• Revista Banzai!

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    Revista Banzai!
    Vários
    Revista de Manga - Volumes 0,1 e 2/Infinitos
    2010

    Antes de mais começo por dizer que este comentário não tem por intenção magoar os sentimentos de ninguém. Tenho alguns dos contribuintes desta revista nos meus contactos, apesar de nunca falar com eles, por isso espero sinceramente que não se ofendam com nada do que eu vá dizer e que o usem de forma construtiva por forma a melhorarem a qualidade da revista e, assim, a façam vender mais e trazer mais fãs ao nosso pequeno universo e aos nossos eventos. Não que eu vá dizer coisas especialmente maléficas, mas fica o aviso e o pedido de não me encherem os comentários com o argumento "porque é que não fazes melhor?" Explico também porque é que eu não faço melhor: porque eu não sei desenhar nem escrever argumento de BD (mas irei aprender num workshop em breve). Mas por acaso até sei bastante sobre a teoria por detrás da criação destas coisas dos quadradinhos, porque em tempos eu pensei que sabia desenhar. E fartava-me de desenhar, sobretudo Neopets. Depois caí em mim e parei de fazer isso. Mas enfim, isso já são coisas que não interessam a ninguém.

    Vou comentar cada uma das histórias conforme vêem no site. Para lerem a sinopse, peço que se dirijam ao dito. Vamos lá?

    TMG - The Mighty Gang


    Isto é um shounen inspirado, claramente, pelos shounens mais modernos de acção, mistério e poderes mágicos. No caso, os elementos. Acho que é uma história que não funciona bem neste formato, nomeadamente neste tipo de papel. O branco é demasiado branco e o preto é demasiado preto, o que faz um contraste um pouco desagradável. Este contraste predomina pela falta de sombras, trames (eu aprendi isto em francês, não sei o nome que as pessoas normais usam). Para ser sincera, foi a história que gostei menos e acho que vai ser a que vai durar para sempre, está-se mesmo a afinfar a ser shounen de longo curso. Não gostei do estilo e achei que houve momentos falhos em termos artísticos. O ambiente é frequentemente quebrado por piadas e expressões "engraçadas", até mesmo durante as lutas, o que me impede de levar a sério o que vai acontecer. Isto é, eu sei que se esta gente está a cair em grandes nuvens de fumo e a rir-se, vão certamente vencer o inimigo. Também achei especialmente parvo usar nomes portugueses para pessoas que não são portuguesas. Existe shounen feito de uma maneira mais interessante e acho que a autora devia procurá-lo para se inspirar.

    Kuroneko


    Eu quando li a Banzai #0, odiei isto por uma razão muito simples: as ovelhas não têm dentes na arcada dentária superior. Têm uma mesa dentária. Por isso, porque raio é que esta ovelha teria dentes afiados? Causou-me tal irritação que releguei esta secção como a pior da revista. No entanto, ao ler os volumes 1 e 2, isto apareceu-me de outra maneira. E tornou-se na minha secção preferida. Os desenhos são muito simples e têm traços fortes, pouco característicos do estilo manga. Isso torna a arte refrescante. As histórias são apenas pequenos momentos, tiras de três quadrados, e situam-se num universo surreal muito reduzido e muito delicado. Muitas das histórias não fazem sentido, mas de certa forma acabam por funcionar muito bem e transportaram-me para um lugar diferente. Um lugar onde só há um gato, uma ovelha e uma borboleta.

    Miau Miau!


    Num estilo artístico a dar mais para o shoujo, é uma história fatia-de-vida com gatinhas humanizadas. Isto é, às vezes aparecem com forma de pessoa, outras vezes aparecem com forma de gato. Esta primeira história foi sobre o banho do gato depois de ter sido apanhado da rua. É muito leve e claramente tem a melhor arte de entre todas as histórias, talvez por autora já ser profissional do manga antes de conduzir esta história. É divertido e é fofinho, uma espécie de Chi's Sweet Home com nekomimis. Achei apenas que as figuras humanas dos gatos são demasiado pequenas em relação à da dona. A menos que venham a crescer à medida que envelhecem, o que ainda não sabemos!

