Cardcaptor Sakura: Clear Card-Hen
0
Card Captor Sakura: Clear Card-Hen
Asaka Morio - Madhouse Studios
Anime - 22 Episódios
2018
6 em 10
Se há algo de que eu não estava à espera, era que Card Captor Sakura alguma vez me desapontasse. Umas das séries fulcrais da minha adolescência, acabava de receber uma sequela. O que viria daí. Mas se há algo de que eu devia estar à espera... Era que CLAMP me desapontasse.
Pegando no imediato após o término da primeira série, existe uma reunião - agora numa nova escola - dos personagens anteriores e de algumas novas figuras. Sakura tem acesso a um conjunto de novas cartas, umas cartas transparentes a que chamamos as Clear Cards. Portanto, tem de lutar contra elas para as capturar e fazer tudo como antes. Óptimo! O pior acontece a seguir.
É-nos apresentado um grande mistério mágico, com o aparecimento de estranhas figuras. E a partir daí a história parou. Temos de saber quem são estas figuras. Estas figuras passam a aparecer a toda a hora e a motivação dos personagens deixa de se enquadrar no desenvolvimento pessoal para nos envolver numa história de detectives com magia. Bem. Não foi para isso que eu comprei o bilhete.
Ainda assim, poderíamos aceitar isto se tivessem circundado a história a apenas uma season. O que mais pode acontecer para além de voltarmos ao mesmo filme de sempre, os mundos estão todos colados, etc.? Mas mesmo considerando a eventualidade de não fazerem isso, o que podemos dizer da animação? Um pastel deslavado, coreografias pouco dinâmicas, designs repetitivos. Tão suave para os olhos que quase se deixa de ver.
Musicalmente temos OPs e EDs interessantes, plenas de fantasia e com um toque de feminilidade.
Deixou muito a desejar e só verei a segunda season (existindo) por mera consistência técnica.
By : ladyxzeus
Bakemono no Ko
0
Bakemono no Ko
Hosoda Mamoru - Studio Chizu
Anime - Filme
2015
6 em 10
Este premiado filme, estreado em Portugal numa Monstra, passou no outro dia na nossa querida, culta e adulta RTP2. Aproveitámos para o ver. Infelizmente, senti-me um pouco defraudada. Tanto pela RTP2, que passou um rip de DVD absolutamente horrendo, como pelo autor deste anime que, filme após filme, tem vindo a desapontar.
Um rapaz órfão de mãe, pai ausente, perde-se nos caminhos da noite de Tóquio, achando-se num labirinto que o leva até ao mundo dos monstros. É acolhido por um monstro muito especial, que luta para conseguir ganhar o lugar de senhor, o que lhe permitirá reencarnar como deus. Assim se desenvolve uma história de amizade familiar improvável, com algumas peripécias e crescimento pelo meio.
O problema neste filme não é tanto o desenvolvimento dos personagens que, realmente, é consistente e realista. O meu principal celeuma é, pois portanto, a caracterização. É que estas crianças, estes monstros, eles aparecem do nada. Não existe um passado a que se possam agarrar quando dizem que têm vidas tristes e difíceis. Assim, aparece este grupo de rejeitados vindo do nada que, por nenhuma razão em concreto, crescem até um zénite. Uma curva ascendente, mas sem um ponto de base.
A animação saiu desaproveitada com a qualidade terrível a que a nossa televisão pública teve acesso. Temos designs interessantes e originais, bastante consistentes dentro do universo, e alguns detalhes curiosos no ambiente circundante e cenário, que dão muita vivacidade ao mundo. No entanto, os cenários de cidade real são monótonos e repetitivos, sendo que não nos dão o detalhe necessário para que o apreciemos tanto como as personagens.
Musicalmente, temos alguns temas muito recorrentes em animes do género.
Um filme com uma moral engraçadinha e que se esforça por puxar a lagrimeta, mas que não poderá passar de mais uma estreia infantil com pouca densidade narrativa. Sorry.
