Taxi Driver
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Taxi Driver
Martin Scorcese
Filme
1976
8 em 10
Por indicação, participei num passatempo da Cinema2000 e revista Metropolis e ganhei um convite duplo para a ante-estreia do Taxi Driver no Corte Inglés. São sessões clássicas que esta equipa está a recuperar, com versões remasterizadas digitalmente dos filmes antigos. O primeiro foi este e o próximo será o Lawrence da Arábia, que também gostaria de ver. Como esta era a ante-estreia, tínhamos três senhores, críticos e entendidos do cinema (situação que eu ambicionaria ter para os meus animus, mas isso é sonho distante e longínquo) que nos falaram um pouco sobre o filme e sobre o projecto de trazer clássicos ao grande ecrã. Aprendi algumas coisas, como o facto de os 70s terem sido uma década áurea do cinema Americano, dominada pelos realizadores, e a situação de o compositor da banda-sonora do filme ter morrido um par de meses antes da estreia, logo depois de ter acabado o seu trabalho. Fiquei com muita pena do senhor que se esqueceu do que ia dizer e não se conseguia lembrar, espero que ele o venha a dizer num blog ou no jornal ou algo. Agora eu sigo mais blogues de cinema, a ver se me cultivo. Mas não está a funcionar muito bem. Enfim, outros assuntos. Fiquem com o poster que nos ofereceram à entrada, que está muito giro e que irei colar algures onde couber nas minhas paredes já forradas de coisas sem fim:
Este filme, tinha visto apenas um bocadinho com o meu pai. E quando digo um bocadinho foi mesmo só um bocadinho, porque estava a dar na televisão e eu estava a lutar para conseguir ver o Dirty Dancing, que estava a dar noutro canal. Assim, foi novidade completa para mim.
Robert de Niro é Travis, um traumatizado de guerra que conduz um táxi. Tudo na cidade de Nova York o deixa cada vez mais deprimido, até que começa a desenvolver um fascínio pela destruição e pela lavagem do "lixo" que infecta a metrópole. O personagem está perfeitamente caracterizado, na exploração da solidão e na entrada do beco sem saída que o leva ao culminar do filme. A solidão, ao início estabelecida como longas noites sem dormir, passadas a guiar o táxi e a ver filmes pornográficos no cinema, desenvolve-se até ao ponto de psicose obsessiva, motivada por Iris, a prostituta de 12 anos interpretada por Jodie Foster (não restam dúvidas depois de uma breve pesquisa, a actriz tinha mesmo 12 anos quando fez o filme).
Este desenvolvimento não existiria se não fosse a cidade, invadida de "lixo" e parasitas, que - segundo Travis - a chuva deveria lavar. Nova York dos anos 70 está caracterizada como um mundo de lascívia e nojo, coisas que vão contra aquilo em que Travis acredita (ou passou a acreditar depois de ter estado no Vietname a matar pessoas). A maior parte da narrativa passa-se de noite ou com chuva, o que trás um ambiente ainda mais negro e desesperante. A música ajuda a estabelecer a melancolia e a solidão infinita e insolucionável.
A narrativa é linear e simples, mas há quem afirme que o filme é ambíguo no seu final. Eu não senti isso e, segundo o que diz nos comentários do realizador no DVD (que eu não vi, mas procurei), pelos vistos Martin Scorcese também não. Ainda assim, não precisamos de finais ambíguos para ter um grande filme.
Vale a pena ir vê-lo ao grande ecrã. Aproveitem!
(You talkin' to me?)
By : ladyxzeus
Sasami-san@Ganbaranai
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Sasami-san@Ganbaranai
Shinbou Akiyuki - Shaft
Anime - 12 Episódios
2013
5 em 10
Mais um dos animes da season para o qual eu tinha grandes expectativas. Mais um em que elas foram infundadas.