    Pandora's Song
     

    Sabem quando há um conceito que até é bastante interessante e depois a resolução acaba por ficar aquém do que podia ter sido? É este one-shot, sem tirar nem por. A história é sobre uma rapariga muda a quem aparece um anjo que lhe dá voz para cantar. Mas a arte é terrível. Eu percebo a intenção e acho que em certos casos as linhas simples funcionam muito, muito bem. Neste caso não. Os designs dos personagens foram inconsistentes e achei que o design do anjo foi um movimento péssimo, pois tirou toda a beleza ao momento na tentativa de o tornar mais engraçado. A história podia ter sido mesmo muito bonita, mas tornou-se vulgar e desagradável. O que é uma pena, sobretudo tendo em conta que uma série de pessoas trabalharam para produzir isto.

    Sete Pecados


    Uma arte bem moderna, mas também muito ocidental. Este capítulo serviu para introduzir os personagens, mas achei que acabou por ficar um amontoado de personagens que aparecem ali unidas por um quadro mas que... Como é que elas apareceram todas ali? Parece que foram atiradas para dentro do museu sem pensar muito nisso. Acho que teria funcionado melhor se tivessem gasto mais capítulos a introduzir as personagens com jeito em vez de as por todas num pequeno espaço "e agora amanhem-se e continuem a história". Fiquei sem ideia do que a história vai ser e os personagens apareceram uns a seguir aos outros com tal rapidez que acabou por ser difícil associar quem é quem.

    Considerações Finais

    Eu comprei o Volume 0 na Japan Weekend Lisboa, em 2010 (?). Ou 2011. Não me lembro bem da data, mas posso ir descobrir. Achei que foram os piores dois euros que gastei na vida, detestei a edição, achei que era um esforço ridículo, achei que esta gente desenhava toda pessimamente, que as histórias eram vulgares e parvas e tudo e tudo e tudo. Assim, quando apareceu a notícia do Volume 1, nem pensei em comprá-lo. A custar cinco euros e meio, ainda por cima, nem pensar. Acabei por ganhar os dois primeiros volumes no concurso da Nanothron. Até perguntei "quem é aqui a pessoa dos animus", mas a pessoa dos animus deve ter achado que eu estava a gozar com ela porque não quis desenvolver a conversa. 

    Surpreenderam-me. Isto afinal, não é mau de todo. Tem coisas a melhorar, mas também tem coisas muito interessantes. Temos aqui artistas promissores, temos aqui ideias originais, temos ideias bonitas e temos capacidade narrativa. Todas espalhadas. Acho que a qualidade ainda pode melhorar e chegar ao nível de uma revista de manga Japonês, se bem que mais pequenina, mas estão no bom caminho.

    Sinceramente, não sei se hei-de comprar o volume 3 ou não. Ofereci o 0 a uma amiga e ontem deixei o 1 e o 2 em casa de um amigo, para ele ter banda desenhada em estilo manga e ao mesmo tempo portuguesa na sua biblioteca. Se comprar o volume 3, acho que vou começar a fazer a colecção para o meu amigo. Mas e se ele não gostar? Talvez lhos peça de volta? Não sei bem. Mas isto não esgota, como se tem visto, por isso ainda vou a tempo.

    A NCreatures, fundamento da revista, farta-se de promover actividades com os artistas em montes de ocasiões, incluindo festivais importantes (e coisas menos importantes). Sempre me recusei a ir por causa da impressão que tinha do volume 0. No entanto falei com duas das autoras no Iberanime, apesar de não saber quais é que eram, e ofereceram-me um desenho que está muito giro. Talvez ganhe mais desenhos nesses eventos? Talvez vá.

    A revista Banzai! para mim, neste momento, é um grande talvez. Mas depois de ter aprofundado mais o "conhecimento" sou da opinião de que estão a fazer um excelente trabalho, sobretudo no que toca à divulgação.

    Por isso recomendo, para que se apoie e indústria portuguesa e o nascimento de novos artistas nesta área que tanto nos apaixona.
  • Gravion

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    Gravion
    Obari Masami - Gonzo
    Anime - 13 Episódios
    2002
    5 em 10

    Cometi o erro de ir olhar para a sinopse antes de começar a ver isto. Logo, comecei a ver isto sem o mínimo esforço para me concentrar. Mas não valia a pena de qualquer forma. É só mais um daqueles tristes casos em que não há nada que se aproveite. A menos que se goste muito de mecha (mesmo muito). Ou um bocadinho de ecchi.

    Porque essencialmente é isto. Um rapaz feliz da vida está à procura da sua irmã e descobre as peças de Gravion, um robot gigante movido a gravidade (no dia em que a gravidade for força energética aproveitável, acabarão todas as guerras). Enfim, o planeta é todos os episódios invadido por uma maquineta alienígena e todos os episódios o nosso guerreiro e um grupo de miúdas montam o robot para lutar com ela. O nosso amigo conduz um pé, o que é de certa forma original.

