• Um Lugar para Viver

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    Um Lugar para Viver
    Sam Mendes
    Filme
    2009
    6 em 10

     Já tinha visto este filme no cinema, mas acidentalmente aluguei-o na Meo e lá fui eu ver o filme outra vez (com a minha avó). Mas é um filme giro, por isso não me importei muito!

     O tema do filme é a família. Um casal de namorados descobre que vai ter uma criancinha e que, porque os avós da criancinha vão para a Bélgica antes de ela nascer, pode mudar da casa miserável onde vivem para uma que seja mais fascinante. Assim, viajam pela América, visitando todos os sítios que têm amigos, para descobrir um lugar para viver. E assim temos uma série de personagens fascinantes, cada um mais louco que o outro.

     A história é simples e está bem escrita. Existem momentos muito bonitos, enquanto o casal tenta compreender que tipo de família querem formar e que tipo de pais querem ser. Mas acaba por ser só mais uma história de viagens e há alguns gags muito forçados, como o da bêbada. Para mim a história mais original é a da gaja zen, mas o actor envolvido nesta história não fez um grande trabalho.

     Os personagens são apenas pessoas normais e os actores fazem um trabalho moderado em relação a isso. Parece-me que ambos tentam ser engraçados demasiado frequentemente e falham.

     Há imagens bonitas durante a viagem, mas fora isso não é um excepcional trabalho de realização.

     Como disse no início, um filme giro. Mas também não é nada de especial e duvido que o venha a rever outra vez.
  • Ristorante Paradiso

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    Ristorante Paradiso
    Kase Mitsuko
    Anime - 11 Episódios
    2009
    7 em 10

    Disseram-me para ir ver alguma coisa de que gostasse, por isso fui ver Ristorante Paradiso. E gostei.

     Nicoletta é uma jovem de 21 anos que foi abandonada pela mãe em casa dos avós, pois esta queria casar-se com um homem que não queria divorciadas. Por isso, voltou para revelar tudo ao marido da mãe. Este é dono de um restaurante de luxo em que todos os empregados são senhores de meia idade que usam óculos. Fascinada por isto, Nicoletta acaba por desistir da ideia de contar tudo e começa a trabalhar lá. E assim começa a nossa tour pelo restaurante casetta del'orso, o "ristorante paradiso".

     A história é de uma das minha autoras preferidas, Fumi Yoshinaga. É uma história simples, madura, simpática. Não há grandes dramas existenciais, não há grandes reviravoltas. A mim agrada-me este tipo de história, que é leve mas ao mesmo tempo toca-nos profundamente.

     A animação é, infelizmente, bastante fraca. Existem alguns stills bonitos da cidade de Roma, onde se passa a acção, mas há um abuso constante de CG, quer para abrir portas quer para servir vinho, o que me cansou um bocadinho. O design dos personagens é perfeito. Toda a gente é velha (por assim dizer, têm todos uns 50 anos...), toda a gente é desgastada, e isso nota-se perfeitamente logo a partir do design. Não são pessoas bonitas, nem a própria Nicoletta é um génio da beleza, mas têm um charme inerente à sua figura.

     Esse charme é desenvolvido a pouco e pouco ao longo da série. Cada empregado do restaurante tem uma personalidade demarcada, se bem que às vezes muito fraca. É engraçado notar como o personagem principal da história, Claudio, é o que tem a personalidade mais apagada e submissa. Há um desenvolvimento muito intenso de todos os personagens, com recurso quer a histórias do seu passado como aos acontecimentos presentes. Isto nota-se sobretudo nos personagens principais, mas todos os outros também sofrem algum desenvolvimento. Para mim, os personagens são o ponto principal da série. São sem dúvida inesquecíveis.

     A OST mal se dá por ela, mas isto acaba por ser uma coisa boa, pois significa que está bem adaptada ao ambiente que pretende ilustrar.

     Sinto-me muito agradada por ver séries que estão dirigidas à minha demografia, apesar de serem tão raras. Ristorante Paradiso dá-nos vontade de fazer a mala e de ir para Roma, à procura do restaurante e dos seus empregados que usam óculos. Pena que, existindo, deve ser um restaurante caríssimo.
  • Boogiepop Phantom

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    Boogiepop Phantom
    Watanabe Takashi
    Anime - 12 Episódios
    2000
    5 em 10

     Um clássico dos 00s, o anime Boogiepop Phantom explora acontecimentos que se passaram há cinco anos e que se reflectem na actualidade: crianças com estranhos poderes, assassinatos e Boogiepop, uma criatura semelhante a shinigami (deus da morte).

