• Daqui Ninguém Passa!

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    Daqui Ninguém Passa!
    Actos Urbanos
    2017
    Teatro

    Ainda incluído na Mostra de Teatro de Almada, fui ver esta peça juvenil a convite da sua dramaturga, que por acaso é a minha querida vizinha do segundo. :) Devo dizer que me diverti imenso e que, passados todos estes dias, ainda me rio cada vez que penso nisto!

    Inspirado num livro editado pela Planeta Tangerina no ano passado, esta peça conta-nos a história de um simples soldado que tem ordens de dividir o palco ao meio. E dali... NINGUÉM PASSA!Ora, o problema é que toda a gente precisa de passar para o outro lado, pelas mais diversas razõesrazões, desde encontrar o amor da vida até ir à casa de banho.

    De uma forma hilariante, muito dependente da biomecânica dos actores (que, diga-se de passagem, apesar da falta de experiência não estavam menos que brilhantes!), cada personagem ou grupo de personagens dá o seu melhor para passar para o outro lado. Até que, finalmente, com toda a naturalidade, um cão (o melhor papel!) faz o que tem a fazer. E assim se faz uma revolução!

    Uma forma simples e natural de mostrar a um público mais jovem como nos podemos revoltar contra o sistema, como podemos combater a autoridade e como podemos lutar por aquilo em que acreditamos. Um texto hilariante com actores no nível certo que puseram uma sala cheia a cantar FORA TEMER TIBÉRIO! =D
  • As Mãos Sujas

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    As Mãos Sujas
    O Grito & Rugas
    Texto - 1947 / 2017
    Teatro

    Perdi a oportunidade de ver esta peça aquando a sua estreia. Queria muito vê-la, pois mantenho diálogo com alguns dos membros do grupo O Grito, um dos intervenientes desta peça, e também porque não queria perder a oportunidade de ver uma peça de Sartre, um autor de que gosto muito neste género.
     
    Infelizmente a peça desapontou-me um bocadinho, sem desfazer do talento de todos os inervenientes. Vejamos. ;)
     
    O texto é agudo, ácido, óptimo. Um homem acabado de sair da prisão vê a razão que o levou até lá: um partido, a obediência a um partido, a fé cega nas decisões superiores de um partido que nunca é nomeado. Estes superiores decidem colocar a sua fé e coragem à prova: deverá assassinar um outro líder, com a qual acaba por formar amizade. Mas este personagem está tão imerso na obrigação do dever, o de matar, que acaba por deixar de conseguir racionalizar, entrando num desespero incoerente que culmina no crime passional que há-de o levar à prisão.
     
    A encenação, sendo inteligente na utilização do espaço, peca em alguns momentos. Alguns momentos estão simplesmente vazios, intercalados com uma música que destoa do contexto da peça, sendo que outras vezes  os personagens não transparecem a sua realidade devido a alguma falta de mecânica dos actores. Gostei bastante do jogo de luzes, embora por vezes pequenos erros de posicionamento o tornassem demasiado evidente.

    Ainda assim, estes apreendem bem os seus personagens e existem alguns momentos de çpuro génio. Infelizmente, não estão por toda a peça e, por isto, ela perde um pouco o seu equilíbrio. Gostaria, no entanto, de ver muitas mais peças por este grupo!

  • Synecdoche New York

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    Synecdoche New York
    Charlie Kaufman
    2008
    Filme
    7 em 10

    Um estranho filme que nos faz pensar e reavaliar o nosso próprio conceito de narrativa.

    Um encenador de teatro começa a fazer uma peça impossível. à medida que a sua saúde se vai deteriorando e as relações à sua volta se começam a desfazer, a sua peça toma proporções ilógicas, em que cada um dos intervenientes da sua vida tem cópias seguidas de cópias a viver uma vida de cópia copiada de uma cópia.

    No final, a minha interpretação vai de encontro ao facto de que este é um sonho imediatamente antes do momento final, em que todos os medos e traumas do personagem são visitados da forma mais absurda e perturbadora possível. Existem muitos símbolos misteriosos (a figura materna, a casa em chamas...) que requerem alguma interpretação mais completa, mas à primeira vista fiquei com esta sensação.