    De resto, não há nenhuma história nem nenhum desenvolvimento de personagem, nem nenhum nada. Só meninas fofas a correr de um lado para o outro e lutas entre maquinaria de guerra. Nenhum destes aspectos está especialmente bem animado. As cores brilhantes acabam por ser excessivas e perturbar o visionamento, pois é difícil de associar a identidade de cada personagem. Existem tantas meninas com tantas roupas diferentes que eu já não sabia quem era quem.

    A música tem aquele ar vagamente épico que tanto gostam de meter no anime, mas não tem originalidade ou interesse de maior.

    Um anime para passar à frente.
  • Hedwig and the Angry Inch

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    Hedwig and the Angry Inch
    John Cameron Mitchell
    Filme
    2001
    7 em 10

    Tínhamos escolhido este filme da lista do IMDB de "Filmes para ver quando se está super alto". Já não estávamos tão altos assim, mas foi um filme deveras atrofiante.

    Hedwig é o tipo de traveca que evoluiu ao ponto de ser transsexual. Sobrou-lhe apenas a "Angry Inch", conforme ela explica numa das suas músicas. Sim, porque Hedwig é a vocalista de uma banda cheia de agressividade e está a fazer uma tour pela América numa cadeia de restaurantes familiares. O que não se conjuga muito bem com a sua atitude, mas foi o melhor que se arranjou. Ao mesmo tempo, persegue o seu ex-amante, que lhe roubou as músicas e teve sucesso com elas (apesar de lhe faltar o charme). O filme intercala os concertos com a perseguição e com flashbacks estranhíssimos que contam a vida deste "it" e como se tornou num "hit" internacionalmente ignorado.

    O filme é surreal. Os flashbacks são por demais bizarros e estão misturados com sequências de animação geométrica, baseados nos desenhos do diário de Hedwig, que não trazem mais sentido à história. Por vezes até o tiram. O filme atinge o seu ponto de non-sense na cena final, que acredito que seja um sonho em que a personagem se despoja da sua máscara para revelar que, na realidade, é apenas um rapazinho que gosta de rock ocidental.

    Isto foi inspirado num musical, por isso é também um musical. As músicas variam entre as muito boas e as muito estranhas (como o caso da "I put on my wig", que tem karalhoke e tudo). Fica aqui um pequeno exemplo do que podem esperar:


    E aqui fica demonstrada outra coisa que queria referir: o trabalho de actor. O realizador é o actor principal, na personagem Hedwig, e tem momentos extraordinários de travequice, sobretudo durante os concertos. Nas sequências de flashback nem tanto, mas o actor brilha dentro da personagem em algumas ocasiões e acho que vale a pena ver.

    Mas não sei se o filme tem tanto impacto se não estiverem "super altos". Ou se calhar até tem, visto que ganhou uma série de prémios, incluindo no Sundance. Digam de vossa justiça!
  • Mr Bean em Férias

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    Mr. Bean em Férias
    Steve Bendelack
    Filme
    2007
    7 em 10

    Era um momento verde. Depois de passear os freaks, vamos ver um filme. Escolhemos um, mas enquanto ele estava a sacar (e ouvíamos um concerto da Florença e das Máquinas, ai o vestido tão lindo) decidimos que íamos ver este primeiro.

    É um filme que eu adoro. Mr. Bean é daqueles pequenos ícones da comédia britânica que serão sempre lembrados. E nesta última aventura, o personagem trás um conforto ao público. É um filme feliz.

    O filme tem diversas perspectivas, sendo a mais original a câmara do Mr. Bean. Não tem nenhuma técnica especial, é só alguém a divertir-se com uma câmara de filmar. Assim, temos uma série de cenas que só aparecem no final, na estreia do filme em Cannes (spoiler: ele chega lá) e que dão uma graciosidade ao final que não poderia ser obtida de outra forma.

    O eixo central desta narrativa é o actor. Rowan Atkinson (escrevi bem?) é um mestre na arte do teatro físico. Por todo o filme temos gags do género e todos eles são engraçados. Alguns são hilariantes, como o peditório na feira com a ópera. Deixo-o aqui, pois não consigo resisitir:


    Enfim, um excelente filmezinho para estas alturas. Faz rir e faz as pessoas felizes. Queremos mais que isso?


