Novos Contos da Montanha
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Novos Contos da Montanha
Miguel Torga
1944
Contos
São 22 contos muito pequeninos, meia dúzia de páginas cada um. No entanto, não posso deixar de recomendar este livro como um dos melhores que li dentro da literatura Portuguesa.
Os contos são passados na montanha, em aldeias da montanha, onde há lobos, onde neva, onde as pessoas vivem com ovelhas e vivem como ovelhas. Há uma caracterização perfeita da vida destas pessoas e do ambiente que as rodeia. Cada uma é única e faz coisas únicas. Mas podiam ser outras pessoas quaisquer.
Está escrito de forma implacável e crua, com recurso a vocabulário que, para mim, é um pouco estranho, mas que é típico dessas terras e dessas montanhas. Isto demonstra um outro nível de erudição. Saber estas palavras antigas e saber usá-las tão bem é mais que um dom, é uma coisa que foi estudada até se tornar natural. Ou então já é natural de origem.
Com este livro fiquei curiosa para ler mais de Miguel Torga, autor que eu nunca tinha lido. Só agora sei o que perdi.
By : ladyxzeus
90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa
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90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa
Thomas Wengelewski e Henrik Lange
2009
Banda Desenhada
A minha irmã não gosta de ler, por isso dei-lhe este livro no Natal de há dois anos para que ela soubesse sobre literatura clássica e tivesse mais assuntos de conversa. Mas parece que para as pessoas de 18 anos de hoje literatura clássica não é um tema de conversa muito recorrente, por isso ela nunca leu o livro.
Vou fazer o comentário tal e qual como o livro está escrito, mas sem os desenhos porque não tenho tempo para os estar a fazer.
O livro está giro porque resume cada livro em quatro frases e resume-os com piada.
Os desenhos também estão engraçados porque são muito anormalóides.
Mas definitivamente os livros mais giros são aqueles que eu já li. Recomendo especialmente a Alice no País das Maravilhas e A Bíblia.
FIM
By : ladyxzeus
A Flor Oculta
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A Flor Oculta
Pearl S. Buck
1952
Romance
Vou começar por spoilar aquilo que a minha mãe me spoilou a mim. Preparados?
[spoiler]
O livro chama-se A Flor Oculta porque ela fica grávida
[/spoiler]
Bem, agora que já tirámos este peso do peito vamos falar um bocadinho de Pearl S. Buck. Esta senhora é um Nobel e um Pulitzer. Era sinologista e estudava a China. Trabalhou com mulheres violentadas e escravizadas e a sua literatura ajudou o mundo ocidental a compreender o Oriente, nomeadamente a China. Este livro é, por acaso, sobre o Japão. Sobre as relações entre homens e mulheres e famílias no Japão, comparadas com as dos Estados Unidos. Isto tudo caracterizado pelo infeliz casal da Japonesa Josui e de um soldado Americano que se apaixona por ela para se fartar dela logo a seguir.
Não é um livro bonito. As imagens que evoca estão descritas como bonitas, mas parece que lhes falta algum tipo de sentimento e que, por isso, as palavras não são imagens, são só palavras e não têm significado. Aliás, todo o livro está escrito de uma maneira tão fria e afastada que por mais que uma pessoa tente identificar-se com os personagens não consegue. É como se os personagens fossem fotografias tipo passe. O essencial está ali, podemos identificar aquela pessoa em qualquer sítio. Mas se fosse um nu artístico ficaríamos a saber exactamente o mesmo sobre essa pessoa mas com uma emoção associada. É isto o que falta neste livro, o que tornou a leitura uma experiência bastante frustrante.
Sendo um dos livros preferidos da minha mãe, espanta-me como ela gosta tanto destes livros que falam do Japão. Se calhar tenho a quem sair. Já com o David Bowie foi a mesma coisa.
By : ladyxzeus
Quem me dera ser onda
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Quem me dera ser onda
Manuel Rui Alves Monteiro
1991
Novela
E logo a seguir um livro Angolano. Deste não gostei muito.
Tudo começa com um homem que tem ânsias de comer carne de porco. Por isso arranja um porco para criar no seu apartamento, apartamento esse que pertence a um prédio onde é proibido ter porcos. Toda a família se encanta com o porco e fazem várias maroscas para o esconder dos vizinhos maus que o querem roubar.
Isto seria muito divertido não fosse estar escrito de uma forma irritante e incompreensível. Eu adoro a língua portuguesa, adoro ler em português, seja daqui seja do Brasil seja de onde for. Mas este lingo angolano que até precisa de notas de rodapé para se perceber, só está aqui para dizer "este livro é angolano yo, somos tão especiais yo" e não serve para imprimir qualquer tipo de emoção ou detalhe à história.
Parece-me que há uma tentativa de caracterizar a Angola como ex-colónia pelos olhos das crianças, mas até as crianças estão tão alteradas pelo regime (regime esse que eu não compreendo, só ouvi falar assim por alto) que não há caracterização nenhuma, só uma amálgama de termos e de notas de rodapé.
E eu que nem como carne de porco...
By : ladyxzeus
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
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O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Germano Almeida
1989
Ficção
Foi a primeira vez que li um livro cabo-verdiano. Diverti-me imenso.