    Noutro aspecto, fique uma nota para o brilhantismo do trabalho cénico e para o talento utilizado na maquilhagem. Temos aqui actores que se repetem a si mesmos em espaços que se repetem a si mesmos, assim como na estrutura de um pesadelo real.

    A música também contribui em muito para este sentimento de pavor constante, sendo que tem muitas peças memoráveis.

    Um filme que se estranha, mas que depois se entranha.
  • Legend of the Galactic Heroes Gaiden

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    Legend of the Galactic Heroes Gaiden
    Ishiguro Nobuo - Artland
    Anime - 28 Episódios + 24 Episódios
    1998
    7 em 10

    Do universo de Legend of the Galactic Heroes, uma série que amo de paixão,  retirei este Gaiden, um conjunto de OVAs divididos em nove arcos que nos apresentam algumas histórias que servem como prequela aos acontecimentos que ocorrem na série propriamente dita.

    Estes Gaiden acabam por se tornar especialmente interessantes apenas para aqueles que já sã fãs da série. Isto porque o desenvolvimento dado aos personagens só se torna realmente relevante a partir do momento em que os conhecemos enquanto pessoas já previamente apresentadas e, consequentemente, desenvolvidas. O Gaiden dá-nos a oportunidade de acrescentar detalhes ao plano geral que já tínhamos dos nossos queridos Reinhard, Kircheis e Wang Wenli, mas não nos permite conhecê-los.

    De resto, temos uma arte absolutamente exemplar, com designs extraordinários de maquinaria e belíssimos cenários, coisa a que a série em si já nos tinha habituado. Neste caso, como o ano de produção é um pouco mais avançado no tempo, temos uma melhor qualidade de imagem e cores, mas as diferenças são irrelevantes.

    Note-se também uma banda sonora brilhante, plena de clássicos que todos amamaos, sempre utilizados nas melhores ocasiões.

    Uma série imperdível para os que são fãs de LotGH!

  • Jean-Charles, Amor de Calções

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    Jean-Charles, Amor de Calções
    Onésimo Teutónio de Almeida
    2012
    Conto

    Nunca tinha lido nada deste autor, considerado um erudito no campo do estudo da literatura portuguesa, mas devo dizer que não fiquei nada satisfeita com este conto.

    Um estudante troca e-mails com o seu orientador de tese, um tal Alberto, tentando convencê-lo a escrever um conto ou um romance ou o que seja sobre as aventuras de Miguel, misteriosa personagem, filho de Alberto, sempre com uma resposta na ponta da língua.

    Aqui, o principal problema é que não sabemos a idade de Miguel. As suas respostas são muito sofisticadas para uma criança (embora possamos argumentar que não se trata de uma criança normal), mas são demasiado infantis para um jovem adulto.

    Assim, mesmo que isto seja um relato real de um filho do autor, o realismo cai de borco e o interesse pelas histórias de Miguel desaparece progressivamente. A parte do conto que achei mais interessante foi, na verdade, a discussão académica propriamente dita.

    Mas não descarto a possibilidade de ler outras coisas deste autor.

  • Insónia

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    Insónia
    Stephen King
    1994
    Romance

    Foi a minha segunda experiência com Stephen King. Apenas não estava à espera de encontrar uma brutalidade de 600 páginas de leitura, razão pela qual demorei um pouco mais de tempo a terminar este livro do que o que demoro habitualmente. Apesar disto, é um livro muito simples e directo ao assunto, fácil de ler e um pouco viciante.

    Ralph Roberts é um velhote, recentemente viúvo, que sofre de insónias. Cada dia que passa, ele acorda cada vez mais cedo, até não dormir de todo. Quando isto acontece, algo estranho ocorre: ele começa a ver as auras das pessoas, dos animais, das plantas, dos objectos... E a partir daí vai meter-se numa grande aventura entre o acaso e o desígnio, com ajuda da sua amiga Lois, em que terá de enfrentar forças muito mais poderosas do que alguma vez imaginou.

    O livro é interessante sobretudo pela descrição das auras, muito coloridas e luminosas, e pela tentativa de decifrar o que as coisas significam. No entanto, não está muito claro no respeitante aos fenómenos sobrenaturais e às suas explicações, pois quem as dá também não tem conhecimento sobre o quadro geral e total. Existem algumas situações violentas, mas no geral é um livro simples com alguns momentos de acção pontuando toda a narrativa.

