e unicamente uma boa pessoa. Isto significa que nada do que ela diz é uma mentira, o que torna os diálogos ainda mais interessantes e com um toque de mistério.

    Também o cenário é imensamente curioso, cheio de objectos que são potenciais pistas e cheio de pistas que são apenas casuais objectos.

    Um filme ainda a cheirar a fresco.
  • Uma História do Diabo

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    Uma História do Diabo
    Robert Muchembled
    1997
    História

    Comprei este livro com convicção, no alfarrabista azul da estação dos comboios. Perguntei-lhe se tinha mais coisas sobre o tema. Disse que era um tema difícil de encontrar. Por isso, ainda fiquei mais curiosa.

    Este é um relato da história da imagética do diabo desde a época medieval até ao século XX. O autor não fala tanto na crença na figura diabólica, como da forma como esta aparece representada ao longo dos tempos, desde as primeiras imagens fatídicas até aos filmes de Stanley Kubrick. Isto é um exercício bastante interessante, mas no fundo não me revelou grande coisa sobre o tema que me interessava - a bruxaria - até porque o desvaloriza bastante.

    Ainda assim, foi uma leitura intensa e muito divertida, em que aprendi várias coisas sobre as formas que a figura do demo tomou para as pessoas de várias épocas, de vários estratos sociais e de diferentes culturas. Apesar de estar muito focado na França, fazendo uso de referências que podem parecer irrelevantes e esquecendo outras que para o resto do mundo são tão importantes, é um relato fascinante e muito interessante.

    Um bom livro de referência.
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