Fantastic Beasts and Where to Find Them
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Fantastic Beasts and Where to Find Them
David Yates
2016
Filme
6 em 10
Eu adoro o Harry Potter, mas vou confessar-vos uma coisa: eu detesto os filmes da saga. Sabem, eu tinha a idade do Harry Potter entrar em Hogwarts quando comecei a ler a série. Portanto, os filmes foram uma coisa completamente diferente do que tinha imaginado. Quando saí do cinema nesse primeiro filme, chorava de raiva por terem destruído totalmente a minha fantasia. Só vi três dos filmes.
Mas eis que surge uma nova oportunidade a dar neste universo! Este filme novo é inspirado num livro muito pequenino, mais um glossário de espécies bizarras do que um romance propriamente dito. Assim, existe nesta história uma grande versatilidade, sendo que estava ansiosa por saber o que viria daí. O resultado é interessante, mas não espectacular.
Segue a história do fulano que escreveu este glossário, Newt Scamander, numa aventura pelos Estados Unidos. Ficamos a conhecer um pouco mais da magia pelo mundo, mantendo um espírito muito puro às ideias originais da saga. Os personagens são cativantes, em especial no No-Maj (americanês para Muggle) e é-nos mostrado um bocadinho da história da magia antes da chegada daquele cujo nome n~ão deve ser pronunciado.
Não será o filme ideal para quem não conhece nada sobre o mundo mágico de Harry Potter, se bem que nos são mostrada coisas nunca antes vistas, como uma variedade fascinante de espécies animais e vegetais.
Os efeitos especiais, sobretudo as animações dos animais, poderiam ter sido muito melhores, houvesse havido um melhor investimento nesta secção em vez da dedicação às cenas de acção, que poderiam ter sido muito mais reduzidas.
Gostaria de ver mais instâncias desta nova série, mas espero que não o façam ad nauseum.
By : ladyxzeus
Aquarius
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Aquarius
Kleber Mendonça Filho
2016
Filme
6 em 10
Este filme brasileiro, um dos candidatos a candidatos para o Óscar nesse país, sofreu uma grande controvérsia altamente mediática na altura em que foi lançado. Claro que nós, por aqui, só soubemos disso quando o filme saiu numa boa versão na intermete, pelo que tive de pesquisar um pouco para saber o que aconteceu.
O que aconteceu, coisa que descobrirão se observarem a película, não tem nada a ver com o filme, embora os seus produtores (franceses? A Petrobras?) sejam um pouco estranhos. O que se passou foi que quando a equipa deste filme o foi apresentar a Cannes fizeram um pequenino manifesto contra o impeachmente de Dilma. E, como é evidente, foram imediatamente catalogados como o mal rubro e certos críticos afirmaram que o filme não deveria ser visto pelas pessoas de bem.
Bem, como eu vi o filme agora parece que deixei de ser uma pessoa do bem. Deixarei agora que o mal me absorva na totalidade e passarei a falar um pouco sobre o filme. :)
Clara, uma jornalista e escritora na casa dos 60 anos, vive num prédio à beira de uma praia no Recife, prédio encantador com tudo o que ela adora e, sobretudo, com grandes memórias. As memórias estão em todo o lado, mas sobretudo nos discos de vinil que ela colecciona e que têm - cada um deles - histórias muito especiais. No entanto, um ambicioso arquitecto quer comprar o seu apartamento para renovar todo o Edifício Aquarius num objecto de alta modernidade inspirada pelos estadunidenses. Mas Clara não vai ceder.
Mais do que um filme da luta contra o sistema, este filme mostra as fragilidades de grande parte do sistema. Mostra o lado mau das faixas oponentes da sociedade brasileira actual de forma simples mas incisiva, criticando os personagens mas nunca deixando que se tornem caricaturas. No entanto, parece-me que o foco principal do filme é a observação do passado da personagem, com uma excelente interpretação de Sónia Braga, através da sugestão da música.
Assim, a narrativa acaba por ser bastante simples, embora não totalmente previsível.
Não apreciei, de todo, as cenas sexuais um pouco explícitas, sendo que penso que o filme teria passado melhor sem elas.
