• Hygiène de L'Assassin

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    Hygiène de L'Assassin
    Amélie Nothomb
    1992
    Romance

    Este genial livrinho foi-me emprestado pela minha querida vizinha de cima, que mo deixou na caixa do correio. <3 Apesar desta edição se no francês original, é um livro com vocabulário bastante simples e apenas precisei de consultar o dicionário por três vezes (para as palavras "bolas", "pila" e "arrastar-se")

    Um grande autor, em todos os aspectos, tem dois meses de vida após ter-lhe sido diagnosticada uma doença rara. Pela primeira vez, irá permitir-se ser entrevistado, sendo então visitado por diversos jornalistas. Mas este homem, além de enorme fisicamente, é uma grande besta: expulsa todos os jornalistas com manifestos de desprezo. Resta apenas uma mulher, que irá descobrir um grande segredo sobre o passado deste famoso homem.

    Digamos que este livro, quase exclusivamente composto por diálogos, é divertidíssimo. As opiniões do personagem são irreais, contundentes e, por isso, absolutamente hilariantes. O discurso é tanto violento como ilógico e começamos a perceber que, apesar de famoso, este homem é muito bizarro. No entanto, à medida que ele vai revelando o seu segredo, acabamos por descobrir uma faceta muito mais negra e aterrorizante, uma demonstração do quão perversa uma pessoa pode ser.

    Uma escrita leve e muito refrescante, com um sentido irónico para observar a vida, tornaram este livro uma leitura realmente prazerosa. Recomendo vivamente!
  • Um Amor Feliz

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    Um Amor Feliz
    David Mourão-Ferreira
    1986
    Romance

    Foi a minha primeira experiência com o autor. Curiosamente, calhou-me o seu único romance e uma das suas raríssimas prosas. Depois desta leitura espero, sinceramente, nunca mais por os olhos em cima deste Morcão-Ferreira.

    O narrador deste romance é um chiquérrimo escultor que vive uma vida terrível, horrorosa, rodeada de mulheres gordas e feias e desinteressantes. Quando conhece Y., uma mulher que não é gorda, envolve-se com ela. Também se envolve com muitas outras que têm todas nomes como Xô, Té ou Zu.

    Este livro é a apologia da burguesia pedante de uma linha de cascais eterna, que nunca deixa de existir. É de um orgulho auto-complacente, em que as aventuras sexuais do narrador se misturam com uma espécie de spleen, um desinteresse constante pelas mulheres horrendas que pululam por toda a parte. A depressão do narrador encontra-se no desespero de não ter uma mulher ideal, uma quda qual se possa alimentar e da qual possa abusar sem consequência.

    O autor manifesta, assim, uma opinião machista e misógina da sociedade feminina, estabelencndo a mulher como algo que "é apreciado pelo paladar" e não como indivíduo. O autor é, portanto, um idiota. E o seu romance, infelizmente, é um manifesto ardente da sua incapacidade de encontrar personalidade dentro de si mesmo, limitando-se aos conceitos snobs de mulheres chamadas Ti e Vana.

    Foi um sacrifício ler este livro e espero que o livro morra.


  • Mahoutsukai no Yome

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    Mahoutsuai no Yome
    Naganuma Norihiro - Wit Studio
    Anime - 24 Episódios
    2017
    7 em 10

    Entretanto, dos animes oferecidos pela passada season de Outono, este foi sem dúvida o melhor. Uma história de magia, encantamento e mistérios, mas também de amor e compaixão.

    Uma rapariga ruiva, que sempre foi considerada um pouco estranha pelos seus pares, vê a sua vida virar-se ao contrário quando é vendida como serva a um misterioso mago. Ao aperceber-se que ela tem alguns poderes escondidos, este mago começa a ensinar-lhe a sua arte. Nisto, vão fazendo novos amigos, descobrindo mistérios e resolvendo questões prementes do mundo da magia, pelas quais sofrerão grandes perigos.

