• Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu

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    Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu
    Omata Shinichi - Starchild Records
    Anime - 13 Episódios
    2016
    6 em 10

    Anime que surgiu recomendado no meu clube. 

    Trata-se de uma série um pouco diferente, que aborda um tema muito pouco falado, quiçá único. Existe uma espécie de representação tradicional Japonesa, de nome Rakugo, que consiste num contar de histórias, com mais ou menos piada, mais ou menos tragédia. Este anime fala das pessoas talentosas que trouxeram o Rakugo desde o seu auge, no pré-guerra, até à actualidade, em que é uma prática um pouco ignorada.

    Tudo começa quando um rapaz, que esteve preso, deseja muito aprender esta técnica e se junta a um mestre. Depois, conta-se-nos a história deste mestre na sua juventude, e do seu melhor amigo, no seu caminho para se tornarem mestres do Rakugo.

    Esta técnica, este teatro, acaba por ser a parte mais interessante do anime. As histórias são fascinantes e remeta-se uma grande ovação para os actores de voz, que conseguem estabelecer uma técnica perfeita e uma interpretação sem precedentes. Também são muito bons os cenários e as interpretações imagéticas das histórias contadas, que realmente captam a atenção do espectador.

    No entanto, todo o resto da narrativa - relativo à história de amizade entre os dois contadores de histórias - acaba por se tornar numa verdadeira novela mexicana, cheia de voltas, reviravoltas, pessoas que se querem matar, lágrimas e tragédias. Isto retira muito da profundidade dos personagens, sendo que eles acabam por ser muito mais interessantes quando estão a representar do que quando estão a ser eles próprios. Se isto é bom ou mau, deixo a vosso critério.

    Assim, este anime acaba por ser mais um spot publicitário a uma arte que se está a perder progressivamente para outras formas de entretinemtno. TErá o seu valor se motivar algum de nós a ir assistir a uma destas performances.
  • Zootopia

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    Zootopia
    Byron Howard & Rich Moore
    2016
    Filme
    6 em 10

    Este tão famoso filme que já deu azo a tanto cosplay finalmente saiu numa qualidade decente para que o possamos ver em casa. Este filme tem o cunho Disney e acaba por ser um pouco diferente do que esta companhia nos tem habituado. Apresenta-se-nos um filme para toda a família, com alguns detalhes especiais para os adultos mas, ainda assim, completamente acessível para todos os que o queiram ver.

    Num universo onde os animais deixaram o seu lado selvagem e vivem em humanização, uma pequena coelha deseja por tudo vir a ser polícia. Após muito esforço e muita negatividade, consegue formar-se na academia e é destacada para Zootopia, uma cidade em que todos podem ser aquilo que quiserem. Logo no seu primeiro dia de trabalho, em que se vê ocupada com a tarefa ingrata de passar multas, conhece um raposo aldrabão que lhe mostra que a realidade não é tão feliz como se possa pintar. A partir daí nasce um grande mistério com animais que se tornam selvagens, sendo que os dois têm de formar equipa e resolver o assunto antes que ele se torne incontrolável.

    Este filme aborda, essencilamente, uma situação de divisão racial de de classes, tão presente nos Estados Unidos da actualidade. Há uma divisão entre o "bem" e o "mal" (presa vs predador) acentuada e que os personagens desejam eliminar, para que realmente possam todos viver em paz. Cada animal acaba por se apresentar como uam espécie de estereótipo humano, o que poderá não ser muito agradável para as pessoas que se pretende retratar.

    Temos uma animação bastante boa, com detalhes muito curiosos, e atenção à anatomia animal real. As texturas estão muito bem trabalhadas, assim como todos os cenários, havendo uma caracterização profunda do ambiente urbano.

    No entanto, alguns detalhes narrativos deixam bastante a desejar (e esta parte poderá conter spoilers). Antes de mais, porque é que só existem mamíferos nesta cidade? Onde estão os répteis e as aves? Não existem sequer pombos! Noutro aspecto, porque é que só existem animais selvagens e ovelhas? O que é feito dos outros animais domésticos? Fica também a questão: o que é que os carnívoros comem? E, finalmente, se o antagonista se fazia passar por boa pessoa, porque razão os terá ajudado no caminho para resolverem todo o mistério e o poderem acusar no final?