De todos os modos, é sempre bom ver um filme do meu outro país. Esperemos que mais vpessoas se tornem do mal e o vejam. :)
By : ladyxzeus
Florence Foster Jenkins
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Florence Foster Jenkins
Stephen Frears
2016
Filme
7 em 10
Curiosamente, havia visto recentemente um outro filme inspirado pela mesma história real. Foi interessante ver as diferentes interpretações da história, sendo que nesta versão se mostra um relato um pouco mais fiel do que realmente terá acontecido.
Florence Foster Jenkins foi uma senhora da alta sociedade Nova Yorkina que amava a música. Adorava organizar concertos, sempre apresentados pelo seu marido e manager (um monologuista), e - sobretudo - cantar neles. Infelizmente, acontece que ela não sabia cantar. Não fazia ideia disso, mas a verdade é que cantava pessimamente.
No entanto, a sua carreira começa a ser um sucesso descontrolado quando ela grava um disco e o envia aos cuidados dos soldados que estão neste momento a combater a segunda guerra mundial. Será que as coisas vão correr bem? Talvez sim... Talvez não... Talvez talvez. :)
A história retrata com fidelidade a época e a sua alta sociedade, fazendo-o com muito humor, de forma discreta mas sempre corrosiva. Devemos observar estes actores no seu trabalho, se quisermos ter inspiração para essa actividade, porque se revelam absolutamente exactos, com uma técnica irrepreensível mas, acima de tudo, com uma grande paixão. Meryl Streep continua a enganar toda a gente: desta feita poderíamos mesmo acreditar de que se tratava de uma senhora doente, irresistivelmente pouco talentosa, frágil, ultra-dependente.... Mas ainda assim amável e adorada pelos que a rodeiam. Já Hugh Grant surpreende, pois confesso que nunca o tinha visto num bom papel. A verdade é que talvez a idade lhe tenha feito bem e que agora consiga revelar aos poucos todos os talentos latentes debaixo destes anos de aprendizagem.
Um filme de risos e lágrimas, que dá muita vontade de conhecer a personagem inspiradora desta história. E talvez até mesmo ouvir o seu concerto no Carnegie Hall!
By : ladyxzeus
Objectos Cortantes
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Objectos Cortantes
Gillian Flynn
Romance
2006
Surgiu a oportunidade de ler este livro através do BookCrossing, onde foi sugerido como um bom thriller ligeiramente horripilante. Estava com saudades de ler algo deste género mas, infelizmente, ainda não foi este livro que me encheu as medidas.
Uma jornalista que se afastou da família há muito tempo é escalada para ir à sua cidade natal para que investigue dois assassinatos de crianças que poderão estar (ou não) relacionados. Lá, terá de reatar relações com a sua perturbada mãe, sempre assombrada pela morte de uma irmã mais nova, e conhecer uma outra irmã ainda mais nova, sendo que ao mesmo tempo tem de evitar a todo o custo as más línguas desta cidadela pequena.
A história seria interessante se não fosse plenamente previsível para alguém com conhecimento do Síndrome de Munchausen by Proxy (nomeadamente, eu). A evolução do mistério caminha toda para esta evidência e para a revelação final, para a qual é dada uma dica muito estragativa na própria sinopse do livro. Tendo isto em conta, teremos de nos apoiar nas personagens para que possamos ter uma narrativa plena.
Infelizmente, a autora peca por exagero na caracterização das suas personagens. A personagem principal, sendo naturalmente fraca, tem sempre uma inclinação para explorar ainda mais a sua própria fraqueza, sendo que todas as conclusões tomadas ao longo do livro parecem coincidências. Isto é, aparentemente a personagem não faz absolutamente nada para que consiga descobrir o fio à meada, sendo que este lhe aparece subitamente por conversas com conhecidos e amigos. Para além disso, para uma personagem tão perturbada com a sua imagem, a vida sexual que se apresenta no livro é plenamente exagerada e, simplesmente, desnecessária. Parece que há aqui uma dicotomia do "rapaz bom-rapaz mau", tão habitual de um livro para a adolescência... Noutro campo, as outras personagens também estão exageradas a um nível que ultrapassa o realismo exigido pela narrativa. A mãe é sempre vista como absolutamente psicótica, embora ninguém (aparentemente) dê por isso. A irmã mais nova tem, aos treze anos, uma vida arrebatada pelas drogas e sexo, o que parece altamente improvável tendo em conta o universo em que vive.