    É um anime violentamente sentimental. As personagens vão sendo desenvolvidas de forma lenta mas muito sólida, até culminar nas revelações finais que lhes darão toda uma densidade que raras vezes se encontra. As atitudes podem ser inexplicáveis e surpreendentes, mesmo que muito sanguinolentas e trágicas, mas todas se encontrarão num sentimento generalista de auto-descoberta.

    Temos uma animação muito cuidada, com designs altamente detalhados e muito originais. Os cenários estão muito bem pensados e as sequências de acção fazem um excelente uso do seu valor de produção.

    Também a música nos permite entrar neste universo encantado com grande excelência, embora as OPs e EDs sejam um pouco vulgares.

    Talvez o grande defeito deste anime seja o perder-se em detalhes da vida normal, fugindo um pouco ao foco das personagens. Apesar de tudo, foi uma grande aventura e recomendo que o vejam. :)

  • Kokkoku

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    Kokkoku
    Kimura Makoto - Geno Studio
    Anime - 12 Episódios
    2018
    6 em 10

    Este é um anime de acção e alguma violência passado num universo muito diferente do habitual: o universo das coisas paradas. Fazendo uso de alguns poderes misteriosos, uma família tentará sobreviver ao mundo das coisas que estão paradas e lutar contra uma organização terrível que está a tentar destruí-los.
     
    Este anime tinha tudo para ser interessante. Um conjunto de personagens bastante original era o foco mais importante: uma família sem grande esperança, em que os seus membros não têm grane sucesso na vida, vê-se de repente com a capacidade de poder mudar alguma coisa no mundo e salvar algumas pessoas. Também o universo que nos é sugerido é muito original^: o tempo fica parado e, com isso, todas as acções também deixam de acontecer. A cinética das coisas muda de perspectiva e este universo dá às personagens algumas capacidades surpreendentes.
     
    Infelizmente, a execução acaba por ficar aquém das expectativas. Para começar, os antagonistas são muito óbvios e pouco desenvolvidos, sendo que todo o conceito de "máfia" aqui subjacente não tem qualquer tipo de força. Também os misteriosos elementos do mundo das coisas paradas recebem uma explicação melodramática e pouco plausível, que nos deixa um pouco indiferentes ao que possa vir a acontecer.

    A animação tem bastantes falhas, sobretudo quando há uso de animação tridimensional, sendo que as cenas de acção acabam por ser muito aborrecidas e as estratégias utilizadas pouco claras. O design dos "monstros" é muito estranho e difícil de compreender, tornando a sua utilização algo confusa.

    A banda sonora não surpreende.

    Um anime cheio de potencial, mas que ficou para trás.

  • Koi wa Ameagari no You ni

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    Koi wa Ameagari no You ni
    Watanabe Ayumu - Wit Studio
    Anime - 12 Episódios
    2018
    5 em 10

    Na altura, escolhi ver este anime porque a sinopse parecia prometedora: uma história de amor com uma diferença de idades.

    No entanto, esta série acabou por ser mais um romance e um encontro da personagem consigo própria do que outra coisa. O inusitado romance é tão improvável como mal caracterizado: uma rapariga apaixona-se pelo manager do seu part-time. Este, afinal, é muito mais que um manager de um café e tem também sonhos e vontades. Apesar disso, a timidez de ambos e a falta de confiança que demonstram, tornam o início da sua relação muito quebrado.

    O problema principal aqui é que não há qualquer referência ao impacto social de uma relação deste género. Talvez no Japão seja normal adolescentes apaixonarem-se por homens mais velhos, divorciados e com filhos, mas pelo menos deveria ter existido alguma referência ao facto de ser um abuso da estrutura de poder dentro do café do part-time (chefe vs subordinado). Gostei, ainda assim, da conclusão da história, que foi triste e bastante realista.

