• Merry Christmas Mr. Lawrence

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    Merry Christmas Mr. Lawrence
    Nagisa Oshima
    Filme
    1983
    9 em 10

    Sei lá, às vezes os filmes valem a pena pela experiência de os ver e pelas pessoas com quem os vemos. E depois há aqueles que além disso têm o Bowie.

    Lawrence é um soldado inglês que, como outra meia dúzia de centenas de soldados ingleses, foi capturado pelos japoneses durante a segunda guerra. Ao contrário dos outros, Lawrence é fluente em Japonês. Por isso, até se dá bem com os seus captores e serve de mediador entre eles e os seus companheiros, no caso pouco frequente de haver problemas. Porque todos obedecem aos japoneses. Porque eles têm espadas e uma maneira de viver mesmo estranha, matam-se por tudo e por nada. Até ao dia em que aparece o Bowie (Cellier de seu nome, mas Bowie). E este gajo não é como os outros. Primeiro porque é maluco. E depois porque desafia a autoridade. A autoridade é personificada por Yonoi (o pianista Ryuuchi Sakamoto), que é um gajo tradicionalmente mau. E por Hara (Takeshi, grande nome do cinema japonês do qual eu nunca tinha ouvido falar. Santa ignorância!) que é um gajo mau que às vezes é simpático e que gosta muito do Lawrence.

    São estas as relações do filme e o filme é todo sobre elas. Porque não são relações quaisquer. São relações dotadas de uma força sentimental exuberante e trágica, de uma mobilidade quase homoerótica. A caracterização das personagens dá profundidade fractal aos sentimentos que os personagens desenvolvem e o seu culminar é ilustrado por algumas cenas curtas mas muito fortes. Comer flores, os beijinhos, as borboletas, a canção de natal. Isto não podia acontecer se não houvesse um trabalho de actor intenso por detrás desta construção, muito evidente em todos os quatro actores. Mas sobretudo no Bowie, porque ele naturalmente já tem o ar de demónio que os japoneses lhe atribuiram.

    Em contraste com a negatividade destas relações o colorido do filme é muito leve, uma ilha quase paradisíaca onde toda a gente é bem tratada, apesar de uns serem os prisioneiros e os outros serem os aprisionadores. As cenas de flashback da cabeça do Bowie estão muito bonitas e filmadas de forma a que tudo pareça estar, efectivamente, dentro de uma memória. E isto tudo é coroado por uma banda sonora infalível, autoria do nosso amigo Yonoi (ou Sakamoto). São músicas alucinantes que trazem um ambiente estranho e surreal às situações, nada adequadas à época mas muito próprias do local imaginário para onde nos remetem.

    E depois tem o Bowie. É naquela...
  • Mangirl!

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    Mangirl!
    Dogakobo
    Anime - 13 Episódios
    2013
    5 em 10

    A razão pela qual me pus a ver este anime prendeu-se com o facto de que é sobre o editorial de um manga. Assim, pensei que ia aprender mais sobre o universo das edições de manga. Não. De todo.

    Este corpo editorial é composto por quatro meninas que aparentam ter doze anos. Só uma delas aparenta ter uma cabeça e por isso usa fato e gravata. As outras são, pois bem, a atrasada mental, a comilona e aquela que nem se dá por ela. Não há desenvolvimento de personagem de nenhuma forma e elas não estão suficientemente bem caracterizadas para trazerem qualquer tipo de emoção. Aliás, o anime não deseja inferir qualquer tipo de emoção. É só uma comédiazita, muito leve e inconsequente, desde o primeiro volume da revista de manga até ao anime. E é só isso.

    Arte vulgar, sem animação que se veja. Música reduzida a efeitos de ridículo e a uma canção de abertura que dura quase tanto tempo como o resto do episódio.

