• Fórum da Interculturalidade

    0
    Fórum da Interculturalidade
    Concertos
    A ideia inicial era ir ao Outjazz, nos jardins perto da Torre de Belém. Lá chegados, eu e R., sentámos e chegámos à conclusão de que era um ambiente que nos causava horror e pavor. A música lembrava aquela que se ouve quando passa um carro com o som muito alto e os visitantes do evento metiam medo. A única parte agradável era ver os cães a brincar. 

    Por isso, fomos em direcção à Praça de São Paulo, perto do Cais do Sodré, onde os amigos de uns amigos iam dar um concerto. Após uma fastidiosa viagem num eléctrico que cheirava a chouriços, instalámo-nos na praça à espera de que acontecesse alguma coisa. Enquanto estivémos sozinhos, a música africanizada foi dolorosa. Assistimos a algumas coisas engraçadas, como discussões entre cães e um senhor velhote a dançar, que estava a ser filmado por um outro cota mais gordo. Se calhar devíamos ter dito alguma coisa ao operador de câmera, que não estava a ser nada discreto. Mas tenho esperança de que a gravação não seja para ser colocada em fóruns anónimos com os ditos "vejam este cromo a dançar", mas para um projecto artístico ou qualquer coisa.

    Reparámos que uma varanda tinha um anjo assustador e mutilado.

    Então chegaram os amigos de amigos e fomos para a frente para ver o tal concerto. Sentámo-nos em cadeiras de plástico. Foi uma tarde já nocturna agradável em certa medida, pelo convívio providenciado por umas garrafas de Don Simon, mas falemos então dos concertos.

    Jazzopa



    Após montagem e preparação do palco, apresenta-se-nos uma banda que tem tudo de jazz. Um piano, uns metais, um baixo, uma guitarra, uma bateria. Tocam uns sonoros de gosto improvisado e, de repente, aparecem os cantantes. Ficamos, então, sabendo que esta banda é um misto de jazz com hip-hop. Isto tem tudo para correr bem. Mas, na verdade, acho que podia ter corrido melhor. Para começar, fazia falta que o instrumental fosse original e não inspirado (ou cópia) de clássicos do género. As rimas do rap estão bem conseguidas no geral, jogando bem com o resto dos instrumentos, mas parecia que dentro da banda não havia a empatia necessária para todos tocarem ou cantarem na sua vez. Para mais, os vocalistas tentaram durante todo o concerto uma muito necessária interacção do público, que não foi obtida: havia muito pouco público a esta hora e ainda não estavam bebidos o suficiente. Ainda assim, é um projecto curioso.

    Djaly Bintou Kanouté


    Passamos para músicas próximas do tradicional da Guiné-Bissau. Não sei o que dizer pois, confesso, não estava com muita atenção. Procurei esta era para buscar alimento, que fui encontrar numa das banquinhas da comida intercultural. Esta era a do projecto "Renovar a Mouraria" e comi uma tal de "Massa Moura", sem cogumelos. Quanto a esta senhora, achei que cantava muito bem, tinha uma voz muito bonita. E gostei imenso da roupa que ela trazia.

    Jorge Riba


    Para finalizar, temos um pouco de música brasileira. Evidentemente que o público, agora mais composto, se passou grandemente durante a totalidade deste concerto, devido aos ritmos sambísticos que o senhor nos cantou. Apesar de tudo, sou da opinião de que - sendo a música brasileira tão variada - limitar-nos a este samba de escola, tão simples (mas tão eficiente) é pouco criativo. Mas gostei imenso da interpretação original da música da Amália que o artista (bom artista) cantou. Foi a única parte em que eu dancei.

    Curioso o aspecto de que quando começa toda a gente a dançar, há algumas pessoas que ficam com aversão aos que - como eu - têm um peso no rabo e estão cansados e não se querem mexer da cadeira. Por isso, insistem, através de olhares, gestos e movimentos de lábios aterrorizantes, que nós nos levantemos e dancemos. Fica a nota de que cada vez que me fazem isto, menos vontade tenho de ir dançar. Considerando que o senhor operador de câmera anteriormente referido continuava, subtilmente, a filmar toda a gente... Menos vontade tinha eu de dançar. Portanto, fico parada.