    A arte, infelizmente, é terrível. Erros de anatomia constantes, má utilização de sombras e cores, todo o ambiente de chuva muito negro e pouco relevante para o desenvolvimento da narrativa. O aspecto de rascunho da maior parte dos designs não traz qualquer vantagem.

    Musicalmente, é um anime pouco completo, apesar de uma ending bastante amada pela população em geral.

    Um desapontamento.
  • Hakumei to Mikochi

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    Hakumei to Mikochi
    Andou Masaomi - Lerche
    Anime - 12 Episódios
    2018
    7 em 10

    Vamos terminando os animes da season de Inverno de 2018, sendo que este foi não só o primeiro mas também o meu preferido.

    Esta é uma história sobre pessoas pequeninas. Hakumei e Mikochi são duas raparigas de estatura muito pequena que vivem dentro de uma árvore. Este anime mostra-nos as suas pequenas aventuras diárias, o seu trabalho, a forma como vivem e a sociedade onde vivem.

    É um anime simples, episódico, mas que a cada momento que passa nos mostra mais coisas sobre este universo fascinante das pessoas da floresta. Vamos aprendendo como está estruturado o mundo em que vivem e aprendendo cada vez mais detalhes de como estas pessoas diminutas fazem a sua vida normal. Isto, para mim, foi a melhor coisa deste anime que, com uma arte luxuriante e muito detalhada, nos leva para um envolvente mundo vegetal.

    As personagens são amorosas e as suas personalidades muito agradáveis. Apesar de bastante simples, a forma como cada uma delas lida com os seus problemas diários traz-lhes uma grande dose de realismo e, consequentemente, torna também o universo mais plausível. Devo dizer que ggostei tanto dos designs que gostaria de fazer cosplay da Hakumei, se um dia houver uma Mikochi para me fazer companhia. Por isso (e só por isso), não a adiciono logo à minha lista de planos no Cosplay Portfolio. :p

    Musicalmente não temos nenhuma característica especial, mas podemos dizer que a banda sonora se coaduna com o ambiente florestal.

    Gostei imenso deste anime e recomendo bastante.

  • O Meu Mundo Não É Deste Reino

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    O Meu Mundo Não É Deste Reino
    João de Melo
    1983
    Romance

    Oh céus, há quanto tempo! Será que me devia apresentar, após essencialmente duas semanas de ausência, como uma qualquer blogger toda gira? Talvez.

    AIO

    É assim que elas dizem, né?

    Bem, adiante. Desculpem a ausência prolongada, mas tenho andado numa roda viva, entre trabalhos diversos e o meu cosplay... Não deu tempo de vir escrever nada. Mas agora já cá estou e vou começar por falar de um dos livros que mais gostei nos últimos tempos.

    Quando falamos de literatura açoreana, normalmente recordamos discursos de pobreza e fatalismo, sempre em envolvência com o terror do mar. Desta vez temos uma perspectiva que, embora não se afaste da rudeza do povo, distingue-se pela forma mágica e etérea como a vida nas ilhas é retratada.

    Acompanhamos as aventuras de um grupo de aldeões que, longe do mar, desconhece tudo acerca da vida moderna e continua a viver segundo hábitos e dizeres antigos que, na maior parte das vezes, são apenas motivo para novas tragédias e para novas manifestações de uma fé dura e dolorosa.

    Estas pessoas têm vidas estranhas e, por vezes, difíceis de juntar à realidade que conhecemos. Os acontecimentos tornam-se mitos ainda antes de terem terminado e a progressão do tempo é tão rápida como fantasiosa. Existem alguns elementos que não poderiam existir mas que, dentro deste contexto, fazem todo o sentido.

    Para além disso, o livro retrata de forma tanto fiel como sarcástica a vida do povo menor das ilhas, do povo ignorante que se fia no padre e na autoridade, do povo que nada consegue fazer.

    Escrito de forma rápida e bem humorada, é uma leitura absolutamente fascinante.
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