Quem me dera ser onda
1
Quem me dera ser onda
Manuel Rui Alves Monteiro
1991
Novela
E logo a seguir um livro Angolano. Deste não gostei muito.
Tudo começa com um homem que tem ânsias de comer carne de porco. Por isso arranja um porco para criar no seu apartamento, apartamento esse que pertence a um prédio onde é proibido ter porcos. Toda a família se encanta com o porco e fazem várias maroscas para o esconder dos vizinhos maus que o querem roubar.
Isto seria muito divertido não fosse estar escrito de uma forma irritante e incompreensível. Eu adoro a língua portuguesa, adoro ler em português, seja daqui seja do Brasil seja de onde for. Mas este lingo angolano que até precisa de notas de rodapé para se perceber, só está aqui para dizer "este livro é angolano yo, somos tão especiais yo" e não serve para imprimir qualquer tipo de emoção ou detalhe à história.
Parece-me que há uma tentativa de caracterizar a Angola como ex-colónia pelos olhos das crianças, mas até as crianças estão tão alteradas pelo regime (regime esse que eu não compreendo, só ouvi falar assim por alto) que não há caracterização nenhuma, só uma amálgama de termos e de notas de rodapé.
E eu que nem como carne de porco...
By : ladyxzeus
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
0
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Germano Almeida
1989
Ficção
Foi a primeira vez que li um livro cabo-verdiano. Diverti-me imenso.
Este livro fala do testamento de um comerciante bem sucedido, o Sr. Napumoceno da Silva Araújo, que deixa todo o seu dinheiro e negócios a uma filha secreta que todos (até ela) desconheciam em vez de o deixar ao seu sobrinho. O livro discorre sobre a vida deste Sr. Napumoceno, das vezes que se apaixonou, dos bons negócios que fez, das suas manias de higiene e de fatos para ocasiões sociais, do que sente pelas outras pessoas e porque razão se zangou com o sobrinho. E Germano Almeida faz isto com tanta mestria que a vida deste homem que nem sequer fez nada de especial se torna numa coisa muitíssimo interessante.
O livro prendeu-me do início até ao fim. Escrito em vários estilos, conforme o dita a necessidade, não deixa de nos surpreender, quer seja pela intensidade do relato ou pelos pequenos detalhes, que são tão engraçados.
Diz que também há em filme, mas em filme não deve ser tão giro.
By : ladyxzeus
The Fountain
0
The Fountain (O Último Capítulo)
Darren Aronofsky
Filme
2006
8 em 10
O chamado "filme alucinado da árvore que vimos no Ano Novo".
Existe um homem que está no espaço dentro de uma bolha com uma árvore. Aparentemente a árvore está a morrer e ele tem de a salvar. Ele fala com a árvore. Uns milénios antes, em 2005, um médico usa uma árvore para encontrar a cura para o cancro, doença da qual padece a sua mulher. E ainda mais anteriormente, em mil e qualquer coisa, um El Conquistador espanhol procura uma árvore maia para salvar a sua rainha da inquisição. Estes três homens são o mesmo e a mulher também. O homem procura salvá-la, mas ela não precisa de ser salva, porque é uma árvore. Acho eu. Confesso que não percebi muito bem.
Mas o filme é lindíssimo.
Utilizando recursos originais, foram obtidas imagens de uma beleza surpreendente. Uma beleza orgânica e simples, que faz o espectador voar. Imagens que combinam com a beleza da história, uma história simples da busca pela felicidade e do amor, com uma análise quase metafísica da vida e do seu significado.
Hugh Jackman tem uma prestação fantástica, intensa e comovente. Os personagens principais encontram-se em polos opostos da compreensão da vida e da morte e é esta busca o que define o desenvolvimento de Tom nas suas três formas. Através das três perspectivas temos um personagem completo, que se inicia no bárbaro, evolui para uma fase transitória de ciência e conhecimento e termina naquele que compreende o mais íntimo de si e da natureza, buscando na meditação as respostas e acabando por as encontrar inspirado pela visão do passado.
A música dá uma grande intensidade a todo o filme e acrescenta muita emoção às cenas.
Um excelente filme, que peca por não ser muito claro no final e não se associar à mensagem que tenta transmitir. Dizem-me que afinal não é assim tão bom, por isso acho que não o vou querer rever sóbria.