Simplesmente porque a capacidade narrativa desta gente é inferior à do meu afilhado de 10 anos (que ontem estava a resumir um livro do Batman vs Poison Ivy, a Vilã Botânica). Ora então, Sasami é hikkikomori (pessoa fechada em casa a fazer nada da vida) e vigia o seu irmão. Passado um bocado já pertence a um templo, depois é deusa, depois é o raio que a parta. Entretanto temos três irmãs, uma grande comilona, uma que tem mísseis nas mamas e outra que tem poderes pouco claros. Que aparecem a fazer coisas, mas que não aparentam ter qualquer utilidade. Isto é difícil para mim. Eu sei que sou uma pessoa moderadamente limitada, mas a verdade é que eu não percebi o que se estava a passar e algum tempo depois quis deixar de tentar perceber. É a chamada "helplessness" da depressão. Uma pessoa deixa de querer saber.
Mas eu esforço-me, por isso leio outras reviews. Com que então isto é a exploração do dever vs os objectivos pessoais, isto tem uma causa maior. Dizem eles. Eu acho que isto só seria genial se tudo não passasse da imaginação da Sasami, perturbada por estar fechada em casa sem fazer nenhum.
Da mesma forma, a arte é inconsistente. Apesar de ter texturas e cores interessantes ao início, rapidamente se torna aborrecida. As cenas de acção são ilógicas e parecem-me um desperdício completo. O fanservice é despropositado e estúpido (a mim não me faz mossa nenhuma dizer que fanservice é estúpido, porque é verdade em quase todos os casos)
Musicalmente, temos uma tentativa de humor meio forçada na ED e de resto nada de bom. Nem nada de mau.
Vejam se quiserem, eu não sei o que fazer disto. Referências a Haruhi, woohoo, que avant-garde que nós somos!
By : ladyxzeus
Mahou Tsukai ni Taisetsu na Koto: Natsu no Sora
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Mahou Tsukai ni Taisetsu na Koto: Natsu no Sora
Kobayashi Osamu - Geneon Universal Entertainment
Anime - 12 Episódios
2008
7 em 10
Eis um anime que nos apresenta uma perspectiva diferente dentro de um universo normal. No mundo de Natsu no Sora a magia é real. Tão real que está instutionalizada. É rara, pois é hereditária, mas quem tem os poderes tem um curso intensivo e passa a pertencer a uma sede de magia, onde só pode fazer actos mágicos a pedido e com autorização. Sora é uma aprendiz de magia que vem de Hokkaido para Tóquio para aprender. E este anime é sobre esse mês que ela lá passa.
A história e o desenvolvimento dos personagens são realistas e simples, tal como o são as coisas reais. As pequenas aventuras do dia-a-dia destes aprendizes têm apenas a emoção mais essencial e não há grandes tragédias nem desesperos. Estamos a ver a vida a passar e nada mais.
É a forma que mostram essa vida que realmente distingue este anime dos seus pares. Os fundos são fotografias com uma camada digital por cima, de um hiperrrealismo estonteante. Assim, é-nos dada a ver uma perspectiva diferente da cidade de Tóquio, bairros dos quais normalmente não ouvimos falar, de uma forma quase intimista, como um local a mostrar-nos os seus sítios preferidos. Também nos são mostradas as longas paisagens de Hokkaido, no curto Verão que raramente vemos, como turistas acidentais. É um profundo contraste com os designs das personagens, que são por demais simplificados, com ênfase nas expressões faciais e no diálogo. Muitas vezes o diálogo está fora do cenário, pelo que nos podemos concentrar na sua beleza sem nos perturbarmos com estes bonecos feitos em formas geométricas.
Para temperar esta viagem temos uma banda sonora límpida e simples, que nos transporta. É caracterizada no anime como "British New Wave Electronic", mas - acho eu - não tem muito que ver com isso. No entanto, é muito boa. Tão boa que a recomendei.
Tem as suas falhas, mas é um anime que recomendo pela sua beleza intrínseca e simplicidade.