     A premissa é excelente, mas a concretização foi insuficiente. Este é um anime para quebrar a cabeça, mas não nos são dadas informações suficientes para conseguir resolver o puzzle. Parece ser necessário um conhecimento prévio de certos acontecimentos, que não nos é dado. Assim, isto acaba por ser apenas uma grande confusão. Além disso, existem elementos (os insectos, a misteriosa droga disfarçada de perfume) que parecem ser completamente esquecidos na progressão da história. é fácil de entender o fio principal da meada, mas tudo o resto teremos de considerar ou inútil ou inexplicável. Eu vou mais pelo inútil.

     A direcção de arte tem também uma premissa excelente. Os tons sépia, o preto e branco, tudo isso é fascinante. Mas acaba por ser destruído por um design deficiente. Este estilo é popular no início dos 00s, especialmente para histórias deste género, o terror urbano, mas ainda assim acho que o estilo da realização teria sido muito mais eficiente com um design de personagens diferente, nomeadamente um estilo shoujo mais brilhante ou um estilo realista.

     As personagens individuais de cada episódio estão bem desenvolvidas, havendo uma boa apresentação dos seus dramas, e Boogiepop mantém-se como criatura misteriosa do início até ao fim, se bem que lhe dão uma certa personalidade que me parece ser desnecessária. No entanto, Kirima Nagi - que é um ponto fulcral de união entre todas as histórias - não parece ter uma personalidade, um passado ou um futuro e está simplesmente ali a andar de mota e a ser fixe com um fatinho colado ao corpo.

     A banda sonora é possivelmente o ponto mais bem conseguido da série. Mantém um nível de suspense e mistério adequados.

     Boogiepop Phantom é parte de todo um franchise, mas a série - sobre a qual eu tinha grandes expectativas - é desagradável. Não tem o mistério nem o horror que prometia e é apenas uma amálgama confusa de conceitos que nunca são explicados. No entanto, a apresentação é muito original e daí um 5 e não outra coisa pior.
  • Os Pássaros da Morte

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    Os Pássaros da Morte
    Mo Hayder
    Policial
    2001

    Este livro ganhei-o na promoção da Editorial Presença, que fizeram no Facebook. Escolhi-o pelo título (bem, só dava para escolher pelo título...), porque tinha Pássaros e eu gosto de pássaros. Afinal é um policial dos 00s, coisa que nunca tinha lido na vida. E, sinceramente, acho que os policiais têm mais interesse quando são antigos.

     Esta história passa-se em Inglaterra, em que se descobrem uma série de corpos pertencentes a prostitutas, mutilados e abandonados. E com pássaros cosidos aos pulmões, que divertido. O Detective Caffery, personagem principal, vai somando dois mais dois e chega às suas conclusões, enquanto se separa de uma gaja maluca, se apaixona por uma stripper e tenta encontrar a solução para o desaparecimento do seu irmão mais velho, que se evaporou quando eram putos. Ah, e há uma competição irrelevante com um outro idiota do seu serviço que é racista e quer matar pretos. Enquanto isso, o assassino também é descrito. Por isso sabemos quem ele é desde o início. Enfim...

     A história é pavorosa, no sentido literal. Há descrições ricas de como as vítimas são mortas, violadas e encontradas. e também de como estão envolvidas na droga entre outras coisas mais. Aliás, um dos defeitos deste livro é precisamente esse. Tem descrições completamente inúteis e situações absolutamente desnecessárias para o desenvolvimento da história. Parece que já foi feito a pensar na série ou no filme (que nunca há-de acontecer, espero eu?), com uma série de apartes para encher chouriços.

     Os personagens são pouco memoráveis e mal caracterizados. A autora exige descrever o que eles vestem todos os dias, mas recusa-se a descrever as suas personalidades, quer através de acções, situações ou outra coisa qualquer. Para mim o melhor personagem foi o secundário Gemini, que na sua simplicidade acava por ser o mais sólido.