    Suponho que a noite se tenha prolongado, mas eu fui para casa, pois hoje (o dia seguinte) é dia de trabalho e tenho de estar fresquinha e renovada. Ainda assim, foi giro porque conheci novas pessoas muito simpáticas. :)
  • Tetsuwan Birdy Decode

    0
    Tetsuwan Birdy Decode
    Akane Kazuki - A-1 Pictures
    Anime - 13 Episódios
    2008
    6 em 10

    Isto é um 6 que é quase um 7, porque gostei mesmo muito desta série. :)

    Birdy é uma personagem da imagética passada, mas que eu não conhecia. Assim, é a minha primeira experiência com este franchise. Felizmente, apanhei uma série que tem tudo para ser excelente, começando pelos seus valores de produção.

    Tudo começa quando esta agente alienígena, que procura um objecto super poderoso do qual depende o futuro do universo como o conhecemos, vem ao planeta Terra e, acidentalmente, mata Tsutomu. Um rapazinho perfeitamente normal. A partir daí, passam a partilhar o mesmo corpo, com o perigo das suas mentes se unirem e de ambos desaparecerem. Na busca por esse objecto acabam por, juntos, viver aventuras diversas, quer na Terra quer no planeta de Birdy.

    A premissa é simples e funciona bastante bem, mas a verdade é que a série se alongou um pouco na tentativa de desenvolver os personagens, o que não teve o efeito pretendido. Pareceu-me que as cenas da vida diária de Tsutomu poderiam ter sido eliminadas, pois não têm qualquer interesse nem influência directa na narrativa. Já o mesmo não acontece quando assistimos a cenas no planeta de Birdy, pois conhecemos uma série de alienígenas muito engraçados, o que dá bastante gosto ver. A relação Birdy-Tsutomu tem a sua relativa relevância, já que ambos partilham o corpo, quiçá a mente, o que dá azo a grandes conversas. Poderiam elas ter sido um pouco mais filosóficas, havendo partilha de conhecimentos entre as duas entidades (terráqueo-alienígena), sendo que se limitaram bastante a conselhos sobre o que fazer com a vida quer de uma parte quer da outra. Por outro lado, o ponto narrativo de "temos de recuperar o corpo do Tsutomu" acaba inconsequente e um pouco repetitivo.

    A arte é um excelente aspecto. Fluida, luminosa, com grandes cenas de acção de excelentes coreografias,é um prazer olhar para esta série. Infelizmente, as cenas de acção têm tal potência que acabam por insistir no facto pouco realista de Birdy ser uma espécie de entidade invencível. Fique também a nota para os designs dos personagens, originais, refrescantes e muito bem pensados. Gostei sobretudo das pessoas cão. :>

    O lado musical é, também, um ponto forte deste anime. Com uma banda sonora colorida e animada, mas também emotiva quando os momentos o pedem, a série tem toda ela uma intensidade física e emocional que a torna numa grande experiência.

    Um anime gratificante e que recomendarei conforme necessário. :)
  • Still the Water

    0
    Still the Water
    Naomi Kawase
    2015
    Filme
    6 em 10

    Para variar um pouco, vimos um filme Japonês escolhido pela selecção de Cannes deste ano.

    Numa ilha tropical Japonesa, passam-se coisas da vida normal. Há vida, há morte, há amor, há dúvidas, há depressão. Num equivalente ao fatia de vida do anime, assistimos ao desenrolar da relação entre dois adolescentes, numa ilha isolada onde os mitos e ritos da natureza ainda estão bem vivos.

    O filme é emocional e tem um conjunto de cenas que, individualmente, carregam em si uma grande beleza. Podemos ver, então, a morte e o renascimento, assistindo a rituais que representam precisamente o facto destes momentos serem perfeitamente naturais. No entanto, o desenvolvimento da história acaba por parecer incompleto (afinal, quem é o homem morto) e a evolução da relação adolescente é pouco satisfatória, considerando aquilo que viemos a assistir durante todo o filme.

    Com um excelente trabalho de fotografia, podemos ver vários cenários naturais desta ilha, com o mar - mais ou menos revoltado - sempre presente. Existem cenas que, aliadas a uma maravilhosa banda sonora, são extremamente belas e comoventes. Falando desta, é curiosa a utilização de músicas tradicionais e cantos simbólicos, que trazem bastante intensidade a alguns momentos.