    Devido a estes aspectos, não poderei dar mais do que uma avaliação mediana. No entanto, é um filme bastante divertido. Memorável a cena dos funcionáios das finanças que, tal como na realidade, são todos preguiças.
  • O Elefante Branco

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    O Elefante Branco
    Henri Troyat
    1970
    Romance
    Quando visitei a Conchas Little Free Library, no Jardim da Quinta das Conchas, a propóstio de um assunto do BookCrossing, tinha levado um livro para deixar, com intenção de trazer outro. Trhouxe dois, um dos quais já li. O outro era este. Decidi trazaer este porque me oi contado que o senhor que o tinha deixado gostava muito destes livros e que tinha muita pena que ninguém os levasse emprestados. Assim, decidi dar um pouco de motivação ao senhor! Força senhor!
     
    ao início não estava a gostar muito deste livro. O livro fala de uma "família" de revolucionários russos, composta por três velhos que fugiram desse país antes que a revoução acontecesse, encontrando-se agora exilados em França. Percebem mal a língua e os costumes e têm uma vida pobre, baseada na construção de guarda-chuvas. Aguardam apenas a glória da revolução, que será - segundo eles - consumada o mais brevemente possível. 
     
    Por isso, recebem algumas pessoas que acreditam fazer parte da revolução. No entanto, o seu jeito de idosos acaba por impedir que eles tenham relacionamentos simples com as outras ou que, na verdade, tenham uma vida normal e adaptada.
     
    O aspecto que me pareceu mais curioso foi a ironia da situação de termos um revolucionário que, supostamente, acredita plenamente na diluição de classes sociais mas que, apesar de tudo, trata o seu amigo que o vem acompanhando desde a infância como um mero cirado mujique.
     
    É um livro bastante triste e melancólico. Acabei por o apreciar bastante.

  • Crusher Joe: The Movie

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    Crusher Joe: The Movie
    Yasuhiko Yoshikazu - Sunrise
    Anime - Filme
    1983
    6 em 10

    Há algum tempo que não via um filme de anime. Como a próxima série que ia ver estava a demorar a sacar, decidi ocupar a minha noite (bem, antes de dormir) com este tema.

    Este é um anime sobre pessoas no espaço que fazem trabalhos diversos. Desta feita, têm de salvar uma pessoa e, no processo, salvar o universo inteiro. É uma história que já vimos muitas vezes, sobretudo em animes desta época, com muito pouco a apontar em termos de concepção e originalidade. Assim, este anime pode passar por repetitivo e pouco cativante.

    O mesmo acontece com as personagens. As vozes também não ajudam. Todos eles, os quatro, aparentam ter a mesma caracterização: pessoas livres, de pensamento um pouco infantil, preocupados apenas com a sua diversão mas que, pelo meio, têm valores apetecíveis que os levam a proteger quem necessita de ser protegido.

    O ponto forte do filme será, provavelmente, a arte e animação. O estilo é característico, mas temos muitas cenas de acção que estão animadas com cuidado e coerência até ao mínimo detalhe. Os designs relativos ao ambiente são interessantes, com uma paleta de cores muito variada (raro para um anime desta época) e todas as lutas são muito satisfatórias e fáceis de observar.

    Musicalmente, desapontou-me um pouco. As melhores músicas são as da cena da discoteca, mas o resto é muito pouco explorado, sendo que não obtive nenhuma balada dos anos 80 para me satisfazer a alma.

    Um filme representativo da sua época.

  • Kyouran Kazoku Nikki

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    Kyouran Kazoku Nikki 
    Kuroda Yasuhiro - Nomad
    Anime - 26 Episódios
    2008
    4 em 10

    Há quanto tempo não via eu um anime perfeitamente horrível? Possivelmente desde que vi um hentai com demos, que nem fiz comentário para ele.