  • Little Witch Academia

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    Little Witch Academia
    Yoshinari You -  Trigger
    Anime - Filme
    2013
    7 em 10

    Todos os anos o governo Japonês dá alguns milhões de ienes para a indústria do anime. Nomeadamente para ajudar animadores em treino a fazerem a sua arte. Little Witch Academia é um dos resultados deste ano, que serão quatro ao todo.

    E é um filmezinho cheio de charme, sem dúvida.

    A história é muito simples e poderia ter sido mais desenvolvida. É o tipo de história que merece mais episódios. Mas é uma história amorosa, com personagens de que gostamos imediatamente, apesar de não sofrerem um desenvolvimento muito pertinente. Não é um anime que nos ensine grandes coisas sobre a vida, mas podia tê-lo feito, quiçá com um pouco mais de tempo.

    O grande enfoque do filme, que só tem meia hora (diga-se de passagem), é a animação. Os designs dos personagens são muito simples, mas mexem-se com uma leveza quase humorística. Os grandes momentos estão no espectáculo inicial que depois se reproduz na luta com o dragão. É, literalmente, uma explosão de cores e de alegria. Adicione-se a música instrumental e temos um efeito espectacular. A música é muito simples e quase lugar-comum, mas funciona muito bem.

    É muito curto, é um prazer de ver, recomendo.
  • Vassalord

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    Vassalord
    Nakazawa Kazuto - Production I.G.
    Anime OVA - 1 Episódio
    2013
    6 em 10

    É, já há muitos anos, meu hábito nunca falhar um release da Aarinfantasy. É um grupo de subs com o qual simpatizo muito já que, ao participar no fórum, vejo as dificuldades porque passam. Além de que a própria Aarinfantasy é muito disponível. Por isso não perco uma. E aqui está Vassalord. De BL tem pouco, mas é bastante slashable.

    É uma história de vampiros, muito sintética. A história aparenta ser apenas uma pequeníssima parte da fonte original (um manga, suponho), mas está bem estruturada. Os personagens são apresentados e definidos claramente e o desenvolvimento é rápido mas eficiente. Não existe grande desenvolvimento, por falta de tempo, mas aparentam ser personagens bastante divertidos. Esta diversão pode, por vezes, ser anti-climática. E porque é que o vampiro robot usa óculos? Já deveriam ter tecnologia para o por a ver bem... Será para o estilo?

    A arte é limpa e fluída, com um grande destaque para as cenas de acção. Temos duas, a luta entre os personagens principais e a luta com a pequena vampira. Têm alguns momentos que não primam pelo detalhe, mas no geral dão para entreter.

    A música tanto trás o clima como o tira. A ED foi quase uma música pop portuguesa dos anos 80, o que talvez até combine com o final leve e despreocupado.

    Um OVA interessante para fãs do original e para fãs de vampiros bonitos.
  • A Caixa em Forma de Coração

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    A Caixa em Forma de Coração
    Joe Hill
    2007
    Terror

    Quando apareceu este livro no BookCrossing e me inscrevi para participar no BookRing (círculo de empréstimos) eu pensava que ia ser uma coisa completamente diferente. Não li a sinopse, fui pelo título. Assim, foi com grande surpresa que descobri que é um livro de terror!

    Jude Coyne é guitarrista e vocalista de uma banda de metal. Ou era, os membros da sua banda foram morrendo. Um dia, compra um fato de um homem morto num site de leilões parecido com o Ebay. E com o fato vem o fantasma, para o assombrar. Assim se começa a desenvolver uma história de fuga do fantasma e sobre como o enfrentar para se livrarem dele para todo o sempre.

    A escrita é fluída e interessante, mas o valor do livro encontra-se no desenvolvimento dos vários flashbacks que contam a história da vida de Jude, da sua namorada Georgia (ou Marybeth), da ex-namorada e do próprio fantasma. As histórias são por vezes contemplativas, mas o seu culminar é surpreendente. Na narrativa  nunca sabemos o que vai acontecer, mas a parte que me interessou mais foram os "sonhos" de Jude com interferências do fantasma. Também a própria natureza do personagem é interessante, eu pessoalmente nunca tinha lido nada em que o personagem principal fosse dumaw.

    Sendo um livro de terror e tendo eu muito medo de filmes de terror, não estava nada à espera que o livro me assustasse. Seja anime, seja livro, não me assusto, com filmes é que não aguento. Mas a primeira parte do livro, até eles fugirem de casa, foi bastante perturbadora.

    Manteve-me agarrada, apesar de ser tão inesperado. Bem bom.
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