Finalmente, a tradução é muito inexacta em alguns pontos (por exemplo, chamaríamos "E" em vez de "X").
Foi uma boa tentativa, li este livro de uma assentada, mas bem vistas as coisas ficou bastante aquém do que tinha esperado.
By : ladyxzeus
A Morte de Virgílio
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A Morte de Virgílio
Hermann Broch
1945
Romance
Este foi um dos livros preferidos do meu pai dos últimos tempos, a ponto de ele o ter lido avidamente por mais de uma vez. Por isso, emprestou-mo para saber a minha opinião e me converter aos encantos líricos desta narrativa. Infelizmente, tal não obteve resultado, sendo que da nossa última conversa literária adveio grande encabulamento enquanto eu estava a explicar porque não estava a gostar. Penso que o meu pai ficou um pouco triste, mas passarei a explicar melhor o que achei desta obra. :)
Virgílio, a quem não saiba, foi o poeta romano que escreveu o épico "Eneida", glorificação do seu império, dos seus deuses e dos seus imperadores E QUE (!!) eu nunca li. O livro inicia-se com o seu regresso da Grécia, onde estava a passar uma temporada cultural, para que devolva o manuscrito da Eneida ao César Augusto. No entanto, o autor encontra-se muito doente.
A primeira metade do livro, que consiste na viagem até à habitação por ruas cheias de gente a sua primeira noite nesta, ardente em febre, foi o exercício mais aborrecido que li nos últimos tempos. Isto não tanto pelo conteúdo da narrativa, que acaba por ser uma contemplação bastante bela (dentro do contexto) da morte próxima e da vida enquanto reflexo da morte, mas pela forma. A forma como tudo isto está escrito é muito irritante, porque o autor repete conceitos e palavras ad nauseum, tornando esta leitura num verdadeiro pesadelo gramatical (em vez de um pesadelo astral, conforme o vivido pelo personagem). Para dar um exemplo, imaginemos que eu escrevia todas as minhas palavras escritas de uma forma bem escrita, escrevia todas as minhas palavras, sim, escrevia palavras de forma moderadamente escrita, mas todas as palavras que escreviam incluíam as palavras escrever e as palavras palavras. É mais ou menos assim por cerca de 200 páginas.
No entanto, a partir da terceira parte (segunda metade) o autor recupera-se plenamente e temos um capítulo imensamente interessante em que existe uma melhor caracterização do personagem enquanto ser vivente, baseando-se na sua relação com os outros, os seus amigos e o próprio César. Nesta parte torna-se mais evidente que existem alguns personagens que não existem neste plano, sendo a sua presença causada pela pura imaginação febril de Virgílio. Estes personagens são altamente simbólicos, talvez relatando cada uma uma parte da vida do personagem, talvez representando cada uma uma parte dos desejos do personagem, tanto que elas lhe dizem coisas que deve fazer, acções que deve tomar que fariam todo o sentido se não fossem as pessoas "reais" a impedi-lo. Esta secção é literatura pura, da mais prazerosa que li ultimanmente, com diálogos fascinantes, imagens lindíssimas e cativantes.
Depois, numa parte final muito curta, o autor volta à técnica do início (apesar de não tão evidente) e mostra a forma como Virgílio vai para "o outro lado" e encontra o deus uno e verdadeiro. Situação ligeiramente desconfortável, considerando que o senhor haveria de ser panteísta.
Um livro que me deixou muito dividida. É complexo, difícil de navegar, com uma escrita bizarra na maior parte da narrativa, mas penso que a secção da "Terra" talvez possa compensar todos estes elementos. Lá que dá vontade de ler a Eneida... Isso dá!