    Este anime é mais uma dessas supostas comédias que só têm piada para um grupo altamente específico de pessoas. Tenta contar a história de um grupo de criaturas bizarras que se associam numa unidade familiar a um rapaz normal. Depois, fazem muitas coisas engraçadas, como cantar canções muito desafinados e ir à praia.

    É um anime sem processo narrativo e sem qualquer tipo de desenvolvimento de personagem. Para um anime com tantas criaturas pululando de um lado para o outro, é de surpreender que nem uma tenha tido algum desenvolvimento para além de "eu sou um leão, eu sou uma alforreca, eu sou um alien". E mesmo a sua caracterização inicial está limitada ao aspecto, sendo que nenhum deles tem qualquer atitude que os distinga de uma caixa de papelão utilizada para o transporte de hortaliças.

    A arte e animação são horrendas. Mesmo que isto seja propositado, não há justificação para este conjunto tão mau de cenas, em que a única animação se queda em abanar os braços para cima e para baixo. Muitas vezes nem se dão ao trabalho de animar os movimentos das bocas. O design causa impressão e, no geral, isto é inaceitável para um anime desta época. Seria inaceitável mesmo num anime dos anos 60.

    A música é hiperactiva, irritante e cheia de efeitos sonoros repetidos ad nauseum, tantas vezes reutilizados em todo o tipo de anime. Aparentam ter ido buscar um conjunto de efeitos e musiquinhas à base de dados aberta ao público e metido todos a martelo por aqui e por ali. As vozes são fonte causadora de otites por ácaros Otodectes.

    Enfim, um anime tão mau que só espero esquecer o mais brevemente possível.

  • O Medo

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    O Medo
    Stefan Zweig
    Anos 30
    Contos

    A propósito da organização de um pic-nic Bookcrossing, fui ter ao Jardim da Quinta das Conchas para me encontrar com um amigo online deste agrupamento. Ora, este amigo criou uma coisa muito engraçada neste jardim: uma LFL - Little Free Library. Trata-se de uma casinha cheia de livros, que as pessoas podem tirar à vontade, podendo também deixar outros volumes que lhes pareçam bem. Vejam aqui a página do projecto! Ora, eu tinha levado um livro para lá deixar, tendo intenção de trazer outro para experimentar. No entanto, acabei por trazer dois: um que escolhi da casinha e outro que me passaram porque eu sempre tinha tido curiosidade em ler este autor.

    Este pequeno volume reúne quatro contos que retratam fielmente a vida Europeia nesta época entre-guerras. Falam da vida das pessoas normais, da observação que os personagens fazem das suas actividades e atitudes, numa linguagem simples mas mesmo assim plena de beleza e complexidade. Achei apenas que houve uma repetição demasiada da expressão "articulações anquilosadas".

    Falemos dos contos um por um:

    O Medo - Esta história fala-nos de uma mulher que trai o seu marido e que, perante a descoberta deste facto pela parte de uma pessoa estranha que começa a fazer chantagem com ela, entra numa espiral de pavor e receios, sempre atormentada pela perspectiva de o seu marido descobrir o que se passa. Foi um conto um pouco perturbador e desagradável, na medida em que nos infiltramos totalmente nos receios da personagem e a sua tormenta é transmitida para o leitor.

    Revelação Inesperada de Uma Profissão - Um homem sem muito que fazer naquele dia diverte-se a observar um gatuno a executar o seu trabalho. Este conto parece-me mais um relato da vida diária dos habitantes de uma cidade do que outra coisa. Não tendo muito interesse sobre as conclusões que o narrador tira das atitudes do ladrão, acaba por ser interessante observar os comportamentos das pessoas que os rodeiam.

    Leporella - Este foi o conto que gostei mais. Uma mulher limitada e feia ganha uma paixão pelo seu patrão a ponto de concretizar actos irreflectidos às pessoas que os rodeiam. Achei que houve uma caracterização profunda de todos os personagens, de forma a que podemos identificá-las perfeitamente e encontrar uma ligação com elas. Todos eles aparentam ser detestáveis mas a forma como o autor descreve os seus sentimentos impede-nos de os odiar completamente. Também mostra um pouco da vida diária numa casa rica, o que é algo que sempre me agrada ler.