    Começo a perceber um padrão em Stephen King que é muito interessante: ele faz uma tentativa de abordar algum assunto fracturante da época em que se encontra. No caso, enfrentou o tema do aborto, embora o debate tenha ficado pelo caminho.

    Fiquei com vontade de ler mais livros deste autor, sobretudo os mais famosos!
  • AmadoraBD 2017

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    AmadoraBD 2017
    Evento
    Após grandes inquirimentos sobre o porquê de não haver, por mais um ano, cosplay no AmadoraBD, desistimos de perguntar e fomos lá na mesma. A nossa querida vizinha havia-nos oferecido alguns bilhetes, pelo que fui juntamente com alguns amigos, dos quais depois me perdi (mas não faz mal) :)
     
     

    Este ano o tema era "reportagem". Isto é, como é que a banda desenhada pode ser utilizada como instrumento de reportagem, quer oficial - em jornais e revistas - quer de forma mais pessoal, através do relato das experiências dos próprios autores. Na exposição principal pudemos ver alguns destes exemplos, desde a época mais antiga até à actualidade. Fizeram uma coisa engraçada: em algumas paredes havia tiras que se podiam virar e, do outro lado, estava a notícia às quais eram relativas. No entanto, a organização temática poderia ter sido feita de outra forma. Talvez a ordem cronológica tivesse funcionado melhor neste contexto.









    Gostei muito de ver estes blocos de notas, pois o autor tem um blog que sigo: O Desenhador do Quotidiano :)
     
    Depois seguimos para a segunda parte da exposição, dedicada a alguns autores internacionais e nacionais que tiveram algum tipo de relação com o tema proposto, o da reportagem. Admirou-me, no entanto, ver um painel dedicado em exclusivo ao desenhador das mascotes das festas de Lisboa, com uma série de merchandise desenhado por este, já que o seu trabalho enquanto desenhador de BD empalidece perante o seu trabalho no relativo à publicidade e, assim, não entendi o que fazia ele no meio da reportagem e da caricatura.



     Os miúdos aos gritos: São mamilos!





    Para além disso, a organização deste espaço era extremamente confusa, com um jogo de espelhos muito estranho que nos impedia de saber para onde estávamos a ir. Noutra nota, esta exposição não era exactamente familiar, existindo muitos elementos que não eram de todo apropriados às camadas mais jovens disfarçados no meio da diversão.

    Seguimos para as lojas onde comprei:
    • Pétalas, de Gustavo Borges
    • Como Falar com Raparigas em Festas, Fábio Moon e Gabriel Bá, a partir de Neil Gaiman
    Também ganhei um marcador de Nana de bónus, na Dr. Kartoon! =D

    Estava com muita vontade de comprar alguns volumes do grande vencedor dos Prémios Nacionais de BD, a Chilli com Carne, mas estavam com preços muito pouco atractivos, o que me deixou de pé atrás. Na Polvo também havia alguns títulos que me interessavam, mas a minha contenção de custos não me permitiu o investimento... Apesar de isto ser um festival, ou feira, ou como chamem, achei que os valores editoriais dos trabalhos disponíveis não eram nada acessíveis...

    Indo para o andar de baixo, o chamado Menos Um, encontrámos algumas exposições deedicadas ao universo do autor norte-americano, os comics, e também algumas exposições dedicadas ao livro infantil e a autores premiados anteriormente. Nesta secção, o Mário da Kingpin estava a fazer uma visita guiada, da qual assistimos um pouco, e que estava a ser muito interessante.




















    Vimos também os participantes e vencedores dos Prémios AmadoraBD para amadores, que tinham trabalhos tanto estranhos como interessantes. Pessoalmente, gosto imenso de ver os trabalhos dos amadores e o que eles têm para nos dizer.

     Ri totais com este Pseudónimo


    Entretanto comprei umas pipocas. Acho que foi a primeira vez que comprei um snack no AmadoraBD! Quando chegámos tinha comido dois deliciosos croquetes num dos cafés estranhos à porta, mas lá dentro foi novidade!

    Vi também a banca de artistas e merchandising própria do evento e fiquei tentada em comprar um bloquinho, mas depois desisti.

    Voltámos para casa e comemos muita pizza.

    Um dia feliz. :)

    VIVA!
     



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