By : ladyxzeus
Sci-Fi Lx 2018
0
Levando a minha nova obra prima, um vestido com um cão girino, nome científico Gatus gatus estragadus, apresentei-me plena da energia de uma pessoa com grande talento para o estacionamento paralelo. Com isso dentro de mim, atravessei todo o jardim inicial do Instituto Superior Técnico, questionando-me avidamente sobre onde raios seria o edifício certo. Caminhando debaixo do sol de Julho, embora com alguns estratos, encontrei isto:
Sci-Fi Lx 2018
Evento
Este
era um dos eventos de cultura geek que, apesar de já existir há algum
tempo, nunca tinha conseguido visitar. Trabalho, outros eventos,
coisinhas, coisinhas sempre me tinham impedido de lá ir. Mas queria
muito. Então guardei o fim de semana! =D
Fui
apenas no Domingo à tarde. A minha intenção inicial era ir aos dois
dias e assistira a imensos workshops e palestras mas a verdade evidente é
que não aconteceu. Havia imensas coisas giras para ver, desde workshops
de literatura (como matar personagens? Eu preciso de saber isto!) a
sessões iniciáticas à impressão 3D, passando por alguns temas que terão
dado, certamente, debates interessantíssimos.
Mas ocorreu-se que não vi nada. Boo para mim.
Good Omens, dizem eles.
Afinal, o edifício que procurava era o que estava mesmo à minha frente.
Organizado de uma forma circular, este evento é um carrossel de bancas das mais variadas formas e feitios. Muita literatura por onde escolher, tanta que nem fui capaz de o fazer! Por mim, todos! Queria todos! Então não trouxe nenhum. Arte muito interessante, num nível de profissionalismo que é raro noutros eventos. Os artistas (que são bons artistas), tinham até telas com temas ciber-surrealistas ou sobre esse rural bucólico que é o da fantasia clássica. Pelo caminho aproveitei para ver algumas queridas pessoas, a quem sempre me dá grande gosto conversar.
Tive também a sorte de falar com outras pessoas, nomeadamente o professor que se sentou comigo a mostrar-me modelagem 3D para crianças (uma arte fascinante que, afinal, parece bem simples!) e o representante de uma editora que organiza concursos em que gosto de participar. Eles foram os organizadores da maior parte (se não todos?) os workshops literários, pelo que gostaria de os encontrar mais vezes nestas andanças. ;)
Cosplay, esse, muito pouco representado. Agora, uma confissão: eu era para ir de cosplay. Estava há cerca de dois meses a trabalhar num cosplay simples e confortável que - para mim - tinha tudo a ver com este evento. Era a Mamiya de Hokuto no Ken! =D Mas não o consegui acabar, faltam só as ilhoses, as peças de armadura e o yoyo! Fica agora para um evento futuro, quem sabe?
Mas adiante. Cosplay, esse, muito pouco representado. Apesar de estarem a fazer um cosplay ao vivo durante o evento, o que é uma coisa muito gira de se ver, só encontrei estas pessoas.
SOIS AS MÁIORES
Este é de bónus
Foi um evento simples, muito agradável e sinceramente relaxante. Adoraria tê-lo aproveitado melhor e espero que, para o ano, o possa fazer! Esta estrutura de evento começa a perder-se um pouco, no meio de grandes ecrãs com estrelas que dançam. Mas é neste tipo de evento que as pessoas acabam por poder recolher-se um pouco da histeria colectiva e aproveitar o serviço educativo que esta comunidade, sempre (e espero que cada vez mais) nos tenta oferecer.
Até para o ano!
By : ladyxzeus
Alexandra Alpha
0
Alexandra Alpha
José Cardoso Pires
1987
Romance
Um estranho romance, do mesmo autor da famosa "Balada da Praia dos Cães" (que me traz algumas memórias interessantes, que ficarão para outro dia, haha).
Alexandra é uma mulher que trabalha numa empresa chamada Alpha Linn. O autor finge que estas pessoas são reais (conseguindo convencer-nos durante grande parte do livro) e que a sua história vem de uma recolha de "papéis" encontrados na tal empresa, todos eles com uma tonalidade diarista. Assim, pela perspectiva de Alexandra, o autor apresenta-nos um conjunto de figuras inusitadas do eixo Linha de Cascais dos anos 70 em Portugal. Dos anos 70 antes da revolução, claro.
Estas personagens enfrentam problemas complicadíssimos, a maior parte deles relacionados com sexo matinal e abortos. E, pela sua voz um pouco queque, ficamos a saber mais ou menos como vivia uma pseudo-elite intelectual e empresarial, frequentadora de bares e de actividades lúdicas que envolvem bebidas destiladas. Penso que o livro se propôs a caracterizar uma época, mas dado o facto de as pessoas escolhidas para a representar serem, de todo, de um estrato social minoritário faz com que isso se perca completamente.