By : ladyxzeus
Destruir depois de ler
0
Destruir depois de ler
Joel Cohen e Ethan Cohen
Filme
2008
8 em 10
Filme de ano novo.
Bem, eu já tinha visto isto, mas não me lembrava o quão giro era! Visto uma segunda vez sob efeitos verdes, todo o filme me pareceu uma experiência ainda melhor. Bem, mas antes de começar esta review vou fazer o caro leitor prometer que cada vez que ler "Osbourne Cox" o vai dizer com a voz do Brad Pitt.
A história de base é sobre um agente da CIA, Osbourne Cox, que é despedido por ser um bêbado de merda. Para libertar a sua raiva Osbourne Cox decide escrever umas memórias. Só que, bem, Osbourne Cox não é exactamente uma pessoa relevante no universo da CIA, por isso as suas memórias são, digamos, uma bela merda. Ora, essas memórias de merda são encontradas por Chad e pela Linda Litzke, dois empregados de ginásio. Eles, coitadinhos, acham que estas memórias são documentos secretos da CIA e tentam fazer chantagem com Osbourne Cox para obterem dinheiro. Enquanto isso o George Clooney tem uma almofada triangular e corre regularmente.
Toda a história se une a pouco e pouco, com um detalhe e uma precisão incríveis. Existem várias pequenas histórias que se reúnem todas na confusão que se tornou a vida de Osbourne Cox (ainda estão a ler isto com a voz do Brad Pitt?) Está muito bem pensada e tudo encaixa perfeitamente, sem qualquer hesitação. Achei também que foi muito boa ideia colocar uns "comentadores" à história louca, os responsáveis da CIA. Eles dão um toque de realidade a esta história impossível (mas que até podia acontecer, reunidas as condições ideias)
Mas o mais delicioso deste filme são as personagens. Cada qual com o seu excelente actor, têm todas uma personalidade incrível e um desenvolvimento fantástico. E cada uma diz um palavrão diferente. Osbourne Cox, aka John Malkovitch, é um frustrado, um incapacitado psicológico, um homem furioso com a vida, cuja fúria se transforma numa raiva alucinada que ninguém percebe bem o que é mas que aceitamos (ou ele pode fazer-nos mal). Harry Pfarrer, aka George Clooney, é o personagem perfeito para o George Clooney, um fodilhão sem remorsos, um conquistador, cuja segurança se transforma em terror e paranóia. Linda Litzke é perfeita, a mais fina crítica à mulher de meia idade que está desesperada. E Chad é um encanto. Não tem conteúdo nenhum, mas o Brad Pitt fá-lo tão bem que o personagem se torna em mais um motivo para ver o filme.
A imagem e música, no entanto, não são dignos de nota. Mas fazer este filme como se estivéssemos a assistir aos acontecimentos por acaso funciona muito bem.
Sem dúvida um recomendado.
By : ladyxzeus
Up
0
Up
Pete Docter e Bob Peterson - Disney/Pixar
Animação Ocidental - Filme
2009
6 em 10
Filme que vi no dia de Natal. Eu tinha muita curiosidade sobre este filme, tinha-me sido muito recomendado, disseram-me que era bonito e eu gosto de bonecos bonitos. Desapontou-me bastante.
Comecemos pela animação. É boa, bastante boa. Os designs de personagens estão muito bem concebidos e caracterizam bem o que tencionam mostrar. As sequências de animação podem parecer simples, mas são fluídas, rápidas e plásticas, especialmente todos os movimentos do passaroco. As cores são bonitas e isto no cinema deve ter sido a loucura, com aqueles balões todos. Em resumo, animação e design excelentes.
Mas tudo o resto...
A história é muito simples e tem uma sequência muito bonita (a da vida do homenzinho), mas é cliché e incongruente. O que me chateou mais foi sobretudo isto, a incongruência. Se o explorador vai com dois cães da mesma raça para a Patagónia (ou o que seja) como é que 70 anos depois tem cães de raças diferentes? Aliás, se o explorador tinha 25 anos quando foi para a Patagónia (ou o que seja) como é que 70 anos depois ele ainda está vivo, a mexer-se bem num sítio onde não há medicina e sem sinais de demência (fora um certo comportamento obsessivo)? Não questiono como é que uma casa voa presa a balões, porque isso é perdoável, mas o resto não consigo perdoar.
Os personagens têm muito pouco de palpável em termos de desenvolvimento e de relações entre eles. Sim, tentam fazer uma identificação do velho com a criança gorda, mas faltou-lhe ali qualquer coisa e acabou por não funcionar e não me comoveu. Aliás, eu já sabia que isto ia acontecer e tinha o lencinho pronto para chorar, mas nada disso.
A música recorrente é bonita, mas já me esqueci dela.
Bons gráficos, sim, mas a bons gráficos precisamos de aliar tudo o resto. Porque se não é só um desperdício. Seja anime seja outra coisa qualquer.
By : ladyxzeus
O Leitor
0
O Leitor
Stephen Daldry
Filme
2008
6 em 10
Foi este filme que vimos em família na noite de Natal. Foi um erro, mas começando-o tivemos de o acabar. Ninguém estava à espera que aparecesse tanta gente nua.
Este filme tem um argumento interessante, que dá uma volta muito engraçada mais à frente, mas não é especialmente bom. Com um foco demasiado intenso e bastante desnecessário em cenas de sexo e em gente a tomar banho, parece que as fizeram só para ocupar espaço. De certa forma elas caracterizam bem a relação dos dois personagens principais, mas não era preciso tantas.
Os personagens são bastante crus, se bem que a fêmea cresce e se torna mais profunda com a continuidade do filme. No entanto não deixa de ser básica. Nem uma actriz excelente consegue fazer de uma personagem básica algo mais do que isso.
Teve imagens bonitas mas nenhuma especialmente memorável. O mesmo para a música.
Um filme que não é bom para ver em família na noite de Natal.
By : ladyxzeus
Cross Game
0
Cross Game
Osamu Sekita - SynergySP
Anime - 50 Episódios
2009
6 em 10
O chamado "remake de Touch". Pois bem, isto pode ser o remake, mas Touch é superior.
Kitamura Ko é um jovem sem grandes interesses que tem uma amiga, chamada Akane. A amiga, bem, acontece-lhe uma tragédia logo no primeiro episódio. Restam as três irmãs da amiga, respectivamente uma gaja boa com ares de dona de casa, uma pita irritante e estúpida e Aoba, uma bacana que detesta o Ko e que é bastante boa a jogar baseball. Ora, Aoba mete-se a ensinar o Ko a jogar e fica-se a saber que com as técnicas dela aliadas ao je-ne-sais-quoi dele, o jovem é um dos pitchers mais geniais de todos os tempos. Entretanto há um gajo giro que é o quarto batedor e que é mega talentoso, há histórias de amor todas paralelas umas às outras e, avanço desde já, não há beijo.
Ora portantos, o anime de baseball ensinou-me a gostar de baseball. De certa forma Cross Game é um anime de desporto superior, porque não nos obriga a passar três episódios por jogo a ver em detalhe cada pensamento e flashback sobre a vida de cada jogador. No entanto, e comparativamente com a melhor série de baseball que vi (Touch), a carga emocional é muito inferior e mal explorada. Passamos metade da série a ter flashbacks emotivos da vida de Ko com Akane e a ver o seu amor que acabou por nunca se consumar por motivos exteriores a este pequeno casal de 10 anos de idade. Isto é, numa palavra, chato.
Gostei do estilo antigo numa animação nova, mas a animação em si não é nada de especial.
A OP é gira e as vozes estão bastante boas, mas de resto não há um ambiente musical bem definido, com recurso a temas marcantes. É fácil esquecer este sonoro.
Os personagens parecem não crescer desde que aparecem pela primeira vez (que era quando tinham, já disse, 10 aninhos). A partir do momento em que entram no secundário não crescem mais em altura e nunca cresceram em termos de personalidade. Também não estão muito bem caracterizados, aparentemente basta um lamiré do que são para mostrar a sua relação. Isto é falso. Eu precisava de personagens fortes na sua essência, personagens mais completos, para me envolver melhor emocionalmente com o caso Ko/Aoba.
Uma série divertida, séries de desporto são sempre divertidas, mas claramente inferior ao seu parente Touch.
By : ladyxzeus