By : ladyxzeus
Hakkenden: Touhou Hakken Ibun
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Hakkenden: Touhou Hakken Ibun
Yamazaki Mitsue - Bandai Visual
Anime - 13 Episódios
2013
5 em 10
Estava eu passeando pelos fóruns da Aarinfantasy (onde lurko regularmente mas já não digo grande coisa, deixei de ter coisas para dizer) quando vejo um tópico sobre este anime. Mmmm, mangaka de BL, deve ser fixe. E passei a season a vê-lo. Muito defeituoso, infelizmente.
A história não está bem contada. É sobre uma guerra entre a igreja, que domina as coisas normais, e os yokai, um bando de anormais. Como todas as guerras, é muito complexa. Mas em vez de simplificarem a narrativa de forma a percebermos bem o nível de conflito em que estas pessoas vivem, eles bombardeiam-nos com personagens até ao fim. Personagens é o que esta série tem mais. É mesmo muita, muita gente (muitos gajos giros) e destes só... Três? Quatro? Parecem ser importantes para o que se está a passar. O único que apreciei foi o que se transformava em cão, porque tinha uma personalidade muito canina e eu gosto de cães. Além disso a história não é original da autora e já tinha sido animada antes. A história original é literatura clássica e é ""Nanso Satomi Hakkenden", por Bakin Kyokutei Takizawa. Fiquei com certa curiosidade em lê-la, o que pode contar como aspecto positivo. Se alguém conhecer uma tradução em formato físico por favor informe (não em formato digital. Nunca!)
Animação e arte muito fraquinhas. Temos ênfase em cenas de acção, mas elas não estão assim tão bem feitas. Os designs não fazem grande sentido, sobretudo no que respeita às roupas. Em que época é que estas pessoas vivem para usarem fardas de segunda guerra, quimonos e t-shirts tudo ao mesmo tempo? A música também não ajuda em nada, porque não podia ser mais vulgar. Não adiciona mistério nem suspense e passa completamente ao lado.
Ficou muito por explicar, porque foram 13 episódios a apresentar personagens, mas já foi anunciada uma segunda season. Não tenho grande vontade de a ver, mas sinto-me na obrigação de dar uma oportunidade a esta história, por causa do cão.
By : ladyxzeus
Tamako Market
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Tamako Market
Yamada Naoko - Kyoto Animation
Anime - 12 Episódios
2013
6 em 10
Ao que parece no Japão existem estes bairros com comércio, galerias comerciais ao ar livre. Aqui em Benfica só há o mercado e umas galerias comerciais que vão dar ao outro lado da rua. Tamako é uma moça que vive num destes bairros, é a filha da loja dos mochis (umas cenas que são boas). Um dia ela encontra Dera, uma catatua falante vinda de uma ilha tropical em busca de uma esposa para o seu príncipe. Adicto a mochis, engorda e vai ficando. E é só isto. Queriam alguma coisa mais? Vejam o Rei Leão, ou assim.
´É um anime sem qualquer tipo de conteúdo. Mas tem uma coisa: tem um sentimento. Acredito que este anime tenha por objectivo não as aventuras das personagens no seu dia a dia, como todo o fatia-de-vida, mas sim a caracterização da galeria comercial e das várias personalidades que vivem nela. São pessoas muito curiosas, pela sua simpatia fulminante e contagiante.
A série tem um certo ambiente nostálgico, catalizado por uma banda sonora de um pop simples quase clássico. São músicas muito coloridas e ficam muito bem numa galeria comercial ao ar livre. Aliás, se eu as ouvisse no café acho que ia ficar a gostar mais do café.
Além disso temos Dera, uma catatua gorda. É ele que trás o espírito à série e torna tudo muito mais engraçado.
É um anime muito simples, mas que é agradável. Não nos lembraremos dele, mas foi bom enquanto durou.
By : ladyxzeus
Major
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Major
Kasai Kenichi - Shogakukan Productions
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10
Mais um anime sobre baseball, esse chato desporto. Diz que este é dos melhores, mas ainda assim não toca nos calcanhares de Touch.