    O Alfarrabista Mendel - Também gostei imenso deste. Descreve as atitudes de uma criatura estranha que habita uma mesa de café: um alfarrabista que tudo sabe sobre todos os livros. No entanto, o seu final é triste quando estala a guerra e ele, na sua inocência, acaba por ser levado para um campo de concentração. é um conto que nos remete para a paixão pelos livros, sendo que nos leva a ter grande pena por Mendel, este personagem, e desejar que tudo lhe corra bem: afinal de contas, no meio de tudo isto ele apenas quer ler livros.

    No geral, é um conjunto de contos curioso e quase uma referência para a caracterização da época. Gostei bastante e, seguidamente, irei partilhá-lo :)

  • MEO Outjazz - André M. Santos e Mob Ensemble

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    André M. Santos e Mob Ensemble
    Concerto (inserido no Meo Outjazz)

    Aproxima-se o calor e, por isso, começam os concertos em jardins. O Outjazz já se torna hábito e, assim, quando temos tempo para ele nos dirigimos. Na verdade, o nosso projecto de programa para este dia seria visitar o Museu da Electricidade e ver o World Press Photo mas, perante a fila gargantuesca (na qual uns amigos esperaram mais de uma hora), sob um sol abrasador, decidimos ir ver os concertos e depois voltar mais tarde.

    Este concerto passou-se nos jardins da Torre de Belém, em que se podia aproveitar a sombra de grandes árvores cheias de aranhas minúsculas (que me entraram dentro da t-shirt, mas isso é outra história. Note-se que eu até gosto de aranhas pequeninas). O espaço estava bastante liberto, cheio de pessoas com suas toalhas de piquenique e mesmo chapéus de sol. Muitos cães, também, alguns bastante bem comportados.

    A toda a volta estavam instaladas pequenas roulottes de comida (o chamado "Food Truck", em angles), que tinham hamburgueres, Somersby e gelados. Provei um dos gelados, "Paleta" era seu nome, e soube-me lindamente. Desde que li o livro sobre os gelados na época do Luís XIV que estava desejosa de comer um.

    Já o concerto, esse, acabou por ser um pouco diferente do que esperávamos. Para começar, decidimos sentar à sombra: atrás do palco. Assim, podíamos ouvir a música mas não os podíamos ver. Pelo que entendi, o agrupamento contava com uma guitarra, um contrabaixo e um xilofone gigante, para além de outras coisas que não captei. As sonoridades eram jazzísticas, mas na verdadeira acepção do termo chill-out. Na verdade, muitos dos temas sugeridos eram evocações de músicas tradicionais (detectámos um Zeca Afonso), mas recriadas com esta nova instrumentalidade. Pareceu-nos que os músicos têm essa capacidade única de se conseguirem adaptar a cada grupo em que estão, sendo mestres dos seus respectivos instrumentos.

    A qualidade do som era inferior ao que se poderia esperar de uma produção da MEO.

    Seguidamente, entrou um DJ Set que nos mostrou alguns sons do Stevie Wonder e tudo dentro dessa mesma linha. à frente do palco reuniu-se uma multidão dançante.

    Fica a nota para a terrível concepção das casas de banho, que eram apenas quatro cubículos descartáveis (sendo que um estava inoperacional), o que gerou imensas filas de pessoal cheio de chichi. Até assisti a uma conversa entre duas miúdas que estavam à minha frente, que mostra que esta geração do Instagram está completamente desviada dos valores da humanidade (mas tassbem, elas tinham chichi lá dentro e eu também). Para além disso, havia urinóis ao ar livre mesmo ao lado da fila, pelo que um olhar menos certeiro poderia detectar pirilaus desconhecidos a qualquer momento. Não foi de todo agradável.

    Aguardamos, então, novos locais e novos concertos para as nossas tardes de Domingo!

    Nota: quando regressámos o museu já tinha fechado, pelo que teremos de ver as fotografias na net.
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