    Não gostei muito da violência impressa nas representações da morte: as cabras, a árvore, espero sinceramente que não tenham tirado vida a estas criaturas para simplesmente as por a aparecer num filme. Sobretudo a árvore.

    Foi um filme agradável e bonito, mas que me recordou constantemente animes do género, quer pela narrativa quer pela qualidade do diálogo. Não diria que esta história, com estas frases, funcionasse bem em anime, mas a verdade é que me recordou bastante esse tipo de media.
  • Mezzo DSA

    0
    Mezzo DSA
    Umetsu Yasuomi - Arms
    Anime - 13 Episódios
    2004
    6 em 10

    Depois de Mezzo Forte descobri que havia uma série com as mesmas personagens. Assim, fui vê-la.

    É um anime divertido, directo ao assunto, que mantém viva a memória do OVA original. DSA é um grupo de três que resolve problemas diversos relacionados com o submundo, de assassinatos a raptos e pequenos casos misteriosos que envolvem robots. De natureza episódica, é uma série recheada de acção, com uma grande componente sensual.

    Os personagens mantém a sua natureza dos anos 90, mas não são desenvolvidos muito mais do que as suas características base. São introduzidos novos personagens ao longo dos episódios que têm um papel mais ou menos relevante dentro de cada uma das histórias. Agradou-me sobretudo o design, que se mantém fiel à época original, sendo muito patente o estilo próprio do autor.

    A animação não se pode considerar incapaz, mas também não é nada de extraordinário. As sombras são fortes, trazendo a toda a série um aspecto cru, duro ou, como gostam de dizer os japoneses, "hard boiled".  Existem alguns erros, mas no geral as cenas de acção estão bastante bem coreografadas, com a intensidade devida.

    A parte melhor é, sem dúvida, a música. É de uma animação e intensidade surpreendentes e fica muito bem em todas as situações. A OP, sobretudo, é memorável.

    Assim, temos um pequeno desenvolvimento do OVA original, o que foi uma experiência bastante engraçada.
  • Chappie

    0
    Chappie
    Neil Blomkamp
    2015
    Filme
    6 em 10

    Vimos este filme em casa. Tinha vontade de o ver depois de uma amiga o ter elogiado bastante.

    Nesta África do Sul, tão futurista mas tão próxima da nossa realidade, gangs e meliantes são destruídos e presos por uma nova tecnologia: polícias robot. No entanto, a confusão começa quando Deon, um cientista que criou um programa de "consciência" para os robots, é raptado por um estranho grupo de gangsters que o obrigam a montar o robot, para que este trabalhe para eles. Mas o robot vem com um defeito: tal como uma criança pequena, tem de ser ensinado. 

    O filme tem um tema relativamente semelhante a outro que vi do mesmo realizador, o District 9. Um encontro improvável vai oferecer-nos as diferentes perspectivas de dois mundos. No caso, o mundo agressivo da realidade dos gangsters, em que sobrevive apenas o mais forte, versus o universo familiar de um grupo de pessoas que, apesar dos problemas na vida, mantém a sua humanidade. Assim, temos uma caracterização muito interessante desta "família", em que Chappie - o robot - é ensinado a ser cada vez mais humano e obtém características completamente inesperadas. Se por um lado ele procura fazer apenas o bem, conforme a sua "mãe" e o seu "criador" lhe ensinam, na outra mão temos a maneira de lidar com a vida do seu "pai" e do amigo Amerika. Isto só pôde ser conseguido por um trabalho de actor bastante interessante, protagonizado pela banda Die Antwoord, que eu não conhecia mas na qual fiquei muito interessada. Afinal, grande parte da banda sonora é também protagonizada por eles e pareceu-me algo de fabuloso!

    Dentro desta narrativa, também não perdemos a oportunidade de ter um inimigo estranhamente psicótico, acreditavelmente assustador. Também aqui fique a nota para o trabalho de actor, pois este inimigo obsessivo e perigoso dá mais intensidade às cenas de acção do filme. Estas, infelizmente, pareceram-me demasiadas e, sobretudo, muito exageradas. A cena final, sobretudo, é exasperantemente melodramática o que, dentro do contexto, acaba por não funcionar muito bem.