Finalmente, existe a secção inevitável e nunca ultrapassável quando se fala do que quer que seja da história portuguesa. Viva a revolução. E não é que o actor se despega da Alexandra Alpha e narra os acontecimentos da sua própria perspectiva? Poderia ser um elemento necessário num livro deste tipo, mas acaba por ser completamente irrelevante devido ao facto de ter sido completamente incosequente para todas as personagens.
Podia ter corrido tudo muito bem, mas enfim...
By : ladyxzeus
The Handmaid's Tale Season 2
0
The Handmaid's Tale Season 2
Bruce Miller
Série - 12 Episódios
2018
Foi com muita ansiedade que esperávamos a segunda season de uma série que me fascinou e que, para bem da verdade, me fez ter vontade de ver mais séries do género (e eu, como sabem, não sou muito de ver coisas com seres humanos).
Esta season já se afasta na totalidade do livro, que - como referido - já teria terminado há muito. No entanto, consegue dar uma nova profundidade às personagens e a este universo, acrescentando mais camadas detalhadas sobre a sociedade que nos tenta revelar.
Existe uma oferta de mais poder à figura feminina que, podendo parecer gratuita, acaba por se revelar muito importante para a caracterização do mundo social deste "conto". Assim, temos algumas reviravoltas que nos deixam com a expectativa sempre à beira de um ataque de nervos, em que a estrutura da hierarquia social parece pender para um lado ou para o outro, oferecendo ao espectador sempre uma esperança e, consequentemente, sempre a vontade de ver mais um episódio. Que pena que só sai uma vez por semana!
A narrativa torna-se mais violenta, mais desesperada, mas as nossas personagens encontram novos aliados e novas vantagens que nos permitirão uma perspectiva para uma season 3. Existem momentos de um realismo brutal, mas em outros a situação parece demasiado iverosímil para o conmntexto. Espero que seja um aspecto a melhorar na próxima season.
De resto, a técnica de filmagem foi aperfeiçoada e já não temos transições tão forçadas, mantaendo sempre a beleza da imagem e o detalhe do cenário. Apresenta-se-nos uma nova classe de pessoas com todo um guarda roupa que não deixa de fascinar.
E agora? Talvez para o ano... ;)
By : ladyxzeus
The Breadwinner
0
The Breadwinner
Nora Twomey
2017
Filme
6 em 10
Um evidente candidato ao estrelato nos círculos cinéfilos, mas que também tem tudo de desapontante.
Este filme passa-se em Cabul, na época taliban, em que as mulheres não podiam sair de casa sem estarem totalmente cobertas e acompanhadas por um familiar masculino. Conta a história de uma menina numa situação delicada e que a enfrenta de uma forma um pouco expectável: transformar-se em rapaz.
De resto, a história dramática segue o seu caminho da forma mais evidente e é isso.
No entanto, há um ponto muito curioso a apontar neste filme. Ao longo do filme é-nos contada uma história mágica, com inspirações na tradição persa, que tem uma animação fulgurante e encantatória. A própria conclusão desta história é ridiculamente mais trágica do que a da narrativa principal.
De resto, parece-me um pouco desapontante que este filme tenha sido feito sem uma base cultural sólida, à qual não aparece uma única referência em todos os créditos.
By : ladyxzeus
Bigre
0
Bigre - Um Melodrama Burlesco
Le Fils du Grand Réseau
2015
Teatro
No meio da correria, algo se aproximava. Mais uma vez, o Festival de Teatro de Almada - agora só de Almada - chegava ao pé de nós, seduzindo-nos com umas meias dúzias de muitas peças de teatro, nacionais, internacionais.... Intergalácticas?
Fomos ver a peça de abertura, escolhida pelo público no ano passado. Palco de grandes dimensões, vemo-nos rodeados de gente para olhar para um estranho espectáculo. Uma casa. Uma casa?
São as personagens deste local que nos levam através de uma história de inocência e reencontro. Talvez disfarçando a sua narrativa, os três actores transportam-nos através de episódios inusitados. Tudo tem tudo para correr mal, claro! Mas a transparência das personagens reflecte-se nas suas acções e, por isso, de uma forma ou de outra... É possível correr tudo... Um pouco mais ou menos bem! :)
Cenário admirável, cheio de movimentos, detalhes, portas e objectos, milhões de objectos e nenhum deles inútil! E actores cheios de energia e com uma forma física invejável, usando e abusando do objecto corpo e, ainda por cima!, divertindo tudo à sua volta.
Dava vontade de ficar ainda ali, sempre mais tempo, sempre a assistir às desventuras deste grupo de pessoa. Parecidos connosco, eles. :)
By : ladyxzeus