     O final está bem apresentado e a história bem atada. Chegou a haver um momento surpreendente de grande suspense, mas a autora decidiu estragá-lo tentando caracterizar o personagem envolvido. E falhando. Desenvolver personagens com recurso a flashbacks já está demasiado batido.

     Não desgostei do livro, mas este é sem dúvida um género que não consigo aturar. O culpado é sempre o mordomo, mesmo que não haja mordomo.
  • Terna é a Noite

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    Terna é a Noite
    F. Scott Fitzgerald
    Romance
    1934

     Esta interessante nova colecção do Público apresenta-nos autores que, não tendo recebido o Prémio Nobel, talvez o tivessem merecido, por todo o seu trabalho. Há várias razões para estes autores não terem recebido o Nobel, desde serem bêbados inveterados a serem demasiado trágicos ou, nas suas obras, colocarem um ênfase demasiado profundo no acaso e não no valor humano.

     Por isso fui, felicíssima, ler esta obra do autor de O Grande Gatsby (livro que, por sinal, eu ainda não li). Depois de o terminar, durante um dia de praia, só tenho a dizer... Talvez ele não tenha recebido o Nobel porque não o merecia.

     Este livro passado no apogeu cultural do pós-guerra mundial trata da vida de Dick Diver e da sua relação com Nicole, sua esposa. Ele é um médico psiquiatra, ela foi sua paciente, e após o seu casamento ele sofre um processo de degeneração em que deixa o emprego e se acopla ao álcool, passando a depender cada vez mais, sob todos os aspectos, da sua esposa (que é rica, muito rica). Ele tenta libertar-se da sua mulher, inspirado por um caso com uma jovem actriz Americana - Rosemary - que, infantil, vê nele um ídolo do amor.

     Parece bem, não parece? Mas não está. Todo o livro está escrito como se todos estes dados fossem vulgares e isso torna a história completamente irrelevante. Existe uma miríade de outros personagens, mas eles não interessam a ninguém. Também existe uma miríade de histórias paralelas, que ainda interessam menos. É um livro pouco focado, sem objectivo. Não há uma boa caracterização da época e da sociedade rica em que tudo se passa e é muito difícil de visualizar as situações.

     Os personagens, vulgares, estão mal caracterizados. Há um excesso de acções que não validam as suas personalidades e as relações entre eles, motivo principal da obra, são corriqueiras e sem qualquer tipo de intensidade.

     A escrita é boa, mas falhando nestes dois aspectos principais empalidece e chega a parecer apressada.

     Um libvo desapontante. Mas ainda vou ler o Grande Gatsby quando tiver oportunidade, porque deve ser bem melhor.
  • American Pie

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    American Pie
    Paul Weitz
    Filme
    1999
    5 em 10

     Ainda me lembro quando este filme saiu. Eu tinha 11 anos e o meu grande desejo era ir ver esta coisa ao cinema, mas não podia porque era para maiores de 16. Depois, passou na televisão. Não percebi grande coisa, por isso não lhe achei muita piada. Fui revendo-o na televisão e progressivamente percebendo o que se andava a passar. E agora revi-o uma vez final, par ajustar contas.

     Este não é um filme bom. Mas tem a sua graça, dependendo do grau de impureza das nossas mentes. Eu, pessoalmente, não sou apreciadora de piadolas sexuais. Consequentemente, há aqui muitas coisas que eu, inerentemente não gosto. Começa logo pela premissa: quatro pobres tristes decidem perder a virgindade, seja porque meio for, antes de acabarem a escola secundária. Claro que daqui não podia sair grande história... De resto, é um filme bastante normal em termos de escrita e realização. As piadas são engraçadas e calculo que para quem goste disto seja absolutamente hilariante. Os gags têm timings muito bons.

     Mas se há algo memorável neste filme, são as personagens, sem dúvida. 12 anos depois, ainda nos lembramos dos seus nomes e daquilo que representam, no universo da escola secundária Americana. Os actores são um conjunto de "novas" (bem, na altura eram novas) caras e fazem todos um bom trabalho. Evidentemente, não é um trabalho extremamente complicado, mas funciona.

     Um filme para relembrar e que continuaremos a rever em noites de bebedeira daqui a 10 anos.
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