    Porque sim, são episódios com três minutos. Daí a série se ver mais ou menos bem. De uma forma ou de outra, não trás nada de novo.
  • Dominion Tank Police

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    Dominion Tank Police
    Mashimo Koichi - Agent 21
    Anime OVA - 4 Episódios
    1988
    6 em 10

    Ora então era uma vez uma moça que se junta a uma polícia que combate o crime com tanques. Ela tem um tanquezinho amoroso chamado Bonaparte e luta contra um gajo maluco que é ajudado pelas irmãos Puma, duas gajas malucas com orelhas de gato. E está feito um OVA dos 80s.

    Infelizmente há dois elementos que não funcionaram nada bem neste OVA: o universo e a comédia. O universo não está nada bem caracterizado. Não há explicações, está muito incompleto e o tempo que foi passado a ver Leona a tomar conta de Bonaparte poderia ter sido utilizado para explicar melhor em que situação é que eles vivem. O outro factor, a comédia, pareceu-me simplesmente que não funcionou bem. O assunto que o anime trata é grave e rir de assuntos graves desta maneira não é coisa que eu aprecie. O exagero das irmãs Puma, os gatos, contraposta à sua frequente nudez, pareceu-me anti-climático e aborrecido.

    Por outro lado, a arte está bastante capaz para a época, com grandes efeitos no tanquezinho Bonaparte, que é mesmo fofinho e dá saltinhos enquanto coisas à volta dele explodem. Não achei positivos os exageros das expressões faciais, aliadas à fraca comédia, pois impedem-me de levar o anime a sério.

    Musicalmente, temos o típico da época, com as músicas de amor épicas meio ridículas de que tanto gostamos. Mas são sempre as mesmas, o que para OVA é um pouco inexplicável, podiam perfeitamente ter usado sempre músicas diferentes.

    Vale a pena pelo tanque fofinho.
  • Shinsekai Yori

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    Shinsekai Yori
    Ishihama Masashi - Aniplex
    Anime - 25 Episódios
    2012
    6 em 10

    Da season de Outono, que se continuou pelo novo ano. Era a série que eu achava que tinha mais potencial, mas desapontou-me grandemente, devido a inconsistências em todos os aspectos.

    Este anime segue a vida de um grupo de miúdos, que vão crescendo à medida que a série vai decorrendo. Eles vivem num universo distópico em que a humanidade está reduzida a aldeias de paz e de amor devido ao seu poder de telepatias e outras coisas telepáticas, o "cantus". O código genético da humanidade foi alterado para que vivam todos em amor e não sejam capazes de se matar uns aos outros. Em compensação, existem umas criaturas não-humanas mas lá quase, que estabelecem uma guerra contra os homens em guisa de revolução. Infelizmente, uma história com tanto potencial acabou confusa e sem destino devido a uma má direcção. Aparentava que a equipa de produção não fazia ideia do que estava a fazer nem para onde se dirigia, o que por vezes terminava em voltas sobre si mesma e confusão. Houve alturas em que eu pensava que isto nunca mais ia acabar e só se tornou interessante já na recta final, já na parte em que eu não estava mais para aturar isto.

    O mesmo aconteceu com a arte. Ao que parece, foram várias as equipas que trabalharam nisto, mas não se esforçaram por dar consistência ao aspecto geral da série, o que resulta numa amálgama desconexa. Por vezes temos fundos muito bonitos, que logo se perdem para animações em CG pavorosas.

    Acho que a única coisa aproveitável foi a música. Repetitiva, é certo, mas as peças continham um certo poder emocional que não pode ser ignorado.

    A moral é positiva, mas a execução ficou aquém das expectativas. Não recomendo.
  • Amnesia

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    Amnesia
    Ohashi Oshimitsu - Brains Base
    Anime - 12 Episódios
    2013
    4 em 10

    E o primeiro anime da season de Inverno de 2013 é possivelmente o mais deprimentemente deprimente de que há memória desde que comecei a acompanhar seasons (que foi no Outono, por isso não era muito difícil).

    Isto é sobre uma gaja atrasada mental que cada vez que lhe dão um encontrão vai para um universo paralelo. A única diferença entre os universos paralelos é o gajo com quem ela anda. Então a badalhoca anda de gajo em gajo durante todos os episódios (porque são uma data deles) e no fim o mistério afinal é culpa do único que não apareceu. Ah sim, e ela tem uma fadinha (um fado) chamado Orion, que também é meio atrasadinho, coitadinho.

    Enfim, história pouco temos e personagens ainda menos. A única coisa que os distingue uns dos outros é a cor da roupa e o cabelo, porque de resto foram todos recortados da mesma resma de papel cavalinho. E estes designs, alguém é capaz de me explicar o que se passou na cabeça desta gente? É que eu não quero fumar o que eles fumaram, não me quero tripar de maneira assim tão estúpida! Parece que foram desenhados por uma fã americana de J-rock que pensa que numa banda de visual-kei cada um tem de ter a sua cor. Uma coisa eu vos garanto: não há banda de visual-kei que tenha tão mau gosto para se vestir.

    Música? A única coisa gira era o turuturu a meio do episódio. A dizer o intervalo. Acho que o intervalo devia ser a melhor parte desta série.

    E arte? Isto foi feito a partir de um jogo para meninas e parece mesmo um jogo. Porque de animação temos pouco ou nada. Está toda a gente parada. As cores são horríveis, os olhos não fazem sentido, o cabelo em degradé não funciona nem nunca funcionará fora do ecrã de um jogo manhoso para gajas sem mais nada que fazer.

    Um anime horrível. Desesperante porque a "heroína" nunca morria, apesar de tantas oportunidades que tiveram para a matar. Uma perda de tempo e um desperdício de recursos que podiam ter sido usados para me comprar um palacete no Príncipe Real.
  • Coelho Radioactivo

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    Coelho Radioactivo
    Concerto
    E passou-se a noite e eu não dormi. Por boas razões, mas começava a bater a ressaca, lentamente, como uma onda (uma onda morna). Mas o que fazer num domingo à tarde? Porque não ir a outro concerto? E lá fui eu mais um amigo até um bar/restaurante/café chamado Dedecadente (ou só decadente, não sei bem), ver o Coelho Radioactivo. Engraçado que no decadente encontrei a servir às mesas um colega meu do grupo de teatro. Fiquei feliz por o ver, gostaria de lhe ter perguntado se sempre é verdade que pintou um vidrão.

    Adiante.

    Foi um concerto bom para  a ressaca, porque são músicas calminhas e aparentemente o próprio coelho estava na mesma situação que nós. Obrigada, somos pessoas reais. Mas por vezes as coisas que dizia pareciam um pouco inconvenientes. Acho que teria gostado mais de silêncio.

    E depois a história do amigo que ele não via há seis meses (ou seria um ano?), que foi tocar e cantar também, mas estava todo desafinado, e o coelho também. Diz que o dream pop é suposto ser assim, se é suposto ser assim então o que é que eu hei-de fazer do dream pop?

    Seguiu-se busca por sítio para jantar e a ruína total.

    Fica aqui para vocês ouvirem:


  • Norberto Lobo

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    Norberto Lobo
    Concerto

    O Teatro Municipal de Almada tem coisas fantásticas. Nomeadamente uns concursinhos em que toda a gente ganha, no Facebook. E, tal como toda a gente, ganhei um par de bilhetes com desconto para o concerto de Norberto Lobo. Eu já tinha visto um concerto, no LX Factory, mas não tinha sido com muita atenção. Este foi com mais atenção. Rápido e indolor.

    Meia dúzia de músicas e um encore, foi o que este concerto durou. O Norby, como o apelidei mais tarde, sabe tocar o seu instrumento, por isso pode fazer o que quiser. Fez coisas impressionantes, só a brincar. O que mais me chocou foi quando ele desafinou a guitarra e no final ela terminou afinada. Que magia foi esta?

    Faz todos os efeitos sonoros só com um instrumento, uma guitarra, por isso deve ter passado muito tempo sozinho com ela. Pareceu ser uma pessoa simpática, mas terá a sua pancada (todos nós temos). As gravações não fazem jus ao que assistimos neste concerto, mas ainda assim fica aqui uma, apenas para conhecerem o artista (que é um bom artista).

    Enjoyate.


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