Este livro fala do testamento de um comerciante bem sucedido, o Sr. Napumoceno da Silva Araújo, que deixa todo o seu dinheiro e negócios a uma filha secreta que todos (até ela) desconheciam em vez de o deixar ao seu sobrinho. O livro discorre sobre a vida deste Sr. Napumoceno, das vezes que se apaixonou, dos bons negócios que fez, das suas manias de higiene e de fatos para ocasiões sociais, do que sente pelas outras pessoas e porque razão se zangou com o sobrinho. E Germano Almeida faz isto com tanta mestria que a vida deste homem que nem sequer fez nada de especial se torna numa coisa muitíssimo interessante.
O livro prendeu-me do início até ao fim. Escrito em vários estilos, conforme o dita a necessidade, não deixa de nos surpreender, quer seja pela intensidade do relato ou pelos pequenos detalhes, que são tão engraçados.
Diz que também há em filme, mas em filme não deve ser tão giro.
By : ladyxzeus
The Fountain
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The Fountain (O Último Capítulo)
Darren Aronofsky
Filme
2006
8 em 10
O chamado "filme alucinado da árvore que vimos no Ano Novo".
Existe um homem que está no espaço dentro de uma bolha com uma árvore. Aparentemente a árvore está a morrer e ele tem de a salvar. Ele fala com a árvore. Uns milénios antes, em 2005, um médico usa uma árvore para encontrar a cura para o cancro, doença da qual padece a sua mulher. E ainda mais anteriormente, em mil e qualquer coisa, um El Conquistador espanhol procura uma árvore maia para salvar a sua rainha da inquisição. Estes três homens são o mesmo e a mulher também. O homem procura salvá-la, mas ela não precisa de ser salva, porque é uma árvore. Acho eu. Confesso que não percebi muito bem.
Mas o filme é lindíssimo.
Utilizando recursos originais, foram obtidas imagens de uma beleza surpreendente. Uma beleza orgânica e simples, que faz o espectador voar. Imagens que combinam com a beleza da história, uma história simples da busca pela felicidade e do amor, com uma análise quase metafísica da vida e do seu significado.
Hugh Jackman tem uma prestação fantástica, intensa e comovente. Os personagens principais encontram-se em polos opostos da compreensão da vida e da morte e é esta busca o que define o desenvolvimento de Tom nas suas três formas. Através das três perspectivas temos um personagem completo, que se inicia no bárbaro, evolui para uma fase transitória de ciência e conhecimento e termina naquele que compreende o mais íntimo de si e da natureza, buscando na meditação as respostas e acabando por as encontrar inspirado pela visão do passado.
A música dá uma grande intensidade a todo o filme e acrescenta muita emoção às cenas.
Um excelente filme, que peca por não ser muito claro no final e não se associar à mensagem que tenta transmitir. Dizem-me que afinal não é assim tão bom, por isso acho que não o vou querer rever sóbria.
By : ladyxzeus
Destruir depois de ler
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Destruir depois de ler
Joel Cohen e Ethan Cohen
Filme
2008
8 em 10
Filme de ano novo.
Bem, eu já tinha visto isto, mas não me lembrava o quão giro era! Visto uma segunda vez sob efeitos verdes, todo o filme me pareceu uma experiência ainda melhor. Bem, mas antes de começar esta review vou fazer o caro leitor prometer que cada vez que ler "Osbourne Cox" o vai dizer com a voz do Brad Pitt.
A história de base é sobre um agente da CIA, Osbourne Cox, que é despedido por ser um bêbado de merda. Para libertar a sua raiva Osbourne Cox decide escrever umas memórias. Só que, bem, Osbourne Cox não é exactamente uma pessoa relevante no universo da CIA, por isso as suas memórias são, digamos, uma bela merda. Ora, essas memórias de merda são encontradas por Chad e pela Linda Litzke, dois empregados de ginásio. Eles, coitadinhos, acham que estas memórias são documentos secretos da CIA e tentam fazer chantagem com Osbourne Cox para obterem dinheiro. Enquanto isso o George Clooney tem uma almofada triangular e corre regularmente.
Toda a história se une a pouco e pouco, com um detalhe e uma precisão incríveis. Existem várias pequenas histórias que se reúnem todas na confusão que se tornou a vida de Osbourne Cox (ainda estão a ler isto com a voz do Brad Pitt?) Está muito bem pensada e tudo encaixa perfeitamente, sem qualquer hesitação. Achei também que foi muito boa ideia colocar uns "comentadores" à história louca, os responsáveis da CIA. Eles dão um toque de realidade a esta história impossível (mas que até podia acontecer, reunidas as condições ideias)
Mas o mais delicioso deste filme são as personagens. Cada qual com o seu excelente actor, têm todas uma personalidade incrível e um desenvolvimento fantástico. E cada uma diz um palavrão diferente. Osbourne Cox, aka John Malkovitch, é um frustrado, um incapacitado psicológico, um homem furioso com a vida, cuja fúria se transforma numa raiva alucinada que ninguém percebe bem o que é mas que aceitamos (ou ele pode fazer-nos mal). Harry Pfarrer, aka George Clooney, é o personagem perfeito para o George Clooney, um fodilhão sem remorsos, um conquistador, cuja segurança se transforma em terror e paranóia. Linda Litzke é perfeita, a mais fina crítica à mulher de meia idade que está desesperada. E Chad é um encanto. Não tem conteúdo nenhum, mas o Brad Pitt fá-lo tão bem que o personagem se torna em mais um motivo para ver o filme.
A imagem e música, no entanto, não são dignos de nota. Mas fazer este filme como se estivéssemos a assistir aos acontecimentos por acaso funciona muito bem.
Sem dúvida um recomendado.
By : ladyxzeus