Goro é um menininho de cinco anos órfão de mãe que tem o sonho do baseball. O pai dele é pitcher, o sonho do baseball! Porque é que todo o anime de baseball é sobre o pitcher? Porque não sobre o catcher ou sobre um centerfield? Enfim... Bom, digamos que o anime não é de todo desinteressante, porque está a lidar com os dramas do pai, que tem uma lesão, e os dramas do filho, cujo pai tem uma lesão. Mas depois, tragédia.
Spoiler: o pai morre com uma dead ball atirada por um gajo americano.
Três anos depois está Goro a jogar baseball na little league. Adoptou-o a educadora de infância. Esta personagem.... Isto é, aparentemente ela conheceu o pai do Goro uma semana e meia antes dele ter morrido. Mas a paixão era tão grande que ficou com o filho dele. E como tem um fetiche por gajos com grandes tacos acaba por se casar com o melhor amigo do gajo (isto é spoiler, desculpem). Mas que badalhoca mais sem sentido!
O problema deste anime é que a partir da little league se transforma num vulgaríssimo anime de baseball. Excepto que com crianças de nove anos em vez de adolescentes de dezassete. Não que isso faça uma grande diferença, porque estas crianças de nove anos é como se tivessem dezassete. Não lançam uma bola de 150 km/h, mas estão lá quase. Apaixonam-se tal qual adolescentes e não têm atitudes de criancinhas, como deveriam ter se isto obedecesse à lógica.
A arte é vulgar, às vezes mete nojo. Estamos em 2004, já devíamos saber desenhar caras com um certo nível de simetria! Sobre música não posso dizer grande coisa, já que apanhei uma versão com as OPs e EDs cortadas. Mas as do parênquima não são nada de especial e parecem recicladas de outros animes de desporto.
Os jogos até são engraçados, mas nada que não tenhamos visto antes. Claro que depois de ter visto tantos já sei as regras do baseball e já consigo mais ou menos apreciar um jogo destes, apesar de ser um desporto cheio de complicações que eu não veria voluntariamente no caso de estar a dar na Sport TV. Isto se eu tivesse a Sport TV. A minha irmã gostava de a ter, para poder ver os jogos do sporting.
By : ladyxzeus
Carne Trémula
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Carne Trémula
Pedro Almodovar
Filme
1997
7 em 10
Agora já estamos na fase do digestivo e eu grito "um filme do Almodovar!" Vamos ver este, diz que é trágico e tem rabos na capa.
Não é trágico. Ou melhor, é trágico mas à Almodovar. Tudo começa com um filho da puta (literalmente) que nasce dentro de um autocarro. A vida dá muitas voltas e vinte anos depois (em francês, para o estilo) ele está em casa de Elena, uma carocha, a tentar convencê-la a ir para a cama com ele. Dois polícias, um dos quais com duas garrafas de whisky em cima, invadem-lhes a privacidade, acontece um tiro. Seis anos depois (em francês) Victor - o nosso filho da puta - está fora da prisão, o polícia que apanhou o tiro está agora na equipa de basket dos paralímpicos (como este actor aprendeu a andar tão bem de cadeira de rodas é um mistério fascinante. A menos que ele tenha mesmo ficado paraplégico entre a primeira parte do filme e esta) e está casado com Elena. E a partir daqui desenvolvem-se uma série de casos amorosos com muitos rabos, numa composição estranhamente humorística como só o Almodovar sabe fazer.
É um filme que trata de relações. Relações de índole sexual, sobretudo. Que é um tema que sinceramente não me agrada por aí além. Mas está feito com tanta graciosidade que não me importei. O comportamento dos personagens pode parecer errático por vezes, mas é justificado pelos seus íntimos desejos, que nunca são revelados directamente.
Um filme sensual, para acompanhar licor de maracúja.
By : ladyxzeus