    A conclusão é aterradora e dá que pensar no noss lugar enquanto humanos relativamente às maquinas. Aliás, todo o filme acaba por ser um exercício dessa possiblidade. Apesar de tudo, é amoroso e criamos rapidamente laços com os personagens. Assim, posso recomendá-lo.
  • A Vista de Castle Rock

    0
    A Vista de Castle Rock
    Alice Munro
    2006
    Contos

    Este livro foi-me oferecido, com dedicatória e tudo, pelo meu Qui pelo meu aniversário do ano passado. :) *

    Já tinha lido um livro desta autora de que havia gostado muito. Este é um pouco diferente. Trata-se de um conjunto de contos de natureza autobiográfica. Na primeira parte, Alice Munro fala sobre a evolução da sua família, como partiram da Irlanda para o Canadá e como lá se estabeleceram. É uma leitura fascinante, de certa forma, pois conta com exactidão como estas pessoas viviam da agricultura e todos os pequenos detalhes sobre a sociedade da época. Na segunda parte, Munro relata alguns eventos da sua infância e assistimos ao seu crescimento enquanto pessoa. Demonstra como desde sempre foi uma pessoa pouco adaptada, que corria riscos sociais imensos para manter a sua liberdade.

    A escrita é fascinante, directa, sem complexos. As descrições são extremamente cativantes, apesar de por vezes nos mostrarem uma realidade que nem sempre é a mais bela. A natureza é relatada como espectacular, o que é de certa forma irónico: a autora refere muitas vezes que, nesta sociedade, apreciar a natureza era algo considerado bizarro e excêntrico.

    Com este livro fiquei a saber um pouco mais sobre a vida pessoal da autora e como ela chegou ao ponto em que está. Assim, deixou-me com ainda mais curiosidade para explorar o resto da sua obra.
  • Mad Max: Fury Road

    0
    Mad Max: Fury Road
    George Miller
    2015
    Filme
    7 em 10

    Tinha um grande furo no meu horário de trabalho, portanto decidi ir ao cinema em Santarém. Repare-se que era Sábado e que não havia nada que fazer nesta cidade, pois todas as lojas, todos os cafés, todas as coisas... Tudo fechado. Até a biblioteca. Só o centro comercial estava aberto. Enfim...

    Eu sabia muito pouco sobre o Mad Max original. Apenas que inspirou o clássico do anime "Hokuto no Ken". Sabia que por alguma razão o mundo se tornou num deserto e que havia guerras para obter gasolina. Nesta versão do franchise, o ambiente é o mesmo, mas há algumas diferenças. Agora a luta é pelas pessoas e pela água.

    Max é um tipo meio louco que anda pelo deserto. Quando se vê capturado por um grupo de gente ainda mais louca que ele, faz tudo para sobreviver. Acaba por se juntar a Furiosa, uma entidade importante nesta sociedade, numa perseguição e fuga por uma estrada infinita, de forma a tentarem salvar as mulheres do líder desta comunidade, uma espécie de profeta religioso que tem em si tudo o que pode ser mau.

    É um filme de acção do início ao fim. Na verdade, o filme pode ser considerado como uma longa perseguição de carros por um deserto sem fim. E esses carros, camiões, motas, coisas motorizadas em geral, estão muitas vezes em chamas e explodem constantemente. É um filme quente, metálico e altamente viciante. Mas, apesar de ser um blockbuster recheado de acção, este filme tem uma grande dimensão feminina: as personagens são muito fortes e estão todas muito bem caracterizadas, apesar de nunca sabermos muito sobre elas.

    Isto foi, para mim, um aspecto que podia ser melhorado. Na verdade, estamos neste universo, assistimos a flashbacks, assistimos aos vários aspectos de uma sociedade sem nunca saber bem o que se passa, porque é que as coisas são assim. Entramos dentro do filme, mas está tudo fora do contexto e fiquei com muita vontade de saber mais, muito mais, acerca do mundo e das personagens. Para mais, algumas cenas de luta pareceram-me demasiado longas, o que pode ser um pouco fastidioso.

    Mas, no geral, valeu muito a pena ir ao cinema sozinha. É raro desejar isto, mas até quero que façam sequelas sem fim para podermos saber mais sobre este universo fantástico!
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan