• Black Lagoon: The Second Barrage

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    Black Lagoon: The Second Barrage
     Katabuchi Sunao - Madhouse Studios
    Anime - 12 Episódios
    2006
    6 em 10

    Bem, eu estava a adiar ver esta segunda season. Adiei, adiei, até que finalmente vi. E ok, não está mal. Mas também não está bom. Vamos a ver:

    A história é a mesma. Rock é um empregado de escritório que decide abandonar a sua vida aborrecida para se tornar num pirata dos tempos modernos. Temos outra vez uma natureza quase episódica, com histórias diversas. Cada uma destas histórias está um pouco melhor concebida em comparação com a primeira season. Se bem que o que eu desejava (assim algo que falasse sobre a complexidade dos sentimentos humanos) não existia ou foi visto apenas muito superficialmente. Houve mais conversa, mas continua a haver porrada a mais, o que não deixa as histórias atingirem o ponto de rebuçado.

    Os personagens são... Os mesmos. Excepto que desta vez deram uso ao potencial (que eu tinha dito! Eu tinha dito!) de Rock como personagem e o desenvolveram até meio. Falta o resto, mas também falta uma season. Rock é, sem dúvida, o personagem mais interessante do conjunto. Nesta season é-lhe impressa uma importância diferente e há espaço para que ele possa colocar as suas dúvidas. Infelizmente os seus objectivos e a sua moral são suficientemente difusos para que não se chegue a conclusão nenhuma. Todos os outros, tudo na mesma. Os intervenientes de cada história têm o seu quê de engraçado, mas também não são nada de especial.

    Música é a mesma.

    Arte é a mesma.

    Enfim, tudo na mesma, leva 6 à mesma.
  • District 9

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    District 9
    Neil Blomkamp
    Filme
    2009
    6 em 10

    Os aliens chegaram. À África do Sul. Logo aí começa bem. De premissa extremamente original, District 9 fala-nos de um um bairro de lata habitado por aliens viciados em comida de gato. Através de um homem que, por infelicidade do destino, se começa a transformar num alien (apesar de os odiar) passamos a conhecer a vida destas criaturas no seu Distrito, os maus-tratos de que são vítimas pela parte dos seres humanos e as formas como lutam pela sua sobrevivência e liberdade. Não será por acaso que isto dá uma belíssima analogia para a forma como tantos seres humanos vivem. Como se fossem aliens indesejados.

    Apesar desta boa história, District 9 não se distingue nos outros aspectos. O design dos aliens é interessante, mas não estão especialmente bem feitos. A caracterização do bairro de lata está muito boa. No entanto há algumas incongruências na direcção, como o pular de cena em cena sem concluir o assunto ou a grande questão "como é que os homens e os aliens percebem as línguas uns dos outros". A apresentação como se fosse um documentário é sem dúvida original, mas a partir do momento em que deixam de documentar para passar a narrar a história do homem-que-se-transforma-em-alien, o método torna-se obsoleto.

    Além disso, é tudo muito previsível e todos os clichés de todos os filmes acontecem aqui. Até há um alienzinho bébé fofinho.

    Ainda bem que não fui ver isto ao cinema, apesar de na altura querer ter ido. Não valia a pena o dinheiro.
  • O Concerto

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    O Concerto
    Radu Mihaileanu
    Filme
    2009
    8 em 10

    Queríamos ir ao cinema e não havia nada de jeito para ver no cinema. Por isso ficámos em casa a ver O Concerto. E ainda bem que ficámos! 

    Produzido em vários países, nomeadamente França e Rússia, este filme possui o humor próprio dos europeus. Sórdido, negro, mas tão envolvente!

    Temos uma história simples. O maestro da Orquestra Bolshoi do antigamente tornou-se no empregado da limpeza da Orquestra Bolshoi do agora. Ao encontrar um fax que convida a tal orquestra a tocar em França, ele decide reunir todas as pessoas do antigamente e fingir que são o agora. Ora portanto, isto não corre lá muito bem, porque agora as pessoas de antigamente são todas umas loucas. À mistura temos a misteriosa história da solista de violino. O grande defeito é que este mistério não é mantido no ar por tempo suficiente e depois de termos as revelações só nos resta ver a Orquestra. Mas vê-la é brilhante e o filme vale a pena só por esse momento final.

    Temos personagens originais, simples mas eficazes. Não há uma grande evolução na maioria deles, sendo os únicos contemplados o maestro e a solista. Estes, efectivamente, têm um crescimento baseado na sua relação com a música.

    A direcção é exemplar e detalhada. Há um toque pessoal em todas as cenas, o que torna o filme numa experiência bastante intimista.

    No geral, um excelente filme. Muito divertido e com um final bastante bonito. Excelente para uma noite de Sábado sem ganzas.
  • Ai no Kusabi 4 - Suggestion

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    Ai no Kusabi 4 - Suggestion
    Rieko Yoshihara
    Light Novel
    1986

    Ora bem, volume 4. Este volume resume-se em duas frases:

    "Kiri volta para Iason depois de coagido sexualmente" e "Kirie aprende a verdade sobre Guardian enquanto possui por trás o herdeiro do cargo mais importante em Ceres"

    E eu sinceramente não compreendo porque é que foram precisas 140 páginas para dizer isto. O único aspecto positivo deste volume é que, pela primeira vez, é-nos dada a oportunidade de ver as coisas da perspectiva de Iason. E aí se compreende que o que Iason sente por Riki é algo muito mais visceral do que simples passatempo, o que torna o desenvolvimento do personagem mais rico e interessante.

    Fora isso, parece-me que são usadas muitas palavras para dizer muito pouca coisa. As cenas de sexo estão bem concebidas, mas o vocabulário é muito cansativo. Ainda continuo a tentar descobrir se o livro é mesmo assim ou se é a tradução que é manhosa.

    Agora... O volume 5 está esgotado, só o encontro a 50£ em segunda mão. Até encontrar o livro a preço acessível ainda vai demorar, por isso é uma pena o volume 4 ter sido tão desapontante.
  • Conversa n'A Catedral

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    Conversa n'A Catedral
    Mario Vargas Llosa
    Romance
    1969

    Ora bem, eu andava com um certo calhamaço dentro da mala. E as pessoas perguntavam-me: "que livro é esse" e eu dizia "é um livro do mário vargas lhosa". E depois perguntavam-me "e é sobre o quê" e eu dizia "não sei".

    Porque acontece que a Conversa n'A Catedral é mesmo uma conversa. Não é sobre nada. É sobre a vida. Sobre a vida de Zavala e de Ambrosio, mas das perspectivas de Zavalita, de Amalia, de Hortensia, de Hipólito, de uma série de gente. Tudo isto sob o jugo do General Odría no Peru dos anos 50.

    Muitíssimo bem escrito, com todas as palavras nos lugares certos, em que até o mais estranho vocabulário se torna simples, este livro apresenta uma narração algo confusa, uma mistura de várias descrições e narrativas ao mesmo tempo. Custa um bocado a apanhar o estilo, mas quando se entra nele tudo se torna claro e fácil. É isto o que distingue o bom escritor do escritor vulgar? Creio que sim.

    Existem muitos personagens, todos eles únicos, realistas, afrontados pela dureza que os rodeia, portadores de sentimentos e problemas que caracterizam toda uma era. Este livro é feito das situações que são feitas pelas pessoas. É o facto dessas pessoas estarem tão bem desenhadas que transmite os sentimentos da época e a torna, a nós que nunca lá estivemos, palpável.

    Um livro excelente. Eu pensava que ele nunca ia acabar, mas acabou. E todos vamos morrer um dia, não é?
  • Planetes

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    Planetes
    Taniguchi Goro - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    2003
    8 em 10

    A verdade é que existe anime sobre tudo. Até existe anime sobre homens do lixo. Mas, para dar uma certa classe à profissão, não são uns homens do lixo quaisquer. São homens do lixo do espaço.

    Planetes é uma delícia, uma cornucópia de visões e de sentimentos e uma viagem ao espaço, 10.000 anos depois entre Vénus e Marte. Começando pela história. De uma simplicidade única, apresenta-se como um dos argumentos mais originais da década. Conta-nos o dia a dia daqueles que, por competência própria ou do destino, acabaram a apanhar o debris espacial criado ao longo dos anos. É uma profissão importante, tal como qualquer outra, mas sobrevalorizada na empresa a que pertence. A luta do dia a dia dos personagens é contrabalançada pela luta entre as várias esferas de poder empresarial e do mundo do doismilesetentaepico. Assim temos a vida das pessoas equiparada à vida do mundo, e do universo, de uma forma tão equilibrada que se torna bela. E o anime não se coíbe de aproveitar a deixa para promover a paz no mundo, por um planeta unido e sem guerra.

    Planetes não é só "planetas". Planetes é "wanderers", os que "andam por aí", os que procuram. Planetes não é só uma história do dia a dia, mas é também a história das pessoas. Cada personagem é único e tão real que o podemos palpar. Todas as pessoas são normais e vivem na normalidade. Têm problemas como os nossos, têm crises como as nossas, têm desejos como os nossos. São pessoas como nós. E, tal como nós, mudam com as suas experiências, para melhor ou para pior. Cada personagem cresce à sua maneira, de forma perfeita, nunca apressada, cada personagem busca em si própria a maneira de mudar para atingir os seus objectivos. E, tal como nós, por vezes falham neste processo. E voltam a por-se de pé. Hachimaki tem das melhores progressões alguma vez criadas, passando por várias fases até descobrir verdadeiramente o que deseja e sente. Tanabe Ai também muda de forma perfeitamente orquestrada, crescendo, passando de menina ingénua a mulher, mas sem nunca mudar a sua perspectiva de ver a vida. São pessoas.

    A arte é muito bela. O espaço não tem muito que ver, mas da perspectiva destes homens e mulheres até no quotidiano se encontram paisagens maravilhosas. A animação é muito cuidada e as cenas com acção são detalhadas. Os designs dos personagens são adequados e a estrutura de toda a maquinaria e tecnologia é extremamente realista. Porque, efectivamente, um fato de astronauta nos doismilesetentaepicos provavelmente será parecido com os de agora e não será um plugsuit perfeitamente ajustado às curvas dos enormes seios da bela pilota da nave espacial que, com os seus longos cabelos a esvoaçar no vácuo, faz movimentações e lança raios laser. Gostei especialmente da manutenção do efeito da gravidade (ou falta dela) nos movimentos dos personagens e dos objectos. Também das várias visões que temos do planeta Terra e do Sol e da Lua, a girarem sobre eles próprios a uma velocidade que não vemos.

    A música é apropriada, mas não memorável. Pessoalmente, eu consigo ver a Equipa de Debris a trabalhar ao som de Fuga para o Espaço, mas se calhar sou só eu.

    Um anime carregado de mensagens importantes e tocantes. Uma delas impressionou-me especialmente: a imagem da rapariga da Lua a brincar no "mar". Vou reter esta imagem durante muito tempo e vou falar dela a toda a gente até se fartarem: foi belo. Foi intenso. Foi perfeito.

    Não estava à espera que um anime sobre homens do lixo fosse assim. Mas a verdade é que Planetes passou a figurar na minha lista de favoritos. Extremamente recomendável.
  • Shigofumi

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    Shigofumi
    Satou Setsuo - J.C. Staff
    Anime - 12 Episódios + 1 Special
    2008
    6 em 10

    (Nota: Não sei se repararam, mas passei a adicionar o estúdio produtor juntamente com o realizador, para o Anime. Porque num anime a equipa é por vezes mais importante que a pessoa individual)

    Uma boa premisa. Shigofumis são cartas que os mortos mandam a quem de direito. E Fumika é aquela que serve de carteiro, auxiliada pela sua colega Kanaka (que, coitada, não passa de um bastão). No entanto, se há algo que pode caracterizar este anime é a palavra... Mediano.

    Esta história tem uma natureza episódica, com um ou dois ou três episódios dedicados a cada carta. A meio caminho começamos a falar de Fumika. Mas tudo é previsível a partir da primeira pista e não se guarda uma pinta de mistério para nos agarrar. Aquilo que me agarrou foi tentar saber o que cada carta dizia, mas as probabilidades eram simples e a novidade serviu sempre como uma simples confirmação.

    Os personagens são normais. Nada fora do vulgar. As suas histórias também não eram fora do vulgar, por isso não se podia esperar muito deles. Não há um desenvolvimento entroncado e as suas acções baseiam-se sempre na opção mais simples e no lugar comum. Além disso, porque é que tinham de fazer Chiaki de bêbada (e porque é que lhe tinham de dar importância? Só para ter uma personagem loira no elenco?) O único personagem interessante será talvez Kirameki, pelo seu belo psicótico, mas até ele se perde no exagero e no vulgar.

    A arte não é nada de mais. Não há grandes detalhes nem grande originalidade na concepção do design. Talvez os fatos dos carteiros sejam engraçados de se fazer, mas não saem muito dos parâmetros estipulados para os carteiros que aparecem em séries de anime.

    OP de Ali Project, o que dá sempre um ar de mistério clássico à obra a que se refere, mas aqui não há mistérios nem classicismos, por isso é desapropriada. Tudo o resto, das vozes ao resto da OST, é algo já visto, mais que batido, mais que repetido.

    Interessante, até mantém uma pessoa mais ou menos agarrada, mas não se distingue dos outros animes sem ser pela premisa, mal aproveitada.
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