By : ladyxzeus
The Fits
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The Fits
Anna Rose Holmer
Filme
2015
6 em 10
Vimos este filme independente, pois era o mais curto que tínhamos disponível e eu precisava de ir dormir. :p
Toni é uma menina que se dá com os rapazes. Afinal, está no boxe e dedica todo o seu tempo a treinar esta modalidade. No entanto, no mesmo ginásio, existe um grupo de dança que a fascina. As "Lionesses" são lindas, poderosas, ganham imensos prémios. Por isso, ela decide juntar-se a elas e tentar dançar também. A sua integração é difícil, mas tudo está a correr bem até ao momento em que as raparigas do grupo começam a ter ataques convulsivos, motivados por uma razão misteriosa que nunca é esclarecida. O medo começa a crescer. O que será que podemos fazer?
Trata-se de um filme muito simples, com parcos recursos que se evidenciam nos cenários, roupas e métodos de filmagem. No entanto, a autora consegue fazê-lo funcionar na perfeição, sendo que utiliza precisamente estas limitações para acrescentar uma aura de mistério e suspense a toda a narrativa que, em conclusão, se apresenta quase como simbólica.
É um filme de descoberta pessoal, de crescimento da personagem, de integração com o grupo. Não é um filme pleno de moral e de eventos de auto-satisfação, mas demonstra muito bem estes elementos através de uma história cuidada, personagens cativantes e paisagens perturbadoras.
Teoriza-se que, talvez, os "fits" sejam uma manifestação colectiva do encontro social: isto é, apenas o primeiro teria existido realmente e os outros tenham sido involuntariamente fingidos. Para mim, os "fits" representam algo mais. Algo que as raparigas adquirem com a maturidade, integração, algo que não se pode explicar. Não terão acontecido realmente. Tudo não passa de uma metáfora.
Será que é assim? Vejam para saber. :)
By : ladyxzeus
Desgraça
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Desgraça
J.M. Coetzee
1999
Romance
Já há muito tempo que não participava num Ring do BookCrossing! :) Este livro foi o regresso à TBR de papel, que há muito estava relegada para leituras Kobísticas. Nunca tinha lido nada deste autor e devo dizer que tinha muita curiosidade.
Este livro fala da vida normal de uma pessoa um pouco anormal. Este professor universitário de 50 anos tem um problema com as mulheres, sendo que o satisfaz regularmente com uma acompanhante discreta. Quando a descobre fora do hotel em que partilham uma noite por semana, começa a persegui-la, sabe-se lá porque razão, e ela afasta-se. Assim, passa à próxima vítima: uma das suas estudantes universitárias. Mas esta relação vai correr muito mal e relegá-lo para um plano inferior da existência, com a sua expulsão dos quadros da faculdade.
Ora, quando isto acontece ele decide visitar a sua filha, que vive isolada no campo, cultivando flores, numa reminiscência hippie de ligação à terra. Mas a sua desgraça não terminará aqui...
O livro está escrito de uma forma altamente viciante, pleno de referências muito específicas que são sempre demonstradas de forma extremamente simples. A força principal da narrativa encontra-se nas personagens que nela estão encerradas, nomeadamente este professor. A sua caracterização é perfeita, sendo que se denota uma evolução fremente em cada página: passa de um conquistador a uma pessoa resignada com o seu destino infeliz, tratando de assuntos infelizes (a morte de animais necessitados) e aceitando que não pode compreender mais o universo que o rodeia, nomeadamente a sua filha e os seus vizinhos.
Se há alguma falha neste livro, talvez seja precisamente a caracterização destes. Por vermos tudo da perspectiva do personagem principal, algumas atitudes e acções parecem bastante destituídas de lógica ou contexto, sendo que é difícil de compreender as motivações de todo este grupo de pessoas, desde a estudante até ao vizinho e, sobretudo, da filha.
O livro é também um óptimo retrato da moderna África do Sul, um país que para muitos de nós é totalmente desconhecido. Ainda assim, seria interessante ter um pouco mais de detalhe sobre os hábitos culturais e a diferença apartheid que está sempre presente.
Fiquei com vontade de ler mais livros deste autor. :)
By : ladyxzeus
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